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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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As coisas e o seu espírito

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1867 – 19 de Dezembro de 1986

As coisas e o seu espírito

            

Tarde invernoso … marido com gripe… vento a silvar nas janelas… céu cinzento… bruma… num ponto da casa uma braseira de picão fala de conforto.

                       

Os jornais já lidos, uns momentos para pensar na espera dum velho e querido Amigo, hoje, virá como médico também.

Na pausa reflicto no que li… no mais chocante… os comentários… a meu ver… prematuros sobre o carro que a câmara comprou.

                      

Recordo que o nosso Amigo, que agora espero, sensível ao espírito das coisas, quando foi Presidente da Câmara – comprou do seu bolso, durante o seu mandato… um carro, que, pela aparência, respeitasse o espírito das funções, que exercia, para honrar, para honrar Elvas…

Depois, lembrei o actual presidente a empurrar o carro assucatado que o Município tinha… Avenida da Republica abaixo e noutras ruas de Lisboa…

Lembrei-o outras vezes, parado, de noite, na berma das estradas à espera de socorros… lembrei-me de mim própria, também, quando no regresso de Santarém com os trabalhadores da Câmara, exaustos pelo esforço dispendido desde as 5 horas de manhã (em que de cá partiram para a montagem da “Cozinha Alentejana”) ansiosos por regressar a casa – parados, madrugada alta, numa noite fria e feia como o dia de hoje – na estrada deserta…

        

Coisas que se calam, estas e outras mais, porque Elvas… a cidade de Elvas… a sua população, o seu concelho, não mereciam estas humilhações…

       

Lembrei depois o historiador do Instituto Dona Leonor a quem pedi, de olhos molhados, silencio sobre os livros que ele vira a bulir parasitas na 3ª Biblioteca do País… a nossa… que esteve sem uma única desinfestação desde o último ano de vida do saudoso Eurico Gama! Isto… porque Elvas, a sua gente, o seu concelho…não merecem tamanhas humilhações.

        

Há as coisas e há o espírito delas!

O actual presidente queria carro mais modesto, mas o executivo fez questão de dar a Elvas um carro que vá em nome de Elvas… onde Elvas deva estar presente… não com o luxo de outras Câmaras, mas com dignidade entre os seus pares.

   

Só o futuro o dirá… com verdade… depois deste mandato terminar, se Elvas deu ao actual executivo carro de mais ou carro de menos… porque tudo é relativo e, ainda não há pontos de referência seguros.

Cá por mim… povo que sou … vou vivendo à portuguesa. Vou à missa com o fato de “ver a Deus” na boa tradição dos pobres que honram a sua gente sabendo que não basta ser, porque parecer também é necessário.

 

Maria José Rijo

 

E... Arriba Espanha!

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.359 – 12--Julho--1996

CONVERSAS SOLTAS

  

Como foi – posso contar.

Se, por ventura foi como deveria ter sido – já é discutível.

Numa praça bem em evidência um local sinalizado para um aparcamento de carros de deficientes.

                                        

Pode ser ali, decide o condutor da viatura confiado no sinal colocado nos vidros que indica que é essa a condição do proprietário.

                  

Tranquilos vão resolver os problemas que os levaram á cidade de Badajoz na tarde escaldante.

Demoraram-se apenas o necessário. Não muito.

Ao regressar não têm carro.

                    

Em seu lugar, colado no passeio um aviso colorido, dum vermelho reflector com letras negras que indicam que a grua fizera a transferência do veículo.

Ultrapassando o desconforto do impacto da situação, telefonam para a polícia e mais isto e mais aquilo...

Tomam notas apontam referências.

Utilizam um táxi e vão parar lá onde o diabo perdeu as botas em procura do carro que lhes pertence e se afigura ter sido indevidamente retirado dum local que lhe era reservado por indicador próprio

                           1[1].jpg

Os amáveis intermediários que facilitaram e promoveram os contactos telefónicos referem delicadamente que em Portugal fazem pior aos espanhóis.

(farão? – não sei!)

Que a polícia portuguesa multa indiscriminadamente e apreende os carros se não pagam imediatamente.

(Será? – não sei!)

Também previnem que todos os cuidados são poucos para quem se introduz onde os carros ficam detidos.

Que é um bairro onde os assaltos são moeda corrente.

Cria-se um clima de constrangimento. Mas, a aventura segue.

                                   

A autoridade que preside ao aprisionamento dos veículos frente ao cartão de invalidez a 100% que lhe apresentam – desfaz-se em desculpas. O condutor da grua – cora de vergonha – apenas cumpria a ordem da polícia que o convocara por rádio.

Ambos ensinam como deverão proceder as indefesas vítimas deste equívoco para tentar que os seus direitos sejam repostos.

Tudo certo.

Porém! – Só libertam o carro mediante a entrega de 13.000 pesetas.

Uma senhora portuguesa empresta a quantia – o carro é restituído aos donos.

Talvez que dentro de 3 meses – no mínimo recuperem a verba desta forma tão pouco ortodoxa lhe foi extorquida.

Talvez!

Ao que dizem o símbolo que o carro exibia não é idêntico ao que se usa em Espanha.

Pasma-se que não seja internacional como é a cruz vermelha, ou outros...

Aliás – pasma-se por muitas outras coisas.

Confesso que também pasmei com esta história.

Com esta complicada história!

Mas... adiante

Arriba Espanha!

Viva Portugal!

 

Maria José Rijo

 

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