Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Uma pequena incursão
Embora tenha decidido, salvo em raras excepções, não comentar o dia a dia dos acontecimentos políticos e, manter-me à margem, limitando-me o observar e a guardar silêncio, a verdade, é que algumas circunstâncias impelem à intervenção compulsória.
Agora, assim aconteceu com a história da tentativa de “casamento” entre duas mulheres.
Cada qual, nasce com as tendências que, não escolhe, mas que lhe são intrinsecamente peculiares.
Nasce-se como um Mozart, música materializada em gente.
Nasce-se, como um padre António Vieira, com o dom da oratória, esse uso privilegiado da palavra...
Nasce-se com capacidades excepcionais em vários ramos da ciência, das artes, da técnica...
Nasce-se feio ou bonito...como se nasce com deficiências físicas, sempre sem culpa e sem pecado.
A cultura, a educação, nem a própria religião, podem alterar profunda e estruturalmente estas circunstâncias.
Por outro lado, a vida em sociedade está assente em normas, que não foram, nem poderiam jamais ter sido, inventadas ao sabor de fantasias ou caprichos de quem quer que fosse, ou seja.
Elas resultam ou resultaram da interpretação de hábitos, regras instituídas, em princípio de práticas empíricas, e depois, logicamente aceitas e transformadas como leis de base para uma vivência comum, civilizada e pacífica.
Assim que a Família é uma dessas instituições.
Tem suas leis, seus princípios morais, criados em defesa desse pequeno núcleo, ou seja, marido e mulher que se unem pelo casamento, como projecto de Pai, Mãe, filhos.
Para quem é crente é necessária a benção do seu Deus, e ao acto civil, sobrepõe em valor o acto religioso, que crê e aceita como sacramento, e, portanto, indissolúvel.
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Ora, muito bem.
Isto, é o que todos sabemos e é a norma.
Porém, todas as normas têm excepções.
E, integrar, agora estas excepções que publicamente se reconhecem com tolerância e respeito pela diferença, parece urgente e inadiável.
Não é mais possível fechar os olhos a esta realidade.
Então, que se crie uma figura jurídica que sancione legalmente a defesa dos interesses, quer económicos, quer outros, dessas “ sociedades a dois”, dessas pessoas que não têm culpa de ter nascido diferentes, e que vivendo em comum, sem jamais serem um casal, o simulam, formando pares.
Afigura-se-me necessário, e preferível que isso aconteça evitando especulações e maiores desgastes morais numa sociedade onde, parece haver a preocupação de corromper o que desde sempre se assumiu como sua base sólida e moral, como um bem maior- a Família – que São Francisco de Assis padronizou no presépio de Belém, e o mundo cristão celebra
As indumentárias, e o circo que cada um armar depois para a festa, já não são da conta de mais ninguém, nem é necessário que esses eventos se transformem em escândalos, notícia de rádio ou de televisão, já que, caindo na banalidade, cairão no esquecimento, na vulgaridade.
Embora esta opinião tenha apenas o peso relativo que tem qualquer parecer da pessoa comum, que sou, o assunto é, a meu ver, tão delicado que, em consciência, pensei que, quem julga, não deve eximir-me, também, a ser julgado.
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.852 – 9-2-06
Conversas Soltas


