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Fotos escritores

Quinta-feira, 04.02.16

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José Régio

Judite Beatriz de Sousa

Casimiro Abreu e Tita

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Cap. Valadas

Casimiro Abreu

Eng. Miguel Mota

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:04

Adeus Poeta! Adeus Poetas!

Quarta-feira, 28.05.08

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.699 – 28-Fevereiro-2003

...@@@...

 

O telefone tocou, no momento exacto em que eu, mais uma vez, verificava a impossibilidade de coadunar as horas das minhas obrigações com o horário de visitas aos doentes do Hospital onde o coração me pedia que fosse.

O telefone tocou, e a notícia que através dele recebia, era a mais dolorosa. Morrera o meu velho amigo e compadre Casimiro da Piedade Abreu.

Passado o breve instante do impacto incontrolável da notícia, aflorou-me á boca, com um sorriso carinhoso e triste a frase que serve de epígrafe a esta crónica.

- Adeus Poeta!

- Depois, pensando em Álvaro Abreu, seu irmão, e, também ainda recentemente falecido, achei de justiça juntar os dois nomes no meu tributo de apreço e saudade.

Assim um plural, os junta, num mesmo sentimento de respeito e admiração porque ambos foram poetas.

 

O Álvaro, durante anos, colaborou no Linhas sobre temas variados. Crónicas que todos liamos com interesse verdadeiro e que, muitas vezes, provavam o amor que o atava às suas raízes.

Por sua vez, ele também lia as minhas crónicas e, sobre elas se pronunciava nas cartas que me endereçava. Assim criamos uma convivência literária que permitiu dar aso a uma amizade que resistiu até ao fim da sua vida.

Na última carta que me escreveu, citava com muito humor e ironia, a lista dos remédios que ao longo da sua vida tomara, e que fora anotando rigorosamente, facto que comentava com inteligência e muito espírito.

Por vezes, desde que por doença, ou pela idade deixara de escrever, enviava-me poemas e curiosidades que cheguei a utilizar para artigos meus, o que me confessou dar-lhe prazer.

Era o meu jeito de corresponder à deferência que me dispensava.

Um dia, por acaso, tive conhecimento que os seus restos mortais tinham chegado para o último sono a esta nossa terra que foi seu berço.

Também com um sorriso de tristeza, dentro da minha alma lhe disse: - Adeus Poeta! – Porque foi de poeta o seu enlevo pela vida, e foi de poesia a obra que, ainda homem moço, escreveu.

Hoje, frente à notícia do desaparecimento de Casimiro, gostaria, de encontrar as palavras de justiça a que a sua qualidade de Homem da poesia e escritor tem direito, gostaria de saber falar dos seus livros, gostaria de ser capaz de o definir como pessoa no seu desajuste pela realidade, na grandeza do seu sonho de um mundo melhor, um mundo perfeito que sempre idealizou.

“ eu sou dum mundo aparte,

Vivo num universo de fantasia...

E leio tudo em verso... E matizo com poesia

Os falares deste meu mundo!”

            E, assim foi.

Viveu, como a si próprio se definiu em “intróito”, poema com que abre o seu primeiro livro: - Pórtico – editado em 1947.

Nesse mesmo poema escreve ainda:

“E quer no ranger da porta,

Quer no silvo da nortada,

Anda a verdade encontrada,

E tudo rima por sorte!”

Depois de Pórtico, veio: “Mais Além” e “Quarto dos Santinhos”. (que teve duas edições)

            Entre eles colaboração em jornais, revistas, exposições de pintura e tudo o mais que se relacionasse com beleza e sonho.

Foi Casimiro Abreu um dos fundadores do Linhas de Elvas, com Ernesto Ranita Alves, Marciano Ribeiro Cipriano, e outros...

Foi Casimiro quem “fez” as Pedras Negras. Casimiro, sonhava, semeava e deixava ao vento a colheita, partia para outro sonho...

Casimiro era uma alma inquieta, sempre em procura de um sonho cada vez maior...

Não é fácil o percurso de Vida para quem, excede a medida do convencionalmente tido como exemplar.

Mas se ele conseguiu ser sempre, como acredito, ter sido, fiel ao seu coração, e esse é, penso, o verdadeiro segredo da autenticidade da Vida, terá terminado em paz o seu percurso entre nós; e poderemos parafrasear, para ele, como epitáfio o que ele próprio escreveu para a pedra tumular de seu primeiro filho, morto ao nascer:

“Pisem o chão devagarinho que o nosso filho adormeceu”

 

Avisemos a cidade com o mesmo toque de alma, escrevendo:

 Pisem o chão devagarinho que um poeta de Elvas, adormeceu...

 

Junto à mágoa da família, e de todos os seus amigos, a minha, se mo permitirem.

 

 

 

@@@

.

 

    Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 01:08

Casimiro Abreu

Quinta-feira, 13.03.08

Em dezanove de Fevereiro de dois mil e três, com oitenta anos, faleceu em Elvas este Poeta, que, também em Elvas tivera o seu berço em vinte e dois de Janeiro de mil, novecentos e vinte e três.

Foi a enterrar há três anos discreta e apagadamente.

Não deixou heranças fabulosas em dinheiros e bens materiais deste mundo.

Nada do que torna importantes, as pessoas, nesta vida.

Nada do que torna as pessoas colunáveis e condecoráveis.

Nada!...

Nem sequer foi jogador de futebol!!!

Nem ganhou o totoloto!

Não teve, por isso, um aceno de saudação, oficial, da sua terra, nem foi capa de jornais.

Não está na toponímia da cidade – não é nome de rua, nem de praça!

Nem de estádio!

Foi apenas um Poeta!

Um poeta que fez Elvas crescer na área em que o ser humano, realmente vale – em ideias, em iniciativas que tornaram a cidade conhecida por eventos culturais que alargou até Espanha.

Um poeta que idealizou progresso através de empreendimentos que outros aproveitaram para prosperar!

Um poeta, que com inteligente ironia, glosou em poemas satíricos os símbolos do conservadorismo e do atraso parolo, que impediam a sua cidade de olhar em frente...

Um poeta, cujo capital era massa cinzenta e, a coragem de a usar...

Um poeta que, está também, na génese dum jornal que dirigiu, e que foi lutador, valente e ousado, quando era difícil e perigoso sê-lo.

Um homem que sabia que a Vida, também é risco, e arriscava sem medo.

Um homem que não consentia que atacassem qualquer dos seus colaboradores, e considerava como feita a si próprio, qualquer beliscadura que alguém ousasse contra eles...

Um poeta com alma e coragem, que não virava costas a quem estivesse ao seu lado, lutando por valores que ele entendia como justos e promissores para o bem das gerações futuras.

Um poeta talentoso, que publicou livros onde evoca lugares e usos da sua terra natal, e reminiscências de infância que fazem história, porque referem costumes burgueses hoje, já quase desaparecidos.

Um poeta que encabeçava um pequeno “clã” - de amigos e admiradores - que manteve viva a chama da resistência à ditadura, sem esperar contrapartidas de cargos, honras ou regalias – mas que pelo contrário, lhes punha, a cada passo, a segurança e a liberdade em risco.

Um elvense, que, como outros, também hoje esquecidos, ajudou à instauração da democracia de que, outros “clãs” em proveito próprio, sem ética, nem pudor, (porque não basta à mulher de César, ser séria, é também preciso que o pareça!) se aproveitam afoitamente como se fossem monarcas com direitos de sucessão congénitos!

Enfim ! - fruto dos tempos! – Por certo!

Mas, falta de idealismo, também!

E, falta de outras coisas mais...

Às vezes, apenas egoísmo e apatia das “plateias” que – uma vez instaladas - adormecem frente aos acontecimentos, sem interiorizar o que escreveu Michel Quoist :“ Eu, sou o outro!”

 

Termino com dois versos, apenas, de um poema do livro “Pórtico” de Casimiro:

 

“Depois de ter escutado lamentos fora de mim,

Senti o peito repassado de ais, só iguais,

A choros que vêm de mim!”

 

 

                       Maria José Rijo

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.855 – 2/Março/2006

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 22:24





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