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Para o Gus

Segunda-feira, 18.05.09

 

 

Choro sem pudor

e sem pecado

Tudo o que fiz errado

Porque foi certo

Tudo quanto fiz

Foi certo

Tudo quanto quis

 

Não é errado o pranto

Nem foi errado o canto

Porque o meu encanto

Era cantar

Sem pudor

E sem pecado

Tudo o que era certo

Sendo errado

 

Maria José Rijo

 

 ---

Beijinhos de Parabéns

Tia Zé e Paula

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:08

As mágicas soluções

Quarta-feira, 03.10.07

A Vida em redor entra em nós, dia a dia, instante a instante, ao compasso do nosso próprio coração.

                      

A chuva, o sol, o nevoeiro que nos embarga o horizonte, os violetas ou os carmins da apoteose de cores num céu em horas de poente...

                       

Os ruídos da rua, o canto dos pássaros, o latido doa cães, tudo o que nos circunda e cria e define o nosso mundo no mundo, desde o cheiro da nossa casa, ao perfume que usamos...ao choro e ao riso das crianças que amamos...

Tudo isso entra pela nossa pele, pela nossa alma e nos invade a sensibilidade e nos molda a maneira de ser e estar na vida. Porque o mundo, o vasto mundo onde a nossa pequenez também cabe, e, de que, também faz parte, esse, trespassa-nos pelos olhos, confunde-nos pela avalanche e diversidade de noticias, e, é-nos fornecido, imposto quase com sadismo, especialmente, pela televisão.

E, não é necessário para nos aturdirem que se fale de qualquer um grande cataclismo.

 Não!

Se bem repararmos a notícia, não visa, muitas vezes informar. Ela é expressa de forma a hostilizar. Ela não descreve ou adverte, ela agride, acusa. Ela explora a emoção fácil, provocando, e explorando posteriormente o conflito que ela própria cria.

                        

Há relativamente pouco tempo, uma mulher pariu prematuramente seis crianças duma gravidez de risco que suportou com humildade cristã e muita coragem.

Ainda me pergunto se terá sido lícito querer levar por entrevistas, inequivocamente dirigidas nesse sentido, a opinião pública a condenar a decisão dos pais das crianças!

Em matéria tão delicada, não me pareceu o mais certo.

Os bebés corriam risco, só que quem aceitou o risco de não escolher, também se arriscou...e, como diz o povo: resolver os problemas dos outros, é fácil para nós: - é só dar sentenças! – Difícil é decidir sobre os nossos próprios problemas.

Ocorreu-me então aquela velha anedota da senhora viuva dum homem considerado muito decidido, que se suicidou para não ir à guerra.

Muito contristada ela explicava: - coitado ele matou-se, não foi por medo.

Matou-se para não morrer!...

 

                                          Maria José Rijo

@@@@@

Revista Norte Alentejo

Fevereiro/Março – nº 18                       

Crónica

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:11

Rir até chorar

Terça-feira, 04.09.07

            Sempre quis, aliás, mais de metade da nossa alma é feita desse querer, desse sonho de realizar coisas que jamais se fazem! - Mas, sempre quis, sempre desejei, contar esta história que desde a minha juventude carrego comigo.

            É uma história verdadeira e, talvez por essa razão, mais difícil de contar.

            Ela enternece e perturba porque sendo inesperada fez rir. Fez rir tanto a toda a gente que terminou - sabe Deus se a todos os presentes- dando também vontade de chorar. E é desse rubor que me subiu ao rosto e dessas lágrimas que eu sempre quis falar e não sabia como.

            Acontece que ao ler uma citação de um poema de Alexandre O’ Neill intitulado: “RIR” senti que poderia contar a história sem pudor porque não magoaria ninguém

            É assim o poema:

                                        E se fossemos rir,

                                        Rir de tudo, tanto,

                                        Que à força de rir

                                         Nos tornássemos pranto,

 

                                        Pranto colector

                                        Do que em nós sobeja?

                                        No riso, e na dor,

                                        Que o homem se veja. 

            

             É assim a história:

            Tinha terminado aquele ano lectivo. Uns ficaram para traz, como sempre acontece. Outros passaram sem brilho, como também é de uso acontecer. Outros passaram com distinção e ganharam prémios.

Era da praxe apresentarem-se fardados da “ Mocidade Portuguesa “na festa de gala em que receberiam diplomas e prémios pecuniários.

            Naquela altura “ainda” eu pertencia ao grupo dos laureados o que me obrigava a estar presente, e estive.

            Na data fixada o melhor de todos os alunos do Liceu não pode comparecer por ter adoecido.

            Era um Rapazinho muito pobre a quem o Pai faltara ainda de berço mas que na escola se salientara de tal forma pela sua inteligência que a Professora fez questão de o ensinar, vestir e calçar e preparar para a admissão ao Liceu.

            Chegado lá foi logo número um e sem hipótese de dar o lugar a quem quer que fosse; aliás, assim havia de sempre acontecer até ao fim do curso que fez por inteiro com” bolsa de estudo.”

            Como em cima da hora, adoeceu, nada podendo ser alterado, foi sua Mãe

 representá-lo.

            Depois das discursatas habituais começaram os alunos a ser chamados a um e um pelos seus nomes completos.

           Aproximavam-se da mesa de honra faziam a saudação de braço no ar, perfilados e ali em destaque era ventilado alto e bom som o seu mérito seguido das felicitações e louvores, após o que se retirava renovando a saudação.

            Chegada a vez do menino ausente foi sua Mãe, uma pobre e humilde mulher que comovida e nervosamente percorreu em nome do Filho aquele pequeno percurso de momentânea glória. As cardas dos seus sapatos ouviam-se no soalho lustroso quase como as batidas do seu coração. Chegada ao estrado onde estava a tribuna fez a saudação que vira fazer: aconchegando o xaile para que não lhe escorregasse, ergueu o braço, uniu os calcanhares e perfilada aguardou.

            A sala vibrou com a estrondosa gargalhada que a garotada presente não foi capaz de suster, e aquela Mãe, que chegara à festa orgulhosa e feliz, regressou ao seu lugar com fogo de vergonha no rosto e lágrimas nos olhos carregados de tristeza

Foi então que uma de nós se levantou e começou a bater palmas. Foi um delírio.

 

“ Pranto colector

Do que em nós sobeja?

No, riso e na dor,

Que o homem se veja.”     

 

 

 

                                                 Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.449 – 17-Abril - 1998

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:27

Guardar Recordações

Quinta-feira, 09.08.07

         A recordação em si, provém da carga de emoção, ou de imaginário que atribuímos às pessoas, coisas ou factos que retemos na memória.

            Para a recordação, é tão importante o mais belo monumento do mundo, como uma só pedra, um cheiro, uma folha seca, um olhar, um reflexo de luz...

 Quero dizer, qualquer coisa, pode significar imenso ou nada.

            Às vezes é apenas uma sensação, vaga e quase indefinível que torna um momento inesquecível.

            Até a lembrança da goteira gelada que, uma vez, nos pingou na cabeça num dia de chuva igual a muitos, pode marcar um momento que depois se conta ou recorda dizendo: uma ocasião passei aqui, tinha parado de chover; vinha tranquilamente a respirar o ar lavado e ainda húmido.

           Era já escuro. Foi então que uma sensação de gelo me arrepiou como se fora um uivo de medo cortando o sossego da noite, apenas pelo desconforto da água morta que do telhado gotejava, me acertar molhando-me o cabelo e escorrendo-me pelo pescoço até o calor do meu corpo lhe apagar o rastro.

O que cria a recordação, não é propriamente o facto real. O que cria a recordação é a nossa emoção.

           Na verdade todos os dias depois de todas as chuvadas pingam goteiras. É uma realidade. Porem também é realidade que nós só recriamos pela palavra, só transfiguramos através do nosso sentimento aquele instante que nos tocou de forma singular e nos pareceu diferente daquele que recordaremos.

          Aquele que libertamos do real.

          Aquele a que ficamos presos pelo imaginário.

Assim nascem as diferentes recordações das diferentes pessoas frente às mesmas circunstâncias, às mesmas realidades.

            Por isso, recordação, nasce do facto real, mas não é necessariamente o relato histórico.

A história é o relato exacto, verificável pelas épocas, pelas datas.

            A lembrança, a recordação é o conto da alegria, da dor, da saudade, da surpresa, do sonho, do mistério - da Vida em si, - que a emoção recriou, transformou, e se torna real porque provindo do sentimento é tão autentica como um bater de coração e pode ser tão fantástica como a mais bela lenda ou o mais imprevisível acontecimento.

Só assim se entende o retrato, a pontinha de renda, que se descobrem no fundo das gavetas esquecidas e que sendo apenas um retrato, ou, uma ponta de renda deixam de o ser somente porque a memória, a recordação os separou da realidade tornando-os nos testemunhos dos sentimentos que revestiram os momentos a que estão ligados.

Estava a ver uma reportagem feita num Lar de idosos. A certo passo alguém pergunta a alguém, com doçura: - o que tem aí?

A resposta foi:- um retrato!

Mostre! Uma mão de anciã, descarnada e trémula, estende-se segurando um pequeno rectângulo de cartão meio amachucado. Seus olhos choram, mas estóica, sorri.

Um retrato.

Sim, era realmente um retrato.

           O que não se via. O que não se vê, o que não se sabe é o que o coração, a alma, da velha Senhora sabem e guardam daquele afecto, daquela mágoa, daquela saudade que transformaram o pequeno documento em preciosa recordação

Talvez a sua presença no Lar fosse apenas uma vulgar história de ingratidão.

Talvez apenas uma vulgaríssima história de egoísmo

Talvez, pensando nisso, apenas um sofrido perdão soltasse aquela lágrima.

Ou, quem sabe, se a morte era a raiz sem remédio da solidão que ali a conduzira.

A velha Senhora, escondia num sorriso com lágrimas, sem acusações, as suas lembranças; e sem o saber, a sua imagem ficou indelével nas minhas como sempre ficam em nós as recordações tristes das injustiças que não podemos alterar

As que conhecemos e as outras que pressentimos...

E, quem garante que era a injustiça ou o abandono que a faziam chorar!

Talvez, apenas, por intimo pudor, ela calasse para guardar avaramente, só para si o que só a dois poderia ter vivido - uma bela história de amor                            E, essa é sem dúvida a lembrança que só morre, quando  morrer quem a tiver vivido e mesmo fazendo chorar acalenta a Vida até ao fim.

 

                                              Maria José Rijo

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Revista – Norte Alentejo - Crónica

Nº 5 – Outubro/Novembro de 2000

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publicado por Maria José Rijo às 21:04





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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