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Curiosidades

Sábado, 27.09.08

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:28

Postal nº 11 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Sábado, 16.02.08

.

As matanças são tarefas próprias do tempo frio de Inverno.

Quando a Primavera chega e o cuco canta junto às ribeiras,

já os cardos estão espigados e as papoilas em flor.

Na hora da merenda, à meia tarde, “condutando”

(que deverão render para todo o ano), saboreiam-se

os enchidos e espraiam-se os olhos pelos campos em

redor, onde o silêncio

 mais a solidão geram o pão em bebedeiras de luz.

.

              Maria José Rijo

.

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Colecção de Gastronomia - A matança do Porco

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:47

Postal nº 10 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Sexta-feira, 15.02.08

PAIO BRANCO

Vazios secam ao sol, em fileiras, os alguidares lavados,

Esperando o regresso à penumbra das despensas, onde já

Moram os tradicionais paios brancos, pendurados para secar.

“Acamam-se” os lombos bem direitinhos, enterrados em

Sal durante 12 horas, após o que se penduram uma hora ou

Duas, para escorrer, em sitio arejado. Seguidamente

Sacodem-se, limpam-se e untam-se com um nadinha de

Banha para escorregarem melhor ao serem “vestidos” na

tripa do porco, já cortada no tamanho conveniente.

Para conseguir atar uma extremidade do lombo com um

Cordel que, passado por dentro da tripa, enrolado numa

Colher de pau, facilitará a tarefa.

Os paios são cosidos num dos lados e no outro atados,

Deixando-lhes uma argola de fio para serem pendurados

No ar.”

                      Maria José Rijo

                  

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Colecção de Postais de Gastronomia - A Matança do Porco

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publicado por Maria José Rijo às 20:41

Postal nº 9 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Quarta-feira, 13.02.08

Sentam-se ao fim as mulheres para dois dedos de

conversa enquanto saboreiam para “desenratar”

uma sopa de grão amaciado com tempero de azeite,

cebola, uns raminhos de salsa, uma folhinha de louro,

um dentinho de alho e a mistura de cardos –

colhidos e ripados, mesmo ali, no campo lavrado,

rente ao monte – e escaldados para não escurecerem

o caldo do cozido.

.

                               Maria José Rijo

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Colecção de Gastronomia- A Matança do Porco

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publicado por Maria José Rijo às 18:40

Postal nº 8 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Terça-feira, 12.02.08

 

A pouco e pouco a casa deixa de ressumar a gordura.

Já não se assam na lareira as presinhas que serviam para

avaliar do acerto do tempero das carnes dos enchidos.

Agora a farta “parreira” que um fuminho morno vai

“curando” lentamente regala de orgulho o pessoal

que trabalhou na empreitada.

Tranquila, como se tivesse feito um seguro de família,

a dona da casa  ferece algumas “provas” aos mais chegados

a quem mostra com vaidade o seu fumeiro.

                                Maria José Rijo

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Colecção de Postais de Gastronomia -

            A Matança do Porco

 

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publicado por Maria José Rijo às 17:10

Postal nº 7 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Segunda-feira, 11.02.08

CARNES FRITAS 

Lombos e lombinhos são as peças nobres do porco; delas

se conservam alguns suculentos nacos, enterrados na banha,

onde são fritos com entrecosto e algum toucinho da “barbela”,

cortado em pequenos bocados – a banha da fritura

torna-se a “manteiga de cor”, porque fica rosada e gostosa

pela massa de pimento, o alho pisado, o sal, o louro e o vinho

branco que serviram de tempero às carnes – mas o seu mais

honroso destino é serem ensacados na pele das banhas e das

tripas grossas e transformadas  em anafados paios, esses

verdadeiros ex-líbris da matança.

                                Maria José Rijo

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 Colecção de Gastronomia - A Matança do Porco

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:57

Postal nº 6 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Domingo, 10.02.08

CACHOLEIRAS

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As cacholeiras são os primeiros enchidos a fazer, porque

nelas se consomem os produtos mais perecíveis – as fressuras –

que migadas e misturadas com sangue se temperam

com alho e sal pisados, pimentão flor, massa de pimento

e pimenta em pó e vinho branco, no acto de encher – ou seja,

no dia imediato a terem sido temperadas.

Para este enchido usa-se sempre tripa de porco.

                            Maria José Rijo

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Colecção de Postais - Gastronomia - A Matança do Porco

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publicado por Maria José Rijo às 18:21

Postal nº 2 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Sexta-feira, 01.02.08

As crianças e os adultos mais sensíveis, fixam-se trémulos

a escutar a batida aflita dos próprios corações com os

ouvidos tapados e os olhos fechados para não verem o golpe

certeiro que dá inicio ao “estrafego”.

É tudo rápido!

Um pesadelo apenas… e já é de festa o clima em que o

Porco é chamuscado, raspado, aberto, desmanchado,

partido e repartido para os diferentes aproveitamentos.

.

                                 Maria José Rijo

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Colecção de Gastronomia - A Matança do Porco

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:58

Postal nº 1 - Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Segunda-feira, 28.01.08

Chega confiante do montado ou do chiqueiro porque

sempre comeu, bebeu e dormiu, como a natureza lhe pedia.

Antes de pesar arrobas, até lhe chamaram afectuosamente

“bacorinho” e sorriram à gracinha do seu focinho

rosado e trombudinho.

Agora no terreiro, rodeado de mirones será transformado

em fonte de alimento e abastança.

                             Maria José Rijo

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Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

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publicado por Maria José Rijo às 00:47

Colecção de Gastronomia - Matança do Porco

Domingo, 27.01.08

“Comprareis um porquito, fareis uma matança

e por mim esperareis vivendo na abastança…”

já assim constava da lendária carta do

“galego” que no Alentejo ganhara esforçadamente

Três tostões a que atribuía poderes sem

Fim e enviara à família recomendando:

 

“Mulher:

 

Aí te mando, aí te escrevo três tostões

tamanhos que nem três olhos de bois, mui

bem os governareis, comereis e bebereis,

pagareis a quem deveis, metereis nosso filho

a frade e a nossa filha a freira…”

 

E depois de alvitrar a compra do porquito

como certeza de mesa farta garantindo rematava

com um último conselho:

 

“Se vos sobrar algum vintém, guardareis

Para o ano que vem.”

Maria José Rijo

@

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Colecção de Gastronomia

MATANÇA

"A Festa da Abastança"

- Quarta e última Coleção de Gastronomia

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publicado por Maria José Rijo às 23:41





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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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