Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
A comunicação
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.690 – 27- Dezembro-2002
Conversas Soltas
Está assente que tudo o que se sabe se deve às diferentes formas de comunicação; isto é: - tudo o que existe se conhece pelas diferentes formas de coordenar e expandir a informação.
Fazer este tipo de afirmações, parece um bocadinho retórico. Parece, mas não será tanto assim.
Parece, porque cada um de nós, ao ouvir falar em comunicação só lhe ocorre a ideia de comunicação social porque as notícias da última hora, as imagens em directo de guerras e desgraças, a exploração de toda e qualquer notícia de sensação, são o prato
Estamos todos de tal forma expostos a esta forma de comunicação, que já nem damos conta de como ela viola o nosso direito ao espaço para pensar, criar opinião própria, avaliar à luz do nosso bom senso, da nossa formação e educação, os sentimentos que qualquer acontecimento ou notícia provocam em nós.

Como povo latino que somos, não poderemos jamais fugir à nossa propensão para um certo sentimentalismo que nos põe a emoção, um pouco, à flor da pele.
Assim que, aderimos, de pronto, emocionalmente, a qualquer mostra de sofrimento, injustiça, desgraça ou atropelo de que tenhamos conhecimento.
Fazemo-lo, quase sem pensar.
Isso é imperativo, em nós, com um instinto.
Pior, esquecemo-nos, muitas vezes de pensar...de aprofundar causas e motivos...
Vemos lágrimas num rosto; escutamos queixas de lástimas que nos expõem, e, aí estamos nós, já engajados na defesa de uma causa que não chegamos a aprofundar devidamente, e, da qual acabamos, não raras vezes, por sair magoados.
È assim que, depois, ao sentirmos traída a nossa boa fé, passamos para a atitude oposta – o desinteresse!
Temos até, na sabedoria popular um bom suporte para amparar essa nova atitude!

–“ Á primeira cai qualquer, à segunda cai quem quer...”
Pensava nestas e, em outras coisas semelhantes frente aos noticiários que ultimamente, sem o mínimo constrangimento de espécie alguma, fazem a exploração despudorada, da notícia sensação do momento: - a pedofilia.
Pensava, na maneira orgulhosa, quase arrogante, com que alguns locutores anunciam vitoriosos, que as suas estações foram as primeiras a dar, esta ou aquela notícia sobre acontecimento tão doloroso.
Pensava, no ar ufano, presunçoso, como se anuncia o conhecimento do que nos diminui e envergonha como gente. Do que nos avilta, como pessoas, só porque pode ter acontecido...
E, se é a informação – como li – “que junta ou separa as células conforme a instrução que recebem, e tudo o que existe se deve às várias opções de interacção entre os registos de informação dos elementos que dão assim origem à formação de matéria ou da não matéria...e, por esse processo se forma também o ser humano. Que a comunicação entre pessoas é muito importante, pois disso depende o bem-estar da família, duma cidade, dum país, dum continente e do mundo...”
À luz destes conhecimentos, temos que reconhecer, que nem sempre temos para oferecer a quem nasce, “esse tal equilíbrio de comunicação que uma vez quebrado, gera distúrbios irremediáveis na formação do indivíduo ”
Assim sendo, apontemos o erro, curem-se as chagas possíveis. Castiguem-se e tratem-se os prevaricadores, mas, não nos esqueçamos, também, de dar graças a Deus por não nos ter faltado no caminho a protecção do Amor que tantos não recebem, nem receberam nunca, ou jamais receberão.
E, aprendamos a tratar a dor sem a ostensiva leviandade que por aí se exibe, como se um sentimento se pudesse reduzir apenas à dimensão de notícia mais ou menos bombástica.
Tenhamos a coragem de assumir o pouco ou nada que fizemos para que as coisas fossem diferentes.
Aceitemos com humildade que, quer no mal, quer no bem, temos todos a nossa quota de responsabilidade, e façamos com coragem a destrinça entre noticiar e expor...
O cão fareja, o porco chafurda.
Ambos procuram..., só que, de formas diferenciadas...
Que a luminosa ternura do Natal, ilumine os nossos corações, e nos faça ajoelhar junto ao Presépio, frente à Vida.

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Comunicar
Os indivíduos para viver e satisfazer ao seu destino hão-de comunicar as suas ideias e traduzir na linguagem as manifestações da sua inteligência
- Esta frase é de latino Coelho, e consta dos dicionários.
Ora, – comunicar, vem do latim – communicare - todos o sabemos porque se aprende na escola.
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Comunicar! - tornar comum.
Ora se comunicar é tornar comum, e « os indivíduos para viver e satisfazer ao seu destino hão-de comunicar... as suas ideias e traduzir na linguagem as manifestações da sua inteligência » - é lógico deduzir que a comunicação é ela própria uma linguagem imprescindível para o entendimento entre as pessoas e, consequentemente entre os povos - portanto : - vital.
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Mas, comunicar, comunicar o quê! - Comunicar, como?
Nem só pela linguagem falada se comunica. Também se comunica através da pintura, do desenho, da música, da dança, do canto, de qualquer expressão artística, da oração, do lamento, do pranto, de sinais etc. etc. etc...
Comunicar, proporciona o enriquecimento de quem recebe o conhecimento que lhe é transmitido, ou o empobrecimento de quem o partilha? - Ou comunicar satisfaz a necessidade de entendimento entre as pessoas e o nivelamento do saber e, portanto o seu alastramento global, ou, um pouco de tudo isto?
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Então aqui entramos no reino da comunicação social, na internet etc. etc. etc...
Somos levados também a pensar que se o conhecimento comum produz a comunidade, é com a comunicação que se geram as diversas comunidades.
As comunidades científicas, as religiosas, as linguísticas, as comunidades artísticas, e por aí fora um sem número delas.
Assim sendo, parece lógico deduzir que tudo depende das diferentes formas de se coordenar a informação.
As próprias características de qualquer ser humano dependem da informação de um gene a outro gene.
Comunicar - transmitir informando.
Será, então que é lícito comunicar absolutamente tudo? - Será?
Será que é essa a função da comunicação social? - Será?
Ou será que a informação deve deter-se antes de entrar no domínio da privacidade de cada indivíduo?
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A publicidade é sem dúvida a forma mais agressiva de comunicar. Essa, porém tem a finalidade de vender de tornar apetecível o produto que defende em concorrência com outros congéneres. Usa todas as formas para se fixar na atenção do utente possível. Usa na sua criatividade o humor, a ironia, a beleza, a fantasia, a sensualidade, todo e qualquer caminho que lhe pareça poder vencer a inércia, o desinteresse, a apatia do cidadão comum que passe ensimesmado nos seus problemas e alheio às surtidas da estratégia onde acaba por ser apanhado, por cansaço ou por curiosidade.
conhecimento e se limita a propagar o boato, a mentira, a insinuação que gerando o escândalo chama a atenção, se propaga, vende, mas falseia o verdadeiro sentido da notícia.
Falseia a verdadeira finalidade da comunicação.
“ Os indivíduos para viver e satisfazer ao seu destino hão-de comunicar as suas ideias... e traduzir na linguagem as manifestações da sua inteligência “
Comunicar, – sim!
Partilhar, – sim! - “Mas traduzir na linguagem,” – qualquer que ela seja, – “as manifestações da sua inteligência.”
Numa época de sensacionalismos e de concorrências desenfreadas difícil, quase de funambulesco equilíbrio é a tarefa da verdadeira comunicação social...
Maria José Rijo
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Jornal Linhas de Elvas
Nº - 2.687 – 6/Dez./2002
Conversas Soltas




