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Elvas – Setembro - 2.012

Sexta-feira, 21.09.12

 Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.193    de  20 Setembro de 2012

CONVERSAS SOLTAS

Elvas – Setembro - 2.012

 

 

Já se engalanou o parque do Senhor Jesus da Piedade.

A feira de São Mateus está aí a bater-nos à porta.

Já a Igreja está debruada de pequenas luzes para que nada ofusque a sua silhueta mesmo no fulgor dos arraiais com o resplendor dos fogos-de-artifício...

Já a população espreita, curiosa para avaliar se tudo está ainda mais bonito do que em anos anteriores.

Já se respira a festa.

Já se agitam inquietos os corações antevendo as alegrias dos ansiados reencontros…

Gosto do São Mateus – melhor dizendo: - gosto desta época de dias já mais curtos, mas ainda de tardes luminosas suaves e doces escondendo, como enganosas palavras de amor, as noites já fresquinhas com que nos surpreende...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 Gosto desta “rentrée”da nossa região onde já se preparam as actividades de Inverno,

mas ainda cheira a Verão e, todos já regressaram da diáspora de férias por praias e países…

Gosto dos abraços dos reencontros nos acasos dos arraiais onde os olhos procuram famintos

rostos de amigos emigrados, espalhados pelo mundo, que não se esquecem, se guardam nos corações, e que, cada São Mateus traz de volta à terra como num segundo Natal…

Gosto da procissão dos Pendões, que dá início às festividades religiosas.

Solene, longa, arrastada como uma dura e pesada penitência.

Gosto! Gosto! Gosto!…

Gosto desta Elvas a que as fortalezas militares deram, desde sempre, um cunho particular, onde sucessivas gerações de crianças brincaram ensaiando a descoberta da coragem a explorar fortes e contraminas à luz tremelicante de velas, mascarando o medo com risos e bravadas…

Onde as ruas estreitas e tortuosas apertadas no cincho das muralhas do castro antigo obrigaram as casas a subir estreitas e magras como plantas famintas de luz., até que, rompendo o cerco

se espraiaram, desorganizadas, por vezes, como um exército, sem comando arrasando as quintas e hortas que  abraçavam a cidade, com seus férteis vergeis.

Mas…se muito mudou no bom e no menos bom -  Elvas permaneceu  intacta na fé com que celebra o incondicional amor que devota ao seu Patrono o Senhor Jesus da Piedade, onde  cada peregrino que  O visita, nunca vem só.

Cada peregrino que a seus pés ajoelha traz no coração, em saudade ou em esperança a memória de quantos amou ou ama e, assim se ata passado e futuro de geração em geração nesse culto de fé que a todos põe na boca o voto de confiança que abriga na alma e o faz cantar em seu louvor

 

 

 

Senhor Jesus da Piedade

Luz da Luz, Deus Verdadeiro                                                  

Olha aos pés da Tua Cruz

Agrupado um povo inteiro             

 

 

 

Maria José Rijo

 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:38

CONVERSA DE VIZINHOS...

Segunda-feira, 15.08.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.058 – 31 de Agosto de 1990

Á Lá Minute

Conversa de vizinhos

 

Dizia alguém, que ouvi, com muito fina ironia, que Portugal desde o 25 de Abril é, sem dúvida, o país que tem “produzido” mais políticos por metro quadrado.

Não consegui deixar de sorrir e de pensar se esta repentina erupção iria suplantar, ou já suplantou a nossa romântica queda para a rima e nos condenaria a perder o título de “pais de poetas”.

Depois ocorreu-me outra faceta nossa muito peculiar - a de sermos tão convictamente como os brasileiros – “um país de doutores”

Penso que há doutores com tanta profusão que já são acarinhados com diminutivos – para facilitar o trato – por “sotor” e “sotora”.

Em Coimbra, até era uso os carregadores de malas perguntarem às pessoas à chegada dos comboios: “O Senhor Doutor é caixeiro viajante?”.

Mas, em boa verdade, se somos assim irónicos e bem dispostos, somos, também, muito mais.

Somos parte de um povo engenhoso, inventivo e sábio que diz com segura dignidade a sua opinião sobre assuntos, por vezes polémicos, desde que a sofrida vivência de um dia a dia de consciente entrega, o tenha levado, embora empiricamente, a esse saber de experiência feito.

 

Sentada à porta, olhos perdidos na imensidade do horizonte, a minha vizinha Clemência, evocando a aprendizagem de vida dos seus oitenta anos dizia-me com convicção:

“Antigamente, a gente tinha os filhos, acareava-os ao peito. Arrimava-os à gente, dava-lhes de mamar. Levava-os para todo o lado nos braços, aconchegados no xaile.

As crianças até conheciam a gente pelo cheiro, como os bichos.

Agora, as crianças nem sabem de quem são. Mal nascem, vão para os infantários. Não conhecem os braços das mães.

Andam de carrinho. Mamam no biberão. Andam de mão em mão. Não têm dono, nem sabem a quem hão-de querer.

Depois, as mães choram e dizem que os filhos as desprezam.

O que é que esperavam?

Os meus não me querem aqui deixar. A toda a hora me vêm buscar, e os netos também. É uma luta para ficar uns dias aqui na minha casa.

Criei aqui os meus filhos. Pouco mais tenho do que o que veio comigo quando casei.

Nunca trabalhei para comprar tabaco, ir ao café, nem para camas de bilros e luxo.

Ensinei os meus a trabalhar e a trabalhar para se governarem.

Faço a minha lida. À tarde vejo um pouco de televisão. À noitinha sento-me à porta a gozar do fresco e entretenho-me a pensar coisas da vida.

Isto tem mudado muito…”

 

Os costumes, sim. A alma do povo – não!

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 17:01

Na minha opinião...

Quarta-feira, 26.09.07

Depois de ler e reler, até com uma certa comoção, todas as provas de apreço pelo que escrevo, necessariamente tinha que parar para pensar e procurar entender o porquê da popularidade que as minhas “conversas” ganharam.

Na minha opinião o mérito não me pertence.

Nem sequer há para tal qualquer mistério.

Na minha opinião, o que acontece, é que não faço, nem pretendo fazer literatura.

Apenas converso. Penso alto!

Apenas ponho por escrito o que mais ou menos todos nós sentimos no vai vem do dia a dia, duma forma tão rotineira que nos esquecemos por vezes de parar para olhar o valor inestimável das pequenas coisas, por mais insignificantes que possam parecer e que somadas são as nossas vidas.

A nossa Vida!

Rompo a minha solidão, abro-lhe as janelas que posso para olhar para fora de mim.

Evito embrenhar-me na tristeza, ou quando ela me vence, assumo-a.

Assumo-a e falo dela. Conto a cada um que leia o que escrevo como a vida me perpassa e os sulcos de alma que ela escreve em mim.

Procuro não falar de fora para dentro. Arrisco falar de dentro para fora. Não sou juiz de ninguém.

Antes me ofereço, expondo o que sinto, sem disfarces, no caminho que, como gente, igual a toda a gente, tento fazer em direcção aos que, como eu, caminham procurando o rumo.

Porque, muito embora sejamos todos diferentes no aspecto, na capacidade de amar ou sofrer, as diferenças, já não serão, por certo, tão flagrantes.

          Quando vivi nos Açores, na ilha Terceira, constatei que de alguns pontos altos, se avistavam outras ilhas.

Lá do “Alto das Covas” era S. Jorge que se espreitava no limite do nosso horizonte.

          Notei muitas vezes que embora fosse uma situação vulgar as pessoas, olhavam sempre em procura do vulto da ilha, recortada lá longe, na bruma da distância.

Olhavam, e comentavam: - a alegria de uma ilha, é avistar outra ilha! – E havia, como que um toque de sonho, de meditação ou, até nostalgia, nesta apreciação.

Penso que, aqui, o fenómeno é idêntico.

A alegria de uma pessoa é “avistar” outra pessoa!

Que aqueles com quem cruzamos na rua, passam fechados, herméticos, indecifráveis nos seus semblantes, e pouco nos dizem, até porque fechados nos nossos casulos, nos esquecemos também, de os olhar.

Passam por nós, passamos por eles e continuamos desconhecidos.

Já com os amigos trocamos afecto, confidências, como é uso dizer: damo-nos bem!

Damo-nos!

É isso! - Quem escreve - dá-se, o que,  também não é um acto gratuito.

Nem pensar. Dá-se - porque precisa, também de receber.

Porque, talvez, precise mais do que ninguém de receber.

É a história das ilhas - a alegria de uma, é avistar outra...

Identificar – outra...

Porque é isso que quebra a solidão de ser.

Nasce-se - Só

Morre-se – Só

E, só o Amor, a Amizade a Solidariedade e todos os sentimentos maiores fazem as vestes para encobrir a nudez da solidão do percurso...

 

                             Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.851 – 2-Fev. -2006

Conversas Soltas

@@@@@

De todo o coração repito hoje este mesmo agradecimento.

Com um afectuoso abraço para todos que com os seus comentários

me vão dando força para continuar.

Maria José 

 

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publicado por Maria José Rijo às 14:41





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