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CARTA DO BRASIL – II - 1996

Quarta-feira, 02.10.19
Conversas Soltas
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.354 – 7-Junho -1996

A serra a que se encosta a “roça” onde estamos chama-se Itatiaia – o que quer dizer: - ita – pedra – e, neste caso pedra com muitos bicos.

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Três desses cumes – gorila, gorilinha e mata-cavalos – são o fundo do nosso cenário de cada dia.

Mata-cavalos porque, animal que quebrasse as pernas passando o estreito entre as serras, o que era frequente, morria por lá. A altura da serra é de 1.800 metros.

Por detrás destes montes esconde-se o sol aí pelas 17 horas mais ou menos. O crepúsculo é breve. O mesmo é dizer que às 18 e 30 é noite fechada e os serões são intermináveis. Para nós, portugueses, que raciocinamos em termos de outro fuso horário, confunde um pouco.

O dia começa-se muito cedo. Às seis da manhã, hoje já o Baiano de” balaio” ao ombro (Balaio é um cesto. Já ouvi este termo no Algarve, na região de Estombar) e forquilha na mão se preparava para limpar a relva das folhas caídas.

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Esta “roça” é atravessada por um rio o “Piripitanga”. Como ele vem da montanha aqui junto, onde nasce, o seu caudal não é aqui ainda muito volumoso. Daí que tenha sido domesticado em função da beleza do local. Com imaginação e aproveitando os enormes rochedos de granito fazem-no serpentear por todo o lado e passar por sucessivas albufeiras que escorrem de umas para outras.

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Sendo a propriedade de um português a “roça” virou “Quinta das albufeiras” em vez da designação local. O espaço é grande. Embora tenha a horta bem disfarçada entre a cultura de abacaxis e outras próprias da região “taioba” por exemplo (cujas folhas se comem em esparregado e sopa e o rizoma frito como batatas) – a propriedade, dizia, está mais vocacionada para lazer. Além da casa dos donos tem dois pequenos “ranchinhos” para receber com independência familiares e amigos.

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Instalaram-nos quase escondidos entre a vegetação exuberantíssima e de tal modo que o sol ao nascer lhes bate nas janelas e a passarada começa logo no corre-corre aos comedouros que lhes estão destinados e estão sempre bem providos de fruta e sementes.

Assim, a gente, quando acorda quase julga que durante o sono se mudou para o paraíso.

O “ranchinho” que escolhi para mim está erecto sobre uma ponte de cimento que atravessa o rio. Rente á janela, a sul, tem uma albufeira onde às seis da manhã já andam os “Jacus” – parecem pequenos perus e uma outra ave com patas vermelhas e pernas altas, parecida com uma grande perdiz que se chama “Saracura”. O rio, alimenta a piscina frente á minha porta e corre, corre sem parar como é destino dos rios.

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Toda a noite o som da água embala a minha saudade pelas pessoas que queria ter junto de mim.

Logo ao amanhecer quando escuto o som que lhes é próprio, fico quieta por detrás dos vidros da janela a ver esta passarada entrar e sair do mato e banhar-se na lagoínha de águas tão límpidas e transparentes como se Deus a tivesse acabado de criar.

Á noite, de luz apagada venho para a porta olhar o céu. Parece mais baixo e mais estrelado do que aí. Não fora o “cruzeiro do sul ” lá no alto e quase pensaria que tudo isto era um cenário imaginado.

Ao lado da “minha” porta é a sauna e a seguir o alpendre dos churrascos.

Há cinco anos instalou-se na região uma colónia de finlandeses que trouxeram para cá este costume.(Noutras zonas que já visitei e de que gostaria ainda de falar há marcadas influências alemãs e suíças a ponto de pensarmos que mudamos de país tão acentuado é o cunho que lhes imprimiram.)

Aqui fazem sauna á noite e de imediato vão ao banho na piscina.

Até agora não ousei a experiência!...

Regalo-me na piscina, sim! – Mas de dia com um sol luminoso e quente a confortar-me.

Ontem, houve churrasco – era dia de aniversário do dono da casa – razão que cá me trouxe Festejar 80 anos com estas condições físicas e intelectuais é mais do que razão para festejar.

O Churrasco, aqui, é uma tradição engraçada. Veio o “churrasqueiro” e a mulher para as tarefas domésticas.

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Assaram boi, frango, linguiça e lombo de porco. Beberam cerveja, vinhos, caipirinhas e caipiroskas.

Tal como nas novelas o churrasqueiro e a mulher discretamente, confraternizam com as visitas e os donos da casa.

Mesmo para as carnes, os acompanhamentos metem sempre: “feijãozinho”, “arroiz” e salada de batatinha.

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As pessoas são afáveis e comunicativas. Conversam de tudo e de nada, de política e de assuntos de interesse local.

Fazem-no sem o nosso ar de tragédia.

Comentam a “porcaria da estrada”. Riem porque as “pêssoas” sacolejam como pipocas na panela dentro dos carros e contam seus “récores” de tempo para cobrir os “malvados” 20 quilómetros de buracos que unem Resende à Serrinha.

Aqui tudo se baptiza. A máquina a vapor do comboio que faz turismo em Campos do Jordão é a “Maria Fumaça” que puxa o “trenzinho”.

As cuecas que quisemos comprar para os garotos são “samba-canção” e, é tudo, tudo assim.

É indiscutivelmente gente bem disposta e com sentido de humor.

Aqui em casa há 3 carros. O “Belo António” que já referi, o “Quebra Galho” para carregar compras e mandados no dia-a-dia e o “Fusquinha” para as saídas rotineiras do casal.

Por todo o lado, até nas rochas – incrivelmente – floresce em rosa, salmão, e vermelho, uma planta linda que aí se compra na florista e se chama “alegria da casa”.

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Pois aqui, tal como cóleos e crotones ela borda estradas e caminhos em abundância. Como não a conseguem controlar foi também rebaptizada de “Maria sem vergonha” – porque reaparece por mais perseguida que seja.

Há por cá uma imensidão de pássaros lindos. Sempre que avisto algum diferente pergunto o nome e anoto.

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Outra vez que calhe, falarei deles.

Por hoje, deixo-vos.

Tenho que preparar as bagagens pois, tal como na novela da Tieta – amanhã se Deus quiser conto ir para “Sum Paulo”.

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Oxalá Dona Ninete queira fazer de cicerone!...

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 00:00

Ciência de Almanaque II

Quarta-feira, 07.05.08

Cá estou eu, recorrendo de novo ao meu almanaque de 1908 para contar algumas das curiosidades que nele vou encontrando.

Desta vez, aprendi que o lenço, o vulgar lencinho de assoar, tão citado nos romances, que as damas de outrora deixavam cair para que os seus adoradores os apanhassem. Esses rectângulos de tecido onde se disfarça o bocejo, se abafa o espirro, se escondem as mucosidades, (como dizia no preciosismo do seu falar a elegante prima Alice), essa pequenas obras de arte, bordadas, pintadas, enfeitadas de rendas quer de bilros, de Peniche, quer de Bruxelas, de Alençon, de Bruges, de Milão, de Veneza, de Flandres, de Bruges ou rendas Valencianas, essa insignificância promovida a peça de luxo, tem também a sua história.

Vamos pois ao almanaque...Cito:

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“Estamos aqui tentados a acreditar que as gerações antigas não se assoavam, ou, pelo menos, horror!... Que não se assoavam a um lenço! E assim, todas as suposições são permitidas e o nosso espírito flutua na dúvida em busca da solução do problema. Conclue-se do memorial de despesas reais no tempo de Luís XIII, que os lenços da rainha custavam nada menos que dezoito libras cada um. Nos enxovais de Luís XVI, não

               palacioversalhes_f_005.jpg

se fala em lenços de assoar, e mesmo nesta época a sua missão era apenas limpar o pó de arroz e o vermelhão. Eram luxuosos ou rudimentares? O luxo do lenço tinha feito poucos progressos no tempo

                       palacioversalhes_f_004.jpg

de Maria Antonieta; e os lenços dela eram avaliados apenas em vinte e quatro libras. A mulher nesses tempos trazia sempre o leque na mão, nunca o lenço de assoar, e as reconstituições históricas do teatro cometeram um anacronismo pondo um lenço de assoar na mão de uma mulher antes da época do Império.

Napoleão (Por Nimesh Desai)

Entraram então na Corte, porque Josefina tinha os dentes muito feios e negros, e por isso trazia sempre, a tapar a boca, um desses farrapos de baptista; e, naturalmente para justificar este hábito, era preciso que o lenço fosse elegante, bordado, ou guarnecido de rendas custosas.

                               Primeira mulher de Napoleão, Josefina de Beauharnais

Josefina não se esquecia também de mandar fazer as iniciais do seu nome encimadas pela coroa imperial. Como é fácil imaginar, todas as mulheres da Corte de Bonaparte, seguindo o exemplo da soberana, começaram a dar-lhe grande apreço e a fazer desse objecto maravilhas de bom gosto e de luxo; e mesmo para responderem às zombarias dos que no estrangeiro afirmavam que sob o governo do - Napoleão retratado por David Bonaparte  pequeno – as mulheres dos marechais, de origem baixa, se assoavam á mão, elevaram o lenço, como uma bandeira de protesto, tornando-o cada vez mais rico e obrigatório.”

O lenço hoje, já não tem estas conotações.

É uma peça utilitária. O que não a impede de, por ventura, poder ser um enfeite.

Os homens, que ainda não desistiram do vestuário clássico, continuam a exibi-los no bolso de peito dos jaquetões e paletós, casando as cores e desenhos a preceito com as gravatas...

Nas festas de casamentos, baptizados, comunhões ainda se completa o vestuário com adereços que incluem o lenço escolhido como um pormenor de requinte.

Nos fatos do dia a dia, esse que se impôs como um símbolo de luxo inútil, é uma peça imprescindível para cuidados de higiene.

E, até, o pobre mais pobre, que limpa as narinas, como dantes usavam fazer as mulheres dos marechais que não tinham pruridos de estirpes elevadas, até esses, não hesitam, por certo em puxar dele, para a lágrima irreprimível, incontida ou para o aceno de adeus, a quem partindo nos deixa partido o coração.

Que para isso o moderno lenço de papel que se impôs por ser prático e descartável, não tem “contextura poética”. Não dá para amarfanhar nas mãos, torcer como nos torce a alma o desespero e resistir como nós vamos resistindo e amadurecendo à medida que alegrias e mágoas nos vão dando lições de Vida...

 

Nota:

No século XVI uma veneziana de alta linhagem teve a ideia de cortar uma peça de linho em bocados que guarneceu de rendas, e utilizou, higienicamente, para limpar as fossas nasais. A ideia fez furor e, depressa passou os Alpes, vindo a expandir-se pela Europa. Nessa época os lenços não eram quadrados como hoje se usam. Tinham formas variadas. Só no séc. XVIII, o rei de França, Luís XVI, cedendo às reclamações dos tecelões, determinou que os lenços passassem a ter forma quadrada. Assim nasceu o lenço, segundo rezam velhos alfarrábios...

 

 

                                          Maria José Rijo

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 Revista Norte Alentejo

Nº 26 – Maio/Junho - 2003

 Crónica

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publicado por Maria José Rijo às 00:13

A escrita e o tempo

Terça-feira, 04.12.07

Quer queiramos, quer não, tudo o que nos cerca tem influência no nosso ritmo de vida.

 Até o tempo. Ou melhor, especialmente o tempo.

E, já nem me refiro ao tempo condições atmosféricas.

Penso que todos reconhecemos que um dia luminoso tem sobre nós a influencia positiva que um dia sombrio ou chuvoso, não oferece.

Porém, mais do que as condições atmosféricas: o tempo - época; quero dizer: - Natal, Páscoa...agarram-se á consciência de cada pessoa como se fora um atributo, um sinal, um jeito, quase um desígnio incontrolável, que nos altera o comportamento.

Retornam do passado as lembranças arrumadas na memória, que tantas vezes julgamos sepultadas no esquecimento.

Aparecem-nos vivas, frescas, viçosas como acontecidas na hora, cores, tons de voz, gestos, situações, presenças, perfumes...

Talvez que no Natal todos nos sintamos mais dispostos à ternura, ao perdão e ao amor porque todos nós deixamos reviver nos nossos corações as crianças que fomos. Todos nos enternecemos com o sonho e a esperança que canta inconsciente no olhar das crianças e, sem remissão, mesmo aqueles que o negam, deixam aflorar ao espírito alguma reminiscência mais teimosa que persiste em sobreviver...

São as toalhas de mesa que só em aniversários e festas aparecem...

É a mesa, mais farta, onde azevias e nógados, imiscuem o cheiro de fritos com o perfume exótico da canela...

São as conversas cruzadas de amigos e familiares que se cumprimentam e procuram porque é Natal...

É a troca de segredos de receitas novas de petiscos especiais provados algures, em festas ou viagens...

É o por em dia das novidades de casamentos, mortes, doenças e nascimentos... 

É o exibir de testemunhos: - Retratos das bodas, baptizados, comunhões, queima de fitas, praxes, festas...

É a troca de lembranças...

É o aquecer do coração no convívio de que se faz o melhor da Vida...

É, até, um bocado de poema que na adolescência se escreveu, e nos martela na memória quase ininterruptamente...

...................................

...eu lembro-me ainda!

 

E como esquecer o mundo das gavetas,

Proibido de mexer?

As malas da Avózinha e das Tias,

Que só elas abriam...e em certos dias!...

 

Ai, encantos meus!

Retalhos de seus encantos...

Que punham cobiça em meus olhos

E nos seus névoas de pranto!...

................................................

Minha Avózinha morreu...

Não mais mexe em suas malas,

Agora, mexo-lhes eu!..

 

É também isto o Natal. Passagem de testemunho de tradições, heranças de Amor que cabem nas almas de todos, pobres e ricos, velhos e novos... e, também, tema obrigatório até para divagar, quando se escreve seja lá o que for que sempre se remata, por este tempo, com a cordial saudação de:

      - Boas Festas!

Assim seja!

 

 

                                              Maria José Rijo

@@@@

Norte Alentejo

Dezembro 2001 nº 16

Crónica Norte Alentejano

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publicado por Maria José Rijo às 00:06

Apontamento de acaso

Segunda-feira, 08.10.07

            Os meus assuntos de conversa, provêm do pouco de televisão que vejo, e, do pouco, ou muito, que vou conseguindo ler, para além, claro, das minhas reminiscências, ou do que aos meus olhos se oferece quando relanço a vista das minhas janelas pelos horizontes em redor.    

            De outras fontes não disponho porque as minhas breves saídas de casa se limitam às compras domésticas e, nestes tempos das grandes superfícies comerciais não se encontra mais qualquer espécie de atendimento personalizado que permita os tais dois dedos de conversa, ainda que fiada.

 Agora, de prateleira em prateleira deslizam os olhares angustiados dos compradores por reconhecerem os artigos desconhecendo os preços que dia a dia se renovam sempre em movimento ascendente. Cada qual como se de autistas se tratasse, absorto, deambula por entre as ricas panóplias do exposto fazendo cálculos mentais aos parcos proventos de que dispõe para uma escolha, cada vez mais difícil dos alimentos a adquirir. Assim, que a não ser o: desculpe! Com um sorrisinho desbotado sempre que um carro ou um freguês encalha no outro no apertilho dos corredores entre as altas estantes é o silêncio de constrangimento que impera no ambiente onde a música de fundo faz um eco fantasmagórico criando ás vezes um certo ar de feira que mais confunde do que acompanha.

            Conclusão: - não há hipótese de convívio em tais recintos embora por vezes o insólito por lá aconteça e dele se conserve a lembrança dum sorriso divertido.

 Ainda outro dia, com o menino (quatro aninhos, talvez...) sentado dentro do carrinho, a jovem mãe, percorria com os olhos as prateleiras hesitantes na selecção dos produtos de higiene. Então o menino descobriu um objecto em forma de ovo e, eufórico, cobiçou-o pedindo-o com insistência.

            Que não, que não - respondia a mãe. Que aquilo era para dar bom cheiro à casa de banho, e não lhes era necessário. Foi então que o “ pequeno freguês” aduziu em alto e bom som um último e poderoso argumento: - compra Mãe que a nossa casa cheira muito mal!

            Aflita a jovem mãe olhou em redor, corada até às orelhas, para ver se alguém escutara aquela observação e deu comigo a rir e a pedir-lhe para me deixar dar um beijo no engraçado garoto, que indaguei chamar-se Ricardo.

            Este menino! Este menino! Repetia ela, confusa.

           É uma maravilha, rematei eu, bem divertida seguindo o meu caminho.

           Na memória dois versos: - cruzamos por momentos nossos passos na vária trajectória desta Vida...

            Que poeta terá escrito isto?

            Não sei, não me recordo, e tenho pena...

 

                                                     Maria José Rijo

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Revista Norte Alentejo

 nº 12

Maio / Junho 2001

Crónica

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:21

As mágicas soluções

Quarta-feira, 03.10.07

A Vida em redor entra em nós, dia a dia, instante a instante, ao compasso do nosso próprio coração.

                      

A chuva, o sol, o nevoeiro que nos embarga o horizonte, os violetas ou os carmins da apoteose de cores num céu em horas de poente...

                       

Os ruídos da rua, o canto dos pássaros, o latido doa cães, tudo o que nos circunda e cria e define o nosso mundo no mundo, desde o cheiro da nossa casa, ao perfume que usamos...ao choro e ao riso das crianças que amamos...

Tudo isso entra pela nossa pele, pela nossa alma e nos invade a sensibilidade e nos molda a maneira de ser e estar na vida. Porque o mundo, o vasto mundo onde a nossa pequenez também cabe, e, de que, também faz parte, esse, trespassa-nos pelos olhos, confunde-nos pela avalanche e diversidade de noticias, e, é-nos fornecido, imposto quase com sadismo, especialmente, pela televisão.

E, não é necessário para nos aturdirem que se fale de qualquer um grande cataclismo.

 Não!

Se bem repararmos a notícia, não visa, muitas vezes informar. Ela é expressa de forma a hostilizar. Ela não descreve ou adverte, ela agride, acusa. Ela explora a emoção fácil, provocando, e explorando posteriormente o conflito que ela própria cria.

                        

Há relativamente pouco tempo, uma mulher pariu prematuramente seis crianças duma gravidez de risco que suportou com humildade cristã e muita coragem.

Ainda me pergunto se terá sido lícito querer levar por entrevistas, inequivocamente dirigidas nesse sentido, a opinião pública a condenar a decisão dos pais das crianças!

Em matéria tão delicada, não me pareceu o mais certo.

Os bebés corriam risco, só que quem aceitou o risco de não escolher, também se arriscou...e, como diz o povo: resolver os problemas dos outros, é fácil para nós: - é só dar sentenças! – Difícil é decidir sobre os nossos próprios problemas.

Ocorreu-me então aquela velha anedota da senhora viuva dum homem considerado muito decidido, que se suicidou para não ir à guerra.

Muito contristada ela explicava: - coitado ele matou-se, não foi por medo.

Matou-se para não morrer!...

 

                                          Maria José Rijo

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Revista Norte Alentejo

Fevereiro/Março – nº 18                       

Crónica

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:11





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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