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Para a História ter sentido

Sábado, 23.05.09

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.862 – 14 de Novembro de 1986

 

 

Numa maneira geral, os desenhos animados contam, a meu ver, histórias cruéis e perturbadoras.

Ás vezes fico a pensar que formação, ou deformação, conseguem “aquelas mensagens” levar ás cabecinhas das crianças.

          

O gato que persegue o rato, acaba sempre com a bomba a rebentar-lhe nas mãos, e fica lastimavelmente chamuscado e ridículo, ou espalmado como chata palmilha, porque cometeu o “crime” de assumir a sua qualidade de gato e o instinto que o obriga a ser atento caçador.

              

O rato, esse ri e esfrega os bigodes na segurança da sua toca subterrânea, como prémio por cumprir o seu fadário de ser rato, roendo, roubando e conspurcando tudo quanto apanha.

Assim que, atingindo ambos as dimensões possíveis das suas vidas – um… é castigado, e o outro dignificado como herói.

        

A não ser que os castigos sistemáticos, que nestes filmes, os gatos sofrem, queriam dizer que se lhes assaca a responsabilidade de ainda não terem comido os ratos todos… isto não se entende!

Um velho ditado popular diz que: “Quem seu inimigo poupa, ás mãos lhe morre”.

Desconheço se o povo da América sabe os mesmos aforismos do que nós, e se o intento é fazerem-nos essa advertência.

Se, por acaso, a finalidade é mostrar que os mais pequenos são os melhores e os maiores são os piores – então os seus rifões não são iguais aos nossos, porque nós sabemos, desde sempre, que: "os homens não se medem aos palmos”.

      

Os ratos, que se saiba, são nocivos e é pouco inteligente que, só por uma questão de dimensões, se ponha a bomba a rebentar nas mãos do gato que justamente persegue o seu natural inimigo … o rato.

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O mais lógico, parece-me, seria pôr o roedor em fuga, em procura de outros espaços, e a bomba na mão de quem a inventou… porque a poderia despoletar com sabedoria. Assim, o gato dormiria uma boa soneca deitado ao sol e os meninos aprenderiam que cada um tem direito ao seu próprio caminho.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:41

História Linda

Segunda-feira, 08.09.08

 

 

Era só um malmequer

e olhava encantado

a folha

que estava verde!

Folhas

havia muitas!

Malmequeres

só um!,

e era Branco

e

tão luminoso

que até…

tinha um olho

amarelo

cor do Sol!!

 

Maria José Rijo

14-Nov-1963

(Desenho da autora)

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:33

POEMA – Oh, Minha Mãe, Não Sorrias!

Sexta-feira, 21.03.08

Viajei no teu olhar,

Minha Mãe!

Quando para mim não olhavas

E estavas queda a olhar

Essa menina que fui

Num passado que lembravas

Quando a sorrir, arrumavas

Roupinhas que eu já vesti!...

 

Viajei no teu olhar,

Minha Mãe!

Fui procurar a menina

Que tu estavas a ver,

E para quem assim sorrias,

Onde ela devia estar,

Aqui bem dentro de mim.

 

Oh, minha Mãe, não sorrias

Que a menina não te vê!

Eu não a pude encontrar.

Minha Mãe, olha p’ra mim!

Oh Mãe, não rias assim!

 

Mãezinha, peço-te eu!

Oh, minha Mãe!

Pois não vês

Que essa menina morreu?

 

Choremos por ela Mãe!...

 

Maria José Rijo

1955

II Livro de Poemas Paisagem

Poema nº 19

Pág – 87

Desenhos da Autora

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publicado por Maria José Rijo às 21:03

Poema - Arrojo

Quinta-feira, 20.03.08

 

Se fores seguro da tua verdade

Mesmo a percorrer caminho errado,

Não pecarás…

Digo-te eu!...

 

-- Só é pecador o que por medo ou traição

Anda a percorrer rotas várias

Sem convicção!

 

-- O raciocínio é fraco?

 

-- Por ser humano é falível?

 

-- Não te importes!

 

Se foi Deus quem me criou,

Ele aceitará o fruto

Da inteligência com que me dotou!

 

Maria José Rijo

8 de Janeiro de 1954

 

I Livro de poemas

Poema - nº 7

Pag 45

Desenhos da Autora

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publicado por Maria José Rijo às 19:33

Rezas e Benzeduras – XVI

Segunda-feira, 12.11.07

“A Relíquia”

 (( Desenhos de Manuel Jesus))

              Os pequenos da família tinham crescido sem que contabilizássemos o tempo

              Cada ano, nas datas próprias, faziam-se as festas de aniversários, compravam-se as prendas, juntavam-se tios e primos, apareciam, sem convite, os amigos íntimos, esperávamos o Avô que chegava, como que por acaso e, como sempre, presidia à reunião, calado, mas via-se muito bem que – feliz.

              Saudosas suspirávamos: parece mentira!

              Já 18...

              Já 19...

              Já 20...

Parece que foi ontem...e continuávamos a falar dos garotos, dos pequenos...

             Um belo dia, porém, acordamos para a realidade.

              Os seus nomes começaram a constar dos editais dos mancebos que deviam ir à inspecção.

              Os” garotos “iam à tropa.

              Iam viver essa experiência.

A seguir à comoção, à estranheza... o quê?!! Os garotos!... Àquele calor estranho que conforta e assusta simultaneamente, enchendo corpo e alma quando se repara, se olha e vê, que os garotos fazem a barba, mudaram de voz, fazem noitadas... a seguir, logo a seguir, veio aquela dor aguda como uma punhalada.

               E, se os garotos, vão para o Ultramar?..

               E....

               E....

Afinal, a guerra lá de longe batia-nos à porta

               E bateu.

               E entrou

               E comeu connosco à mesa.

               Dormiu connosco, nas nossas camas, como uma chaga viva nos nossos corações. Levou-nos a alegria. Deixou-nos o medo do que poderia acontecer e a esperança de que nada acontecesse.

               Fizeram-se recomendações atrás de recomendações.

               Fingiram-se orgulhos, valentias.

               Exacerbaram-se patriotismos, inventou-se coragem para dar e para viver , num fazer e desfazer de quem anda à roda, em círculos, convencido de que está a avançar no caminho.

               Então, cada qual, descobriu que isto e mais aquilo, poderia servir de talismã.

               Quando em grupo, com uma falsa serenidade, dizíamos depreciativamente – crendices, superstições...

               Depois à sucapa, cada qual com um certo ar displicente, passava de mão a mão a sua lembrancinha.

                Trago esta medalha ao pescoço desde o dia do meu baptizado. Deu-ma minha Madrinha. Leva-a! Vai-te dar sorte.

               Guarda contigo este livrito. É a ”Imitação de Cristo” Tenho-o sempre cabeceira. Verás que nele encontras resposta para todas as tuas dúvidas.

                Os dias passaram.

                A data do embarque aproximava-se...

                Então, naquele dia, o Avô que a tudo assistira em silêncio com os olhos a brilhar, usando uma brusquidão que não enganava ninguém, mas que lhe parecia disfarçar a sua vontade de chorar disse:

                Toma! - Leva contigo.

                Era um saquinho de brocado vermelho, puído, quase roto, cosido e recosido à mão com pontos miudinhos, esmerados. Fechado como uma almofadinha. Com cinco centímetros no máximo de dimensão.

                O que é isto? - Foi a pergunta.

                Tem dentro os Credos escritos em cruz, uma relíquia do Santo Lenho e uns fios do manto de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Costurou-o tua Avó, que Deus tem, e coseu-mo no forro da farda quando fui para a França na guerra de 14.

                Agora é para ti!

                Como uma criança apanhada em falta o Avô tinha o rosto vermelho e um ar confuso.

                Mas eu nunca vi isso! - Exclamou a filha absolutamente surpreendida.

                Mudei-o sempre de bolso para bolso, até do pijama, confessou.

                Todos guardamos segredos acrescentou. Não há ninguém sem mistérios!

                Devolvo-lho quando voltar disse o rapaz abraçando-o.

                Cá te espero – respondeu o Avô, afastando-se apressado.

     

                E, assim se despediram...

 

                                                              Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.450 – 24-Abril-1998

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Este livro de Rezas e Benzeduras pode ser adquirido

no Jornal Linhas de Elvas

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:09

Rezas e Benzeduras XV

Sábado, 10.11.07

“Uma boa achega”

 

            Uma ilustre elvense destas que a profissão ou a vida situou lá longe – e vivem não sei como! Pois que têm o coração por aqui. - Enviou-me uma preciosa achega para esta série de ”rezas e benzeduras”.

            Trata-se, como também, com Maria Isabel de Mendonça Soares, de outra ilustre escritora, refiro-me a: Maria do Céu Cavalheiro Ponce Dentinho.

            Logicamente que nunca me atreveria a trocar uma vírgula sequer da bela história que me foi oferecida -. a mim e aos meus leitores - aliás, cada oração que na infância se decorou traz com ela ao ser recordada todo o peso das circunstâncias que com ela se viveram e às vezes até a voz de quem connosco ou  para nós a rezou .

            Céu Dentinho, lembra assim:

            “Havia na casa uma tradição, só de mulheres, a realizar uma vez por ano mas com pompa e circunstância...

 

.           No dia 25 de Março, da Anunciação, era costume de as senhoras da Família se reunirem em casa da mais velha, ao tempo dos meus poucos anos era a avó Maria do Carmo, para cumprir uma devoção. No seu lindo quarto de vestir estava o oratório, cheio de imagens, fitas, dourados e velas e em frente nos ajoelhávamos. A luz vinha de um pátio com clarabóia. Era uma oração que era uma poesia, em que a gente se persignava cem vezes e rezava cem Avé-Marias, alternadamente e a cada uma se levantava e ajoelhava, portanto cem vezes...

Como  se fossem dois terços. E em cada mistério vinha a oração que era assim:   

                             (( desenhos de Manuel Jesus))                                                

Ergue-te, alma minha,

com Deus e a Virgem Maria,

Lembra-te que morrerás,

Não morrerás mas viverás.

      

No vale de Josafá

O inimigo encontrarás,

Da parte de Deus lhe dirás

Arreda de mim Satanás

Que em mim parte não terás...

 

Porque no mundo aonde andei

Cem vezes me ajoelhei

Cem vezes me persignei

Cem vezes disse Amen.

No dia em que a Virgem

Encarnou o Verbo Divino, Amen.

 

            A Avó dirigia. Começava – todas respondíamos. E era também a Avó que ralhava – porque havia sempre quem tivesse vontade de rir ou se enganasse no ritual – novos risos. Depois, havia interrupções – felizmente! De uma vez veio alguém avisar que os bolos estavam fintos, de outra passou uma procissão e lá fomos todos para a janela. E havia sempre chá e enchovalhada para completar a tarde.

 

            Assim rezávamos aquela poesia que era uma oração, as 100 Avé-Marias tradicionais. Essa, a tradição, é que já não tinha anos para serem contados. Parou quando a Avó partiu para o outro lado da vida. Mais uma conta do rosário dos perdidos.”

           

            Enquanto alguém recorda as coisas que estando longe no tempo se conservam na lembrança continuamos a poder dizer que permanecem vivas nos nossos corações... 

 

 

 

                                             Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas                                                                                                                   

Nº 2.448 – 10-Abril – 1998

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Este livro de Rezas e Benzeduras poderá ser adquirido

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Rezas e Benzeduras XIV

Quarta-feira, 07.11.07

A Loja do senhor Camacho

                                (( Desenhos de Manuel Jesus))

           A loja fazia esquina com a estrada nova (assim era designada a estrada nacional) e uma ruela mal calcetada como, alias, eram todas as ruas das aldeias do Baixo Alentejo há 50 anos.

        Havia na aldeia uma certa profusão de “vendas”, mas, loja, loja, digna desse nome só mesmo aquela o que conferia ao seu proprietário e família um estatuto de pessoas importantes.

        Não que tivesse montra ou qualquer sinal de beleza; apenas uma tabuleta esmaltada com o símbolo dos C.T.T, assinalava funções diferentes. Nas ”vendas” para além de algumas bugigangas o que mais se procurava era vinho, enquanto que na loja havia meadas de linhas para dobar e fazer meias, riscados, cotins, serrubecas, pano cru, chitas, flanelas, estamenha, xailes, lenços, – que, crepe da China e popelines, só por encomenda. Como sinal de civilização vendia jornais, – o Século, e o Notícias mas, apenas dois ou três exemplares (que ler era um luxo) e selos de correio, mas também, feijão, grão, e muitas outras coisas mais... cordas, ratoeiras, armadilhas para pássaros, chocalhos para o gado, etc. etc. etc...

        Até na forma de vestir o senhor Camacho era diferente.

        Jamais alguém se poderia gabar de o ver por detrás do balcão da sua loja sem estar de casaco, colete, gravata e camisa de colarinho engomado.

        Às vezes usava guarda - pó, mas, mesmo esse “bibe” de riscado cinzento listadinho de preto lhe conferia um ar de dignidade que ia a matar com o seu rosto sério, o seu bigode muito bem aparado e a sua barba muito escanhoada. O senhor Camacho era um dos grandes da aldeia; como era o ferrador (investido também na dignidade de regedor) e o dono da moagem. A estes distinguia-os o facto de não serem analfabetos porque os outros homens importantes eram os lavradores e, a esses, como aos fidalgos no exército, nada mais lhe era requerido. Do que ser rico ou ser fidalgo.      

Nos dias de receber a jorna ou, quando acabavam as “adiafas” o movimento da loja crescia de forma inopinada, não tinha nada que ver com a ronceirice do dia a dia. Então, a dona Aninhas, sua recatada esposa, abria a porta de ligação entre a casa e a loja dirigia um cumprimento a todos em geral, instalava-se à secretária, pegava no livro dos assentos e ia dando baixa nas listas do: - ” aponte aí, tenha lá paciência, qu’ê cá levo fiado mas, pago assim quê possa!”que enchiam o livro comprido e estreito, de capa preta, que guardava o registo da penúria daquela pobre gente que, tal como as searas, dependiam do tempo a favor para crescer, também dependiam do tempo para trabalhar e ter que comer.

            Dona Aninhas era mouca, e tal como o marido, sem ser velha, também não se diria que fosse jovem, tinha um tom de voz velado, um arzinho nostálgico de funda tristeza (sofria de enxaquecas, males, que o povo não entendia, nem podia entender, já que tinha boa mesa o ano inteiro e criada ao seu serviço que, aliás viera junto com o bragal de casa de seus pais); assim que todas as conversas com ela começavam invariavelmente pela delicada informação das melhoras da senhora que curvando-se um pouco para o interessado amavelmente lhe estendia a corneta acústica para receber a resposta. As comunicações não passavam mesmo disso, já que com aquela minúscula

Campânula de gramofone de permeio o constrangimento entre credor e devedor sofria mais esse atrito.

            Dona Aninhas dizia: - uma quarta de toucinho, dois côvados de cotim, uma onça de linha roxa, tantos arrateis de açúcar...etc. etc. etc...

            A freguesa conferia as parcelas enumeradas pelo monte de papelinhos que trazia fechados na mão, então, molhado o aparo no tinteiro de tinta vermelha, com uma cruz por cima do apontamento se amortalhava o débito.

            Algumas vezes, porém, o rame, rame, desta contabilidade era cortado; bastava começarem-se a ouvir ao longe as guiseiras do macho da carrinha do correio. Então como formigas num formigueiro esventrado, atabalhoadamente, quase em atropelo a loja enchia-se de gente espectante de curiosidade.

            Aberta a mala da correspondência começava a distribuição.

        Numa voz clara o senhor Camacho lia os nomes. Mãos ávidas recebiam cartas e

 postais. E, afastavam-se quase tão rapidamente como tinham surgido. Discretamente, pelos cantos, iam apenas ficando aqueles que não sabendo ler e não tendo em casa quem lho fizesse dependiam de dona Aninhas ou do senhor Camacho para a decifração das mensagens.

            Para Mariquinhas, a filha do casal, era essa a hora mágica do deslumbramento! - e  quando seu pai começava aquelas leituras, apertava ainda mais ao peito a sua boneca francesa com cara de porcelana, e ficava imóvel como que petrificada com os olhitos estrábicos emoldurados pelos enormes óculos  redondos fixando a cena sem pestanejar ... 

                                       “ Mana Zefa

             A tal mulheri que tinha o livro de S. Supriano já nã mora no monte do olivali.

             Contou-me a nora dela, a Ludres, você alembra-se? era aquela qu’era falada com o managero; qu’o patrão assim que esconfiou qu’ela fazia aquelas bruxices e détava as cartas e esputava alfinetes nos sapos p’ra fazer mal ás criaturas, pos‘i-a no olho da rua.                                                                              

              A modos que se voceia queri chegari ás falas com ela, peça à Marianita do correio qu’a traga na carrinha qu’ela agora ‘stá morando p’rós lados da Mina na casa do neto aquele que le chamam o Chico Torto.

              Se voceia quer tirar as provas já sabe. Mas ouvi dezer que comeri um ovo de cigonha frito bubido com vinho forvido com funcho faz desenmaginar da bubida e p´ra mais reze-le a reza que le mando por mor de le sair o diabo do corpo e do esprito-cruzes ,cruzes, cruzes !... De resto faça-le a cruz de sali pro baxo do cólchão e vai a ver qu ‘ele s’emenda, dexa as buboderas e dexa de le dar porrada. A gente est’ano tem uma bela lera de pupinos e uma grande novidade de molões.

          Se voceia vieri leva p’ra si e p’rós mocinhos.

          Atão já sabi. O pessoal daqui manda-le visitas         

          Sua ermã

                         Donzelica

           

            Atão a reza é assim : Oração para afastar o diabo - Olhe, foi a Custoidinha do Posto da ‘scola qu’a tirou p’ra ela do livro de S. Supriano e agora deu-ma a mim p’ra ê l’a dari a si .É boa criatura sempre dá uma mão òs pobres”

                                               Eu me entrego a Jesus

                                              e à Santíssima Cruz,

                                               ao Santíssimo Sacramento,

 

ás três relíquias que tem dentro,

ás três missas de Natal,

                                               que me não aconteça nenhum mal.

                                               Maria Santíssima seja sempre

 

                                               comigo, o anjo da minha guarda

                                               me guarde e me livre

                                               das astucias de Satanás.

                                              

                                               Pai Nosso

                                               Ave Maria

 

                                          

 

                                                                       Maria José Rijo                  

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.446 – 27-Março-1998

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Rezas e benzeduras XIII

Domingo, 04.11.07

   

“As linhas torcidas”

 

         A senhora Isauraa Ti Isarua – como era conhecida no monte e nas redondezas era especialista em benzeduras.

            Viera numa leva de ceifeiros na força dum Verão ainda mais inclemente do que era habitual. Chegou com o bando dos “ratinhos” e foi ficando...ficando..., agora por isto, logo por aquilo, que ela era pau para toda a obra, e, às tantas, a bem dizer, já fazia parte da mobília! --       Ti Isarua faz a boia, - Ti Isarua vá lá aparar o bezerrinho, que o raio da vaca está com’á galinha pedrês – tem o ovo atravessado! -ti Isarua mate lá um frango, – Ti Isarua vá lá entreter as crianças...para tudo a Ti Isarua tinha préstimo.

            Ti Isarua tem que cuidar do amojo da cabra malhada que na certa foi mamada por cobra, está luzindo de inchaço... e, assim por aí adiante!     

Porem onde o seu saber tinha cátedra era no conserto de ossos fora do sítio, espinhelas caídas, entorces e outras maleitas afins.

            Quase sempre à tardinha, se era no Verão, ou antes do almoço, se era no tempo dos dias pequenos, apareciam os mitigantes da sua sabedoria

Ti Isaura era ossuda, fortalhaça, pouco ou nada devia à formosura, mas tinha um jeito doce que agradava, era paciente com as lamúrias dos queixosos e tinha aquela habilidade de mãos que seduzia e sabia confortar.

Era solicitada com frequência para trabalhos fora, e por vezes, levava por lá dias e dias até voltar.

Então cochichava-se à boca pequena, isto e mais aquilo, -envenções como ela dizia, dessas malucas que nem sabem prantar um jantar ao lume!

Tá-se memo a ver que nem les respondo e acabou-se! Isso era o qu’elas queriam! Logo se calam! - Toda a conversa òs três dias esmorece.

E, assim, com estes despachos, encerrava o seu expediente.

Naquela tarde chegou uma cliente ainda nova empurrando à sua frente de escantilhão “de tabefe em tabefe “um rapazito que lamuriava sem cessar.

O que é isso mulher? - Largue o garoto e diga lá o que aconteceu, interveio conciliadora a ti Isaura que já havia sido avisada da necessidade de abrir a “consulta”        Ora o que havera de ser! Voceia já sabe como são-nos moços; por mais qu’a gente diga. Pranta-te quedo! - Pranta-te quedo! Nã senhora, colam por cima dos tarrões e ospois vá de esmurrar as ventas e trocer as linhas.

Dexi-o a tomar conta das manas; qu’é fui fazeri uns mandados por mor de ganhar umas molhaduras e quando volti tinha desapracido e déchou as mocinhas fechadas à chave. Voceia já viu o cabrão do gaiato? - Já viu? - Isto só partindo-le os cornos e ospois ainda me volta desasado!

Já s’ontro dia se nã chego à justa matava -me a ermã mais pequena. Atão nã le ia dar o lete na almintolia do pitrole?

Já viu o que m’havia de cabedari? - Já viu?

            Só a mim è que me cabeda esta sina...

Oh, moçada dum cabrão- com sua alicença - nem com uma calda de porrada de manhêm e outra à noite a gente os assocegava !

Entretanto mãe e filho carpiam as suas lástimas a Ti Isarua tirava da panela de ferro que se eternizava ao rés do lume uma pucarada de água fervente e dobrava-lhe sobre a boca uma toalha turca.

Sobre o pano humedecido com o vapor de água quente ajeitaram o cotovelo do rapazinho que imediatamente o retirou rezingando: está quente, porra!

Habituada a tal léxico Ti Isarua continuava, sem esmorecer, as suas funções

Sob a ameaça de mais algumas “orelhadas”o franganote magoado e ofendido acabou por acatar as recomendações e colaborar.

Quando eu precurar: o que é que ê coso tu dás de resposta: carne quebrada e nervo torto. Nã te esqueças mod’a reza dar certa qu’ê cá precuro tres vezes.

 Então assumindo uns ares de seriedade de quem estivesse investida em poderes secretos começava, a Ti Isarua, depois de ter esfregado a região doente com azeite, a coser e recoser com uma agulha desenfiada num novelo de linhas e a recitar a milagrosa benzedura:

                             (Desenhos de Manuel Jesus)

Coso!

O que é que eu coso?

            Vinha a resposta: - carne quebrada e nervo torto

            Isso mesmo é que eu coso

            Carne quebrada volte ao seu lugar

            Nervo torto volte ao seu posto

            Melhor cose a Virgem que eu coso

            Que eu coso pela carne

            E a Virgem cose pelo osso

            Em louvor de Deus e da Virgem Maria

            Padre-nosso e Avé – Maria

 

           O rapazote, a fungar, esfregava o nariz na manga do braço são, para enxugar o pingo e as lágrimas mas submetia-se com docilidade.

            Voltando a friccionar o cotovelo, – que na circunstância já estava vermelho como um pimento, – outra vez com azeite, terminava o tratamento que se repetiria três dias seguidos e sempre seria acompanhado da mesma recomendação: - agora agasalha bem o cotovelo p’ra não constipares o braço não seja o caso de ainda por cima apanhares erisipela!

            Depois com uma palmadinha amigável, discretamente, a Ti Isarua meteu uma guloseima no bolso do rapazinho que, finalmente, mostrou um sorriso aberto de criança.

            Respondendo: - não é nada! Deixe-se lá dessas coisas...à inquietação da consolente, Ti Isarua ficou encostada à parede do “monte” a vê-los afastar.

A mãe já serena pusera o braço sobre os ombros do garoto aconchegando-o a si.

            Nos ouvidos de Ti Isarua a frase de despedida:

            A pobreza é uma desgraça! - A gente pede às crienças favores qu’eles nã têm-na idade de fazer, mas é a precisão... e ospois, coitadnhos, ainda “as mamam” por cima....

                                          Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.445 – 20 – Março - 1998

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Rezas e Benzeduras XI

Quarta-feira, 31.10.07

Oração a Santa Iria

            A lavadeira lá de casa era a Rosa

              A Rosa lavadeira era tão conhecida como outras Rosas ou Marias.

              Havia também as Rosas cerzideiras- as forneiras, as aparadeiras..

              Era assim - juntava-se a profissão ao nome próprio e funcionava como apelido.

             Certo e sabido que duas vezes por semana contávamos com a visita da” nossa “Rosa.

             Sábado, vinha trazer a roupa lavada e na segunda-feira, levava o saco da roupa suja.

             Às vezes se lhe dava mais jeito a ela ou à dona da casa fazia as duas operações numa visita só.

             De qualquer modo a sua aparição causava sempre um certo reboliço na cozinha. Ou era a roupa que ainda não estava contada e lá começava a cerimónia de juntar os montinhos de peças idênticas para ser mais fácil apontar o role quase cantado como que imitando a Beatriz Costa: três corpetes, um avental,...etc. etc. etc._ ou, era o café que ainda não estava assente... e visitas de cozinha tinham direito inalienável a essa pitança...com pão condutado de queijo, azeitonas ou carnes do cozido

             Ou, era a escolha da jarra para as flores, para nós, colhidas na brandura da madrugada - que ainda guardavam dela o orvalhado  encanto - quando passavam das suas, para as nossas mãos...

             Ou, era a alvoraçada alegria com que anunciava a chegada ao mundo da beleza dos bezerros que a sua “estrela” sempre paria...

             Ou, qualquer coisa acontecida no mundo verde da sua pequena horta que, com o seu sorriso amigo, e o calor da sua simpatia teluricamente partilhava com a nossa amizade.e interesse.

             Naquele dia uma das garotas da casa não se sentia bem.

             Preocupada, porque as correrias e as andanças à soalheira tinham sido no passeio dado à sua própria horta no dia anterior, quis saber por todos os motivos e mais esse, do que se queixava a doente.

            O interesse era justificado até porque, desde sempre, criadas antigas e lavadeiras sabiam tanto ou mais das casa do que os próprios patrões.

             A menina queixa-se das guelas? Quis saber solícita.

             Nã senhora! Nem tem febres! - É só dores de cabeça - mais nada.

             Nã terá por lá comido fruta verde? (lá, era a sua horta) Insistiu! -

             Isto de rapaziada nunca fiando...

             Nã! Da barriga está bem. È” memo” só da cabeça...respondia complacente a velha empregada “Chame-a là, diga-le qu’estou aqui...ou, atão, dexe qu’ê vou vê-la.

             Assim aconteceu.

             Antecipando a acção com um: “ com sua alecença” – avançou casa a dentro até ao quarto.

             Então, abrindo a janela com o maior à vontade foi exclamando: atão qué isto hoje?! Nem se dá um passou bem à Rosa? Nem nada!

             A garota sorriu agradada.

                      A mulher sentou-se na beira da cama, foi falando, fez perguntas, escutou respostas e, a certo passo, esclareceu: já sei! - Ou foi quebranto, ou golpe de sol! Das duas: uma!

                      Nã se rale qu’ê já a livro disso!

                     “Feito o diagnóstico” a cura estava assegurada. Assim, voltou lesta à cozinha que nestes casos sempre funcionava como perfeito laboratório e, quase em seguida, regressou com as“alfaias” desejadas onde também entrava um copo de água e um lenço branco.

                      Desenfiou um terço que estava pendurado no florão da cama da menina fechou-o na própria mão e, pediu-lhe sem hesitações, como quem tem a certeza de ser obedecida:” Alevante-se “da cama e assente-se nesta cadeira aqui na” nha” frente.

                   Vai a ver que fica boa num “stantinho!”

                   Então, assumindo uma atitude de inspirada por estranhos e benignos poderes, em voz alta e segura, começou as suas rezas.

                    Primeiro o quebranto, disse:

                                    Deus é breve

                                    Breve é Deus

                                    Se tens lua ou quebranto

                                    Benza-te Deus

                                    E o Espírito Santo!

     Ofereço esta reza ao Santo da sua devoção – (qual é? inquiriu) para que Deus lhe tire a lua ou o quebranto

     Santa Terezinha respondeu a menina que se chamava Teresa                                  

                     Rezando de seguida um Pai-nosso e uma Avé Maria seguiu-se a cerimónia das gotinhas do azeite no pires com água

                     O azeite não se desfez. Quebranto, não era – estava feito o teste

                     Restava então a oração a Santa Iria destinada a anular os efeitos maléficos do “golpe de sol”

                     Colocando o lenço dobrado em quatro sobre a cabeça da garota e pondo sobre ele o copo contendo água fria iniciou a recitação de um pequeno e belo poeminha que dizia assim:             

                           Indo Santa Iria pelo mar fora

                           Cheia de sol e calmaria

                           Encontrou a Virgem Maria

                           Perguntou à Senhora como se curaria

                           Com um pano de medina

                           E um copo de água fria

                            Pai-nosso e Avé Maria

              Isto era rezado com o terço fechado na mão traçando cruzes sobre a cabeça da paciente.

             A água começou a borbulhar no copo como se estivesse ao lume a ferver.

             Prova provada de que era o sol que havia feito mal à menina.

             Assim exorcizado, o mal, obedientemente, desapareceu lá para os reinos das trevas onde não cabem as crenças de que, em nome de Deus, até os mais humildes fazem milagres quando são mansos de coração...

 

                                      Maria José Rijo     

@@@@@

                                      

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.441 – 20-Fev. -1998

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Este livro foi publicado em Novembro de 2000

Pode ser adquirido no Jornal Linhas de Elvas

             

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:11

Rezas e Benzeduras x

Segunda-feira, 29.10.07

       Numa destas tardes em que um cinzento de chumbo tudo envolvia e do céu como um pranto copioso caía chuva e mais chuva sem cessar; sentei-me desolada com a escuridão do dia e cedi à lamúria:

        Que tempo desgraçado!

        Que dia sem luz!

          Que tristeza! - E mais isto e mais aquilo aduzindo cada vez mais motivos para não fazer coisa nenhuma. Nem a musica que escolhi a meu gosto me conseguia libertar da rabugice e desalento. A certa altura comecei a bocejar como fazem os gatos quando acordam para espantar a preguiça. Foi então que me ocorreu a recordação lá daquela pobre aldeia onde andei à escola, lá onde bocejar, não era, nem jamais poderia

 ser  uma atitude deselegante, mas apenas um terrível sintoma de quebranto. Razão mais que suficiente para procurar a cura na mais cotada das bruxas lá do sítio – a ti Pinhoa!

       Ir à ti Pinhoa, significava ir à consulta de um catedrático na especialidade sempre intrigante das rezas e benzeduras.

       Batia-se à porta.

       Embiocada num lenço escuro com ramagens prateadas a cabeça da velha espreitava pelo postigo que entreabria com precaução.

       Vêm cá a modo quê? -interrogava com desconfiança.

        Desculpe lá a moenga – dizia a consolente – mas a gente acha que estamos

 Encubrantadas e queríamos que você nos desencubrantasse.

         Espreitando primeiro com os olhinhos muito vivos para ambos os lados da rua, como se receasse ser perseguida ou espiada, abria depois a porta e puxava as pessoas para dentro de casa com a rapidez da aranha que envolve a mosca na teia.

        Numa casa sem janela, iluminada apenas pela escassa claridade que umas telhas de vidro espalhavam, sobre a meia-cómoda composta com duas jarras enfeitadas com

 palmitos de flores de papel e umas pobres cadeiras de fundo de bunho ; começava a função. O chão de terra batida tornava o ambiente ainda mais soturno, a tal ponto, que

 a luz que entrava pelas frinchas da madeira da porta dava a ilusão de lâmpadas acesas

        Gerava-se um silêncio de cortar à faca.

        Assentem-se! Dizia a velha.

        Toda a gente obedecia.

        Vou buscar os pertences – esclarecia a sibila – ausentando-se com ligeireza.

         Retornava com uma garrafa de azeite, uma tijelinha com sal, um pucarinho de barro cheio de água e um pires.

         Colocava tudo sobre a mesa do meio da casa onde um Zé povinho, fazendo um manguito, marcava o centro, rodeado de abóbrinhas e outras bugigangas tão pelintras que pareciam funcionar mais como bilhetes de identidade de pobreza do que, como enfeites, missão, que sem dúvida, lhes fora confiada.

         Com água se enchia o pires, com o sal se lhe fazia uma cruz, depois tirando do bolso do avental um terço começava a velha a andar à roda do paciente fazendo cruzes sobre todas as partes do corpo enquanto recitava:

                                          (( Desenho de Manuel Jesus))

         

          Fulano ou Fulana

          Deus te dormiu, Deus te criou

          Nossa Senhora por ti passou

          Deus perdoe a que mal te olhou

          Se tens na cabeça – valha-te santa Teresa

          Se tens nos braços -valha-te santo Anastácio

          Se tens na barriga – valha-te santa Margarida

          Se tens nas pernas – valha-te santa Madalena

 

               Santa Ana pariu Maria

               Maria pariu Jesus

               Aqui se reza o credo em cruz

   

       Terminada a benzedura a ti Pinhoa molhava a pontinha do dedo mínimo da mão direita no azeite e com toda a solenidade espargia sobre a água umas gotinhas -apenas três – se as gotinhas do azeite se desmanchavam o quebranto persistia -se permaneciam redondinhas e perfeitas o mal estava afastado e não era necessário recomeçar a reza.

       A saída da casa era precedida do mesmo ritual. Primeiro a espreitadela pelo postigo

da porta , depois a transferência dos benzidos para a rua com rapidez idêntica à que fora usada para a introdução na casa dos prodígios .

       Os temores, vim a saber depois, eram parte da encenação de mistério que se quadrava a matar com aquelas artes mágicas.

        Era lógico -pois se toda a aldeia a sabia com “dons” especiais e lhe pedia os bons ofícios não havia necessidade – a não ser para criar mistério – do cerimonial que enquadrava os serviços que ela tão generosamente prestava a troco apenas da crença de bem fazer e que a vizinhança lhe retribuía com presentinhos de mimo de quem,

sendo pobre, entre pobres ,se alegrava  ao receber uma manchinha de azeitonas, um pão mole,umas pupias de torresmos em dia de amassadura...ou apenas uma pá de brasas

para  aconchego numa noite mais fria que, naqueles tempos, no Alentejo, a pobreza tinha  a dimensão de vidas inteiras .

 

                                              Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.439 – 6- Fev.-1998

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Este livro foi publicado em Novembro de 2000

Se estiver interessada num volume de Rezas e Benzeduras

deve de contactar o Jornal Linhas de Elvas

 

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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

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