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Coisas da Minha Memória

Segunda-feira, 13.04.09

Á LÁ MINUTE

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.821 – 24 de Janeiro – 1986

  

De há uns anos para cá – caímos nisto! – Chamo-a, não me responde – se responde é lenta e negligentemente que o faz.

Se a censuro, esconde-se; se insisto desaparece, fico às apalpadelas no vazio, o que me desespera.

Tendo eu que viver com ela, que outra não tenho, e substitui-la me é impossível, o nosso relacionamento só subsiste porque sendo eu a viver dela, e sendo, também eu, o que ela me traz e dá – esforço-me por a ajudar e resigno-me a suportá-la tal e qual está.

Bem que eu a persigo e alicio; - vá, diz lá … diz! … diz!... Mas de nada me vale. Amua, caprichosa na birra, e não lhe tiro uma referência sequer, se for essa a deliberação que tomou.

Faz-me partidas a cada passo, e não se incomoda nada de me deixar suspensa e angustiada, no meio duma frase, e partir para voltar quando dela já não careço. Por vezes traz-me umas que lhe pedira, e mesmo sabendo que percebi a trapaça e não acho graça, - insiste, insiste, insiste!... Depois, aparece sorrateira, como se de nada pudesse ser acusada, trazendo nas mãos ofertas preciosas, que eu julgara perdidas para sempre.

E assim vamos indo!...

Diz-me com frequência que está cansada, velha, regressiva, e para mostrar dedicação, traz-me lembranças

 

enternecedoras, coisas que ela desencanta em recônditos escuros, e exibe-os vitoriosa, justificando-as por íntimos indícios.

As minhas mãos tocam um objecto, e em lugar de me deixar atenta ao que faço – não senhor! –

 

Mostra-me com elas os gestos de minha Mãe; - O relógio dá horas? – Em vez de me deixar ir realizar o que pretendo – não senhor! – Vejo o meu Pai suspender a leitura do Jornal, tirar os óculos – esfregar os olhos – repô-los, despedir-se e ir ao escritório.

           

Oh! – Que Deus me valha! – Pois queria eu hoje falar de coisas que pensara, e aqui fiquei, esperando em vão – quem, à hora certa, me falhou e se sumiu para parte incerta, com a bagagem que eu juntara.

Isto é feio e não se faz!

-- É justo que eu desabafe!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:23

Actualidades 2003

Quarta-feira, 12.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.722 – 8 – Agosto - 2003

Conversas Soltas

 

          

Quer queiramos, quer não, o impacto dos noticiários, intromete-se nas nossas vidas.

São os fogos, quase sempre de origem criminosa, são as guerras, criminosas também, são os acidentes de viação, em suma: são as desgraças umas atrás das outras, e, qual delas, mais trágica que a antecedente...

E, como se não bastasse, até a maneira de veicular as notícias, algumas vezes é provocatória para a sensibilidade de quem as escuta.

Cada “estação” em jeito de quem exibe um trofeu, grita aos sete ventos e repete até ao cansaço que foi a primeira, senão a única, a saber da desgraça que conta e reconta com um gozo doentio.

Parece até haver um certo sadismo em exibir imagens pungentes de corpos desfeitos, estropiados, irreconhecíveis quase, como seres humanos.

sadam-hussein.jpg

Recentemente, o verdadeiro festival de alegria por terem sido mortos os dois filhos de Saddan Hussein foi arrepiante.

Penso, que quando aos homens parece como única solução matar outros homens, todos deveríamos sentir, não um frémito de sucesso em situações como esta, mas, sim de vergonha.

Vergonha, remorso e frustração, por nos ter sido impossível, por não termos sido capazes, de resolver os problemas com respeito pela Vida do nosso semelhante.

Onde deveria estar espelhada a dor da nossa derrota, exibe-se a glória de resolver matando, aniquilando, destruindo...

As guerras sucedem-se.

Já era tempo de se ter entendido que, ainda, nenhuma delas, por mais cruel e sanguinolenta, resolveu o que quer que fosse.

Nem na antiguidade o engenhoso logro do cavalo de Tróia, nem a experiência arrasadora de Hiroxima, ou, mais recentemente, o espectáculo televisivo da sofisticadíssima guerra no Iraque, nenhuma forma de guerra, jamais, resolveu os problemas entre os homens e instaurou uma Paz definitiva.

O ódio não se dilui em ódio.

O único solvente do ódio é o perdão, é o amor.

Em qualquer tempo, afirmações destas parecerão sempre utópicas, serão sempre polémicas.

São as chamadas verdades de trazer por casa...

Todos o sabemos.

Porém, quantos de entre nós nos afirmamos como cristãos e o esquecemos na prática.

Afinal, o Amor, a Fraternidade e o Perdão são a essência da religião a que chamamos nossa e em teoria defendemos...

Utópica deveria ser considerada a filosofia que pretende justificar o ataque de umas nações a outras, a destruição de uns povos por outros.

Antecipar o flagelo de uns, para evitar o flagelo de outros... que até poderia não chegar a acontecer, não é utópico, é uma realidade terrífica.

Guerras fazendo vítimas. Imagem: www.tamandare.g12.br

A lógica das guerras, será sempre a ausência de lógica.

Faz-me lembrar a tola anedota do indivíduo que angustiado com medo da passagem do cometa, se matou para não morrer...

E, assim segue o homem seus caminhos de ambição, perdido do Homem, perdido de si próprio...

Os mortos são apenas números de estatísticas...

Inimigos para uns, heróis para outros.

Sempre gente.

Eu, tu, ele...Sempre gente.

Apenas gente.

E, em jogo – sempre – um valor único – A Vida!

Dois mil anos depois de Cristo, é esta – ainda – a nossa actualidade.

 

 

 Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 00:09

Perdoa Senhor

Domingo, 26.10.08

 

.

Perdoa Senhor
Se não pude
Aceitar os meus percalços
Como o rio pula o açude
Perdoa Senhor
Lá dos céus
Se escolhendo o meu trilho
Ando perdida dos teus
Perdoa, Senhor
Como eu te perdoo a ti
Tudo o que consentiste
Que eu fizesse de mim...

 

Maria José Rijo

26-Outubro-2008

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:15

Daí que…

Terça-feira, 22.04.08

                       

Já tenho contado Algumas vezes que o terramoto dos Açores – desse horror impossível de esquecer – guardo também uma inesquecível lição de confiança nas pessoas.

Com a terra ainda a tremer em centenas de “réplicas” sucessivas, esquecidos dos bens perdidos (2 terços da ilha reduzidos a escombros) restando a muitos, só a roupa que tinham no corpo – ninguém procurava as riquezas soterradas.

     TerramotoCed4 (2).jpg (59652 bytes)TerramotoCed8 (2).jpg (59882 bytes)

Todos, absolutamente todos, corriam à procura uns dos outros e conhecidos ou desconhecidos, desapertavam-se de uns abraços para novos abraços na pura festa da alegria de se encontrarem vivos.

Foi um momento ímpar de comunhão espiritual, foi um saudemo-nos irmãos do tamanho do mundo, que uma ilha aflorando no meio do oceano – é um mundo dentro do Mundo.

      TerramotoFla1 (2).jpg (54352 bytes)TerramotoFla2 (2).jpg (56205 bytes)

Eu não queria, ninguém queria ou jamais terá querido que um terramoto acontecesse. Mas, porque aquele teve que acontecer, não me canso, ainda hoje, apesar do sofrimento que depois se seguiu, de dar graças a Deus por tê-lo vivido – por ter podido receber o meu quinhão de dor, medo e angustia de ser ilhéu, ao lado daqueles que lá têm que fazer o seu percurso de vida.

              150

Para quem não tente fugir ao que pensa ser o seu dever é bom ter que agradecer a Deus “as frestas” por onde inesperadamente se pode espreitar o homem desprevenido dando instintivamente a dimensão do seu amor ao próximo – a sua dimensão de gente verdadeira.

Daí, que além de outras demais razões, eu aporte na centelha divina de todo o ser humano.

Daí, que eu creia no meu semelhante e em mim.

Daí, que eu não me canse de agradecer a Deus ser uma mulher de fé.

Daí, que eu acredite em milagres….

 

                  Maria José Rijo

@@@@@

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.911 – 23 Outubro de 1987

       

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publicado por Maria José Rijo às 22:30

O Fiasco

Sábado, 12.04.08

Não vou falar de política local.

Dessa cruzada, praticamente, já desisti, até porque moro aqui mesmo na frente da Quinta do Bispo, e a dor, de presenciar o que ali se fez, em lugar do que se poderia ter feito, por certo me acompanhará até ao fim dos meus dias.

E, também, porque sei que o maior cego é aquele que não quer ver.

Também, não me apraz falar de política a nível do país.

Estamos todos saturados, do que não era para ser, mas acabou sendo e da falta de compostura de quem, podendo ou devendo ser,

respeitável pela obra executada, na linguagem nos envergonha com desaforos da mais ostensiva falta de senso.

Também de nada serve invectivar o terrorismo.

Palavras e mais palavras, promessas e mais promessas não servem para levar às compras e trazer, em troca, para casa com paz e segurança, o pão-nosso de cada dia.

       Assim sendo, vou contar uma curiosidade que encontrei numa folha de almanaque já muito envelhecida, com que alguém que nunca saberei quem foi, marcou uma página de leitura, dobrando-a muito bem dobradinha.

É evidente que quando se encontra um papel muito dobrado o primeiro instinto, leva-nos a desfazer dobra por dobra e ler o que lá está escrito nem que seja, como já me aconteceu, o anúncio de uma loção capilar- o restaurador olex - que deve ter estado na moda no século passado, ou o retrato do rei de Saxe, que segundo constava da legenda, em rodapé  na imagem, visitou Lisboa em 1907.

                                 

A história do “Fiasco” remonta no entanto a épocas muito mais remotas, e narra assim:

“Nos fins do século XVII, existia em Bolonha um artista chamado Biancolelli, que era o mais célebre arlecchino da cidade.

Todas as noites improvisava em cena um monólogo, tomando por assunto um objecto qualquer – por vezes o mais insignificante - que trazia dos bastidores : uma carta, que dizia ter encontrado, uma cabeleira, etc.

Ora uma noite entrou em cena com um frasco (fiasco, em italiano). Infelizmente não estava nas suas noites de espírito e o monólogo resultou sem graça nenhuma. O público começou a dar pateada e o arlecchino, atirando o frasco ao chão, exclamou: - Vês, tu é que tens a culpa! Alguns espectadores riram, mas Biancolelli tinha perdido a sua popularidade.

Desde então, o público bolonhês quando algum artista era menos feliz, habituou-se a dizer: - è um fiasco!

A expressão espalhou-se por toda a Itália, chegou a outros países e, em português, deu o conhecido “fazer fiasco.”

Assim, quem não sabia, e por acaso, esteve aqui, comigo à conversa, ficou a saber a origem da expressão que todos aplicamos cheios de sinceridade quando pensamos para onde nos têm empurrado os nossos beneméritos políticos.

- Que Deus lhes pague e os ajude a gastar com proveito o dinheiro que têm acumulado, incluindo – se o tiverem - o que tiverem em bom recato nas contas da Suíça .

 Que assim seja!

-          Amen!

 

                         Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

14-Julho – 2005 – Nº 2.822

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:40

PENSO QUE DEVO

Sexta-feira, 04.04.08

Enquanto eu viver, enquanto cada um de nós viver, por muito que uns concordem e outros discordem – enquanto eu viver, enquanto cada um de nós viver – estou e estarei, estamos e estaremos no nosso tempo.

            Porque o meu tempo, - o tempo de cada um de nós -  o nosso tempo, não se cinge apenas à duração da nossa juventude.

O nosso tempo é o tempo das nossas vidas. 

Quando muito, poderemos dizer: - quando eu era jovem.

Quando éramos jovens...

Ou, também:- na época da minha juventude, ou, na época da nossa juventude mas , nunca, em caso algum, referir o passado como o nosso tempo , e afirmar que o presente já não nos diz respeito.

Admitir que terminada a juventude a vida se nos esgotou, e que o presente é apenas um património dos jovens onde por tolerância nos consentem ser testemunhas presenciais, não é nem verdadeiro, nem honesto.

É, na minha opinião, e, penso que devo dize-lo – uma atitude mentirosa e cobarde.

E, se assim a designo é porque ela se me afigura como uma falsa premissa que faz intuir que a inteligência e o conhecimento variam na razão directa da musculação e resistência física.

Às vezes, não tão poucas quanto seria desejável, ouço na televisão e leio em jornais criticas a pessoas que, já com uma certa idade, ainda não saíram da cena política e insistem em emitir pareceres que, “esses tais críticos” consideram fora de propósito

Como se ancião e imbecil fossem sinónimos.

Penso que, quem assim critica, ainda não parou para reconhecer que aos seus, embora muito grandes saberes, pode também, faltar algo que só o tempo lhe dará se lá chegar – a sabedoria da idade – a experiência de quem tem uma vivência que só o peso dos anos permitiu.

Também não iremos cair no exagero de afirmar que as virtudes são apenas apanágio da idade.

Parece-me ser justo afirmar que as pessoas que gozam a plenitude das suas faculdades, têm o direito e , até o dever de dar o seu testemunho, porque assim se faz a história – sobre o registo e  memória do passado.

Essa, é alias, a base da evolução e do progresso: - somar ao conhecimento adquirido por uns as experiências e descobertas de outros.

Também houve que tivesse desejado a resignação do Santo Padre João Paulo II.

          

Dão-se hoje graças a Deus, porque tal não aconteceu.

Embora as vidas não se avaliam pela extensão, também não se poderá afirmar que quer a longevidade quer a fragilidade física alterem ou fatalmente anulem a qualidade moral e intelectual do valor do testemunho de uma existência.

             Flyyy way...

Vida, é Vida desde o primeiro até ao último momento e, sempre única para qualquer idade.

Não se pode viver para se ser agradável ou simpático ou para dizer e fazer o que outros, por muito importantes que se julguem neste mundo, queiram que seja dito ou feito.

Vive-se para se dar testemunho de ser gente – ser pessoa – cada um de nós – filho único de Deus.

Procuro, por isso, fazer o que penso que devo.

                           Maria José Rijo

 

@@@@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.810 -- 21-Abril – 2005

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:10

VIVER é BONITO!

Sábado, 23.02.08

-- UM DIA – uma mulher já velha, muito pobre e que a cegueira ameaçava, numa noite morna de Primavera, deliciada com o perfume das rosas e glicínias do quintal da casa onde servia – disse-me embevecida:

“” Memo prós pobres coma mim viver é bonito!””

                  Maria

-- UM DIA – um homem bom, que tudo tentava compreender e perdoar, foi na minha frente apelidado de: - parvo!

Humildemente respondeu:

“” Sabe-se lá onde termina a fronteira da parvoíce e começa a santidade!””

               Como o compreendo...

--UM DIA – alguém que fora publicamente vexado e insultado com a mais flagrante injustiça, serenamente comentou:

“” Eu só responderei a Deus pelo mal que eu fizer – nunca pelo mal que me fizeram!””

               Fado

-- UM DIA - alguém sabiamente me ensinou:

“” A vida é uma encosta para subir, subir sempre… quem disser que está no cume – já começou a descer.””

                          God Bless...

-- UM DIA – quando eu era garota – Meu Pai – deu-me para lema de vida um pensamento de Santo Agostinho que eu traduzo assim:

“” Sou humano – nada do que é humano considero impossível em mim.””

-- UM DIA – uma criança de cinco anos, hoje casada e mãe de família, abraçada ao meu pescoço como se fosse um colar, disse-me com a boca a roçar o meu ouvido:

“” Quando eu for grande, quero ser como tu!””

 

HOJE aqui no meu canto, dei comigo a pensar que quer queiramos, quer não todos nós abrimos horizontes uns aos outros e – talvez seja por isso que viver é bonito!

 

             Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 1.876 – 20 de Fevereiro de 1987

Á Lá Minute

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:05

Sabe Deus!

Terça-feira, 12.02.08

Começava a ter saudades, destes dois dedos de conversa que sempre entretêm o espaço de tempo que se ocupa com uma visita.

Mas, todos sabemos que é assim: - metem-se férias, celebração de tradições, encontros e reencontros que as épocas propiciam e, de repente temos consciência que o tempo passou e deixamos para trás muitas coisas que gostaríamos de ter realizado.

Vá então de tentar recuperar o jeito habitual de viver, que, sabe Deus, muitas vezes se corta a contragosto.

E, por ter começado esta visita a escrever “sabe Deus” qualquer coisa dentro de mim me trouxe à memória o fatalismo do fado que, se, se canta, é porque - muito bem - nos canta.

Mas, quer eu escrevesse esse epíteto ou outro, como:

- Quem sabe! -

Sabe-se lá! – Foi Deus!

         Só Deus Sabe! – É a força do destino!

         Quem viver saberá!... Ou: - contará...

         Está no segredo dos deuses... e por aí fora...

         Não estaria tentando títulos certos para fados incertos, ainda que o pudesse parecer.

Estaria aventando conjecturas – mas, conjecturas de esperança, não de desgraças. Porque vividos que estão os pesadelos porque todos temos passado, está na hora de acreditar que o pior já passou.

Que quando a noite finda, é a madrugada que se lhe segue e traz consigo um novo dia.

Essa é a ordem da Natureza – mesmo sobre o caos.

Confiemos.

A gente sabe que as casas nos centros históricos das nossas cidades, se esboroam como biscoitos molhados no chá quente...

A gente sabe que os utentes de cargos políticos e outros, entram para eles cheios de ambições pessoais e saem cheios de dinheiro...

A gente sabe que aqueles que nos deveriam servir de padrão de referência pela dignidade, honestidade, lealdade, rigor com que exercem os seus altos cargos, se expõem dia a dia na televisão e nos jornais a contar, ou, muito, muito pior, a insinuar as piores coisas uns dos outros, desacreditando-se e desacreditando as suas funções e cargos...

A gente sabe, aprendido a duras penas, o que por aí se diz ou, por aí, se faz...

A gente sabe que chegados a este ponto de degradação só é possível acreditar e aguardar o regresso às origens – o recomeço.

A gente ouve que o traçado tal, foi por ali, e não por acolá ou “acoli”...sempre por torpes razões...

A gente ouve que há planos Directores Municipais que fazem piruetas, derrapagens, travagens e avanços impensáveis para passar com seus cortejos de oferendas às portas dos compadres...

 A gente ouve que não tem havido sobreiral ou quinta que tenha conseguido impedir a caminhada dos gigantes das botas altas, que já no tempo das fadas assustavam os indígenas...

A gente, sabe o que ouve, mas a gente não sabe quem o viu, quem garante e prova o que diz...

A gente não esquece o que ouve, e pensa no que, como um eco, se repete... se propaga e nos ofende.

Mas a gente crê, crê com toda a força da esperança que um dia as coisas podem mudar e, mais do que expor no pelourinho os que prevaricaram, é importante começar a apontar os que cumprem, – que também os há-de haver! - Os que fazem bem, os que são justos e segui-los sem desconfiança.

Porque esses sim! Esses é que nos podem mostrar o caminho se ainda o houver como acreditamos.

Tenho a certeza que é mais consolador saber os nomes dos heróis do que dos ladrões.

Todos sabemos quem foi Ali-Bá-Bá.

Dos ladrões, só se diz: que eram quarenta.

Nomes para quê? - Ainda que sejam milhentos...

Herói não é quem rouba.

Herói – é quem salva o tesouro.

 

                    Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal O Despertador

Nº 226 – 6 de Fevereiro 2008

A Visita

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:59

Acabei de regressar...

Sexta-feira, 28.12.07
     

Acabei de regressar.
Fui viver o Natal com minha Irmã e meus sobrinhos netos e bisnetos. Arrumada a bagagem e já de pantufas, vim espreitar a net para ver as novidades como os meus Amigos também costumam fazer. Realmente a Paulinha é aquela filha que se sonha, e Deus me deu já sabendo até usar "estas modernices todas" ...
Olhem as coisas que ela descobre! E com que cuidado tem coleccionado papelada, retratos, tudo...
É justo que as minhas primeiras palavras de agradecimento sejam para ela e que as estenda a todos com um beijo de Boas Festas e de afecto pelo encanto que o vosso convivio tem emprestado à minha vida.
Bem à moda alentejana - aqui vos digo que
"nã tenho boca avondo qu'encareça!- o mimo que me dão.

Bom Ano para todos
Maria josé

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publicado por Maria José Rijo às 23:46

Ás vezes

Segunda-feira, 04.06.07

                           http://olhares-meus.blogspot.com/

Ás vezes, quando a noite desce e o calor abranda, ao acabar de regar a meia dúzia de vasos que formam o meu “jardim suspenso”- tão longe das maravilhas da Babilónia, mas tão perto do meu encanto – encosto-me à ombreira da janela, olho a Piedade, mesmo à minha frente, e fico a pensar...

E, muitas, muitas, são as vezes, em que de todo o meu coração me interrogo, e interrogo: - meu Deus! – Porquê?

Os anos já me pesam, estou só, a luta é por demais desigual.

Porquê não desisto?

Era tão mais fácil!

Nada daquilo porque luto é em meu proveito. Nada daquilo por que luto me traz vantagens de qualquer espécie.

Por quê então?

E, a resposta não chegava.

Mas veio.

Agora veio.

E veio com asas.

Veio com uma pomba. Um símbolo de paz.

No vaso da salsa, ela lá está.

Não por castigo. Não!

Apenas por destino.

A varandinha esteve fechada uns dias, por ausência minha.

A pomba, pensou-a fora do alcance de intrusos e pôs lá os ovos.

Quando regressei e os vi, logo após a surpresa, veio-me a tentação de os destruir. Os pombos sujam tudo, estragam as flores...São incómodos, mas...

A pomba não tem culpa de ser pomba e a pomba lá está !

Eu só entro na varanda de mansinho, procurando não a assustar. Nos primeiros dias ela voava afastando-se mal me via. Agora fica e olha-me seguindo as minhas voltas. Mas fica.

Nestes dias mais quentes espreitava-a por vezes receando que o calor a matasse. Pus-lhe lá ao pé um bebedouro. Também lhe deitei milho.

Não sei se isso a ajuda. Sei apenas que ela me comove. Sei que a sinto assustada mas firme na assunção do sofrimento que lhe é imposto pela sua condição de ave.

Sei que ela vence o medo e o incómodo da minha presença porque aquele é o seu destino.

Aquela é a função da sua vida. E ela, contra todos os riscos, cumpre-a.

Está só. É frágil. Está à mercê do meu humor, das minhas boas ou más intenções, posso até destrui-la se eu quiser.

Mas ela sabe o que lhe cabe fazer e verga-se ao instinto da luta pela sobrevivência da espécie, aceita a desigualdade do jogo e não foge, não foge dos desígnios da vida como ninguém foge também dos desígnios da morte.

Ela cumpre o que lhe cabe cumprir.

É por certo esse o caminho para todos os seres que Deus cria.

                                             Maria José Rijo

                                           Escritora e Poetisa

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.828 – 25 / Ag. / 05

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:22





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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
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