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D. SANCHO E EU - 1995

Terça-feira, 15.10.19
Jornal linhas de Elvas
Nº 2.291 – 17 de Março de 1995
Conversas Soltas

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Não se avistava vivalma.

Ia eu, sem mais cuidar, no meu passo ronceiro, a atravessar a praceta, quando ouvi – nitidamente – alguém pronunciar o meu nome, chamando-me com insistência.

Anoitecia.

Olhei em redor! – Tudo deserto.

Bateu-me apressado o coração com a surpresa.

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Parei gelada de espanto.

Tivesse eu escutado apenas - Maria…

Marias – há muitas:

Maria José, ainda daria para confundir! – Mas, com apelido e tudo era impossível duvidar que fosse comigo.

Serenei.

Curiosa, comecei a espiolhar à minha volta indagando em voz alta:

- Quem me chamou?

- Aproxima-te! – Vem cá! – Foi a resposta nítida iniludível.

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E, surpresa das surpresas! Do alto do seu pedestal – D. Sancho II de Portugal – convocava-me com a autoridade que cabe ao grande conquistador da nossa terra.

Quase descrendo da evidência, correspondi ao apelo – mas, creio incrédula ainda, exclamei com alguma hesitação:

- Fostes vós, senhor, quem me chamastes? E, enquanto no meu espírito, atabalhoadamente, procurava referências para, sem gafes, dialogar com tão ilustre interlocutor – fui dando largas ao meu pasmo imenso e verdadeiro.

- Como é possível, Senhor! – Inquiri: - que concedais a honra da vossa atenção a tão ínfima criatura?

- Vós, Senhor, sabíeis o meu humilde nome? (aqui dei-me conta que “senhor” é também a forma de evocar Deus! – temi a heresia.

Teimosa, voltei a titubear – porém reconsiderei: … e lá no alto, nos poleiros, quem se julgam eles, senão deuses! – Não havia lugar para mais dúvidas – e, a conversa fluiu.

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- Embora não me reconheça à altura da vossa real atenção: - Dizei! – Dizei, Senhor – o que pretendeis?

- Quero apenas conhecer-te.

- Mas já tanto me contaste! – Foi de cor? – Objectei…

- Queria apenas conhecer-te – insistiu – (aqui senti-me importante)

- Será ousadia minha, Senhor, indagar porquê? (disse indagar porque me pareceu menos vulgar de que perguntar e, isto de realeza pede punhos de renda…)

Com realíssima condescendência, D. Sancho II de Portugal – respondeu soberano:

- Cala-te! (que decidido, o rei!)

- Calo-me, porquê?! – Titubeei (vejam as palavras belas que o povo gasta com a realeza)

- Porque, aqui, quem fala, sou eu! (que querido! O rei.)

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- E, vós sabeis tudo, tudo, tudo? (bisbilhoteiro! O povo).

- Tanto, também não! (que modesto! O rei).

- Eu passo aqui dia a dia, vós sabeis o meu nome, (perguntador e chato o povo!)

- Então achas que tanto basta para te conhecer? (que sensato, o rei!)

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- Senhor! – Insisti, eu por vezes escrevo umas coisitas! (aqui, era eu, a dar-me ares…)

- Meu olhar está toldado! Ofuscado pelo reflexo da branca cal, empedernido… (é de pedra a estátua)

- Mas não estais cego? – (preocupado o povo!)

- Governo-me muito com o ouvido! (não é mouco o rei! – olha que bom!)

- Que pena eu não saber cantar mas apenas leio um bocado… (era eu puxando à cultura)

- Permiti-me que vos lembre Sancho I! – Tão dado à poesia:

“ …. Muyto me tarda... O meu amigo da Guarda.”

- Lá estão vocês a querer dar autorias ao outro! Quem escreveu essas tretas foi Afonso X de Castela!

- Não sejais invejoso, Senhor! (o povo quando perde as estribeiras diz cada coisa…)

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- Eu também sei que há dúvidas, mas vós devíeis reconhecer que, na circunstância era mais justo puxar a brasa à sardinha portuguesa!

- Não quero falar de pescas! – (retorquiu agastado o rei!) – esse dossier não é meu.)

- O meu reino é de sequeiro. (convicto, o rei!)

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- E, como obviais a tais obstáculos (quando se cala o povo?!)

- Que julgais de mim! (altaneiro! O rei)

- Não sabeis porventura que até os que abriram balneários sem cuidar de nascentes abastecedoras vão ter frescos caudais a correr-lhe à porta?! (esclarecedor o rei!)

- Permiti-me então que vos diga: - com grilos, como tendes na consciência, será curial perderdes vosso precioso tempo mandando vossos segréis gastar inspiração e rimas com tão ínfimos servos, indefesos, como eu! Lembrai-vos como já é horrível a estação de muda (estamos no tempo da cavalaria) frente ao maior e mais belo aqueduto erguido em terras ibéricas.

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- Fazei que cantem com voz troante o semelhante e tremendo evento que se avizinha!

- Cantai o arraso que fazeis a belas memórias…

- Cantai o aquartelamento que há-de assombrar a luz gloriosa daquela clareira antiga onde o povo vai rezar…

- Cantai o desprezo a que foi votado o espaço onde se homenageiam e guardam ecos do passado que se esfumam sem deixar rasto…

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- Cantai os peregrinos que por lá aboletastes… e nos seus “êxtases” de tudo são capazes…

- Cantai tanta ousadia e glória para que fique na história.

- Nós sabemos Senhor, que vos mostrais em campo aberto – exposto aos ventos – e contrários eles são!

- De um lado sopram leis emanadas do senado, do outro, emanam das albergarias o perfume gostoso dos tachos…

- Às costas pesa-vos a história – em frente – transparente, transparente a ânsia de glória!

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- Difícil é ser rei, Senhor!

- Mas… será que! (disse eu, reticente, me calei)

- Diz! Diz o resto! – acaba a frase R.S.F.F – (insistiu o rei inclemente)

- Isso não farei! – (aqui, ambos irritados já éramos tu cá, tu lá…)

- Não ouses contrariar-me! Olha! Olha! Olha!...

- Olha, o quê?

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- Olha o cartão – não lês R.S.F.F.?

 Pois se não respondes – não terás lugar  à mesa do banquete.

- Que banquete?

- Há sempre fina recompensa para quem assiste aos torneios.

Ora, não é que de repente acordei ao som das minhas próprias gargalhadas!

Então, perguntei a mim própria porque ria.

Talvez porque rir é o melhor remédio.

Pensei.

No chão, em meu redor, revistas e jornais exibiam retratos de reis e príncipes de Espanha, do herdeiro do trono de Portugal.

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Era evidente – a realeza é o tema do momento.

Influenciada sonhara.

“Honny soit qui mal y pense”

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Maria José Travelho Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 01:02

O último São Mateus

Domingo, 29.09.19
JORNAL LINHAS DE ELVAS
CONVERSAS SOLTAS
Nº 2.676 - 20 –Setembro - 2002

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Pode parecer estranho este título!

Pode! Mas não é.

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Este é o último São Mateus em que o Parque da Piedade goza dos restos do seu enquadramento tradicional.

Ainda não há muitos anos, as oliveiras vicejavam no cabeço sobranceiro ao muro, que suporta as terras da encosta do pequeno monte, e cria o espaço para a perspectiva mais larga do olhar sobre o templo do Senhor Jesus da Piedade.

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Para um lado e para outro, do largo que acrescenta o adro, seguiam-se lances curtos de caminho rústico ladeado de velhas árvores que davam ao Santuário a envolvência de paz que a Natureza misericordiosa oferecia ao romeiro que chegasse.

Sentia-se uma espécie de abraço à aproximação do recinto, quer vindo da cidade, quer vindo da estrada de Lisboa.

Aquele enquadramento natural delimitava um mundo, dentro de outro mundo.

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Formava-se ali, como que um recatado oásis de fé.

Por um lado, beiravam o percurso- Quintas com história.

Por outro, o começo da própria história da origem do Santuário, com a Quinta dos Passarinhos, que fora pertença do Beneficiado Manuel Antunes que ao colocar por gratidão uma cruz, no local onde caiu da sua montada e invocar a Deus para que lhe valesse, deu origem ao culto do Senhor Jesus da Piedade.

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Sob a protecção das oliveiras, como as de Jesus no Horto, acamparam ao longo de séculos, gerações e gerações de peregrinos no pequeno monte sobranceiro ao local, e em seu redor.

Correram os tempos, passaram os anos, e tudo foi mudando.

Mansamente, foi-se fazendo a adaptação às novas exigências do progresso e dos costumes.

Porém, parece-me, nem sempre o bom senso moderou as decisões que se foram tomando.

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“Quinta do Bispo”- penso que agora já todos estarão de acordo: - foi sacrificada, sem honra nem glória, para dar lugar àquilo que todos podem ver...e, abriu caminho, desaparecendo, ao que já se pode avaliar, e se desenha a passos largos:

Embeber o Santuário na desenfreada urbanização que já ameaça o seu nobre isolamento.

Não sou contra o progresso, (como é obvio) só não posso confundir, e não confundo construção desenfreada, delapidação da memória dum povo, com progresso!

(É meu Mestre o Arquitecto Ribeiro Telles!)

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E sinto e penso com convicção que, assim como numa relação de Amor entre pessoas, também a relação de Amor entre gentes e cidades e locais têm os seus mistérios, os seus fluidos, o seu espírito, como que uma espécie de resplendor de alma criada pela seu próprio historial que é preciso não destruir; a troco de igualizar, o que era distinto, tornar vulgar o que era ímpar, abandalhar o que era nobre e único.

E, não me venham dizer que falo de utopias, sonhos irrealizáveis, e todo o mais que vos aprouver.

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Quando eu contrapus -  á ideia de se fazer do Forte de Santa Luzia uma Pousada - o projecto que depois foi adoptado, - muito comentário parecido foi proferido...

E, porque o Dr. João Carpinteiro, nele acreditou, o Senhor Professor Miguel Baena, que com o Sr. Arquitecto Leite Rio e Sr. Arquitecto Pedroso Lima, propuseram-se fazer o projecto que, por acaso, até foi presente ao senhor Presidente da Republica, na presidência aberta em Elvas, o sonho triunfou.

Estávamos em 6 Março de 1989 quando chegou o primeiro orçamento cuja cópia tenho em mãos ao recordar estes factos.

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Às vezes “acreditando em utopias”, como se vê pelo êxito da obra do Forte, consegue-se preservar o tal fluido que como um milagre segura nos locais os rastos da história... A memória dos tempos...a alma das gentes...

Assim tivesse sido com a Quinta do Bispo e, tantas coisas mais que essa “lástima” precederam e outras, que por môr dela, irão sucedendo, nunca aconteceriam, o que era, sem dúvida, um Bem para todos.

  Maria José Rijo

 

 

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Valha-me o Sr. Jesus da Piedade…

Sexta-feira, 27.09.19
Á Lá Minute
Jornal Linhas de Elvas
Nº 1877 –  27 de Fevereiro de 1987

Valha-me o Sr. Jesus da Piedade…

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Estão a decorrer as celebrações dos 250 anos da fundação do 
Santuário do Senhor Jesus da Piedade.

Dito assim, parece apenas uma comemoração como tantas mais.

Parece! – Mas é diferente.

O Senhor Jesus da Piedade e Nossa Senhora da Conceição,
são os protectores
celestiais da grande família elvense.
São esperança
e conforto de cada um de nós.

Tudo se lhes pede e confia. Paz, vida, saúde, amor.
E desde a protecção para a carga do “honrado ofício” de
contrabandistas,
até à imunidade dos porcos contra
a peste, tudo se comparticipa com a
sua
divina misericórdia.


Deles porém, tudo se aceita!

“Graças ao Senhor da Piedade – aconteceu…”
“A Senhora da Conceição fez o milagre…”
Ou:
- “O Senhor não quis…” – “A Senhora não poude…”
temos de ter paciência!

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O senhor da Piedade e a Senhora da Conceição são Pai e Mãe –
Esperança e Guias.


As suas igrejas caiadas, sem as pompas das pesadas e nobres
catedrais convidam à intimidade familiar.

São bem a casa onde não nos constrangem os fatos de trabalho,
o sacho debaixo do braço, o xaile velho, a bota enlameada, a
roupa do dia a dia, o sapato cambado.

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E se este amor confiante, este passar à porta e entrar,
esta “obrigação” de ir lá fazer o sinal da cruz ou depois
do passeio domingueiro na tarde de sol, se isto –
não é sinal de fé –

de fé espontânea, verdadeira e irresistível…
então valha-me o Senhor da Piedade – que eu sei o que é.

Maria José Rijo

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Entregar Elvas a Elvas

Sexta-feira, 25.05.12

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.873 – 30 de Janeiro de 1987

A Lá Minute

ENTREGAR ELVAS A ELVAS

 

Tem sido meu propósito manter este espaço fora dos assuntos camarários.

A não ser que esses assuntos, pela forma ou conteúdo, caiam sob a alçada da pessoa comum que sou – ignoro-as porque deles não teria conhecimento se a tal não me obrigasse a força das circunstancias.

É o meu critério! Tão válido ou discutível quanto outros, consoante o observador.

Ora, neste momento em que me posso situar – quase como espectadora de um programa que mercê da aberta

 


colaboração dos jornais, da rádio e do comércio locais – já é de Elvas – como se desejou que fosse – poderei contar que um dos propósitos da Câmara – talvez o mais importante embora possa não o aparentar pela simplicidade com que se enuncia – é entregar Elvas a Elvas.

Assim se entenderá que se fomente, na medida do possível, o desejo de Elvas criar os seus próprios entretenimentos.

 


Se as pessoas capazes de o fazer (e são bem mais do que possa parecer) tomarem em mãos o querer de Elvas – o grupo de teatro – a orquestra – o grupo coral, etc, etc, … serão realidades e, mostrando as suas capacidades poderão conviver, recebendo sim, mas, dando também em troca.

- E porque acontece que duma intenção a que pus num rótulo – O compositor do mês – nasceu do saber e da inteligência de alguém, que também acredite no sacrifício e devoção que se deve às causas em que se crê – a Srª Dona Maria Elvira Vaz Serra Cabrita – um programa válido, bem estruturado com a duração de 8 meses.

- E porque aconteceu que este programa já da sua autora se está libertando…

- Neste momento em que a Rádio fez dele um espaço seu que de semana para semana ganhou qualidade e força…

- Neste momento em que os jornais o acolheram e o divulgam quer noticiando, quer recriando a informação…

- Neste momento em que as crianças investigam com sinceridade sobre a vida de Bach participando com mérito, e o comércio apoia expondo cartazes…

- Neste momento em que há adultos que fazem perguntas e oferecem sugestões…

- Neste momento em que a ideia já está enriquecida com outras ideias, veste roupagens novas e toma lugar na cidade – porque a cidade a aceitou e lhe cedeu espaço…

- Neste momento em que pessoa responsável e de competência como é a Srª Dona Licínia Fradique, orienta com o seu indiscutível saber, a organização dos três convívios musicais previstos…

- Neste momento – renovo a minha aposta na esperança e acredito que outras boas vontades irão aparecer e Elvas irá ficando, pouco a pouco, nas mãos de Elvas pulsando viva como um corpo inteiro…

Assim – Elvas fará desporto e usará o seu estádio, cantará e representará nos seus teatros, escutará a sua Banda a tocar em jardins, praças e coretos da cidade e Freguesias…

Elvas nas mãos de Elvas – é um sonho de vida – uma certeza de independência – um programa de futuro.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 12:55

Obras do Cadete

Sexta-feira, 26.02.10

Não é exactamente o que me foi pedido,

mas é o que foi possivel conseguir

Fica a boa intenção:

 

 

 

                           

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:02

Viva o Elvas

Quinta-feira, 11.02.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1838 – 23 Maio de 1986

Viva “O Elvas”

 

A cidade não dormiu. Viveu brindando na insónia emocionada que contagiou velhos e novos.

Foi o dia do desporto local.

O Presidente do clube, com a precisão matemática de quem efectua um cálculo onde o erro era impossível, fora somando calma e inteligentemente, uma a uma, as parcelas da razão de que estava seguro. E “O Elvas”, a quem desta vez, não foi negada a justiça a que tinha direito tornou-se: Elvas – e a cidade veio para a rua contente! – Cantou, gritou, tocou buzinas, bebeu, festejou – não dormiu nem deixou dormir.

Foi espontâneo, gostoso, bonito!!

Muita gente como eu, pouco dada ao futebol, terá dormido mal com a chinfrineira – mas terá no sossego do seu travesseiro, sorrido complacente quando as buzinadelas lhe cortavam o descanso a pensar: “Esta Elvas” – “Esta Elvas”

E que, ainda não encontrei escrita, ou dita, por quem quer que fosse, frase mais rica de intenção, para falar da cidade. Por certo alguns, os mais velhos, terão já lido o texto de António Sardinha, onde esta frase se repete e que começa assim:

 

“Com seus baluartes, as suas torres, os seus eirados e o seu aqueduto, Elvas é para o caminheiro que passa, um apelo súbito às energias mais fundas da nossa sensibilidade”

 

E… esses, pelo menos, terão pensado também como eu pensei, que seria bom ver todos assim empolgados quando estão em jogo outros valores…

E… esses, pelo menos, terão pensado também como eu pensei, que ao “Clube” – “O Elvas” se paga uma quota e à “Cidade de Elvas”todos e cada um, devemos, em cada dia, a nossa “quota” de zelo para que a cidade progrida e se empenhe na caminhada para um futuro digno do passado que testemunha…

Daí… que eu sentisse que, se todo o entusiasmo pelo “O Elvas” fosse mais pensado e menos emocional na festa de “Esta Elvas” … “Esta Elvas”!... onde:

 

“Em cada pedra borbulha aqui uma nascente heróica – uma estrofe solta de epopeia” … o grito mais forte, o apêlo mais profundo – ganhem ou percam os clubes – só pode ser:

 

VIVA ELVAS! – VIVA ELVAS!

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:58

A Senha

Quarta-feira, 30.12.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1755 – 12 de Outubro de 1984

A Senha

 

Sou contra a violência. Sou contra a represália.

Sou contra toda e qualquer manifestação de vingança e ódio por mais encapotada que se nos apresente.

Envergonha-me o insulto e a arruaça.

Envergonha-me a bofetada e o murro “como argumento” para “convencer?” seja quem for… e, porque for…

Sou contra o álcool, a droga – tudo, quanto turve ou entorpeça o que o ser humano tem de mais nobre – a faculdade de pensar.

Julgo que quanto mais importante for a questão que se debate, maior terá que ser a delicadeza na sua abordagem, mais cuidada deverá ser a forma de a tratar.

Não ponho em discussão a firmeza que a aplicação da justiça exige.

Não!

Os pontos de discussão situam-se na procura dos meios mais certos para cobrar ou aplicar essa justiça.

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Ora – é isso que, nós que somos Elvas – que não mendigamos, não insultamos, nem ameaçamos, porque Elvas é nobre de berço e berço de gente que no trabalho se tempera e enobrece, teremos que decidir.

Antes que inventem para a nossa cidade mais calamidades, temos que nos unir para tomar a posição correcta. Nós não somos subservientes nem arrogantes.

Temos a compostura e a honra que de sermos “portugueses de Elvas” nos advêm.

Elvas reconhece o que é de Elvas por justiça com serena lucidez.

Elvas exerce civicamente os seus deveres.

Elvas – defende Elvas – porque ao fazê-lo defende o nosso país.

Elvas, sente e sabe quanto vale, quanto merece e quanto lhe é devido – porque Elvas é Portugal – até ao limite de Portugal o ser.

Elvas nasceu fronteira.

Elvas é fronteira e fará fronteira entre o que pode, ou não, ceder para conservar o respeito por si própria e a integridade da Pátria de que é parte.

Nessa linha se define, delimita e segura da sua razão, se afirma e impõe à respeitosa admiração de todos como as suas muralhas, os seus fortes e o seu Aqueduto.

                      

 

Portugal mais se define

Onde a fronteira se traça

Pode partir, mas não dobra

Quem defende Pátria a Raça.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:06

O meu comício!

Quarta-feira, 23.09.09

A lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.824 – 14 de Fevereiro de 1986

O meu comício!

 

A campanha está no auge!

Parece a cantiga; ora agora dizes tu – ora agora digo eu – agora dizes tu – dizes tu mais eu!

E, Deus do céu! – As coisas que me dizem!

E, Deus do céu – As coisas que se insinuam e nem se ousam dizer! – E nem se ousam dizer! E que, como tal, têm apenas a leitura possível da pureza de coração de quem as escuta.

             

É verdade a campanha está no auge. O “cheiro a sardinha assada” – embebeda o ar e, cada um puxando a brasa para o seu lado.

Da minha janela olho. Da minha casa escuto, que por todas as frestas de portas e janelas nos entram os ventos da história que em histórias de verdade e mentiras emaranhadas se aventam como crianças que riem soltando papagaios de papel.

Da minha janela olho. À minha janela penso: deve ser a hora! – É por certo a hora de começar também a minha campanha – o meu recado a Elvas.

Também assim.

Elvenses! Esta é a vossa cidade, tomai-a – como ela é – pertença vossa!

Não a deixeis emporcalhar – não deixeis que a belisquem, sequer! - Cada canto e recanto, é vosso – usai-o com o respeito que a tudo se deve.

Levai os vossos amigos e, ide vós, visitar o vosso museu - as vossas igrejas – os vossos monumentos – com o orgulho de quem sabe e sente que está usufruindo de uma herança que século após século, outras gerações conservaram para vós – para nós.

Ganhe quem ganhar! – Nós é que não podemos nem devemos perder! – É esta a Vitória que está apenas nas nossas mãos porque só depende do nosso empenho e da nossa vontade. Vamos tornar para nós, seus habitantes, a mordomia da nossa cidade. Vamos cuidar e defender Elvas desde as suas árvores, aos seus monumentos, ao seu casario bonito, aos bancos e às flores dos jardins, ao asseio das suas ruas, de tudo em pormenor até aos pardais dos telhados e às pombas branquinhas do parque da Piedade.

Vamos? Vamos de verdade?

Ganharemos se não se perder em nós este espírito de campanha – esta febre de alta de comício em que a fé e a esperança no futuro dão asas e horizontes aos sonhos de ideal que mesmo em segredo todos acalentamos.

“Entregar Elvas a Elvas” pode também ser o grito de um propósito a ecoar de rua em rua…

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Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:00

Que admira?

Domingo, 02.08.09

À Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.816 – 20 de Dezembro de 1985

 Que admira?

 Elvas escolheu a Câmara que ganhou o direito de a servir e ao seu concelho.

Por larga maioria a população pôs nas mãos de um elvense – João Carpinteiro – a confiança que lhe foi solicitada, no crédito das promessas que lhe foram feitas.

Aconteceu num belo domingo de sol, intercalado nas vizinhanças do Inverno, como um presente de esperança.

A esperança que Elvas tem no futuro que merece para honrar um passado de grandeza, que nobremente testemunha.

Mas… toda Elvas – terá que servir Elvas – como cada um de nós se serve e cuida de si próprio – porque nada poderá a força de amor de João Carpinteiro a lutar por construir-se o desinteresse e o desamor de outros se empenharem em destruir.

Para que o dinheiro – que será sempre pouco – para a largueza do sonho - dê frutos palpáveis, é urgente que cada elvense repense a sua forma de o ser.

É preciso que não mais se juntem (4, 5, 6 pessoas, não avalio quantas foram necessárias) para arrancar e quebrar pesados bancos de cimento e pedra – porque cada um queira ser digno desta terra que o acolhe ou lhe deu berço – tem que sentir  em si, e, saber viver, a consciência do que é estar inserido numa sociedade – do que é pertencer a uma cidade que por sua vez também lhe pertence.

Tem que saber encontrar em si o sentido de dever e justiça que lhe imponha o comportamento exemplar que deve à sua terra e à sua gente.

Tem que saber merecer o trabalho de um homem que – por ser elvense de raiz e de consciência – e homem de dignidade, teve a “heróica loucura” de sonhar repor Elvas no lugar certo da história do nosso tempo.

No segredo do meu coração, adoptei esta terra, aí pelos meus 17 anos. Ao ser chamada, agora, a ajudar João Carpinteiro, qualquer coisa me diz, que esta é a resposta de Elvas, a dizer que o sabe e também me aceita.

Que admira então que eu digo que vou dar o meu trabalho em troca de confiança que me foi oferecida, para continuar a chamar a esta terra, gostosamente, minha?

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:38

Motivos para pensar

Sábado, 02.05.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.876 – 27 de Julho – 2006

Conversas Soltas 

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Depois de ler no jornal “ O Público ”a entrevista que o Senhor Presidente da Câmara de Elvas deu como explicação para a epidemia de placas com o seu nome por tudo quanto é canto e recanto da cidade e arredores, pensei, e acertei, que tamanha prova de narcisismo não escaparia à lupa atenta de qualquer dos grandes jornalistas deste nosso País.

                      

E, por sorte ou por azar, não sei, logo lhe pegou com a garra e a mestria que lhe são peculiares, um dos maiores, mais lúcidos, mais inteligentes e mais corajosos Homens de letras que dia a dia comentam a nossa atribulada vida política.

               

O facto não me alegrou, mas não me surpreendeu, e embora me cause uma certa mágoa, porque é Elvas que está em foco, afigura-se-me da mais elementar justiça fazer entender a quem detém o poder, que a fábula da rã que quis ser do tamanho do boi é verdadeira porque toda a corda esticada em demasia – um dia - quebra.

               Politico

Há tempos encontrei, na biografia de um político a frase que vou transcrever:

“O poder dá-lhe a oportunidade de transferir para a sociedade a sua ambição pessoal.

Isso afasta-o da realidade e das verdadeiras necessidades das pessoas.”

Algumas vezes tenho comentado com desagrado obras e atitudes do Senhor Presidente Rondão.

Sempre o fiz pelo bem da nossa cidade, nunca com o intuito de amachucar quem quer que seja, porém jamais aceitaram que possam não ter sempre a razão por inteiro.

O Senhor Presidente Rondão Almeida, como ele próprio confessa com justificado orgulho, descende de famílias pouco abastadas. Começou a sua vida de trabalho vendendo água da Prata – segundo li. Ora, entre esse começo e o estatuto de certa ostentação que hoje frui há uma distância abissal.

É natural que a fortuna de que hoje dispõe o faça sentir um homem realizado, engenhoso, confiante.

Rondão Almeida, instruiu-se, trabalhou, lutou, subiu a pulso, fez-se por si próprio, e é por esse motivo digno de todo o respeito e admiração. É inegável.

A certa altura viu-se guindado ao topo, numa cidade desinteressada da política, desiludida com uma revolução que prometeu o céu e criou, em seu lugar, o purgatório onde a maioria vegeta, porque agora já nem tem espaço para sonhar, já que o sonho sucumbiu com o fracasso da revolução.

É humano que se tenha aturdido e exagerado na importância que dá a si próprio e ao poder que detém e que esteja psicologicamente baralhado com tanta popularidade e adulação que o cercam.

Esperemos que reconheça agora que não é justo cativar o povo como faziam os patrões do antigamente, dando por “bondade” o que a todos é devido por justiça social, nem está certo atiçar o despeito de uns contra outros, querendo cada qual que a sua galinha ponha maiores ovos do que a da vizinha num despique tolo de ver quem dará a prenda maior que habilmente tem sido virado a seu favor.

Não estamos perante um festival de cantigas ao desafio.

Já vai em busto, daqui a pouco as freguesias, mandam derreter o ouro de família para cunhar moeda com a sua efígie.

Interiorizemos as perdas irreparáveis que Elvas tem sofrido.

Reconheçamos que não é com roupas novas que se curam chagas de morte. Embora se possam disfarçar por momentos...

Lutemos por soluções de fundo, porque não é com coliseus, estátuas, placas e alaridos que se vai salvar Elvas do plano inclinado onde resvala há já tempo demais...

Poupemo-nos a mais ridículos. Pensando com seriedade nas realidades e verdadeiras necessidades das pessoas.

 

Maria José Rijo

 

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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