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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@

Entregar Elvas a Elvas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.873 – 30 de Janeiro de 1987

A Lá Minute

ENTREGAR ELVAS A ELVAS

 

Tem sido meu propósito manter este espaço fora dos assuntos camarários.

A não ser que esses assuntos, pela forma ou conteúdo, caiam sob a alçada da pessoa comum que sou – ignoro-as porque deles não teria conhecimento se a tal não me obrigasse a força das circunstancias.

É o meu critério! Tão válido ou discutível quanto outros, consoante o observador.

Ora, neste momento em que me posso situar – quase como espectadora de um programa que mercê da aberta

 


colaboração dos jornais, da rádio e do comércio locais – já é de Elvas – como se desejou que fosse – poderei contar que um dos propósitos da Câmara – talvez o mais importante embora possa não o aparentar pela simplicidade com que se enuncia – é entregar Elvas a Elvas.

Assim se entenderá que se fomente, na medida do possível, o desejo de Elvas criar os seus próprios entretenimentos.

 


Se as pessoas capazes de o fazer (e são bem mais do que possa parecer) tomarem em mãos o querer de Elvas – o grupo de teatro – a orquestra – o grupo coral, etc, etc, … serão realidades e, mostrando as suas capacidades poderão conviver, recebendo sim, mas, dando também em troca.

- E porque acontece que duma intenção a que pus num rótulo – O compositor do mês – nasceu do saber e da inteligência de alguém, que também acredite no sacrifício e devoção que se deve às causas em que se crê – a Srª Dona Maria Elvira Vaz Serra Cabrita – um programa válido, bem estruturado com a duração de 8 meses.

- E porque aconteceu que este programa já da sua autora se está libertando…

- Neste momento em que a Rádio fez dele um espaço seu que de semana para semana ganhou qualidade e força…

- Neste momento em que os jornais o acolheram e o divulgam quer noticiando, quer recriando a informação…

- Neste momento em que as crianças investigam com sinceridade sobre a vida de Bach participando com mérito, e o comércio apoia expondo cartazes…

- Neste momento em que há adultos que fazem perguntas e oferecem sugestões…

- Neste momento em que a ideia já está enriquecida com outras ideias, veste roupagens novas e toma lugar na cidade – porque a cidade a aceitou e lhe cedeu espaço…

- Neste momento em que pessoa responsável e de competência como é a Srª Dona Licínia Fradique, orienta com o seu indiscutível saber, a organização dos três convívios musicais previstos…

- Neste momento – renovo a minha aposta na esperança e acredito que outras boas vontades irão aparecer e Elvas irá ficando, pouco a pouco, nas mãos de Elvas pulsando viva como um corpo inteiro…

Assim – Elvas fará desporto e usará o seu estádio, cantará e representará nos seus teatros, escutará a sua Banda a tocar em jardins, praças e coretos da cidade e Freguesias…

Elvas nas mãos de Elvas – é um sonho de vida – uma certeza de independência – um programa de futuro.

 

Maria José Rijo

Viva o Elvas

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1838 – 23 Maio de 1986

Viva “O Elvas”

 

A cidade não dormiu. Viveu brindando na insónia emocionada que contagiou velhos e novos.

Foi o dia do desporto local.

O Presidente do clube, com a precisão matemática de quem efectua um cálculo onde o erro era impossível, fora somando calma e inteligentemente, uma a uma, as parcelas da razão de que estava seguro. E “O Elvas”, a quem desta vez, não foi negada a justiça a que tinha direito tornou-se: Elvas – e a cidade veio para a rua contente! – Cantou, gritou, tocou buzinas, bebeu, festejou – não dormiu nem deixou dormir.

Foi espontâneo, gostoso, bonito!!

Muita gente como eu, pouco dada ao futebol, terá dormido mal com a chinfrineira – mas terá no sossego do seu travesseiro, sorrido complacente quando as buzinadelas lhe cortavam o descanso a pensar: “Esta Elvas” – “Esta Elvas”

E que, ainda não encontrei escrita, ou dita, por quem quer que fosse, frase mais rica de intenção, para falar da cidade. Por certo alguns, os mais velhos, terão já lido o texto de António Sardinha, onde esta frase se repete e que começa assim:

 

“Com seus baluartes, as suas torres, os seus eirados e o seu aqueduto, Elvas é para o caminheiro que passa, um apelo súbito às energias mais fundas da nossa sensibilidade”

 

E… esses, pelo menos, terão pensado também como eu pensei, que seria bom ver todos assim empolgados quando estão em jogo outros valores…

E… esses, pelo menos, terão pensado também como eu pensei, que ao “Clube” – “O Elvas” se paga uma quota e à “Cidade de Elvas”todos e cada um, devemos, em cada dia, a nossa “quota” de zelo para que a cidade progrida e se empenhe na caminhada para um futuro digno do passado que testemunha…

Daí… que eu sentisse que, se todo o entusiasmo pelo “O Elvas” fosse mais pensado e menos emocional na festa de “Esta Elvas” … “Esta Elvas”!... onde:

 

“Em cada pedra borbulha aqui uma nascente heróica – uma estrofe solta de epopeia” … o grito mais forte, o apêlo mais profundo – ganhem ou percam os clubes – só pode ser:

 

VIVA ELVAS! – VIVA ELVAS!

 

 

Maria José Rijo

 

A Senha

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1755 – 12 de Outubro de 1984

A Senha

 

Sou contra a violência. Sou contra a represália.

Sou contra toda e qualquer manifestação de vingança e ódio por mais encapotada que se nos apresente.

Envergonha-me o insulto e a arruaça.

Envergonha-me a bofetada e o murro “como argumento” para “convencer?” seja quem for… e, porque for…

Sou contra o álcool, a droga – tudo, quanto turve ou entorpeça o que o ser humano tem de mais nobre – a faculdade de pensar.

Julgo que quanto mais importante for a questão que se debate, maior terá que ser a delicadeza na sua abordagem, mais cuidada deverá ser a forma de a tratar.

Não ponho em discussão a firmeza que a aplicação da justiça exige.

Não!

Os pontos de discussão situam-se na procura dos meios mais certos para cobrar ou aplicar essa justiça.

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Ora – é isso que, nós que somos Elvas – que não mendigamos, não insultamos, nem ameaçamos, porque Elvas é nobre de berço e berço de gente que no trabalho se tempera e enobrece, teremos que decidir.

Antes que inventem para a nossa cidade mais calamidades, temos que nos unir para tomar a posição correcta. Nós não somos subservientes nem arrogantes.

Temos a compostura e a honra que de sermos “portugueses de Elvas” nos advêm.

Elvas reconhece o que é de Elvas por justiça com serena lucidez.

Elvas exerce civicamente os seus deveres.

Elvas – defende Elvas – porque ao fazê-lo defende o nosso país.

Elvas, sente e sabe quanto vale, quanto merece e quanto lhe é devido – porque Elvas é Portugal – até ao limite de Portugal o ser.

Elvas nasceu fronteira.

Elvas é fronteira e fará fronteira entre o que pode, ou não, ceder para conservar o respeito por si própria e a integridade da Pátria de que é parte.

Nessa linha se define, delimita e segura da sua razão, se afirma e impõe à respeitosa admiração de todos como as suas muralhas, os seus fortes e o seu Aqueduto.

                      

 

Portugal mais se define

Onde a fronteira se traça

Pode partir, mas não dobra

Quem defende Pátria a Raça.

 

Maria José Rijo

 

O meu comício!

A lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.824 – 14 de Fevereiro de 1986

O meu comício!

 

A campanha está no auge!

Parece a cantiga; ora agora dizes tu – ora agora digo eu – agora dizes tu – dizes tu mais eu!

E, Deus do céu! – As coisas que me dizem!

E, Deus do céu – As coisas que se insinuam e nem se ousam dizer! – E nem se ousam dizer! E que, como tal, têm apenas a leitura possível da pureza de coração de quem as escuta.

             

É verdade a campanha está no auge. O “cheiro a sardinha assada” – embebeda o ar e, cada um puxando a brasa para o seu lado.

Da minha janela olho. Da minha casa escuto, que por todas as frestas de portas e janelas nos entram os ventos da história que em histórias de verdade e mentiras emaranhadas se aventam como crianças que riem soltando papagaios de papel.

Da minha janela olho. À minha janela penso: deve ser a hora! – É por certo a hora de começar também a minha campanha – o meu recado a Elvas.

Também assim.

Elvenses! Esta é a vossa cidade, tomai-a – como ela é – pertença vossa!

Não a deixeis emporcalhar – não deixeis que a belisquem, sequer! - Cada canto e recanto, é vosso – usai-o com o respeito que a tudo se deve.

Levai os vossos amigos e, ide vós, visitar o vosso museu - as vossas igrejas – os vossos monumentos – com o orgulho de quem sabe e sente que está usufruindo de uma herança que século após século, outras gerações conservaram para vós – para nós.

Ganhe quem ganhar! – Nós é que não podemos nem devemos perder! – É esta a Vitória que está apenas nas nossas mãos porque só depende do nosso empenho e da nossa vontade. Vamos tornar para nós, seus habitantes, a mordomia da nossa cidade. Vamos cuidar e defender Elvas desde as suas árvores, aos seus monumentos, ao seu casario bonito, aos bancos e às flores dos jardins, ao asseio das suas ruas, de tudo em pormenor até aos pardais dos telhados e às pombas branquinhas do parque da Piedade.

Vamos? Vamos de verdade?

Ganharemos se não se perder em nós este espírito de campanha – esta febre de alta de comício em que a fé e a esperança no futuro dão asas e horizontes aos sonhos de ideal que mesmo em segredo todos acalentamos.

“Entregar Elvas a Elvas” pode também ser o grito de um propósito a ecoar de rua em rua…

.

Maria José Rijo

 

Que admira?

À Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.816 – 20 de Dezembro de 1985

 Que admira?

 Elvas escolheu a Câmara que ganhou o direito de a servir e ao seu concelho.

Por larga maioria a população pôs nas mãos de um elvense – João Carpinteiro – a confiança que lhe foi solicitada, no crédito das promessas que lhe foram feitas.

Aconteceu num belo domingo de sol, intercalado nas vizinhanças do Inverno, como um presente de esperança.

A esperança que Elvas tem no futuro que merece para honrar um passado de grandeza, que nobremente testemunha.

Mas… toda Elvas – terá que servir Elvas – como cada um de nós se serve e cuida de si próprio – porque nada poderá a força de amor de João Carpinteiro a lutar por construir-se o desinteresse e o desamor de outros se empenharem em destruir.

Para que o dinheiro – que será sempre pouco – para a largueza do sonho - dê frutos palpáveis, é urgente que cada elvense repense a sua forma de o ser.

É preciso que não mais se juntem (4, 5, 6 pessoas, não avalio quantas foram necessárias) para arrancar e quebrar pesados bancos de cimento e pedra – porque cada um queira ser digno desta terra que o acolhe ou lhe deu berço – tem que sentir  em si, e, saber viver, a consciência do que é estar inserido numa sociedade – do que é pertencer a uma cidade que por sua vez também lhe pertence.

Tem que saber encontrar em si o sentido de dever e justiça que lhe imponha o comportamento exemplar que deve à sua terra e à sua gente.

Tem que saber merecer o trabalho de um homem que – por ser elvense de raiz e de consciência – e homem de dignidade, teve a “heróica loucura” de sonhar repor Elvas no lugar certo da história do nosso tempo.

No segredo do meu coração, adoptei esta terra, aí pelos meus 17 anos. Ao ser chamada, agora, a ajudar João Carpinteiro, qualquer coisa me diz, que esta é a resposta de Elvas, a dizer que o sabe e também me aceita.

Que admira então que eu digo que vou dar o meu trabalho em troca de confiança que me foi oferecida, para continuar a chamar a esta terra, gostosamente, minha?

 

Maria José Rijo

 

Motivos para pensar

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.876 – 27 de Julho – 2006

Conversas Soltas 

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Depois de ler no jornal “ O Público ”a entrevista que o Senhor Presidente da Câmara de Elvas deu como explicação para a epidemia de placas com o seu nome por tudo quanto é canto e recanto da cidade e arredores, pensei, e acertei, que tamanha prova de narcisismo não escaparia à lupa atenta de qualquer dos grandes jornalistas deste nosso País.

                      

E, por sorte ou por azar, não sei, logo lhe pegou com a garra e a mestria que lhe são peculiares, um dos maiores, mais lúcidos, mais inteligentes e mais corajosos Homens de letras que dia a dia comentam a nossa atribulada vida política.

               

O facto não me alegrou, mas não me surpreendeu, e embora me cause uma certa mágoa, porque é Elvas que está em foco, afigura-se-me da mais elementar justiça fazer entender a quem detém o poder, que a fábula da rã que quis ser do tamanho do boi é verdadeira porque toda a corda esticada em demasia – um dia - quebra.

               Politico

Há tempos encontrei, na biografia de um político a frase que vou transcrever:

“O poder dá-lhe a oportunidade de transferir para a sociedade a sua ambição pessoal.

Isso afasta-o da realidade e das verdadeiras necessidades das pessoas.”

Algumas vezes tenho comentado com desagrado obras e atitudes do Senhor Presidente Rondão.

Sempre o fiz pelo bem da nossa cidade, nunca com o intuito de amachucar quem quer que seja, porém jamais aceitaram que possam não ter sempre a razão por inteiro.

O Senhor Presidente Rondão Almeida, como ele próprio confessa com justificado orgulho, descende de famílias pouco abastadas. Começou a sua vida de trabalho vendendo água da Prata – segundo li. Ora, entre esse começo e o estatuto de certa ostentação que hoje frui há uma distância abissal.

É natural que a fortuna de que hoje dispõe o faça sentir um homem realizado, engenhoso, confiante.

Rondão Almeida, instruiu-se, trabalhou, lutou, subiu a pulso, fez-se por si próprio, e é por esse motivo digno de todo o respeito e admiração. É inegável.

A certa altura viu-se guindado ao topo, numa cidade desinteressada da política, desiludida com uma revolução que prometeu o céu e criou, em seu lugar, o purgatório onde a maioria vegeta, porque agora já nem tem espaço para sonhar, já que o sonho sucumbiu com o fracasso da revolução.

É humano que se tenha aturdido e exagerado na importância que dá a si próprio e ao poder que detém e que esteja psicologicamente baralhado com tanta popularidade e adulação que o cercam.

Esperemos que reconheça agora que não é justo cativar o povo como faziam os patrões do antigamente, dando por “bondade” o que a todos é devido por justiça social, nem está certo atiçar o despeito de uns contra outros, querendo cada qual que a sua galinha ponha maiores ovos do que a da vizinha num despique tolo de ver quem dará a prenda maior que habilmente tem sido virado a seu favor.

Não estamos perante um festival de cantigas ao desafio.

Já vai em busto, daqui a pouco as freguesias, mandam derreter o ouro de família para cunhar moeda com a sua efígie.

Interiorizemos as perdas irreparáveis que Elvas tem sofrido.

Reconheçamos que não é com roupas novas que se curam chagas de morte. Embora se possam disfarçar por momentos...

Lutemos por soluções de fundo, porque não é com coliseus, estátuas, placas e alaridos que se vai salvar Elvas do plano inclinado onde resvala há já tempo demais...

Poupemo-nos a mais ridículos. Pensando com seriedade nas realidades e verdadeiras necessidades das pessoas.

 

Maria José Rijo

 

O teorema

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.856 – 9-Março-2006

Conversas Soltas

                                        

Teorema, aprendia-se, também, no liceu – designa em matemática a preposição não evidente mas demonstrável.

Ora essa demonstração pode fazer-se por via analítica ou – partindo da hipótese para a tese através de uma série de proposições em que cada uma é consequência de outra, ou, ainda, por absurdo – se é certo o que me lembro!

Estou já tão longe desses rudimentos de ciência, aprendidos na adolescência, que qualquer confusão não é de estranhar e é, até, compreensível.

          Zoom

Mas vamos ao teorema proposto: - A eliminação da Maternidade em Elvas.

- OU – Melhor dizendo: a eliminação da cidade de Elvas do património português – a partir da eliminação da sua Maternidade!

! Não é evidente que se queira que isso vá acontecer!

Mas, é demonstrável por absurdo que pareça, que tal hipótese se verifique!

Ora vejamos algumas proposições:

- Partindo da hipótese que (com pretextos mais ou menos esfarrapados) as grávidas de Elvas e arredores, vão dar à luz em Badajoz...

- Partindo da hipótese que os pais dessas crianças se sintam hostilizados e ofendidos pela falta de respeito – quer como pessoas, quer como cidadãos portugueses - que essa imposição justifica...

          

- Partindo da hipótese que são assim obrigados a reconhecer que Espanha os aceita como filhos e o seu próprio País, os humilha e enjeita, é lógico e inteligente que escolham para as suas crianças a nacionalidade dessa pátria que os acolhe e, onde encontram um bem-estar, um leque de escolhas e um nível de vida muito melhor do que no sua pátria de origem...

             Maternidade (Arquivo)

- Partindo da hipótese que isso acontece, e, é lógico que na maior parte dos casos - aconteça – a breve trecho Elvas será

- Habitada por espanhóis por nascimento que sendo naturais descendentes de elvenses serão os legítimos proprietários de todos os bens nesta nobre cidade...

- Partindo pois da hipótese de que este absurdo se concretize...

- Partindo da hipótese de que em Portugal se dá mais valor a toda e qualquer obra de fachada -  que até pode deixar o país à beira da falência - do que aos deveres   para com as populações...

                   

- Partindo da hipótese que todas as valências que Elvas tem perdido (possam fazer parte desse maquiavélico projecto de alienação da cidade) com mais esta perda se vai exaurir mais um sinal de Vida e de esperança na nossa comunidade.

- Partindo de todas essas hipóteses e outras mais que seria exaustivo enumerar, teremos a inequívoca demonstração de que esta é a melhor forma encontrada para oferecer Elvas a Espanha!

            

Muito mais racional e muito menos controversa do que a cedência de Olivença (que há quem afirme - e quem desminta - que foi negócio de casamentos, ou consequência do tratado de Alcanices, lá por 1297...)

É que, desta vez, é sem contestação possível, uma oferta por NASCIMENTOS.

Assim, por somatório de hipóteses, fica demonstrado o teorema que mostra como é viável o que parece absurdo - a eliminação da cidade de Elvas da posse de Portugal!

   

Em 1987, mercê de especial conjuntura, tive oportunidade de afirmar numa conferência de imprensa, de que os jornais de Lisboa fizeram eco, algumas coisas que, aqui, agora, reitero:

                          “ Elvas sofre de aculturação a Espanha!

Elvas está a tornar-se subúrbio de Badajoz!

Fizemos um pacto de geminação, somos amigos, somos irmãos mas, somos um povo distinto!

Pede-se ao governo que olhe Elvas COM AMOR!

De Elvas, não se deverá jamais dizer: Elvas, era... teve... tinha...

    Uma Cidade do Futuro?   

Elvas AINDA é presente e, tem direito a ter futuro.

(na altura, a luta era pela recuperação do Património militar e religioso, Maternidade, Casa da Cultura, Escola de Música, Coral, etc, etc, etc...que sem Saúde, Cultura, e Industria, nenhuma cidade cresce e tem futuro.)

                

Se podemos afirmar: - Portugal É – um país independente! – Em lugar de: - Portugal, ERA! Muito a Elvas - essa glória - se  deve!

Mostre-se pelo menos Gratidão e respeito.

Saiba honrar-se a história! - Já que tantas vezes não se honra a palavra dada.

 

Ao Dr. Melo e Sousa com a minha estima e muito apreço

 

Maria José Rijo

As coisas claras e o chocolate espesso!

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.995 – 20 de Novembro de 2008

Conversas Soltas

 

 

 

 

Um dos assuntos prementes em todas as consciências é de há tempos – na nossa cidade – a saúde – que é como quem diz o Hospital.

Cada mandato tem a sua obra carismática. João Carpinteiro – se bem que lá não afixasse o seu nome - conseguiu para Elvas o Hospital anexo à Maternidade Mariana Martins já  - então - existente e, agora desactivada.

Não se tratava de um Hospital qualquer, só bonito como edifício. Bastas vezes foi citado – em noticiários – como “ um dos melhores do País” em qualidade de serviços!

   

Estes mandatos mais recentes deixam como obra emblemática o Coliseu José António Rondão de Almeida.

São formas de estar diferentes de personalidades distintas e, como parece que aquilo que um faz quem lhe sucede, em muitos casos, desfaz, dá por vezes para alimento de conversas e teorias várias.

Daí que seja motivo de controvérsias e, consequentemente de verdades, menos verdades, mas muitas especulações o que se aventa, ao comentar pela rama, o que é fruto de raízes.

Leio e ouço a cada passo atribuir ao Senhor Presidente da Câmara toda a responsabilidade desta fatalidade que foi para a nossa Cidade e Concelho ver desabar muitas estruturas que sustentavam qualidade de vida, progresso e independência.

              Image Hosted by ImageShack.us

Leio e, sendo insuspeita a minha opinião, porque ao Senhor Presidente, apenas devo referências – digamos – pouco elegantes, a consciência me impele, como manda o velho aforismo, a procurar pôr as coisas claras, já que espesso se deseja apenas o “gostoso” chocolate.

Ora, vejamos: - Honestamente penso que o Senhor Presidente, não tem responsabilidade na supressão da maior parte de serviços de que Elvas está privada.

              Antonio Ferrer Correia > Elvas: vista do Castelo

Elvas, foi, e está a ser vitima da ruinosa política que o partido socialista subscreve e que está reduzindo Portugal a dois ou três pólos de interesse - Lisboa, Porto, Coimbra - sendo todo o resto do País tratado como arredores, arrabaldes, reguengos ou lameiros mais ou menos produtivos e, assim,  com mais ou menos importância – visto nada mais ser relevante para a referida política socialista, embora saibamos todos que também ,em muitos casos, lhes  é difícil, senão impossível, fugir aos desígnios impostos por preceitos comunitários que foram aceites de joelhos.

Qual é então a responsabilidade do Senhor Presidente? – Nenhuma? - Não!

            Elvas. Castelo medieval, muralhas seiscentistas e Forte de Sª Luzia ao fundo. Vista do Forte da Graça.

Se é verdade que ele não é responsável pela política do seu partido – ele é – responsável pelo empenhamento da sua palavra no que prometeu à cidade, e , se o partido que o sustenta não respeitou essa palavra , só lhe resta – a ele -  confrontá-lo com a desonra a que o expôs e, agir de acordo com a afronta recebida.

O Senhor Presidente assegurou pôr o seu lugar à disposição se fosse desautorizado e – foi.

O Senhor Presidente tem como lema: - prometemos – cumprimos.

Então – espera-se que cumpra, de acordo com a sua afirmação.

        Aqueduto das Amoreiras - 50,9Kb

Assim, limpando a sua imagem mostrará que Elvas é em verdade o seu interesse maior e – talvez – obrigue o seu partido a reconsiderar que a palavra dos homens de bem não é passível de ser negociada por quaisquer interesses.

Talvez, que se aparecessem mais” Alegres”, fosse menos triste o destino de Portugal...

É que, neste caso, no nosso caso, não se ouviu, não se viu uma atitude frontal, sincera, despojada de interesses que mostrasse que se dava tudo por tudo, para que Elvas – dada a sua situação geográfica - que mais não fosse – lutava - até pelo direito de ser a excepção que confirma a regra.

O historial do seu passado – isso lhe autorizava e, autoriza.

      Rua Pereira de Miranda (Rua da Cadeia) - 42,5Kb

Houve submissão aos desígnios partidários em detrimento dos interesses de Elvas e a persecução desses interesses abafou o mais alto valor em causa – Elvas.

Esteja-se ou não de acordo com o seu critério de escolha o presidente Rondão tem obra feita mas, também é evidente que não foi capaz - faltou-lhe a coragem ou o brio - de erguer  o interesse de Elvas acima de interesses partidários, e, assim procedendo - também - não honrou a sua palavra , nem a cidade que o elegeu para que a servisse e nele acreditou.

         

Chega-nos agora às mãos um folheto amarelo distribuído pela Autarquia de porta a porta, com novas promessas sobre o Hospital.

De certo, todos vimos e vemos o que nos resta...

Ninguém vai ter filhos, ou tratar-se nas “promessas” – mas, sim nas Maternidades e Hospitais.        

Que se ajuíze em consciência.

 

 

Maria José Rijo

 

OUTRA VEZ !!!

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.835 – 2 Maio de 1986

                        

 

Será que as ilustres individualidades que põem e dispõem sobre rumos da nossa história, conhecem perfeitamente realidades e problemas do País que governam?

Duvido!

Não ponho reticências em acreditar que saibam tudo sobre as grandes capitais do mundo, e até que, porventura, as conheçam palmo a palmo!

Mas, as nossas cidades de província! – Mais ainda se não forem capitais de distrito! – Será que as conhecem? – Não o creio!

De Elvas, por exemplo, além de estar marcada com um pontinho no mapa das estradas que traça o rumo de Badajoz – o que saberão?

E que, se pensarem que é aqui – a partir de Elvas - Caia (e por esta fronteira entram centenas de milhares de turistas por ano) que Portugal se demarca de Espanha e se afirma como povo Lusíada – se o pensassem – saberiam que Elvas deveria ter ensino Universitário  - Conservatório – Escolas da dança – Teatro – Palácio de desportos – Instalações Hospitalares etc, etc.

Elvas nunca deveria ter sido deixada à mercê da influência sufocante duma cidade vizinha, onde a visão certa dos governantes defende todos esses e outros valores para salvaguardar da sua identidade cultural.

- Mas, não! – Não se cuida de estancar aqui a sangria que vai esvaindo usos e costumes, tradições e até a pureza do idioma – tudo quanto dá carácter a um povo!

                        

Agora a Senhora Ministra da Saúde – atenta contra o nosso Hospital!

Porquê?

Será que conhece Elvas?

Ou passou os olhos pelo mapa a sonhar mudanças, viu alguns pontinhos deixados por mosca irreverente e, pensando tratar-se de localidades tão pequenas que nem têm o nome gravado, cuidou de as trazer para a ribalta correndo atrás de utopias e esvaziando de valor instituições, cidades e populações que, se têm culpa – é apenas uma: - nunca desrespeitarem sequer quem tão pouco as respeita.

Ai, “Esta Elvas!” – “Esta Elvas!” – tão conhecida que até fica no caminho de Badajoz! – e, pelo que se vê – agora, também – e, mais uma vez – castigada porque ainda é Portugal.

 

Maria José Rijo

 

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