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Jornal de Elvas - 8-3-1956 - entrevista Maria José Rijo

Quarta-feira, 25.05.16

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publicado por Maria José Rijo às 17:56

Entrevista -- Testemunho de uma vida : Maria José Rijo

Sábado, 27.02.16

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publicado por Maria José Rijo às 16:47

Entrevista - Dezembro de 2011

Quarta-feira, 11.01.12

Entrevista

29 de Dezembro de 2011

Jornal Linhas de Elvas Nº 3.155

 

 

Costumes gastronómicos de Natal

À mesa todos fizeram por manter as suas tradições

 

A crise não impediu que os portugueses cumprissem as tradições
gastronómicas do Natal, com as vendas de bacalhau, frutos secos e doces a irem
ao encontro das expectativas do comércio tradicional.

O Linhas quis saber quais são as tradições de Natal junto de
quatro entrevistados que aceitaram o repto lançado de partilhar com os nossos
leitores quais são os seus costumes familiares, os gostos gastronómicos e as
diferenças de um Natal vivido na sua terra natal ou, em contrapartida, na
cidade onde residem há largas décadas.

Do norte ao Alentejo ou de Elvas à Aldeia de Santa Vitória, em Beja,
foram percursos únicos contados na primeira pessoa, sobretudo, com base nas
recordações de infância que lembraram histórias felizes, de dificuldades e até
daquele anseio pela chegada do Menino Jesus ou do Pai Natal.

 

 

 

Maria José Rijo, 85 anos

“Peru era um mártir no Natal nos lares abastados”

 

O quente da salamandra afasta por momentos o Inverno, que acaba de chegar,

e a companhia fiel da poetisa Maria José Rijo, a gata Kika, haveria de escutar,

descansada, na sala da residência onde revisitámos o Natal de outros tempos.

Maria José Rijo nasceu em Moura, mas foi na Aldeia de Santa Vitória, em Beja,
onde cresceu e melhor se recorda da época natalícia e das tradições
gastronómicas vividas no Baixo Alentejo.

 

“Em qualquer uma destas terras, especialmente nas casas abastadas, o peru
era um mártir no Natal, mas noutros lares era o frango ou a galinha que pagava
as favas porque o peru era muito caro”, conta-nos.

Naquele tempo já o arroz doce, os sonhos, as filhós e os pastéis

com recheio de abóbora ou de batata doce acompanhavam o espírito

natalício da época – hoje completamente diferente daquele tempo.

“Agora fala-se imediatamente em Natal e as pessoas enlouquecem com as
compras quando no meu tempo não era assim. Compravam-se os chocolates para dar
às crianças, éramos miúdas nesse tempo – a minha irmã, os meus primos e eu – e
aquilo que recebíamos eram os chocolates, uma ou outra peça de vestuário mais
bonita, que iria servir à mais velha, e depois passava pelas outras todas”,
refere Maria José Rijo.

Na quadra festiva organizavam-se pequenas récitas de Natal ao estilo de
curtas peças de teatro, “algo ingénuas”, assentes numa poesia de João de Deus,
que a mãe da poetisa sabia de cor.

“Ensaiavam-nos umas coisinhas para nós encantarmos as visitas e para isso
contribuíam também a roupinha a par dos lacinhos na cabeça que nos faziam ficar
muito bem compostas”, disse.

No Baixo Alentejo desde sempre que à mesa existem as comuns fatias
douradas e os nogados. Em Beja, por exemplo, os nogados fazem-se com amêndoa e
mel, sendo depois colocados em cima de folhas de laranjeira, conferindo “um
certo perfume e requinte de beleza”, parecendo-se com “pequenos rebuçados”,descreve.

 

Mas, tal como explica Maria José Rijo, na gastronomia de hoje “o coração
das coisas é o mesmo mas por fora exagera-se no doce, esquecendo-me daquilo a
que estava habituada, ou seja, dos bolos puros. Compram-se mais coisas feitas e
vive-se, sobretudo, para o efeito visual”, justifica a experiente poetisa.

As diferenças para a sociedade de hoje são consideráveis, pois se naquele
tempo as tabletes de chocolates com uma pequena nota colocada por debaixo de
uma fita satisfazia o desejo da pequenada, hoje o quarto dos petizes mais se
assemelham a uma loja de brinquedos.

“Todas as crianças tinham um mealheiro e ninguém dispunha do dinheiro sem
perguntar aos pais, que nos aconselhavam a guardar, o que, por um lado, nos
ensinava a suster o impulso de gastar em detrimento de juntar para algo
melhor”, sublinha.

 

Para Maria José Rijo, os mais novos estão hoje “afogadas em excesso, o que julgo

ser altamente deformador do carácter de qualquer criança. É impossível que qualquer

criança cresça com sentido de justiça e com senso do que é essencial ou supérfluo

quando tudo lhes é dado de uma só vez e, por isso, estão afogados em desejos e

caprichos sem tom nem som”.

 

O Natal, este ano, tal como no ano passado, foi passado na companhia da
Kika, a fiel gatinha de Maria José Rijo, que por ser gata não merece ser
traída” nesta altura só pela sua condição animal quando no restante período do
ano “vive aqui só, não passeia e está sozinha comigo”.

Da família, que se disponibilizou a vir buscá-la no Natal, recebe
telefonemas com frequência, mas, como explica a poetisa, “eles compreendem que
preciso da minha comodidade, do meu canto, do meu sossego até porque a saúde já
não me permite grandes avarias”.

Para este período ainda contagiado pelo Natal e numa altura em que se
aproxima o novo ano, Maria José Rijo sugere que “cada um deve olhar para dentro
de si próprio e fazer uma certa introspecção à procura do sentido das coisas e
da coragem para fazer o que se pensa que está certo”.

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publicado por Maria José Rijo às 20:45

UM CASO

Domingo, 31.07.11

Á lÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1956 – 2 de Setembro de 1988

UM CASO

 

No final do noticiário, ali na horinha de jantar, o locutor de serviço fez um
pequeno intróito, para prender bem as atenções dos ouvintes, sobre o que
apresentou como: - “Um caso”.

E foi! – Foi um caso lastimavel , porque a indigência moral exibida,

a quase infantil inconsciência, emboída do seu quê de vaidade  e narcisismo,

permitiram classificar facilmente o pobre ser humano, que se considerou a si próprio  como –

um machão ou um “gigolo”.

 

Penso que se trata realmente de um caso, mas, de um caso de doença, de desequilibrio
mental, ou qualquer outro que não merecia da RTP aquele tom de anedota inócua que se conta à
mesa, na frente das crianças no fim do Jantar.

Penso que ninguêm ficou mais enriquecido, beneficiado, ou feliz por ver que casos
destes – que infelizmente são possíveis – se podem considerar tão interessantes
e de tão útil divulgação, que a própria televisão, não resista ao sencionalismo
de os noticiar de forma tão “leve”.

Penso ainda, que a televisão se torna com este tipo de coisas, ela própria, também
“Um caso”.

Um caso que faz, pensar se será sua missão entrevistar um tarado sexual,
forçando-o, com um ar de simpática cumplicidade, a revelar frente às câmaras,
pormenores das suas práticas, como se fosse vital para os ouvintes conhecer em
minucia tais aberrações – ou apoiá-las.

Em resumo:

Um locutor fez o anuncio, uma locutora conduziu a entrevista e, um país inteiro
“registou”, com espanto, a maneira como estas coisas podem acontecer.

Foi realmente  UM CASO. Um caso que dá aso a
que se pergunte com inquietação se a televisão faz caso dos sentimentos de pudor e recato –

que graças a Deus – ainda se cultivam e defendem em muitas
familias portuguesas – que nascem, vivem, trabalham e morrem sem que, para se
considerarem felizes, precisam de utilizar tão moderno à vontade.

É que casos - como o deste triste caso – quando por dever, para prevenir ou defender
outros, manda a razão que se exponham publicamente, tem que ser tratados com a
piedade e o cuidado que as desgraças exigem, e não como quem fala de heróis.

 

Há entrevistas que falam tão mal de quem as dá como de quem as solicita ou
consente.

 

Maria José Rijo     

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publicado por Maria José Rijo às 00:06

Entrevista - Radio Renascença Elvas

Domingo, 09.11.08

 

ENTREVISTA

aos microfones

da Rádio Renascença/Elvas

No dia da Inauguração da Exposição Percurso

no Museu de Fotografia

- 19 de Setembro de 2008

Entrevista – Sandra Gomes

 

R.R – Estamos aqui no Museu João Carpinteiro, aqui em Elvas, e prontinha para assistir à inauguração da Exposição “PERCURSO” da autora Maria José Rijo.

 

Estávamos ainda há pouco a apreciar algumas das obras desta autora e ela dava-me uma breve explicação dos objectos que aqui tem, em exposição neste museu.

Objectos que contam uma história de vida.

A história da vida da própria autora e que ela na primeira pessoa poderá contar em forma resumida. Não é assim?

MJR – Pois, já lhe disse que comecei pelo retrato da Minha Mãe, quando se casou e do meu Pai, depois dos últimos retratos dos meus Pais.

A minha Mãe no dia em que fez 100 anos, veio a falecer com 104, o meu Pai aos 81 anos, foi quando faleceu.

Depois é a minha história, as fotos do meu marido quando nos conhecemos, a nossa fotografia de casados, o enquadramento familiar dele, no emprego, a faculdade de ciências, em Coimbra, o Jornalismo. Enfim é uma súmula de todas as coisas.

Todas as coisas têm um princípio, o meu foi assim… e depois diplomas de Exposições,

 Prémios de outras exposições, trabalhos de conchas, de artesanato em madeira, depois a época em que eu pintava gessos e depois a pintura a óleo.

 

Nalgumas – como este painel aqui – é um bocado critica social, por exemplo – aquele canhão com LOVE, a “Paz possível” chamo eu àquilo, como numa altura em que só se fala de paz é a morte, porque é a guerra que impera continuamente, uma espécie de critica social.

Isto aqui também tem que ver com as infra-estruturas, os pedreiros a fazerem prédios magníficos e depois aqui a aquecerem a panelinha num lume qualquer.

Este desfazamento, entre a grandeza, às vezes do que se faz e do que se mostra e a pobreza com que se vive.

 

A isto chamei BIAFRA – com crianças – porque me faz um pavor, uma coisa horrível, que as crianças passem fome. É uma coisa intolerável.

E depois um raminho de Flores, que há sempre um sorriso que em qualquer altura, mesmo na mágoa, ás vezes…

 

Isto é uma Marinha que eu fiz de casa da minha irmã, que ela tem à beira mar e eu lá pintei isto.

As árvores do Jardim que são a minha paixão.

 Jogos florais Luso-espanhóis em que ganhei alguns prémios, mais gessos…

 

Isto é uma camisinha, que a minha Mãe guardava com muito carinho, que nós vestimos

Fomos três raparigas e as três fomos baptizadas com esta camisinha. Portanto a mais velha teria hoje 86 anos. Esta camisa tem 86 anos.

São coisas de ternura que eu guardo.

 

 Isto é no tempo em que a iluminação era a petróleo, pelo menos, no campo, onde nós vivíamos, as minhas avós e as minhas tias com toda a paciência deixavam-se retratar ao serão e eu agarrava no lápis e no papel e fazia.

 A minha avó Maria Constança, a tia Chica, a avó Maria Barbara, é claro, o meu Pai e a minha Mãe, não tinham pachorra para aturar essas coisas, mas as avós, são as avós.

 

  Isto é a visão que eu tenho da minha sobrinha Francisca, que era uma criança “só olhos”, extasiada, olhando, calada, olhando… e adorando borboletas e flores.

 Acho que… enfim, saiu-me aquilo.

Isto é o meu gato, que Deus haja, foi o meu companheiro durante muitos anos e que morreu, como todos os gatos e todas as pessoas e toda a gente

 

Isto é a dor da minha vida, que é a Quinta do Bispo.

Isto são os tarecos lá de casa, que eu ás vezes juntava para pintar.

 

Aqui é uma colecção de presépios de conchas.

Depois vamos por este lado

 

Está o Alentejo, a sua lonjura, porque isto são as coisas que eu pinto de cor, pinto em casa.

Pinto a Emoção que as coisas me dão.

 

 

Isto é a imagem dos sobreiros que sempre achei fantasmagóricas, são lindos, mas arrepiam-me

 

 Estas eram as árvores das Caldas da Rainha, que eu vivia em frente da mata.

Isto são as recordações que eu tenho do mandato da Câmara, que achei muito importantes. São os meus camaradas de trabalho.

Foi a Fundação da Escola de Música, foi a fundação do Coral, foi a criação da Casa da Cultura. Foram uma série de coisas que hoje estão esquecidas do grande público, mas que aconteceram na época do João Carpinteiro.

Do Dia Mundial da Música, os Postais de Gastronomia que tiveram um êxito extraordinário, que a Câmara teve com aquele trabalho que foi feito.

Todas as coisas da Câmara, que fui eu que fiz – nunca são obra de um só, isto é da responsabilidade de um grupo, mas ás vezes agente tem mais interesse porque teve uma ideia e a coisa resultou.

É um livro da Escola, um livro de Ciclo com um poema meu.

Isto foi uma história de capa que eu escrevi para as Luzitas, há uns quantos anos

 

R.R – Muitos dos objectos que podemos ver nesta exposição, são obras, objectos particulares, Objectos seus?

 

MJR - Sim, são coisas minhas de que eu gosto. Olhe, por exemplo, esta foi a minha única sobrinha, filha da minha irmã, e que era uma pessoa encantadora, e ofereceu-me a chave da casa dela de Lisboa, para eu não ter de bater à porta.

 

 

Ela morreu. Essa casa fechou-se.

Eu tenho aqui a chave, pus o retrato dela com os quatro filhos, a minha Mãe, que viveu com ela muito tempo e a avó, que lhe tinha dado a casa.

Portanto isto é o molho da chave da avó Madalena e este é o molho das chaves das malas da minha Mãe.

São saudades, são retalhos de vida!

 

- E depois…Isto são canivetes.

 

 

Olhe, alguns têm uma história muito engraçada. Amigos que me davam – o Sr. Couto que Deus tem, que morreu, eu sei lá há quanto tempo, ofereceu-me o canivete com que cortava os calos, porque estava apaixonado pelos meus trabalhos de madeira. O Dr., que agora não me ocorre o nome dele, ofereceu-me este canivete de Albacete, que lhe deu o padrinho, quando ele fez sete anos.

Este deu-me o meu cunhado Eduardo. Como eu trabalhava em madeira toda a gente me dava faquinhas, depois deixei de trabalhar em madeira e emoldurei-as. Estão aqui.

 

São Salas de Gente.

São memórias, retalhos de vida.

 

 

 Estes são os meus bonecos de madeira que estão aqui.

São feitos a canivete, com alguns canivetes desses.

Isto que também tem alguma graça, são os dedais da minha avó, da minha bisavó, das minhas tias.

 

 

 

 

Estão todos identificados com as datas.

Isto é um bordado, que é da minha tia Chica, que morreu com oitenta e tantos anos e era habilidosíssima.

E estas são as Senhoras donas dos dedais:

A minha avó Maria de Jesus, a minha avó Maria Barbara, a tia Feliciana, a minha Mãe, a avó Maria Constança, a tia Chica e a prima Albertina.

Que eram as habilidosas da família. E então eu coleccionei os dedais e estão aqui.

 

É uma maneira de viver e estar na vida.

 

Pronto… isto são os registos que estão aqui, mais ou menos oitenta…

Por ali, alem mais uma colecção de chaves…

Mais umas coisas e pronto… aqui tem.

É a exposição.

 

RR- E assim temos um pedaço de história…

 

MJR – E aqui temos retalhos que somados são dias da minha vida!

 

R.R.—Exactamente Marisa Gonçalves, depois desta visita guiada a todas as obras aqui em exposição, no Museu João Carpinteiro.

Se ficaste com curiosidade e isso mesmo digo aos nossos ouvintes, aproveitem.

A exposição vai estar aqui neste mesmo espaço até ao dia 9 de Novembro.

São exposições que juntam pequenas montagens de recortes de jornais, fotografias, postais, pinturas e outros objectos feitos por esta artista, Maria José Rijo.

Objectos feitos de madeira, objectos feitos de conchas, objectos feitos com bordados e outros acessórios que fazem parte da vida desta artista.

Margarida, daqui é tudo, do Museu João Carpinteiro.

Já sabe, pode muito bem passar por aqui e assistir um pouco deste percurso de vida.

 

RR- Muito obrigada Sandra Gomes, que está em directo do Museu de fotografia João Carpinteiro, em Elvas, pode ver assim, esta exposição baseada nas memórias de Maria José Rijo. Mesmo em época de São Mateus até ao próximo dia 9 de Novembro.

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publicado por Maria José Rijo às 21:14

Entrevista - na revista Terra Mãe - 2008

Sexta-feira, 15.08.08

 Apenas a entrevista

 

http://www.alentejo-terramae.pt/

 

 

Sons

http://www.alentejo-terramae.pt/index.php?lop=conteudo&op=ba2fd310dcaa8781a9a652a31baf3c68&id=cc384c68ad503482fb24e6d1e3b512ae

 

 

 

PERFIL

Nasceu em Moura em 1926. Para que as filhas pudessem estudar, a família alugou uma casa em Beja e Maria José e a irmã foram para lá com uma tia, para frequentarem o liceu.

Quando estava no 6ª ano, conhece José Rijo, começa a namorar e casa. Adoece e fica sem poder ter filhos. Escreve o primeiro livro de poemas:

“Foi uma forma bonita de chorar”. E o segundo ainda veio na mesma linha.

Depois, por acaso, como diz que aconteceu tudo o que lhe aconteceu, começou a fazer artesanato, pintura… escreveu contos para crianças (que nunca publicou) …coisas... como diz.

Andou um pouco por todo o País devido à profissão do marido que era gerente do Banco de Portugal: Elvas, Caldas da Rainha, Coimbra, Guarda, Tomar, Beja (estava lá quando foi o 25 de Abril), Angra do Heroísmo e de novo Elvas…

Começou a escrever a crónica semanal no Linhas de Elvas quase há 30 anos e nessa altura chamava-se “À Là Minute”, passando mais tarde para o título que ainda hoje mantém: “Conversas Soltas”.

Teve uma curta (três anos) passagem pela política local, já que foi vereadora da Cultura e Turismo na Câmara de Elvas: “Aceitei porque achei que podia fazer qualquer coisa, quando senti que já não podia e sabia fazer mais, vim-me embora”.

A mãe viveu até aos 103 anos, depois faleceu há três, deixando-a ainda mais só.

…..

 “Nunca me senti nem uma poetisa, nem uma escritora, nem uma pintora, sinto-me o que sou, uma mulher… com alguma sensibilidade, que gosta de viver, que gosta das coisas, que respeita a vida e que respeita tudo o que a vida tem…”

Maria José Rijo, 82 anos, mulher

texto de Emília Freire

………….

apenas... mulher

Poesia não é gramática,

Não requer explicação,

Poesia, é sonho da alma

Só a sente o coração!...

Olhar as aves nos céus,

E vê-las notas de música

Da magistral sinfonia,

Que foi composta por Deus!...

Achar que o oiro é palha

Que nada vale na vida,

E ver a palha como oiro,

Na campina ressequida…

…É coisa que não se ensina,

Se vive, sente somente!

…Poeta é como ser mágico

Dos sentimentos da gente!...

Ser poeta… como nascer,

É tanto obra de Deus,

Que quando algum deixa a terra,

Nasce uma estrela nos céus!

 

“Tenho pena é de não ter uma história muito interessante para contar…”, disse-me depois de, sei lá, uma hora de conversa… e passaram-se mais três ou quatro… se não havia história, porque terei eu ficado tanto tempo à conversa com aquela mulher?! Porque, de facto, não há história… tudo, contado por ela, é história.

Maria José Rijo é uma pessoa fascinante! Este texto reproduz apenas uma pequena parte dessa conversa de várias horas e, digo com sinceridade: ficava outras tantas.

É uma pessoa que estranha o mais recente interesse que por ela tem havido porque a humildade, daquela mesmo verdadeira, é tamanha que diz coisas como: “acho engraçado… para mim é uma descoberta nova… é ver que as pessoas ligam importância, prestam atenção a coisas que eu fiz…porque fiz, porque me foram tão naturais como respirar… e tão necessárias… só isso”. Uma pessoa que tem a casa cheia de quadros, bonecos de madeira, de conchas, de registos, tudo feito por si… para não falar dos três livros editados e dos contos não editados e das centenas de crónicas publicadas no Linhas de Elvas, mais os escritos que ficaram na gaveta...

Há pessoas que têm dons e Maria José Rijo é uma delas. O dom de fazer qualquer coisa especial a partir de qualquer coisa, ou de quase nada... “Depois comecei afazer artesanato, às vezes de quase nada… sugestões que uma concha oferece, uma concha partida… de qualquer coisa se parte para uma coisa diferente…”os seus ‘escritos’ começaram a ser mais conhecidos em todo o país e por pessoas mais jovens, principalmente no último ano, desde que a sua amiga ‘Paulinha’ fez o blogue onde todos os dias coloca um texto seu.

“A Paulinha ficou muito minha amiga desde que eu estive na câmara de Elvas, Porque trabalhou lá comigo e disse-me que queria fazer um blogue mas não queria pôr o nome dela, gostava de pôr Rijo… o nome do meu marido… disse-lhe então: se queres pôr o meu nome porque te sentes minha irmã, põe Travelho, o meu nome de solteira. E ela pôs: Paula Travelho”. E conta então como foi que lhe aconteceu isto de escrever livros, crónicas, fazer artesanato em madeira e conchas, pintar quadros… a tal história que diz não ter para contar… “estas coisas na minha vida têm acontecido todas por acidente… calha.”Depois de ter ido estudar para Beja, quando estava no 6º ano do liceu veio a Elvas a convite de uns tios às festas do Sr. Jesus da piedade, tinha 17 anos, nessa altura conheceu o marido, que era alferes… “e pronto! Começámos a namorar…”“e casei mesmo… casei porque escolhi casar-me… não escolhi não ter filhos e não escolhi ficar doente e isso tudo aconteceu… e as coisas deram completamente a volta. Esta perda de álibi foi o caminho para eu procurar, e descobrir outros rumos, e a minha primeira intuição foi o lamento… O lamento como? um verso. Porque desde criança que gostava de escrever, gostava de ler…” saiu então o primeiro livro.

E a seguir o segundo foi ainda dentro dessa linha…“foi assim uma espécie de despertar e, a partir daí, procurei outros rumos…aquilo foi uma maneira bonita de chorar…de me libertar…de coisas que me tinham acontecido e que eram inesperadas…”depois continuou sempre a escrever, sobretudo para a gaveta, disse-me. “E depois aconteceram assim coisas… acho que nada acontece por acaso… um dia passámos aí na rua e numa montra estava uma exposição de bonecos de

madeira e eu ia com a minha cunhada, que estava deliciada a olhar… 'olha eu até acho que era capaz de fazer'… ela achou

Aquilo tão esquisito e pareceu-lhe tão mal que arranjou um bocado de pau de bucho e um bom canivete e disse-me: 'já que eras tão capaz de fazer, então faz! ‘ E eu fiz!”

“Que engraçado, pensei assim, como se processa a admiração nas pessoas… a gente admira aquilo que não é capaz de fazer… o que nos ultrapassa”mais tarde, uma grande amiga chamou um pintor a casa para lhe fazer o retrato dos filhos e Maria José viu pintar pela primeira vez. “Fiquei louca… nunca tinha visto aquilo, pintar… deu-me uma sensação extraordinária e então, ali mesmo, fiz o retrato do pintor e ele depois levou-o…”a partir daí comecei a usar as coisas…eu costumo dizer: eu não pinto, eu gasto tintas… eu como saladas porque são bonitas, têm cor, eu gosto de flores, gosto de luz, gosto de vida… gosto dessas coisas… então vou atrás do amor pelas coisas e da emoção… porque saber, não sei… nunca aprendi…faço, apetece-me”. Com os mais de 20 contos que escreveu para o programa meia Hora de recreio da emissora nacional, da responsabilidade de Maria Madalena Patacho, também foi mais ou menos assim. Uma amiga disse-lhe: tens

Tanto jeito para contar histórias aos miúdos, porque não escreves e mandas? “e eu mandei e fui mandando e eles foram aceitando…”

“fujo para estas coisas, porque me são naturais… realmente alguma coisa há em mim que me puxa para isto, para escrever… e eu agradeço a deus porque não há nada que pague a alegria e a emoção que se tem em frente de um papel branco… “o livro rezas e benzeduras foi uma homenagem do Linhas de Elvas quando o jornal fez 50 anos… “sou mais velha lá do que o dono do jornal que é filho do fundador. Fiquei muito grata.”

Maria José Rijo quer dar todo o seu espólio para a casa que tem em Juromenha, na margem do Guadiana. “Gostava que Junta de freguesia ou a câmara do Alandroal fizessem uma espécie de casa museu, como a minha casa lá até é uma casa típica alentejana”.“Sempre fui uma pessoa simples, uma dona de casa gostando de livros, gostando de música, gostando de pintura… e enchia a minha vida disso e depois tinha um marido que era um companheirão!... Fico feliz por isto me ter acontecido a mim”.

 

 

em www.alentejo-terramae.pt.

 

Maria José Rijo. “Adorava ter sido Cigana… A sensação de liberdade…de deslumbramento e o Medo …”

 

n

... E vim cantar, Poemas, 1955

Paisagem, 1956

Conversa Soltas –

Rezas e Benzeduras,

Crónicas do Jornal

“Linhas de Elvas”,

2000

 

 

 

Oiça Maria José Rijo na nossa edição on-line

 

Quadro “os Ciganos”, pintado por

Obras Publicadas

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:47

Entrevista- Qual a sua maior aspiração?

Sábado, 14.06.08

ENTREVISTAS

Alentejo Ilustrado

Nov.Dez. – nº 16

1960

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UM CURIOSO

QUAL A SUA MAIOR…

 

Uma poetisa sul-alentejana

 

 

 

 

A poesia está em toda a parte. Não podia faltar a este nosso inquérito.

Ela surge pela boca de Maria José Travelho Rijo, poetisa de fina sensibilidade,

Nascida em Moura e que presentemente reside em Elvas.

Eis o DESEJO maior da Autora de “… E vim cantar”.

 

 

 

-- A minha maior aspiração para este ano é igual à minha única aspiração de cada dia – cumprir.

Como vê – sou muito vulgar – aspiro ao mesmo que toda a gente, por certo.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:56

Entrevista - de 1995 - a Maria José Rijo

Quarta-feira, 14.05.08

No Jornal de Elvas

Nº 22 – a 15-Julho-1995

 @@

Claudio Ramos

entrevista

na rubrica: A ver Verão 

“Uma grande Mulher”

 

 

Maria José Rijo

.

“Vou ver o Guadiana morrer…"

 @@@

 

 

 

Há quanto tempo não vai de férias?

    MJR – Não sei, talvez há uns três anos…

 

Onde vai passar as suas férias?

MJR – Eu quando o meu marido era vivo, adorava passear por Portugal., conhecer aldeias e vilas desconhecidas. Este ano talvez vá para uma casa que tenho em Juromenha, olhar para o Guadiana… já não é o que era, mas nunca deixará de ser bonito.

 

O que mais gosta de fazer em férias?

MJR- Adoro apanhar sol, ler, passear. Mas o que eu mais aprecio em férias, é fazer o que me dá “na telha”.

 

Quais serias as suas férias de sonho?

 MJR-Já não as realizarei  de certeza. Adorava ir a Itália ou ao Tibete, são locais que me fascinam.

 

Uma boa companhia para férias?

MJR – As minhas saudades. Tive um marido lindo que gostava que me voltasse a fazer companhia.

 

A mochila ás costas são só para os menores de 25 anos?

MJR-Não Senhor! A mochila é para todos aqueles que acreditam na vida e sabem vive-la.

 

Leva sempre uma lata de cerveja no porta-luvas?

MJR – Não bebo, prefiro água. Paro em todas as fontes.

 

Quem gostava de ter como vizinha de férias, a Cláudia Shiffer, a Elsa Grilo ou a Celestina Banana?

MJR – Sem duvidas a Celestina Banana, que é um amor de pessoa, uma ternura cheia de juventude. As outras não sei quem são.

 

E eles, quem gostava de encontrar em tempo de banhos. O Rondão Almeida, o João Vintém, ou o João Alves?

MJR – Poderia lindamente encontrar o João Alves, que é uma pessoa de quem gosto muito e o João Vintém, que me parece ser uma pessoa simpática, além do mais gosto muito das coisas que ele tem escrito no “Linhas”.

 

Um bom filme para ver em férias?

MJR – Um filme que me marcou para toda a vida foi por exemplo; “ Les uns et les outres”

 

Um Bom Livro?

MJR – “Cartas de um poeta” – acompanha-me a vida toda.

 

Em tempo de férias vai a continuar a torcer pelo seu clube?

MJR- Sabe, eu não percebo muito de futebol nem entendo muito bem. Mas no conjunto acho um espectáculo bonito, vão continuar a contar comigo.

 

Um Conselho?

MJR – Que se deixem de preocupar com o dia-a-dia, e tenham sempre com eles as recordações de infância… é tão bonito!

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:47

Entrevista a Maria José Rijo- 19-1-1967

Domingo, 27.04.08

Uma dona de casa

que não se considera  escrava nem vítima

40 anos de idade

A Leitora cujo depoimento em resposta ao questionário que publicamos hoje justifica-se da seguinte maneira:

  “” Notar pela maioria das respostas que a mulher portuguesa que responde a inquéritos sente, como aquela que ainda não sabe ler, que o homem deve ser o chefe, e não reconhece tal como consequência duma promoção que para ela própria já tarda, faz-me juntar a minha humilde achega ao monte das respostas.

            Tenho 40 anos, sou casada há quase 20 – não tenho profissão – sou oficial de todos os ofícios como dona de casa competente, que procuro ser. Recuso-me a escrever domestica porque não há homens domésticos e as origens da civilização da mulher remontam certamente dos mesmos primitivos tempo…

            Nos intervalos dos meus afazeres leio, estudo, ouço música, escrevo histórias para crianças ou faço bonecos de madeira ou gozo a vida simplesmente como um gato ao sol.

            Digo-lhe isto para que me possa apresentar como uma dona de casa que não se sente escrava nem vítima – mas que vive com consciência a alegria de ter uma casa, um marido companheiro e não entrega a ninguém aquelas pequenas coisas que fazem duma casa um “Lar” como não pede á mulher a dias que ajeite a gravata do marido ou coisa semelhante.

            Tenho a paixão das crianças e procuro transformar em ternura para todas quantas vejo a mágoa de nenhuma ser minha “”

 

P: - Qual a sua maior aspiração?

R: - Num mundo de Paz assistir a uma reforma social que equilibrasse direitos e deveres de cada ser humano de forma a não serem possíveis noticias como uma que sempre recordarei: -- a de uma menina que morreu de comoção ao estrear para fazer exame o seu primeiro par de sapatos. Enfim! Pelo menos se coisas destas acontecerem e forem contadas, que se lhes não chamem “bonitas histórias” pessoalmente gostaria de cumprir – cumprindo-me.

A todos se deve exigir consciência e responsabilidade.

 

P:- Como encara o seu trabalho fora do lar? E se não trabalha, gostaria de o fazer?

R:- Fora e dentro do lar encaro o trabalho como um dever de dignidade de quem o executa e, ainda, uma felicidade se esse trabalho coincidir com o que cada um deseja fazer; ou for a dádiva por inteiro, em arte, de cada instante de vida dividida.

 

P:- Preferia ser dirigida por um homem ou por uma mulher? Porquê?

R:- Não preferia ser dirigida nem dirigir no sentido que a pergunta me parece implicar. Considero um chefe como um representante das necessidades, direitos e deveres de um grupo e não como um “mandão”. Não vejo que na generalidade se possam distinguir homem ou mulheres para esses fins porque a todos os seres humanos se deve exigir consciência e responsabilidade – como pessoas que são – independentemente do sexo que representam. Dirigir como executar são encargos ao alcance de gente valida.

 

P:- Como concilia o seu trabalho fora de casa com a sua vida familiar? A quem deixa os seus filhos? Se não os tem ainda, como pensa organizar a sua vida quando os tiver?

R:- Trabalho em casa. Nunca poderei ter filhos. Gostaria de viver a experiência de trabalhar fora e estou á beira de o tentar.

 

P:- Acha que a mulher deve ter uma preparação profissional? Ou deve viver só para a sua casa?

R:- Já é tempo de se formar uma mentalidade que não suscite a necessidade de perguntas destas. Para além duma consciente preparação como dona de casa que todas as mulheres devem possuir - como elemento social – toda a gente deve ser apetrechada dentro das suas possibilidades intelectuais e capacidades físicas para ganhar a sua vida e saborear o gosto da sua independência e liberdade “responsáveis” – e gente, que se saiba, são mulheres e homens.

A mulher que casa e tem ou não filhos pode, se em consciência o entender, como deve ou vocação viver só para a casa. Aliás, reportando-me á resposta que dou á primeira parte da pergunta surge como conclusão lógica que o sim ou o não será problema individual, resultante dessa tal formação, decisão consciente e independente do “parece bem” ou “parece mal” que ainda inibe e anula grande parte da mulher portuguesa.

 

P:- Que entende por promoção feminina?

R:- Entendo que é a conquista do lugar de dignidade que lhe é devido e que a mulher exigirá sempre que por consciência dos seus deveres e direitos tenha a noção da sua responsabilidade como ser humano.

 

P:- Acha que a mulher deve possuir cultura? Porquê e para quê?

R:- Coro quando leio estas perguntas ! Homem ou Mulher são acaso sinónimos de presença e ausência de massa cinzenta?

 

P:- Interessa-se por politica? Porquê?

R:- Interessa-me embora não entenda a “Razões politicas”. Interesso-me pelas consequências que brotam dessas razões. Leio, comparo, ouço e formo juízos. Sei que exércitos, povos, aliados, amigos, inimigos – são gente – seres humanos como eu, cheios de anseios e frustrações. Gente que interroga e se interroga. Gente – e sempre gente – como estes meninos que passam todos os dias aqui á minha porta e saem agora, mais uma vez, do colégio, em corridas e risos sob a chuva miúda. Meninos e meninas com idades que cabem na minha idade, uma, duas, três, quatro vezes…

            Não! Não gosto de políticos – mas não me alheio dos seus perigosos movimentos.

.

@@@@

Entrevista

Do Jornal Diário de Lisboa

19 de Janeiro de 1967

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publicado por Maria José Rijo às 23:53

Conversas de Natal

Quarta-feira, 05.12.07

Jornal Linhas de Elvas -

Nº 2.637 – 21 de Dezembro de 2001

ENTREVISTA Sraª. D. Maria José Rijo

 Em

Conversas de Natal 

“Gostaria de fazer uma viagem no tempo”

Desde os tempos mais remotos que o Natal é um dos momentos mais maravilhosos na infância de uma pessoa. Maria José Rijo, com a grande experiência de vida que tem, atravessou várias fases da quadra natalícia. A mudança dos costumes e da tradição não lhe são indiferentes.

        Cresceu num meio e num tempo em que a festividade era uma época de sonho e continua a acreditar que só é Natal se se tentar manter esse espírito.

        Num tempo em que não se dizia Natal, mas sim “a festa” , o “mês do Menino” , ou ainda “vamos festejar o nascimento”, todos estavam muito ligados à figura de Jesus. Essa era a base da alegria do momento.

        Com a televisão, “todos estes sentimentos são vendidos ao desbarato”. As pessoas perderam a noção do que é verdadeiramente original. Enfeita-se a porta de casa, a árvore de Natal, mas apenas se estão a cultivar os sinais exteriores. O Natal é, ou deveria ser, acima de tudo, uma festa de interiorização.

Linhas de Elvas (LE) –> O que recebia no Natal quando era criança?

Maria José Rijo (MJR) –> Recebia bonecas, mobílias em miniatura, chocolates. Não tínhamos muitos brinquedos. Recebíamos alguns jogos, dominó, o jogo da glória, o loto para brincarmos ao serão, quando estávamos doentes ou quando estava a chover e não podíamos ir para a rua. Havia sempre alguém que estivesse disponível para brincar connosco. Não tínhamos a abundância que se tem hoje, em que cada criança tem uma loja. Na altura dizíamos: “a minha boneca, a minha caminha, o meu jogo” , porque tínhamos apenas um. Identificávamo-nos mais com as nossas coisas.

 

                  (Registo- Trabelho de Maria José )

L.E. -> A Tradição ainda é o que era?

MJR -> Não. Principalmente porque se cultiva muito o exterior.

         No meu tempo as crianças tinham um leque de cobiças, mas, por outro lado, identificavam melhor o prazer das coisas.

         Os chocolates bons, as caixas bonitas de chocolates, as ameixas de Elvas chegavam ás nossas casas pelo Natal. As coisas não estavam banalizadas.

         Hoje as crianças têm tudo sem apreciarem nada, não sonham com coisa nenhuma.

         O facto das mulheres terem ganho o direito de trabalhar fora de casa, fê-las relegar os meninos um pouco para a prateleira. As crianças têm necessariamente menos qualidade no afecto. Para os compensar do pouco tempo que passam com eles, começam a comprar. Mas não é um comboio eléctrico que vale uma tarde de colo e de miminhos.

         Claro que hoje há coisas maravilhosas, mas em algumas coisas perdeu-se a noção da primordialidade que têm.

 

             (Registo - trabalho feito por Maria José Rijo)

L.E -> O que é para si o verdadeiro espírito do Natal?

MJR -> É o espírito de família, é pensar nos outros. Por exemplo no Baixo Alentejo, onde eu vivia, as pessoas mais humildes cantavam à porta das pessoas que tinham mais. Estes recebiam-nos, mandavam-nos entrar, ofereciam-nos filhós e azevias. Era uma oportunidade para conviverem com outras classes.

         Dentro desse espírito de família, os mais carenciados eram convidados para passarem o Natal com os mais abastados.

 

L.E -> Qual é o mais bonito gesto que se pode ter no Natal ?

MJR -> Eu acho que é tentar identificar as carências das pessoas e, discretamente, arranjar forma de colmatar essas falhas.

Era ponto de honra do meu avô e da minha avó, quando sabiam que alguém passava necessidades, ajudar sem que a pessoa soubesse quem era o autor. Nas vésperas de Natal, principalmente, aproveitavam para transmitir essas mensagens de amor. Colocavam o dinheiro ou os géneros na medida das suas possibilidades, à porta da pessoa e não diziam nada a ninguém.

 

L.E -> Pensa que o Natal é quando o homem quiser?

MJR -> Creio que dentro do coração de cada um, é . Se a pessoa cultivar a fraternidade e o respeito pelos outros, se pensar um pouco menos em si e um pouco mais nos outros, acho que é possível.

         Eu sou muito virada para a comunidade. Gosto muito de coisas bonitas mas não me agarro a nada. Sou capaz de dar tudo. A única coisa a que me sinto, realmente, ligada é aos meus livros. Fazem muito parte da minha vida, são fruto de opções.

 

L.E -> Em quem acredita: no Menino Jesus ou no Pai Natal?

MJR -> O Pai Natal para mim, não tem sentido. A mim sempre me ensinaram que quem trazia as prendas era o Menino Jesus, se nos portávamos bem o ano inteiro. A minha avó ensinava-nos a rezar quando éramos pequeninas: Menino Jesus perdoa as maldades que hoje fiz e ajuda-me a ser boa. Rezava isto, todas as noites e quando chegava perto do Natal fazia-se o balanço. Então achas que mereces as prendinhas do Menino Jesus? Era o menino que tinha essa responsabilidade.

 

L.E -> Qual a prenda que gostaria de receber nesta quadra?

MJR -> Queria muito a segurança na saúde da minha mãe. De material não há nada que cobice. Gostaria de fazer uma viagem no tempo. Tenho muitas saudades das pessoas do antigamente.

 

 

L.E -> Qual é a tradicional gastronomia alentejana da quadra natalícia?

MJR -> No Alentejo, os pratos mais típicos são os de peru, do lombo com amêijoas, as migas. Havia também, sempre um prato de peixe. Acho que o prato de peru não é uma tradição portuguesa, mas começou a entrar muito cedo nas nossas mesas devido à face criação da ave. A gastronomia do Alentejo sempre assentou nas coisas que havia. Temos também o arroz doce, os borrachos, as azevias que no baixo Alentejo se chamavam pastéis de batata-doce.

L.E -> CoNatal é a nsidera que o altura dos milagres?

MJR -> Nunca tinha pensado nisso, mas talvez seja. Porque o espírito de Natal, por vezes, toca tanto nas pessoas que, na medida em que conseguirem ser menos egoístas, mais generosas e voltadas para os outros, acaba por ser. O milagre pode ser esse…

         Ás vezes penso no Natal um pouco como penso em Fátima. Não sei se realmente existe, mas acredito muito no ser humano e acho que dentro de nós existe um desejo de crescer e de ser bom. Se há coisas que se fazem mal é porque as pessoas estão revoltadas, não receberam o crédito que achavam merecer.  

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:06





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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