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Faleceu - hoje - a escritora Matilde Rosa Araujo

Terça-feira, 06.07.10

 

 ..

 

 Matilde Rosa Araújo

nasceu a 21 de Junho de 1921,

 e faleceu hoje, terça-feira, dia 6 de Julho de 2010,

aos 89 anos, em casa, em Lisboa. 

 

...

 

Vidas longas dão-nos como à mulher da Biblia

a graça de conhecer a geração dos netos dos nossos netos

e também a mágoa de ver

partir familiares e amigos.

Agora foi a Matilde - a "Laranjinha" - a Tila

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publicado por Maria José Rijo às 23:07

O preto no branco

Domingo, 25.10.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.924 – 22 Janeiro de 1988

 O preto no branco

 

-- Escreve? – Mas escreve sobre o quê?

-- Valerá a pena?

-- Quem escreve, escreverá para os outros, ou para si próprio?

      

-- Talvez que o acto de escrever seja a forma mais clara e irrefutável de compromisso.

-- Pintar, esculpir, são formas de expressão e comunicação com um tremendo peso de carga subjectiva, susceptíveis, por isso mesmo, de interpretações diversas. O mundo das sensações não é igualmente lido ou legível por cada pessoa.

O que me “diz” uma cor – é diferente do que dirá a outrem. Talvez até, o amarelo leve a uns a sensação de luz, que outros extraíam porventura do vermelho, do branco ou do laranja. Sabe-se lá os caminhos que percorrem as emoções para que se diga: - gosto, ou não gosto! Frente à mesma circunstância!

“Os gostos não são iguais” – garante-se a cada passo.

Da sensação e do sentimento falam de forma directa a palavra e a expressão fisionómica – porém – são sempre estas, susceptíveis de retoque conforme o agrado ou desagrado do mais ou menos interessado entendedor.

Escrever – assinar um escrito – é um acto de consciência tremendamente e vinculativo. A palavra escrita – é a palavra emancipada.

Vai só.

Corre os seus próprios caminhos mas leva implícito o compromisso de honra de quem a produziu – daí que a sabedoria exija para confiar: “ Põe o preto no branco”

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:56

Hesitação

Sábado, 13.12.08

Maria JOSÉ RIJO

Conversas Soltas

4 de Dezembro de 2008

Nº 2.997

             Escrita à mão

Muitas vezes hesito na escolha de temas para estas conversas.
A minha hesitação advém sempre da pergunta que a mim própria faço: - que importância pode isto ter? - ou: - a quem pode isto interessar?

                                  
Depois venço o meu constrangimento pensando que a Vida não é só feita de grandes acontecimentos, nem é só vivida por pessoas a quem é possível procurar grandes emoções em grandes experiências, ou grandes aventuras.
Que, na vida, todos cabemos, sejam quais forem os nossos interesses, tendências ou gostos.


Sob o mesmo céu vivem os vermes e as aves. E, sendo a plumagem das aves por vezes de uma beleza quase irreal, e a asa, o símbolo da liberdade e do sonho, e sendo, em contrapartida, os vermes, feios e asquerosos, a linguagem da decomposição e do podre, a vida que os sustenta vem da mesma fonte e a dignidade da sua qualidade de ser, a sua função tem a mesma intrínseca dignidade que os seres ricos de
cor e beleza.


Assim que os mais capazes e os menos capazes, no sofrimento e na alegria têm todos as dimensões certas para viver a plenitude dos seus sentimentos e das funções para que foram criados. Não terão por vezes todos a mesma capacidade para encontrar o caminho que os possa levar ao destino mais certo, ou de encontrar a forma mais cabal de o evidenciar, mas o máximo, é sempre máximo. Seja qual for o limite suportável.
Vi, como a meio mundo, por certo, aconteceu ter visto, num programa de televisão, uma Mulher, médica de profissão, na qualidade de Mãe, expor para pedir ajuda o drama pungente, a agonia de não saber o paradeiro de um filho.

        
Alguns dias mais tarde, foi-nos dado rever a mesma pessoa com os olhos a brilhar de incontrolável alegria a contar que o filho já reintegrara a família e, da prudência e tacto com que estavam a cuidar de tão melindroso assunto.

Recordei-me então de uma amiga minha que tinha um filho diferente - mas - porque era dotado acima da média, causava problemas. Era bom aluno [hoje é um conhecido cientista] mas por não ligar àquilo que considerava

pormenores sem importância, era-lhe indiferente ter o cabelo comprido, a barba de qualquer dimensão, sair à rua de botas ou sapatos de quarto, a tal ponto que o pai, pessoa em destaque na altura, sentindo-se criticado pelos seus pares, o confrontou com a obrigação de proceder igual a todos os demais ou, a sair de casa, já que havia muito tempo que lhe era imposta esta exigência sem resultado.


Ferido nos seus brios, o rapaz, arranjou a mochila e dispôs-se a partir.
A Mãe, que até então a tudo assistira sem intervir, chegado aquele ponto de ruptura, olhou o filho e disse-lhe: - és inteligente e responsável, reconheço-te o direito às tuas escolhas e às tuas decisões não é esse o meu problema.
Só queria que me ajudasses, que me dissesses aonde é que eu errei contigo, meu filho, para saíres assim de casa.

Deverias ter-me ajudado e ensinado porque sabes que não há nada na vida, mais importante, para mim, do que tu.
O rapaz pousou a mochila, abraçou a Mãe que chorava e disse-lhe - tu estás sempre certa Mãe, perdoa-me, e ficou.
Parece que é sempre estendendo as mãos abertas para dar que se recolhe a alegria que pode encher de paz os corações.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:33

Afinal – a Expo começa aqui!

Domingo, 07.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.397 – 11 –Abril – 1997

Conversas Soltas

 

   Alameda dos Oceanos e vulcão de água - Expo '98 - Lisboa, Portugal

Naquele dia da passada Páscoa – já nem sei qual – havia um ventinho esperto que soltava a areia do chão e a atirava pelos ares.

Voltei então as costas ao mar meti – me em casa e abri a televisão.

O Professor Hermano Saraiva, com o seu jeito de quem muito sabe mas, não resiste ao acrescento do sonho nas realidades históricas que narra – falava da Expo 98, de Vasco da Gama, da Vidigueira, de Sines, de Évora e de todos, quantos, por via da tal Expo, andam a polir seus títulos e brasões.

Interessei-me vivamente.

Aliás, não sei de quem resista ao “charme” do historiador com a sua maneira cordial e apaixonada de transmitir saber e, de repente, pensei:

- Então se tudo na Expo 98 se passa em torno do mar e das Descobertas...

- Então se a figura maior é o grande Descobridor...

- Então se Sines se prepara afanosamente destapando pedras, catando vestígios, escarafunchando pistas de tudo quanto possa servir para erguer do passado um rasto que conduza ao reconhecimento do que foi a presença de Vasco da Gama naquelas paragens...

                 

- Então isto e mais aquilo e etc, etc, etc, etc. ...

- Então Elvas – porta principal de quem entra em Portugal – vindo da Europa estradas fora...

Então Elvas, não terá uma palavra a dizer?

Ai, a mim, me parece que sim.

E, se tristemente, infelizmente, deploravelmente (e mais quantos expressivos advérbios de modo se possam compor para chorar a agonia do Forte) não se pode, no todo, acudir à nobre fortaleza – que venha trazer, de novo, à lembrança de todos – ouso perguntar:

- Não será possível ainda reconstruir por dentro a capela que Catarina Mendes, bisavó de Vasco da Gama, quando já viúva de Estêvão Vaz da Gama, mandou reedificar nos finais do séc. XIV?

É que, foi por aí, que tudo começou.

É que foi em torno dessa capela votada, por muita fé, a Nossa Senhora da Graça que o forte da Graça ou de Lippe – foi erecto.

E é dessa cepa – é desses Gamas – que descende o universal Vasco da Gama que a Expo glorifica.

Afinal se se quiser destapar um pouquinho a história – se se limpar o caminho de modo a honrar o espaço referido, mostrando-o com dignidade que, por direito, lhe cabe...

Afinal...

Afinal, não é exagero afirmar que:

A Expo começa aqui!

 

 

 

Maria José Rijocats cat brazil brasil rio gato gatos animal namoroouamizade

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:53

Blog da EVA

Terça-feira, 14.10.08

 

 

http://escritosdeeva.blogs.sapo.pt/

e  também

aqui

http://scherzo.blogs.sapo.pt/492.html#comentarios

 

 Reflexão para Outubro

..

Há momentos na vida em que todas as palavras sobram e nenhumas chegam.

-

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:49

Até que a voz me doa...

Quarta-feira, 08.10.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1789 – 7 Junho de 1985

Á Lá Minute

 

           foto de over_acting1 em 18-04-2008 

Ouvindo Maria da Fé cantar o seu fado: “Até que a voz me doa”; Recordando a Amália que tão bem cantava: “Amália”,

               

quis Deus que fosse meu nome”, pensei que me caberia a mim, que não canto, escolher para meu fado – repetir até que a voz me doa – a minha oração de fé! – Acredito que:

---- Se às crianças fosse dado desde o berço, com a regularidade, sinceridade e insistência com que se lhes fornece o biberão – a certeza de que Sebastião da Gama falava verdade quando dizia:

“ O segredo é amar!

   

-- Acredito, que não seria possível, quando adolescente ou adulto, alguém, por exemplo: arrancar, em menos de 24 horas após a sua colocação 100 pés de cedro, de sebe que a Câmara mandou plantar como bordadura, para embelezar a estrada que conduz ao Viaduto.

-- Acredito que: - se depois de serem docemente embaladas com a certeza de que “Amar é o segredo” – as crianças tivessem nas escolas uma disciplina que as ajudasse a sentir – que o ar que se respira, para além da sua composição (analisável) é também o espaço da asa –

-- Que a pedra do banco de jardim que vemos partir em descuidada brincadeira – faz parte do segredo da terra que a deixa aflorar à superfície como elemento embelezador da paisagem, abrigo de vidas, indício e promessa de pedreira, alta escarpa onde a águia faz o ninho, cume de montanha onde gelos e neves moram por séculos…

       

-- Que a simples colher de pau – essa humilde auxiliar da feitura da sopa do dia a dia – até essa – nos pode trazer a mensagem da serrania onde, quando ainda pinheiro, falou a sós com o céu em longas noites de frias luas… ou as lembranças da beira-mar, onde escutou falas de altas ondas e temporais, cantigas de amigo do Senhor Rei D. Dinis e, onde provou, talvez pela primeira vez, o gosto do sal em respingos de espuma espalhadas pelo vento…

-- Acredito que se havia de perceber como tudo se entrelaça e como é violência não deixar crescer e florir a planta – não proteger o animal, poluir o rio que corre e o mar que o bebe…

-- Acredito que se entenderia que é violência não respeitar seja o que for que Deus tenha criado…

                               Photobucket

-- Acredito que por toda a parte com a fé de um Padre-Nosso se murmuraria o poema de Torga, o “Cântico de Inteligência”:

 

“Não destruas!

 

Toda a fúria é maldade

Ouve, que te não minto:

À tua volta a vida é como um cinto

De castidade

 

Constrói o mundo!

A sinfonia tem de ser inteira!

Junto o teu canto à melodia!

Não deixes que uma nuvem de poeira

Tolde a luz que te guia!

Dura!

Existe humanamente, e sê feliz!

Céu que não possas ver com olhos teus,

Deixa-o a Deus

- A ideia que tiveste e te não quis.”

 

Maria José Rijo

Gato Norueguês da Floresta

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:49

A escrita

Quarta-feira, 28.05.08

Jornal O Linhas de Elvas

Nº 2.889 – 26-Outubro 2006

Conversas Soltas

@@@@

 

.. 

Foi por causa dos telefones que me lembrei da escrita. Estava a dar uma contagem de electricidade, e, do outro lado do fio, uma voz gravada gizava passo a passo o comportamento que eu deveria seguir.

De repente, aquele rigor de tecnologia, atingiu-me como uma agressão sem rosto num vazio escuro, uma voz de fantasmas, e comecei a pensar no tempo, ainda relativamente recente em que as vozes do telefone faziam parte “ das nossas amizades” de família.

Levantava-se o auscultador e, uma voz conhecida, perguntava-nos o número pretendido. Muitas vezes, enquanto a ligação não se estabelecia até se trocavam dois dedos de conversa.

         Lembro-me de pedir que tocassem com insistência quando queria falar para casa de meus pais dado que sofrendo eles de falta de ouvido, era difícil ouvirem o telefone estando no quintal.

Também era corrente pedir às senhoras dos telefones para nos chamarem o médico, ou outros apoios, em casos de aflição.

         Nesse tempo, o mundo, ainda não era apodado de “aldeia global”, nem a Internet e toda a sofisticação de meios de agora tinham desumanizado toda esta rede de serviços.

A ideia que tínhamos de “aldeia”, era a de família alargada, era a da terra onde habitávamos, e, onde todos se conheciam.

Não era virtual, era real.

Nesse tempo, não havia segredos que o telefone consentisse, por isso não havia escutas nem os consequentes escândalos, apenas mexericos sem agravos de maior.

Nem eu, nem ninguém escrevia em computadores, e a escrita, era como um rio, que corria e deixava marcas de percurso.

Pensava-se uma coisa. Passava-se ao papel, e, até encontramos a expressão certa, rasurava-se, emendava-se, substituía-se o termo, a frase, o que não nos soasse ao ouvido, não nos parecesse bem, não nos agradasse, ou não atingisse a força, a veemência, a ternura, a alegria que se queria transmitir.

Quando o resultado nos parecia aceitável, passava-se a limpo. Apurava-se a letra. A caligrafia - como pretensiosamente se dizia.

E, nessa altura, tudo o que fora esforço, dor, revolta, convulsão, confusão interior, já só passava ao teste final de forma civilizada, arrumadinho na letra apurada e limpa como fato de ir à rua.

Apresentável – legível.

Porém, o caminho, com suas hesitações e sobressaltos deixava seu rasto nos rascunhos como as enchentes dos rios quando transbordam para as margens.

Toda a gestação ficava aí expressa nos despojos que a enxurrada deixara pelo caminho...

E, por esses rastos, se podia reviver a emoção, a alegria ou o sofrimento de onde o texto nascera.

Agora, não.

Com o computador, escreve-se, apaga-se e, das hesitações, das controversas emoções, só fica e aparece o produto final, como se não tivera tido raízes, sofrido a queima das geadas, a loucura dos ventos, das chuvas e sois, e surgisse, escorreita, sem passado e sem história.

Então, lembrei-me de dois versos magníficos, de um poema de Vitorino Nemésio que guardo na memória e no coração:

 

“...Esta vontade de cantar que pulsa no pessegueiro

E cria no poeta o indício de alguns versos

        Que antes de serem voz, hão-de doer primeiro!”

 

E, pensei: - é verdade! – É isso!

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:11

Á LAIA DE RESPOSTA

Sábado, 05.04.08

Muita gente me pergunta onde vou buscar assunto para escrever em cada semana, e eu, sem saber como responder, apenas encolho os ombros como resposta.

Porém a pergunta tem sido tão repetida, que da inssistencia me surgiu quase que a preocupação de encontrar uma explicação, para mim própria.

Toda a gente contacta dia a dia com pessoas diferentes, e melhor ou pior, para cada um e para cada ocasião, procura e encontra o discurso mais adequado.

Pelo doente mostra-se interesse e cuidado, pela criança mimo protector. Aos amigos dá-se ou pede-se companhia, fazem-se confidencias e desabafos, com os amigos se convive e colabora.

Para as vistas guardam-se e exploram-se os assuntos de circunstância, as cadeiras da sala e a falta de intimidade. Para os vizinhos a cortesia, o interesse ou desinteresse, mais ou menos simpatia… amizade às vezes.

Com a família gasta-se o carinho, a paciência, percorrem-se todas as escadas da intimidade, do apoio,, da alegria, do sofrimento, da dor.

Enfim… por aí fora, desta, ou de outras maneiras, por entre aplausos, rancores, invejas, admirações, despeitos, alegrias e lutos, cada um tem das pessoas e do meio, das coisas e das circunstâncias, um conceito próprio que lhe fica da maneira de olhar em redor.

Todos dispomos, pela graça de Deus, da capacidade de pensar.

Parece-me assim, que não fugindo eu á regra do comum dos mortais, e dispondo já de um “arquivo de lembranças” com algumas dezenas de anos, acaba por não me ser difícil trazer à conversa pequenas coisas que guardo comigo.

Eu sei!... Verdade que sei… como é engraçado o saltitar com que se desloca o pardal… como é bonito o desenho escurinho das suas penas (como cotim) como eles são felizes quando se espojam no pó da terra ou, se banham nos pequenos charcos das chuvadas de Outono a gozar um raio de sol.

Eu sei! … Verdade que sei… como é angustiante vê-los à cinta dum garoto, (espingardinha ao ombro) enfiados pelos olhos por um pé de junco.

 

E porque sei estas coisas breves, da vida sem fim, falo delas aos apressados que, menos felizes do que eu, passam sem as olhar.

 

                             Maria José Rijo

@@@@@

Á LÁ MINUTE

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.846 – 18 de Julho de 1986

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:14

“Quand il est mort le Poéte, tous ses amís ont pleuré”

Segunda-feira, 17.03.08

É difícil determinar, por vezes, quais são as proporções acertadas para acentuar cada circunstância.

As grandes parangonas que os jornais usam para veicular uma notícia – nem por se ajustarem com sinceridade à emoção do momento – se adaptam, na maior parte dos casos, mais exactamente à verdade que pretendem sublinhar, como igual, para toda a gente.

        Gaivotas ...

A objectividade precisa de um olhar largo, que, às vezes, a emoção não consente. Cada pessoa tende para fazer pender a balança para o seu lado, olhando do ângulo que mais a conquista.

Qualquer tendência partidária, não é, necessariamente mais importante, ou mais sincera do que a outra.

Os factos históricos, só vistos à distância, sem paixão, adquirem as proporções mais certas – o que, não significa – menores!

Com as pessoas também assim pode acontecer. Só o tempo lhes alongará a presença ou a sombra…

                                      José Gomes Ferreira

Algumas porém, como José Gomes Ferreira, adquirem em vida, tal dimensão, que,

quando um dia partem – todos se apercebem de que, apenas continuam! – mais presentes talvez, na medida em que transcendendo os limites da sua existência humana – foi pelo pensamento que se tornaram vivos na consciência dos seus contemporâneos.

Mas… para falar de um Poeta – o melhor é a sua poesia:

                  Voei como Fernão Capelo Gaivota...

“Leva-me os olhos, gaivota”

 

Leva-me os olhos, gaivota,

e deixa-os cair lá longe naquela

ilha sem rota…

Lá…

onde os cravos e os jasmins

nunca se repetem nos jardins…

Lá…

onde nunca a mesma aranha tece

a mesma teia

na mesma escuridão das

mesmas casas…

Lá…

onde toda a noite canta uma

sereia

… e a lua tem asas…

Lá…

 

Deixo aqui, hoje – “lá dessa ilha sem rota” os “cravos e os jasmins” – numa molhada de mágoa que, com a minha mão anónima deponho à memória do Poeta e, alongo a homenagem a Nuno de Bragança, que também morreu agora, e,

                                       Sebastião da Gama

     

cuja presença não pára de crescer embora este mês se cumpra mais de três dezenas de anos sobre a sua morte.

 

                              Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.774 – 22 Fevereiro 1985

Á Lá Minute

        

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publicado por Maria José Rijo às 20:26

A Carta

Domingo, 06.01.08

        

    

      Por muito engraçado me passaram para as mãos um documento significativo de uma pobreza de espírito flagrante que pretende ser uma carta dirigida por uma mulher alentejana, a um filho seu, algures, na Bósnia.

            Segue a transcrição:

          

            “Mê crido filho

           

Escrevo-te algumas linhas p´ra saberis questou viva. Estou-te a escrever devagari  pois ê sei que nã sabes ler depressa

           Nã vais reconhecer a nossa casa quando voltares, pois nós mudámo-nos.

            Temos uma maquina de lavar rõpa mas nã trabalha muito bêin; a semana passada

pus lá 14 camisas, puxe a correti e nunca mais as vi!

Acerca do tê pai, ele arranjou um emprego, tem 1500 homens debaixo dele pois está cortando relva no cemitério.

A magana da tua irmã Maria teve bebei esta semana, mas sabes, é nã consegui saberi sé menino ó menina, portanto nã sei se és tio ou tia.

O té tio Patricio afogou-se a semana passada num depósito de vinho lá na adega cuprativa. Alguns compadris tentaram salva-lo, mas sabis, ele lutou bravamente contra elis, porra! O corpo foi cremado mas levou 3 dias para apagar o incendio.

Na Quinta feira fui ao médico e o té pai foi comigo. O médico pos-me um tubona boca e disse-me p´ra nã falari durante 10 minutos. Atão nã sabis que o té pai ofereceu-si p´ra comprar o tubo ao médico?

Esta semana só chuveu duas vezes, na primera vez chuveu  durante 3dias, na 2ª durante 4.

Na Segunda feira teve tanto vento, que uma das galinhas pos o mesmo ovo 4 vezes!

Recebemos uma carta do cangalhêro que dizia que se o ultimo pagamento do enterro da tua avó nã for fêto no prazo de 7 dias, devolvem-na.

Olha mê filho........ cuida-ti !

 

Nã te esqueças de beber o lêti todas as nôtes, antes de enterrares os cornos na frônha.

 

Um bêjo

 

Joaquina Chaparra.

 

P.S. Era p´ra te mandari 5 contos, mas já tinha fechado o envelopi, nã tos mandei. Fica p´ra próxima, porra! “

--

            Pasmo com a falta de imaginação que permite a meia dúzia de Xicos espertos rir sem se darem conta que da sua própria ignorância, (e de mais alguma coisa...) se estão a rir.

            Penso que é preciso desconhecer por completo o Alentejo e as suas gentes para enfiar um chorrilho de estúpidas asneiras e pretender que do léxico alentejano se trata.

            Explico: o Alentejano (e escrevo a palavra com maiúscula) não diz – pois nós mudamo-nos – diria. - A gente mudou-se...etc. etc, etc,...

            Não é, porém, por aí que quero ir...

            É que, penso, que já era tempo, de nos preocuparmos um pouquinho mais que fosse, em compreender os outros e tentar aprender a rir do que é realmente engraçado e, não de ridículas anedotas saídas da tacanhez de alguns pobres de espírito que não sendo capazes de apreender o pitoresco dum dialecto ou duma situação se atrevem, (ultrapassando os limites do respeito que devem aos sentimentos do próximo), a meter o nariz onde não são chamados.

            Nem todos podem ser, ou ter, o talento – de um Raúl Solnado - para fazer rir falando duma guerra, com o pudor de não ferir o coração de ninguém.

            Fique-se cada qual nos seus limites. E pense que para se rir dum assunto como este; quem o escolheu, teria que inventar a carta como escrita pela sua própria mãe, e dirigida para si próprio! Porque, nesse caso, era opção, só sua, rir ou não rir...

            E, deixem em paz as Mães Alentejanas, tão iguais no Amor e cuidados a todas as Mães e que – ainda que analfabetas, por vezes – não deixam de dar a Vida dos seus filhos para todas as Bósnias deste mundo, enquanto muitos “destes engraçados heróis” pagam para fugir aos seus deveres.

                         

                                                     Maria José Rijo

@@@@@

Revista – Norte Alentejo

Nº 6 – Novembro/Dezembro - 2000

Crónica

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:28





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Pensamentos de Mª José

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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