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Entrega de Prémio

Segunda-feira, 01.02.16

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a mesa do Juri e uma concorrente premiada 

quer queiramos ou não

isto faz parte da nossa história de vida.

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publicado por Maria José Rijo às 18:19

REGRESSO

Terça-feira, 23.02.10
 Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1740 – 22 de Junho de 1984

REGRESSO

 

Voltei. Voltei e cá estou na “pracinha familiar” no jeito reencontrado de fazer disto, daquilo – ao acaso – um comentário, um apontamento, um … À Là Minute.

Ás vezes é o feio que me conquista – sem alegria.

Que… gostoso, gostoso é regalar os olhos nas coisas belas!

Nessas, que ainda que já transformadas em recordações, nos voltam a dar prazer ao ser lembradas.

Nessas, que mesmo só recordadas em brumas de saudade, ainda confortam – se bem que também doam…

Que bom ter hoje para este regresso o consolo de ter visto, e contar que vi e toda a gente pode ver – como alunos do curso complementar da Escola Secundária de Elvas, orientados pelos seus professores de história, e por iniciativa da Drª Bela Jardim – ensinaram a aventura da investigação, olhando até ao fundo das coisas da nossa terra.

Consultaram velhos livros, jornais e revistas.

Escutaram velhas sabedorias e contos, desenterraram conhecimentos esquecidos…

Somaram estudos e vieram com fotografias, colagens, reportagens, ensaios, contar - expondo – os seus trabalhos – como foi feita essa viagem de reconhecimento até às raízes na procura das origens de nomes, monumentos , factos da história local.

Com os testemunhos de quanto compulsaram e aprenderam, fazem a mostra – assinalam a descoberta e ensinaram a olhar de forma diferente à nossa volta. Ali está uma sementeira feita ao longo dum ano de trabalho escolar. Ali está o fruto dessa seara. Ali estão os moios dessa colheita armazenados grão a grão.

Acaso ou determinação? – Não sei.

A verdade é que na Biblioteca Municipal de Elvas que Eurico Gama amava e sentia como uma segunda pele – no mês e no dia em que se cumpriu mais um aniversário da sua morte – Juventude de Elvas – como que aceitando uma passagem de testemunho – com a frescura de quem se inicia – revive de olhos virados para a nossa região o tema que foi a tarefa maior da sua vida inteira – a investigação histórica!

            

“Morra o Homem fique a fama”

Assim Eurico pensava.

Fique a fama e fique a chama

Essa chama que o guiava.

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 02:40

Proposta

Terça-feira, 16.02.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1898 – 24 de Julho de 1987

 PROPOSTA

 

Considerando que todos temos as nossas manias, como todos temos as nossas mazelas, como todos também temos as nossas fraquezas e também as nossas virtudes…

Se não é ver e ouvir:

“Cá ando com as minhas dores” – “a minha alergia” – “a minha luta”, etc, etc,…

… considerando que sou, como toda a gente, fraca, forte, corajosa, ousada ou tímida, contente e triste, conforme a vida comanda e permite…

                    

… considerando que das minhas fraquezas a que me dá forças – é acreditar nas pessoas e na força da verdade, quero dizer – acredito no sentido divino e, daí – acreditar em coisas generosas e diferentes – em coisas belas e diferentes – em coisas belas e tais como é a lei do mecenato.

… considerando que “ como fraqueza domestica” acredito ter alguns leitores certos para esta rubrica…

… considerando estes factores já enumerados, ninguém se admirará que espere e creia que a tal lei do mecenato possa também ser aproveitada no nossa cidade, (como noutras já está sendo), para que aqui aconteçam coisas de que já todos desesperam ou  descreiam… e, apareça um “mecenas” para custear a edição do Dicionário de Vitorino de Almada – (por exemplo!) sabendo de antemão que o bem que propicia também reverte em seu proveito como desconto em impostos que forçosamente terá de pagar…

… considerando que ás vezes as coisas não acontecem porque não se conheceram a tempo e a fundo…

… considerando que Elvas precisa de todos os seus filhos em geral e, de cada um que mais a possa ajudar em particular…

PROPONHO que – quem para tal tenha rendimentos – estude a lei do mecenato e a utilize para o progresso da nossa cidade – sabendo que para seu bem duplamente labora  - reduz impostos, ajuda o bem e, ganha o direito de permanecer na lembrança das gerações futuras.

       

“Morra o homem – fique a fama”

Pensou Eurico Gama

 

E cada um de nós o recorda e o respeita.

Ele ficou!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 01:59

Nove anos depois…

Sábado, 13.06.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.841 – 13 de Junho de 1986

 Nove anos depois…

 Era dia 5 de Junho de 1977 quando Elvas perdeu EURICO GAMA.

Então, muita gente como eu, anonimamente, somando as suas parcelas de amargura, demos corpo à amargura da cidade.

 Eurico tinha uma personalidade rica em mas controversa porém, quer os que o entenderam, quer os que o combateram, sabiam, e não se negavam a afirma-lo que – perdendo-o Elvas, perdia um admirador convicto e fiel, um investigador devoto e reverente, um filho de raiz, que sem descanso entre a poeira dos tempos e as traças dos arquivos catava minúcias, investigava, indícios por mais ténues que fossem para que nada faltasse ao brilho da imagem que ele paulatinamente ia compondo – da sua amada terra natal.

 

Avaliando então a vida desse “Gama” – que partia …

-- Lembro-me de ter pensado que tal como o “Gama das Descobertas” – também este Gama dos nossos dias, passara a vida embarcado no sonho de engrandecer com o seu trabalho, com o seu estudo, com os seus livros – a terra em que nascera. Depois – lembro-me ainda de ter desejado que alguém quisesse e fosse capaz de agarrar o facho que só a morte lhe retirara das mãos e prosseguir a obra que lhe preenchera a existência…

 

Aconteceu agora que, nove anos após o seu desaparecimento, coube à Câmara, a que dou contributo, cumprir o seu último desejo e recolher em sala própria o valioso legado desse Homem que – como outros – “ por obras valorosas se vão da lei da morte libertando”.

 

E, se é verdade que nos falta mérito para continuar os seus trabalhos – já nos conforta integrar a Câmara que dá à Cidade, que serve, a oportunidade de homenagear a sua memoria e agradecer à sua viúva – Senhora Dona Maria Amélia Gama – a inteligência e a generosidade com que se despojou de móveis e lembranças pessoais para que se preserve, através dos tempos, uma imagem mais verdadeira de seu marido.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 17:35

De visita

Domingo, 15.02.09

Jornal O Despertador

Nº 228 – 5 Março de 2008

A Visita 17

 

De visita, aqui estou mais uma vez, para dois dedos de conversa, que hoje, tem que ver com um assunto que diz particularmente respeito à nossa cidade.

 Numa destas noites em que a insónia me atormentava, para ajudar a queimar horas, liguei a televisão.

A minha primeira reacção foi de espanto pela qualidade de alguns assuntos que vi tratar fora de horas, quando no horário dito nobre, por vezes o enfoque vai para cada rubrica que nem lembraria ao mafarrico.

 No programa – Mundo das Mulheres – o tema, era: - Livros de A a Z. Não reparei se era repetição, mas porque a conversa, era precisamente – bibliotecas, arquivos e seu funcionamento, fiquei atenta aos depoimentos dos vários intervenientes. Um deles, um sociólogo – Dr. Jorge Martins a certo passo, afirmou: “- uma biblioteca ou um arquivo sem técnicos é como um hospital sem médicos”

Biblioteca Municipal de Elvas - Sala Eurico Gama

 

Achei a comparação bem pertinente e veio-me à lembrança a queixa de desconforto do Dr. Rui J. a quem ao visitar (muito recentemente) em missão de estudo o Arquivo em S. Francisco, foi dito para consultar o arquivo de Lisboa, porque – em Elvas – de Vitorino de Almada – nada consta!!!

Claro que, quem lá estava, não sendo “médico” nem sequer enfermeiro seria. Eram apenas O.M.T.J...a quem a muito boa vontade de que disponham não supre o desconhecimento.

Como se vê, nem só no Hospital faltam valências...

 Reconheçamos, que entre o espalhafato para inglês ver, e, o amor, o respeito e o entendimento que se tem, ou não tem – de verdade – pelas causas, há uma grande distância.

                    Arquivo do Intermat

Fiquei, ao ter conhecimento de MAIS (há tempo fui procurada em minha casa para ajudar sobre outra pesquisa, também inviabilizada no Arquivo, e a que pude valer com um trabalho da Professora Dra., Maria Augusta Barbosa e do Senhor Cónego Alegria, editados na Câmara de João Carpinteiro) este incidente a pensar na defesa que foi necessária para manter o arquivo em Elvas quando em 86, se sucederam as arremetidas para o tirar de cá. Luta, de defesa já mantida, também, por Câmaras anteriores.

Foi, então, que citando Eurico Gama, no prefácio da sua obra. –“Catálogo Dos Livros Paroquiais Da Biblioteca Municipal de Elvas” – Eurico Gama – o Homem – cuja sala (feita a seu pedido com os 6.ooo livros que deixou à cidade) – agora foi desfeita, que se conseguiu, o milagre, de o Arquivo ficar em Elvas de vez.

Que mais não fora – por isso - a sua memória deveria ter merecido desta Câmara uma atitude mais justa e respeitosa.

Mas, como as coisas vão, ainda me sujeito a, ser eu, acusada e presa por tráfico de influências, dado que estou citando ajudas de outros, em defesa do meu pensamento!

Talvez este não seja um tema muito pacífico para visitas, mas...

Quando tudo muda tão rapidamente que já são as mulheres que carregam os andores nas procissões, que sejam ainda as mulheres a lembrar a quem, e como, de que forma, está entregue e é respeitado, o testemunho histórico da cidade...

Até sempre

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:38

Eu venho para dizer: “ Se…”

Quinta-feira, 07.08.08

Jornal de Elvas

Nº 2.056 – 15 de Fevereiro 1968

Ano 43

Director e Editor – Major José Baião

 

 

 

Com este titulo, a propósito duma missiva enviada “ao Diário Popular” pelo nosso colaborador Sr. Eurico Gama, Director da Biblioteca Municipal, carta que foi premiada e depois publicada no Jornal de Elvas, de 1 do corrente, insere aquele diário da tarde uma carta que, com a devida vénia, passamos a transcrever, para os menos avisados, que o Viaduto denomina-se da Nova Porta de Évora.

Sobre Elvas, o Eurico Gama disse:

“Mas…” Eu venho dizer: “Se…”

Se o Eurico tivesse falado no desenvolvimento extraordinário do comércio, a ponto de ser necessário fechar ao trânsito de veículos algumas ruas da cidade em horas de maior movimento…

Se tivesse falado nas pousadas, instalações hoteleiras e citando a doçaria…

Se tivesse lembrado o fabrico de conservas de tomate, ameixas, azeitonas, pimentão…

Se tivesse contado que se construiu uma escola técnica, um palácio da justiça, uma cadeia, instalações novas para dois bancos, edifício próprio para o Centro Recreativo – tudo isto, e também o que o Eurico Gama disse, em menos de vinte anos.

Se não tivesse esquecido o viaduto Duarte Pacheco…

Se tivesse confessado como são “lutadores” os dois jornais da cidade…

Se tivesse citado a beleza do novo Colégio Teresiano – “á mon Avis” – MAS… o grande MAS que “tira a vista” ao indispensável liceu…

Se tivesse tido a imodéstia de falar na obra dele, com publicações a historiar tanta coisa que dormiam, as conferências, exposições, agora os colóquios com que fomenta e mantém a actividade intelectual de Elvas, e tivesse acrescentado ainda como se bate pela praça de toiros…

Enfim! Se o Eurico depois dos seus “mas…” tivesse dito Sim!

Venham, que muito já se fez, e por mais se luta sem enfado, eu não escreveria esta carta.

Visite, sem hesitações, e admire, ensine a admirar uma cidade que é bela, limpa e progressiva.

 

Maria José Rijo

 

#####

TEM AGORA A PALAVRA O NOSSO COLABORADOR E AMIGO

Sr. EURICO GAMA

 

No “Diário Popular”, do pretérito dia 7, foi publicada uma outra e interessante carta acerca de Elvas. Assina-a a distinta poetisa, D. Maria José Travelho Rijo, que nela faz a apologia do progresso verificado na nossa terra nestes últimos vinte anos.

Pela nossa parte concordamos logo com a transcrição da simpática missiva, embora o nosso ponto de vista na carta que enviámos ao “Diário Popular” tivesse sido algo diferente: sem esquecer o que em Elvas se tem feito (e não havia necessidade de estar a pormenorizar), pareceu-nos mais acertado, mais conveniente, focar o que falta, apontar o que não temos e andamos a pedir há um ror de tempo: o Mercado, o Matadouro. O Liceu, o Turismo, o Quartel para os Bombeiros, a Praça de Touros, os telefones automáticos, etc,.

E quanto a Elvas, cidade limpa, foi, foi…

Não quero, porém, que me considerem desleal, que nunca fui para ninguém e muito menos para uma Senhora, por isso me pareceu muito bem, que o “Jornal de Elvas” publicasse igualmente a gentil carta de D. Maria José Travelho Rijo, Senhora que muito prezo e cujo espírito culto bastante admiro, e a quem testemunho o meu melhor Bem haja pelas palavras, imerecidas, com que se refere à minha humilde pessoa.

 

Eurico Gama

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:31

Saber escutar

Segunda-feira, 28.01.08

Ninguém me tira da cabeça que as coisas falam!

- A cada um de sua maneira! – Concedo. Mas, falam!

Entra-se numa casa, olha-se um objecto com interesse, ou apenas curiosidade e alguém esclarece: - É, ou era, de Meu Pai, ou de minha Avó! Logo cada um de nós só por isso, “sabe” e “ouve” qualquer coisa sobre alguém que poderá até não ter conhecido. Só por um silêncio, um sorriso, ou apenas, uma entoação particular de voz, ou um olhar, se percebe o diálogo íntimo que há entre cada objecto e a pessoa que o usa ou o conhece.

Saber ouvir, saber escutar, parece-me importante para se poder estabelecer laços de alma, parentesco de amor, com a vida à nossa volta.

Andava a pensar nisto a propósito de Elvas e da “tentativa de agressão” que a ameaça.

Elvas é uma cidade viva. Um corpo inteiro, que para ser “operado” – “amputado” ou “enxertado” tem que dar ou recusar o seu próprio consentimento.

Elvas, decide, sobre Elvas: porque Elvas fala, pensa, ama, sofre, trabalha, respira e vive pela boca, pela cabeça, pelo corpo, pelo sangue da sua população.

Elvas é mãe da sua gente – que a terra onde se nasce é mãe também – (diz o poeta).

Elvas canta e chora, orgulha-se e envergonha-se, com o que nela ou com ela, se passa. Elvas tem coração.

      Elvas tem amigos que a conhecem e enaltecem.

Já D. Diniz em 1334 assim dizia: 

                       “ eu por fazer mercê ao concelho de Elvas,

                por que elles ham gram coraçon para me servir…”

 

De Elvas disse António Sardinha em “ de vita et moribus”:

           “ Com seus baluartes, as suas torres, os seus eirados e

                o seu Aqueduto, Elvas é para o caminheiro que passa,

               um apelo súbito às energias mais fundas da nossa

                          sensibilidade “

Eurico Gama conta nas suas “crónicas de Odiana” que lera no jornal

“O Século” – escrito por pena responsável:

               “Elvas é um poema épico que não pode ler-se sem coração”.

E, conta mais. Conta que, de Azinhal Abelho, se gravou em pedra

    esta legenda:

           “Quem passou por ti, Elvas cidade que te marcou

                         com siglas e com chagas?”

E, depois de mais algumas citações, remata com toda a força da sua paixão por esta cidade que amou e serviu como filho dedicado, que sempre soube ser:

              “Vinde, pois, a Elvas, todos os portugueses, e sentires

                       mais ainda orgulho de o ser”.

Depois disto haverá quem duvide que o velho manuscrito onde se lê:

                   “Chave defensa escudo

                    Sou do reino lusitano

                   Freio sou do Castelhano

                     Elvas sou e digo tudo “

 

Tenha sido ditado pela própria cidade e mandado escrever pela mão de alguém, com alma bastante, para entender e traduzir para a linguagem de toda a gente – a voz dum passado de honra e glória – que nos cabe defender – e que cada pedra repete a quem a olhe e saiba escutar? ….

 

Maria José Rijo

 

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Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.752 – 14 de Setembro de 1984

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fotos do blog -->  http://olhares-meus.blogspot.com/

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:06

“Promessa é dívida – daqui não há que fugir”

Quinta-feira, 03.01.08

Frente à profusão de papelada que me vou esforçando por compulsar…

Frente a tantas pequenas empreitadas que se adiam, nos pesam, por essa razão, na consciência e nos acrescem a desconfortável sensação de que o tempo nos falta para o que sonhamos empreender…

Lembrei-me hoje, mais uma vez, de uma frase de Eurico Gama.

Aliás, já na nota de abertura que escrevi para a sua “Monografia Resumida” – Elvas Rainha da Fronteira – publicada aquando da inauguração da Sala da Biblioteca a que foi dado o seu nome em 1986 – tive a ocasião de a referir:

“A Vida é tão curta e eu tenho ainda tanto que fazer…”

Confidenciou-me então, sua mulher a saudosa Senhora Dona Maria Amélia Pires Antunes Gama, que este desabafo que lhe escutara em Portalegre – para onde fora tratar-se e de onde – depois, já foi trazido para esta sua muito amada terra – abrangia, também um desejo em que ele se empenhava havia anos; - Fazer entrar na Biblioteca Municipal os manuscritos (9 grossos volumes) que narram a história genealógica dos Vasconcelos de Elvas…

Foi assim, pelos custos da amizade e confiança em mim depositadas, que herdei o sonho de Eurico Gama para que eu continuasse o que prometi.

-Promessa é dívida. Daqui não há que fugir.

Eis porque, de 86 para cá, tenho vindo a esforçar-me para honrar o meu compromisso.

Cessação de responsabilidades políticas, não invalida a responsabilidade que advém da palavra empenhada.

Assim, que, consegui que me fosse reafirmada a oferta, já antes, prometida a Eurico Gama, pela possuidora dos documentos.

Foi-me também afiançado ter sido o Senhor Doutor Silvestre incumbido da sua entrega logo que localizados.

Até que um dia, tive conhecimento pelo meu muito respeitado amigo – Senhor Semedo – do achamento da dita documentação entre o enorme espólio da benemérita Senhora, que, entretanto falecera.

Averiguei do atraso no cumprimento do estabelecido e acatei, não muito a gosto, a demora da sua entrega à Biblioteca, sua legítima herdeira, pois que, sendo tão altamente interessantes eles haviam despertado a curiosidade de os ler ao ilustre interveniente no processo.

Por capricho do acaso, esta mesma informação me foi confirmada pelo próprio Dr. Silvestre à porta da Igreja do Senhor Jesus da Piedade, onde tive o gosto de o cumprimentar.

Ora, não é que hoje, pensando naquele conhecidíssimo: poema: “O passeio de Santo António” dei comigo a sorrir pensando que eu fora o Santo, se calhar, a minha queixa a Nossa Senhora não seria pela curiosidade do Menino Jesus…

Só que, não tendo eu, assim acesso ao céu, não admirará – julgo – que se nalguma das minhas voltas encontrar por aí, o Senhor Dr. Silvestre, como, até, já aconteceu – para além da alegria de o rever, eu comente:

           -- Valha-nos Deus, Padre!

               Que devagar que o Senhor lê!

 

                                Maria José Rijo

 

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Jornal linhas de Elvas

Nº 2.257 – 15 de Julho de 1994

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 11:00

A Fé e o Culto

Quinta-feira, 15.11.07

 

Talvez a fé e o culto sejam complementares.
Talvez!

 Mas não necessariamente, em públicas manifestações exteriores.

Se a fé for sentida como a crença íntima, a força anímica de uma vida, e o culto for a sua manifestação exterior, quase concluiríamos que sem essa exteriorização não haveria fé o que, convenhamos não tem qualquer fundamento de verdade.
A fé é um sentimento intrínseco da alma, e, dela indissociável, se for autêntico. Então toda a vida da pessoa de fé, em todos os seus actos e atitudes dão disso testemunho até, e muito principalmente nos mais pequenos e insignificantes gestos.
Porque toda a sua vida é um acto de culto, uma oração.

Todo o seu caminho, todo o seu rumo é um esforço individual na procura do que - Crê – conduz ao almejado destino - o regresso ao Criador.
É erro pensar, julgo eu, que oração é apenas reza feita de palavras que prometem intenções, preces e lamúrias.
A oração é, muito principalmente – atitude. Acção.
Já o culto, em si, pode ser apenas exibicionismo, alarde, sem corresponder a qualquer sentimento autêntico de fé.
Pela fé morreram e morrem os cristãos.
Pela fé se suportam e sofrem injustiças e perseguições.
Mas, pela fé se luta para viver em sã consciência.
Quem acreditar que o pensamento dos homens registado em livros é – também - um bem deste mundo que com convicção, nos cabe defender, a sua obrigação, a sua oração – na

circunstância - é o dever de proceder em conformidade com aquilo que a sua consciência lhe impõe e mesmo obscuramente, cumpre.
Não pode, nem deve, estar à espera que se organize uma procissão que o leve em triunfo ou um banquete que aglutine multidões para que o vejam a exercer um dever - que descurou - anos e anos a fio, e, só cumpre à luz de holofotes e palmas em jeito de exibicionismo charlatão de quem a si próprio se cultura e despreza a verdade e o rigor a seu belo talante!
Essa, é em substância, a diferença que separa o alarde da autêntica fé.

                       ((  Sala Eurico Gama ))
Então:
Quem tivesse publicamente assegurado que um determinado trabalho não era prioritário, e tivesse retirado o pessoal que continuava a honrosa tarefa que outros antes tinham iniciado... e tivesse assim dado oportunidade a que alguns exemplares dessa riqueza tivessem desaparecido, pelo uso desprotegido, ignorante e desmazelado desse santuário, não viria quase vinte anos depois fazer, alarde público, mesmo que seja da remodelação duma nobre e bela Biblioteca – e, digo bela - porque é verdade e a verdade respeita-se e reconhece-se – quando os “santos” de culto andaram sabe Deus como e por onde! Tanto que alguns nem voltaram a casa... como oportunamente se registou – até - em jornais ...
Nem viria falar em pormenores de segurança – sem assumir - ter exposto aos azares da sorte em reuniões, descabidas - e incontroláveis – em tal espaço - os bens que agora em “publico acto de culto” assegura proteger , amar...e perigaram abandonados sob a sua responsabilidade.
Também não destruiria “a sala onde se preservavam como seu derradeiro pedido e vontade” as memórias legadas por quem fez do Amor à sua cidade o culto duma vida inteira.
Até em Fátima não se destruiu a “Capelinha” das aparições para construir a Catedral...
Fez-se o que a Fé impõe a quem a sente e respeita: incorporou-se.
A não ser que esteja na forja o
“Museu Eurico Gama” com todos os pertences por ele legados à cidade de Elvas e

depositados na antiga Biblioteca por sua viúva a Senhora Dona Maria Amélia Gama - em sala própria, conforme última vontade de seu Marido - há coisas que não se entendem...
Porque numa cidade onde o excesso de “Lembretes” do mesmo autor já chamou - pelo ridículo - a atenção de todo o país só se completará a história com o “museu da lembrança” do que se apagou para escrever outro nome por cima – sempre o mesmo - como se a história começasse em si e depois viesse o apocalipse!...

Como se os elvenses fossem acéfalos, ou imbecis sem eira nem beira, nem discernimento...


     
Honra à memória de Tomaz Pires que - desde 1880 até agora -tinha o seu nobre nome, que se pretendia imortalizado pelos seus contemporâneos, na parede do seu extinto Museu.
      Honra à memória de Eurico Gama, filho ilustre desta terra a que legou - com a sua preciosa biblioteca - o mobiliário modesto do seu gabinete de trabalho, testemunha muda da sua vida dedicada à glória e ao engrandecimento desta nossa cidade – e está agora reduzido a gavetas como se no cemitério do esquecimento o tivessem sepultado de vez!
     
[Oxalá os seus pertences não tivessem engrossado o “lixo” que à porta da Biblioteca tanto atraiu e “regalou”, até turistas espanhóis como a última bandeira da Monarquia que o Museu preservava...]
      Honra a ELVAS – cidade mãe de Heróis e Santos.
      Honra e glória à cidade que ao longo da História resistiu a vis cobiças, vaidades, cercos, saques e batalhas e sempre se reergueu vitoriosa pelo braço corajoso dos seus honrados filhos.

 

                               Maria José Rijo

@@@@@@

JORNAL LINHAS DE ELVAS - Conversas Soltas

Nº 2.943 – 15 de Novembro de 2007 

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publicado por Maria José Rijo às 18:44





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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