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As lembranças do Forte da Graça

Sexta-feira, 27.11.15

MARIA JOSÉ RIJO 

conta as suas lembranças, as Memórias  do Forte da Graça

http://fortegraca.aiaradc.org/estorias-do-forte/

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  (( 1933 - 2015 =  82 anos ))

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publicado por Maria José Rijo às 21:59

Afinal – a Expo começa aqui!

Domingo, 07.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.397 – 11 –Abril – 1997

Conversas Soltas

 

   Alameda dos Oceanos e vulcão de água - Expo '98 - Lisboa, Portugal

Naquele dia da passada Páscoa – já nem sei qual – havia um ventinho esperto que soltava a areia do chão e a atirava pelos ares.

Voltei então as costas ao mar meti – me em casa e abri a televisão.

O Professor Hermano Saraiva, com o seu jeito de quem muito sabe mas, não resiste ao acrescento do sonho nas realidades históricas que narra – falava da Expo 98, de Vasco da Gama, da Vidigueira, de Sines, de Évora e de todos, quantos, por via da tal Expo, andam a polir seus títulos e brasões.

Interessei-me vivamente.

Aliás, não sei de quem resista ao “charme” do historiador com a sua maneira cordial e apaixonada de transmitir saber e, de repente, pensei:

- Então se tudo na Expo 98 se passa em torno do mar e das Descobertas...

- Então se a figura maior é o grande Descobridor...

- Então se Sines se prepara afanosamente destapando pedras, catando vestígios, escarafunchando pistas de tudo quanto possa servir para erguer do passado um rasto que conduza ao reconhecimento do que foi a presença de Vasco da Gama naquelas paragens...

                 

- Então isto e mais aquilo e etc, etc, etc, etc. ...

- Então Elvas – porta principal de quem entra em Portugal – vindo da Europa estradas fora...

Então Elvas, não terá uma palavra a dizer?

Ai, a mim, me parece que sim.

E, se tristemente, infelizmente, deploravelmente (e mais quantos expressivos advérbios de modo se possam compor para chorar a agonia do Forte) não se pode, no todo, acudir à nobre fortaleza – que venha trazer, de novo, à lembrança de todos – ouso perguntar:

- Não será possível ainda reconstruir por dentro a capela que Catarina Mendes, bisavó de Vasco da Gama, quando já viúva de Estêvão Vaz da Gama, mandou reedificar nos finais do séc. XIV?

É que, foi por aí, que tudo começou.

É que foi em torno dessa capela votada, por muita fé, a Nossa Senhora da Graça que o forte da Graça ou de Lippe – foi erecto.

E é dessa cepa – é desses Gamas – que descende o universal Vasco da Gama que a Expo glorifica.

Afinal se se quiser destapar um pouquinho a história – se se limpar o caminho de modo a honrar o espaço referido, mostrando-o com dignidade que, por direito, lhe cabe...

Afinal...

Afinal, não é exagero afirmar que:

A Expo começa aqui!

 

 

 

Maria José Rijocats cat brazil brasil rio gato gatos animal namoroouamizade

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:53

Reflexão sobre Liberdade

Sexta-feira, 06.07.07

http://olhares-meus.blogspot.com/

Forte de Nossa Senhora da Graça - de Elvas

Todos os anos, pelo 25 de Abril, se repetem as entrevistas, aos resistentes ao regime de Salazar, que ainda vão restando.

Como sempre aparece o escritor Baptista Bastos e, vê-lo, traz imediatamente à memória a pergunta que é sempre recordada e é tão conhecida quanto a sua obra literária: - Onde estava você no 25 de Abril?

Então pensei, que se me fora dirigida a mim, poderia responder que estava na lista dos “proscritos” de Elvas, logo imediatamente depois do nome de meu Marido, e onde também, estava entre outros mais, o nome do fundador do jornal Linhas de Elvas -  bastião da luta contra a ditadura – Ernesto Ranita Alves

 

( Também a coragem e a postura de coerência e dignidade se herdam!)- Parabéns João Alves!

                       

O crime era crer que quem não é por nós, não é forçosamente contra nós, mas, simplesmente, diferente de nós!

Portanto em 1962 , já estava  - aí – quero dizer – aqui - no culto da Liberdade, aceitando os riscos daí recorrentes, e que não foram poucos.( como ainda hoje, ao que se constata, nalguns casos, pode acontecer).

Todos temos que procurar a razão e o rumo da nossa Vida.

É isso que tento fazer com serenidade e responsabilidade.

Preocupam-se comigo pessoas que me querem bem e, pedem que cale a minha opinião para não sofrer incómodos a que fico exposta, até porque estou só! - Não posso aceitar tal postura.

Sabemos que o povo ensina: “ Com teu amo não jogues as pêras”

Se o meu Pão dependesse de quem oprime, talvez tivesse que me curvar como outros são obrigados a fazer porque ninguém é tão inconsequente que possa arriscar a subsistência das suas famílias.

Não sendo esse o meu caso. Estar só é a minha força e, utilizo-a raciocinando em voz alta – porque o risco é só meu – e acredito, que é a pensar e a falar, que as pessoas se podem entender.

Não se pode vencer eliminando o adversário. Convencer é o caminho.

Já não estamos nos tempos do Marquês de Pombal! – (ascendente de dois dos meus sobrinhos bisnetos, que tendo como avô o conde de Vila Praia da Vitória, estão na linha da sua descendência) em sua honra o rapaz tem por nome, Sebastião, e, não se furtaria jamais, por certo, ao peso da memória da destruição e morte dos Távoras, do Duque de Aveiro e das atrocidades contra a Igreja, etc. etc, etc... e, tudo o mais que implicou vingança, em lugar de justiça, - perpetrado pelo seu célebre antepassado!- se não fora, que, talvez contrito, por tão maus feitos, tenha também sido do seu tempo a nobre e redentora atitude da abolição da escravatura.

Ainda assim, em qualquer biografia, lá está o “retrato” severo, do homem que tendo indiscutíveis qualidades de chefia as utilizou da pior forma possível mandando e desmandando com tal prepotência, que nem a ousada geometria, para a época, do traçado da Baixa Pombalina conseguiu, até hoje, apagar a imagem da crueldade com que espezinhou os direitos humanos de quem não pensava como ele e a quem fez pagar com a Vida o “crime” de ter ideias diferentes.

A história é implacável com a memória do sofrimento e da injustiça. No tempo do Marquês se erigiu  na nossa Elvas o Forte da Graça. Poucos o evocam, mas o drama dos Távoras após os mesmos séculos, permanece latente na memória colectiva do Pais. 

Sou uma pessoa de idade, pela graça de Deus ainda consciente e responsável, e como quem pensa pela sua cabeça quer encontrar o sentido da Vida e, se interroga – também me interrogo!

Me interrogo e, me respondo: - Só insulta e grita quem não tendo razão, não tendo argumentos válidos, se refugia na força do murro, da opressão e do insulto.

Todos, mesmo os que pensam e agem diferente de nós merecem o nosso respeito.

Acreditamos que há um só Deus, mas há milhares de seitas e credos, milhares de formas, milhares de caminhos para atingir um mesmo desígnio.

Podemos avaliar à luz da nossa formação e convicções as manifestações exteriores desses percursos. Nunca a autenticidade da fé que os move.

Não há heróis de direita nem de esquerda. Há gente boa e capaz em todos os quadrantes da política e da Vida.

E, é absolutamente lícito e indispensável que, cada qual, tenha espaço político, para assumir em Democracia, as suas convicções. Que lute lealmente pelos seus ideais e se indigne por toda e qualquer forma de repressão por mais encapotada que se afigure. Também o direito á indignação, é uma forma de LIBERDADE.

 

(A palavra do Poeta não é sagrada senão enquanto verdadeira – Brecht)

                                            

                                                         Maria José Rijo.

 

 

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Conversas Soltas

                 Jornal Linhas de Elvas

                 Nº 2.864 – 4 / Maio / 2006

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:22





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