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O GATO PIAS – PERDER E GANHAR - 2000

Quarta-feira, 16.10.19
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.555 de 12- Maio-2000
Conversas Soltas                                                                        

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Perder e ganhar são palavras tão correntes, tantas vezes repetidas a propósito de tudo e de nada que penso valer a pena meditar um pouco nelas.

Afinal, o que é perder e o que é ganhar?

Será que se ganha quando se pode por o pé sobre o peito do adversário deitado por terra, como é de uso ver nas fotografias de caça, mormente se a peça abatida tem peso e tamanho de vulto? Será ?

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Será que alguém se pode considerar vencedor porque dispondo de poder como o caçador dispõe da arma subjuga e cala os adversários, será?

Então se assim é porquê a preocupação permanente de algumas pessoas em aproveitar a propósito e a despropósito circunstâncias de acaso querendo-as transformar em oportunidades - que em verdade não o são , e só colocam mal quem, sem sentido algum de conveniências, exibe o seu mau gosto, falta de educação, e falta de respeito pelos outros - para  exultantes, pisarem no seu semelhante?

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 Será assim tão incontrolável a necessidade de se justificarem perante os outros, sendo, como se fazem crer, tão donos das verdades e das soluções?

Na realidade arrogância não significa segurança, nem certeza de coisa alguma.

Arrogância pode muito bem significar insegurança e medo, esforço irreprimível para abafar a incomodidade da consciência que jamais adormece...

Um vencedor não se define por falar de poleiro.

Nunca será vencedor quem nada acata dos sentimentos dos outros e faz e desfaz obras de outrém só porque detém o mando e quer, e pode, exibir a sua força.

Penso que não serão jamais esses os vencedores.

Vencedor é quem resiste.

Vencedor pode ser quem na aparência perde, mas luta, arrisca, sofre, suporta incompreensões, incómodos, grosserias, sarcasmos soezes, mas não se nega à luta de rosto descoberto.

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Vencedor é quem entra na contenda sabendo que lhe falta a força, o poder, mas não dobra porque lhe sobra consciência dos seus direitos e dos seus deveres, da sua obrigação de não renegar aquilo em que acredita.

 Pensava nestas e em outras coisas. Pensava, porque lendo jornais, escutando noticiários, até vendo novelas, a reflexão se nos impõe.

Apeteceu-me então, o que estou a fazer, chamar a atenção para a maneira como desde sempre, em todos os tempos alguns poderosos exerciam e exercem o poder.

Como a cobiçaa má féa perfídia, se podem dissimular sob falsas aparências Vencer, ganhar...

Só cada qual sabe o que lhe vai no coração. Às vezes, quem morre vencido à luz dos homens é vitorioso à luz de Deus. O contrário também pode ser realidade 

O que não deixará porém duvidas a quem quer que seja -  é que é sintoma de falta de caracter desrespeitar e achincalhar, a despropósito, um adversário vencido como se qualquer espécie de poder elevasse um Homem acima dos outros Homens.

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 Pensava assim quando com um sorriso me ocorreu a história do gato Pias

 Aprendi-a recentemente, mas não a esquecerei por certo.

Expulso de uma ilha grega onde habitava respondeu a quem incrédulo lhe perguntou: (vendo-o sem malas nem embrulhos) - então partes sem bagagem?

“Omnia mea mecum porto” (levo tudo comigo) respondeu sensatamente o gato.

Todos levaremos tudo connosco quando partirmos de vez.        E, tal como o gato não precisaremos nem de malas nem de relatórios, medalhas, condecorações, ou albuns de fotografias das “maravilhas”que tivermos erguido neste mundo.

Apenas e sem hipótese alguma de escamotear - quaisquer que tenham sido os resultados - espectaculares ou nefastos - as nossas mais secretas intenções  estarão sem disfarce possível como nossa única bagagem.

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Levo tudo comigo - trazemos tudo connosco.   Omnia mea mecum porto

Quer em latim, quer traduzida, a frase é curta - vale a pena fixa-la e 

 Medita-la

Vale mesmo a pena.

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Maria José Travelho Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 11:53

Olhos azuis...

Terça-feira, 16.08.11

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publicado por Maria José Rijo às 22:37

A Kika

Terça-feira, 01.06.10

..
A Kika, como se vê, gosta de computadores.
Pedi-lhe que escrevesse uma saudação aos nossos
amigos - deitou-se e ficou a olhar para mim,
com alguma preocupação
 nos lindos olhos azuis.

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publicado por Maria José Rijo às 00:57

Para a História ter sentido

Sábado, 23.05.09

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.862 – 14 de Novembro de 1986

 

 

Numa maneira geral, os desenhos animados contam, a meu ver, histórias cruéis e perturbadoras.

Ás vezes fico a pensar que formação, ou deformação, conseguem “aquelas mensagens” levar ás cabecinhas das crianças.

          

O gato que persegue o rato, acaba sempre com a bomba a rebentar-lhe nas mãos, e fica lastimavelmente chamuscado e ridículo, ou espalmado como chata palmilha, porque cometeu o “crime” de assumir a sua qualidade de gato e o instinto que o obriga a ser atento caçador.

              

O rato, esse ri e esfrega os bigodes na segurança da sua toca subterrânea, como prémio por cumprir o seu fadário de ser rato, roendo, roubando e conspurcando tudo quanto apanha.

Assim que, atingindo ambos as dimensões possíveis das suas vidas – um… é castigado, e o outro dignificado como herói.

        

A não ser que os castigos sistemáticos, que nestes filmes, os gatos sofrem, queriam dizer que se lhes assaca a responsabilidade de ainda não terem comido os ratos todos… isto não se entende!

Um velho ditado popular diz que: “Quem seu inimigo poupa, ás mãos lhe morre”.

Desconheço se o povo da América sabe os mesmos aforismos do que nós, e se o intento é fazerem-nos essa advertência.

Se, por acaso, a finalidade é mostrar que os mais pequenos são os melhores e os maiores são os piores – então os seus rifões não são iguais aos nossos, porque nós sabemos, desde sempre, que: "os homens não se medem aos palmos”.

      

Os ratos, que se saiba, são nocivos e é pouco inteligente que, só por uma questão de dimensões, se ponha a bomba a rebentar nas mãos do gato que justamente persegue o seu natural inimigo … o rato.

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O mais lógico, parece-me, seria pôr o roedor em fuga, em procura de outros espaços, e a bomba na mão de quem a inventou… porque a poderia despoletar com sabedoria. Assim, o gato dormiria uma boa soneca deitado ao sol e os meninos aprenderiam que cada um tem direito ao seu próprio caminho.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:41

É melhor que prevenir…

Terça-feira, 28.04.09

Á LÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.929 – 26 de Fevereiro de 1988

 

 

 Imagem dos supostos bebês de Marzipan

Sabemos todos quanta força tem a imagem para vincular uma ideia.

“Ver para crer” – até um santo o disse!

Quem faz televisão também dispõe dessa sabedoria, e pela imagem, procura elucidar, convencer, “educar”…

De imagens e a despropósito, vive a publicidade, que quando bem orientada, leva até a consumir o que não é necessário.

Penso nestas coisas, porque ali naquele “viver de esquina” após o noticiário e o “santeiro”, se criou um espacinho, muito bem intencionado, para convencer a garota a ir dormir, porque logo, logo a seguir, começa o mundo da noite onde só aos adultos é permitido estar acordado.

        

Só que…

Só que não basta o exemplo de ir para a cama, na horinha certa!...

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Não basta a história, boa, má, péssima, bem contada ou recitada de forma lastimosa, quase incomoda, que por vezes é impingida.

É preciso mais. É preciso muito mais.

É preciso bom senso.

         Hora de brincar!

Principalmente bom senso de quem lida com o poder da imagem.

Vejamos!

-- Quem pode ou deve consentir cães e gatos nos quartos das crianças?

            bébé a dormir em ciam do cão

-- Quem pode ou deve consentir que cães abocanhem brinquedos que depois as crianças irão manusear?

-- Quem pode consentir que as crianças brinquem e afaguem os animais de casa, e logo se deitem sem sequer lavar as mãos?

Evitar Mordeduras

-- Quem pode consentir que o menino ou menina, já com a roupinha de dormir, se rebole pelo chão com o cão, com o gato ou, apenas, sobre o rasto das solas dos sapatos?

                

-- Enfim! – Estas questões e outras põem-se tanto às consciências dos adultos responsáveis que, daqui a pouco, teremos que prevenir:

               

-- Vá! – Meninos, tudo para a cama antes que venha aí o programa que vos é dedicado.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 00:08

Gato escondido

Segunda-feira, 02.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1726 – de – 16 de Março de 1984

  

Aparece as vezes nos ecrãs da nossa televisão, uma televisãozinha insinuante, patusca, como uma piscadela de olho que nos queira conquistar…

Faz-se pequenina, doce como a EDP quando nos brinda com o seu recital de conselhos e mezinhas…

… Barragem vazia… menos energia!...

… E porque não?:

Fica de barriga vazia – mas paga a energia?

-- Quem há por aí que não tenha já avaliado o “amor” que nos têm, quando depois de meses sem cobrança regular, - aparece o “saque” que dá o golpe de misericórdia no agonizante orçamento da maioria das famílias portuguesas?

-- Quem não sabe como são “eficientes” e em “conta” os seus serviços, muito principalmente se lhe calhar estar na cadeira do dentista ou ficar fechado num elevador, porque a luz que custa os olhos da cara, nos deixa perplexos no escuro, sem aviso, sem desculpa, sem respeito, quando lhe calha e sempre impunemente?

-- Quem não sabe que com a luz se paga taxa de rádio, ainda que o contador seja só da escada do prédio ou da garagem?

      

-- Para quê agora esta televisãozinha tão ingénua, coitadinha?!

Tão desamparada a pedir a nossa intimidade?

-- Quem não vê o “rabo de fora”?

-- Delegados concelhios? – e porque não delegados de bairro, de paroquia, ou de rua?

-- Porque não um prémio de “arreganhar a tacha” para quem denunciar o vizinho em falta, o amigo, os próprios país?

E tempo de parar com o culto da rasteira, da perfídia encapotada. Nós já pagamos tudo e de tal maneira que, qualquer dia, com a taxa da água virá a da televisão e então, será assim:

 

Quer ter água e luz em casa?

TV e Rádio – o que acha?

Não tem? Não pode comprar?

Deixe lá! Já paga a Taxa.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:52

Direita e esquerda

Domingo, 11.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.843 – 9 – Dezembro - 2005

Conversas Soltas

                  

Não! – Não vamos marcar passo.

Não vamos, até porque é isso que já estamos a fazer há muito tempo com esta querela ridícula de: - tu não prestas porque és de direita e tu és magnífico porque és de esquerda; ou vice-versa porque a recíproca também é verdadeira.

Não são os partidos que fazem as pessoas boas ou más, honradas ou sem vergonha.

As pessoas é que formam os partidos e, assim, quer de direita quer de esquerda comportam, uns e outros, gente capaz e gente incapaz. Idealistas e oportunistas, gente altruísta e gente egoísta...

Gente capaz de grandes causas e gente que só põe em causa o seu próprio umbigo...

                       

E, sempre assim será, não tenho dúvidas.

Porque se assim não fora bastavam os dez mandamentos, ou até só um: - ama o próximo como a ti mesmo – e tudo estaria resolvido.

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Ora, como Portugal, em território, relativamente à Europa é como que um pequeno quintal onde se podem molhar os pés no mar por toda a costa, todos nos encontramos aqui ou ali, e nos conhecemos e identificamos muito bem.

Sabemos dos gostos, das manias, das fraquezas, das qualidades e defeitos que mostram e também das que escondem os nossos políticos e temos portanto o nosso juízo formado, de tal modo que quando começa o blá-blá-blá das “farturas” - do vota em mim que eu é que sou bom “como o caraças”- muitos de nós procuramos outra estação para ver se encontramos o tal “caraças” para lhe oferecermos o voto.

Só que o “excelso caraças” é um mito como já se viu num outro concurso, mas esse de música e sonoros garganteados de timbres diferenciados.

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Assim desprotegidos de míticos heróis salvadores, temos cada um de nós de intimamente decidir qual a pessoa que nos parece mais capaz e fazer a escolha do “goleiro” mais hábil seja do Porto, do Benfica, do Sporting, do Cabeça Gorda ou do Alcantarilha...

 

Não sei se a alguns passou despercebida a bonita história de uma gata tigrada chamada “emily”.

Anamí (Pequena) por Laura Nah Cattani.

Como todos os felinos da sua espécie, emily, é curiosa e aventureira. Então numa das suas escapadelas foi vasculhar um contentor carregado de papel. Levou a sua investigação tão a fundo que os operários fecharam o contentor sem dar conta da intrusa.

E, aqui vai ela de viagem por navio até França e depois Bélgica onde acabou por ser encontrada e identificada pela direcção que tinha inscrita na coleira. Tratada da desidratação e alimentada a preceito, após um mês de ausência regressou ao seu país e aos seus felizes donos, em viagem oferecida, de avião e em primeira classe.

              É um episódio ternurento destes que os homens – que geram guerras e genocídios – também - são capazes até para proteger uma gatinha aventureira e de que todos tomamos conhecimento com um sorriso bom no coração.

                     

Claro que ninguém sabe se este gesto foi de gente da direita ou da esquerda e ninguém perguntou a filiação partidária aos autores da proeza, como é óbvio!

Interessa o que foi feito e bem feito e deixou feliz a criança que no aeroporto esperava – Emily – com um aconchegante abraço de mimo e felicidade.

 

 

Maria José Rijo

Anamí (Pequena) por Laura Nah Cattani.

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publicado por Maria José Rijo às 15:24

Evidentemente...

Sábado, 22.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.901 – 18 – Janeiro – 2007

Conversas Soltas

.

 

Evidentemente que quando se ouve dizer, como eu ouvi, num noticiário da televisão, que os doentes que chegam subnutridos aos Hospitais são um problema porque custam muito dinheiro ao Estado...

Evidentemente que, enquanto se falar de subnutrição, avaliando-a – apenas - em termos económicos...sem fazer o seu estudo como enfermidade social da nossa responsabilidade...

Evidentemente que quando se consegue dar, como natural, sem pudor e sem vergonha, uma notícia destas traduzindo-a em custos, como se a Saúde ou a Vida, tivessem preços de saldo... 

           

Evidentemente que enquanto for seguida esta política de saúde, o aborto é um direito de escapatória às responsabilidades que – também – pode advir do exemplo de desresponsabilidade que o Estado a todos oferece.

Evidentemente, que o aborto, pode ser, infelizmente, tão necessário, como ter que amputar um membro para sobreviver, ou qualquer outra cirurgia que faça morrer qualquer parte do nosso corpo – para nos preservar a Vida.

Evidentemente!

Evidentemente que a lei actual, já pondera casos em que se justifica a sua prática

Mas...                       

Se assumimos que a escolha entre o sim e o não – generalizada - pode ser nossa através da oportunidade que nos dá esse acto cívico que é o referendo. Se assim o assumirmos...

                       

Recolhamo-nos ante a grandeza do Amor verdadeiro.

Do Amor responsabilidade.

Do Amor cumplicidade.

Do Amor sacrifício.

Do Amor devoção.

Do Amor compromisso.

E pensemos com humildade de consciência que valores queremos legar a quem tem que enfrentar no futuro as consequências das nossas decisões – de agora.

Não tratemos o desejo sexual como Amor.

Não confundamos sentimentos com instintos.

                     

O Amor é um sentimento imenso, profundo, não é uma atracção ligeira que se substitui a cada passo por outra.

 Se bem que o sexo, seja no amor uma forma de expressão de afecto, de comunhão de sentimentos, de entrega, O AMOR – é: (como escreveu RILKE em Cartas a um Poeta): “a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado. É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado para mais vastos horizontes.”

                 

Será, então, justo promover a idolatria do sexo onde o que importa é o prazer sem compromisso e sem responsabilidade?            

 Será lícito reduzir a mera pornografia a relação sexual entre o homem e mulher?

Será lícito o aborto como solução fácil, como borracha que apaga os efeitos, como fuga à responsabilidade? – Será?

Ou será moralmente mais coerente, e politicamente mais honesto criar leis que implementem a educação sexual, protejam as grávidas e co-responsabilizem também os pais, já que é -sempre- entre pai e mãe que o filho é gerado.

Será que já não é por demais evidente que o aborto, é e será sempre um caso de consciência, um problema individual, para o qual não pode haver leis exteriores? – Como não há para o suicídio. São decisões de foro íntimo, de sanidade ou insanidade mental, de integridade moral, de dignidade e de coragem ou de medo na assunção das consequências dos actos praticados.

“ Tremes carcassa vil; mais tremerias se soubesses onde vou levar-te!” disse a si próprio um rei que assim controlava o medo de ir para a guerra onde o dever o impelia a ir e , mesmo tremendo, foi.

The Ironworkers Noontime - Thomas Pollock 

Será que os economicistas que certamente já deitaram contas em dinheiro a quanto vai custar cada aborto, alguma vez pensaram quanto custa em sequelas psíquicas, em deformação psicológica, meter na rotina o aborto como um - licito - acto trivial?

Não seria mais lógico e mais humanamente honrado, em lugar de submeter as mulheres à trágica humilhação do aborto, “educar” um Estado, que promovesse a cultura da Vida e desse o exemplo da coerência e da responsabilidade?

Penso que sim.

               natal_anjos01.jpg

Tinha este apontamento escrito desde antes do Natal. Tinha, e ponderava a sua publicação, ou não.

Ontem, dia 13 de Janeiro de 2007, no noticiário das 20, vi o Dr. Jorge Coelho, e ouvi da sua boca, mais ou menos o seguinte, como argumento a ter em conta para o sim ao aborto:

“Não é justo que as mulheres que abortam sejam julgadas e a decisão de serem mandadas para a cadeia dependa da boa ou má disposição dos juizes!...”

Claro que não reproduzo a frase “ipsis verbis”, porque interpretação de justiça tão “sui generis” me confundiu! - Porém, no seu todo, a citação está correcta.

Jorge Coelho, disse isto sorridente.

Seria humor? Se assim era, aconselho-o: - aprenda a fazer humor inteligente com “o Gato Fedorento”, e escolha temas capazes de fazer rir! - Porque, atrevo-me a pensar que – até, qualquer estátua da porta de qualquer tribunal de justiça, ficaria hirta de pedra, com a graçola, se já o não fosse...                   

Decidi então, publicar o que, há tempos, havia escrito.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 11:20

A partida das andorinhas

Quinta-feira, 08.11.07

“Uma velha tinha um gato, debaixo da cama o tinha. O gato miava, o pinto piava e a velha dizia: mil raivas vos persigam – que não vos posso aturar!”

Não! - Não é a velha história!

Esta é diferente.

Eu tinha um gato. - Até aqui coincide. No resto é completamente distinta esta narrativa.

O meu gato chamava-se Picolino e era filho da gata Bambina.

Ambos eram de boa estirpe. Casta apurada.

Eram persas, mas exprimiam-se no idioma universal dos felinos. Miavam.

Noutras ocasiões, davam marradinhas nas nossas pernas, pulavam-nos para o regaço e, mesmo sem miar a gente entendia o que eles queriam fazer entender.

Não é que as pessoas falem língua de gato ou de cão.

Não, não é isso.

A verdade é que quando as pessoas assim o pretendem, todas são capazes mesmo sem palavras, de falar e entender a linguagem do amor.

Mesmo que seja do afecto por um animal de companhia.

Ora, naquele dia em que as andorinhas irrequietas esvoaçavam, treinando o voo da partida, fugindo ao frio, rumo à rota das temperaturas amenas, tendo eu as janelas abertas de par em par, para não perder aquela bela mensagem do Outono a instalar-se entre nós, percebi que o meu gato estava impaciente porque queria cuidar de si e, eu, andando de um lado para o outro não lhe dava paz.

Ajeitei uma pequena poltrona no vão da janela, acomodei-me nela com gosto, agarrei nas meias que tinha para cerzir e, por ali me quedei, gozando a bela tarde daquele dia, agora já bem distante.

Ainda se cerziam meias! - Veja-se! a que distância no tempo isto aconteceu...

Então o meu gato que gostava de seguir os meus passos como uma sombra silenciosa sentou-se no chão, bem na minha frente, e começou a lamber as patas e a esfrega-las pelo focinho, lavando as orelhas e penteando os bigodes com a delicadeza e a suavidade que caracterizam os movimentos de um gato bem disposto, que se presa!

Eu olhava-o apreciando como são elegantes as atitudes dos gatos. Como são meigos e mansos quando descuidados e confiantes e pensava como são ardilosos, falsos e agressivos, se por qualquer razão se tornam desconfiados.

Então toda aquela doçura se esvai, arqueiam o lombo para parecerem mais volumosos, eriçam o pêlo, silvam como serpentes, acendem chamas nos olhos e, as tais patitas almofadadas de pelúcia e cetim desembainham como lancetas afiadas, as suas unhas retracteis capazes de cegar, ou ferir, qualquer incauto.

Ora acontece que enquanto eu assim pensava, olhando-o, o meu gato se apercebeu, talvez por algum chilreio de tom mais elevado do esvoaçar das andorinhas tão ansiosas que pareciam recear esquecer-se de realizar alguma tarefa importante.

Penso que elas andavam num difícil trabalho de contagem, dificultado pela irrequietude das componentes do bando. Por certo, seria isso.

Então, de repente levantaram voo dos fios dos telefones onde se passavam estes ensaios que referi, e, a pouco e pouco foram desaparecendo do meu horizonte.

Mas o curioso da história é que foi através dos olhos do meu gato que eu presenciei a partida das andorinhas.

Quando ele se apercebeu daquele burburinho e vaivém, ficou extasiado, imóvel olhando...Nos seus grandes olhos verdes, a sombra daquelas asas em movimento reflectia-se como num espelho. Tremiam-lhe os bigodes, pela força da cobiça. Emitia uns sons velados como gemidos ou suspiros, e, quando o rectângulo de céu que a janela lhe mostrava ficou apenas enfeitado com umas leves nuvens brancas, começou a miar para que eu o seguisse, o que fiz. Levou-me até junto do prato onde sempre comia.

 Olhou-o, virou-se e começou a raspar como os gatos fazem, quando querem tapar alguma porcaria.

Em seguida, com um jeito de resmungão, ostensivo, foi deitar-se na sua almofada para mostrar claramente que os petiscos dos seus sonhos - tinham asas...

 

 

                                                        Maria José Rijo

@@@@

Revista Norte Alentejo

Novembro 2001 – nº 15                          

Crónica

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:28

“O Pancho”

Sábado, 25.08.07

I

Há meses, perdi-lhe o conto

                              Já estou em crer que é enguiço

                                Que procuro e não encontro

                                  “O Pancho” – levou sumiço?

 

II

De amigos não tinha míngua

                                 Destemido – o raio do gato!

                                   Bicho sem papas na língua

                                        Vivia com o Falcato

                                                   

 

III

Ou fosse de Borba o vinho

                                    Ou sortilégios de Baco

                                    Nada calava o Bichinho

                                 Nem tricas, nem desacatos

 

IV

Gato sábio, sabidão

                                  Prudente, manso, matreiro

                                      Ronronando ao coração

Conquistou-nos por inteiro

V

E, agora, desaparece

Pr’aí assim, de Rondão!

Se na Câmara não se conhece

Onde está o “gato” então?

 

VI

Em Marte, não foi falado

Que a nave seguiu vazia

Tanto tempo silenciado

Dava p’ra essa ousadia.

 

 

VII

Ninguém o viu no “Cantigas”

No “Boletim” nem retrato

Vamos lá deixar de intrigas

E saber onde anda o gato.

 

 

VIII

Se o Pancho não está na Europa

Nem em qualquer Sindicato

Se o gato não foi p’ra tropa

Faz favor cacem o gato!

 

 

IX

Por lebre, não se comia

Não era tonto p’ra tal

Vai junto a fotografia

Que ele é assim: - tal e qual

X

É tu cá – com o Soares
Tu lá – com o Almeida Santos
Por “partidos” não bebe ares
Não se verga a “tais” encantos

 

XI

Com Veiga Simão na Cultura

Foi chefe de gabinete

Consta, até que na altura

Fez um belo brilharete.

 

XII

“Ab imo corde” – com Zenha

Outro P.S. afamado

Que em alistá-lo se empenha

Mas, sem qualquer resultado.

 

XIII

Sabe-se que o gato “é verde”

Que torce pelos leões

Roe as unhas, quando perde

Mas... mantém as ilusões

XIV

Penso pois, chegada a hora

De bater aqui o pé:

-          Volte o Pancho sem demora

Porque o gato já não o é

 

XV

Nem o gato do Falcato

Ou d’outra qualquer criatura

O Pancho é – sem desacato:

Figura de literatura

 

XVI

Que volte lesto e em festa

Volte – que é desejado

Senão! – a S.I.C – nos resta

“Ponto de Encontro” marcado

 

XVII

Que venha de “Baleeira”

Naufrago em “Fogo do Mar”

Que o Pancho queira, ou não queira

Ao “Linhas” tem que voltar.

 

 

Maria José Rijo

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Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.413 – 1 /9 Set. /97

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Fotos - http://olhares-meus.blogspot.com/

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:37





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Pensamentos de Mª José

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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