Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Um Grito de Amor
Á Lá Minute
Jornal Linhas de Elvas
Nº 1.829 – 21 de Março de 1986
- Um grito de Amor por ti – Árvore!
- Árvore da floresta imensa…
- Árvore de sombra confundida, copa entrelaçada noutras árvores,

- Árvores sem jardim
- Árvore sem quintal
- Árvore sem caminho

- Árvore na multidão das árvores

- Árvore ainda e sempre, mesmo que só se diga: floresta.
- Árvore que viva tempestades de medo, e só se escuta em coro no arvoredo.
- Árvore que chora sozinha e engrossa a voz dos corais,
Um grito de amor por ti

- Árvore desconhecida
- Árvore tábua – colher de pau – raspas…
- Árvore lenha, seca, verde, podre
- Árvore abatida

Fendida pelo raio – queimada viva
Incendiada – archote

Ferida, triturada pelos dentes do serrote
- Árvore escavacada – raiz ao sol

- Árvore sem “pedigree”
- Árvore toro amainada boiando ao sabor da corrente
- Árvore de qualquer sorte
- Árvore de qualquer porte
- Árvore de qualquer morte

O meu amor por ti…
O meu amor de crente
A minha fé de gente
A minha fé – na gente!
Maria José Rijo
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País, País...
Leio e releio os jornais, na ânsia de encontrar algum conforto de esperança com as notícias que mostram a vida do nosso País.

Ouço os noticiários, observo os políticos, e vou de desencanto em desencanto.
Verdade seja dita que o que afirmo em relação ao nosso “rectângulozinho” se pode afirmar multiplicando pela extensão do mundo inteiro.
Como se tanto não bastasse, as entrevistas de acaso, feitas aos jovens deste nosso País, foram uma espécie de machadada final na minha confiança de que talvez, quem sabe... as coisas pudessem melhorar...
Mas o que se pode fazer com gente adulta que não sabe quantos metros tem um quilómetro, quantas unidades tem um quarteirão e outras demais coisa tão banais que assusta descobrir que são enigmas para gente que sabe de cor os nomes das marcas estrangeiras de quantas calças, blusões ou quaisquer peças de vestuário que apareçam no mercado.
Depois, aquele estendal de incapacidade de acertar uma reles pergunta de tabuada... meu Deus, que desgraça.
Reflectindo, ainda que por cima da rama, nesta mostra de ignorância crassa, duma juventude por completo alheada de tudo que não seja “curtição! como poderemos deixar de nos interrogar se poderemos, ou, deveremos esperar mais ou melhor do País que temos, do País que somos!
Que espécie de discurso atingiria as mentalidades destas pessoas para que pudessem tomar atitudes responsáveis e, colaborar na reorganização de serviços, aceitar sacrifícios, reconhecer que todos somos peças desta mesma engrenagem!
Que todos temos, até, responsabilidades nos males de que nos queixamos.
Quando um conceituado político sai dum governo onde pactuou com mandos e desmandos e procura limpar a sua imagem acusando, – isto é: traindo – quem nele confiou...
Como poderemos esperar, por exemplo, lealdade e firmeza de carácter naqueles outros a quem tudo se promete quando é estrategicamente necessário, e a quem, como é óbvio, nada se lhes dá quando os objectivos são alcançados?
Quando se denominam por palermas os que divergem das nossas opiniões, que critérios nos regem?...
Que formação moral é a nossa?...
Que convicções defende quem insulta em lugar de argumentar?
Que gente é esta?
Claro que se interrogados sabem quantos quilos tem uma arroba, e quanto é três ao cubo, ou ao quadrado.
Mas saberão o respeito que devem ao Povo que deveriam servir, o exemplo que devem a quem confiadamente os elegeu?
DuvidoVejo-os de bocarras abertas jorrando verborreia, de sanhas de ódios nos olhares de inveja que lançam aos que ocupam os lugares que cobiçam para si próprios, vejo-os sem o mais leve resquício de humildade frente à assustadora responsabilidade de governar.
E, assim vão, implantes de vaidade e de impunidade desbaratando oportunidades vitais para inverter o declive onde nos encontramos... porque, cada um deles é mais importante do que o outro e, só eles valem a pena...
Também, quando universitários nem contando pelos dedos sabem dizer – sem máquina – o resultado de três vezes quatro que resposta se pode esperar deste País a problemas a que só a massa cinzenta pode dar solução, e, nunca a máquina...
Maria José Rijo
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Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.683 – 8 / Novembro/2002
Conversas Soltas
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“PRANTO por uma menina de outros tempos”
Voltou como desejava o poeta: para “dormir o sono eterno abrindo junto ao berço a sepultura”.
Retornou quem com outras meninas da sua geração fez a Primavera viva da nossa cidade, no seu tempo.
Talvez ela até gostasse assim!
-- Morrer antes de envelhecer de corpo e espírito.
-- Morrer como gostava de ser, e foi até ao fim: esbelta, bonita, cativante.
-- Talvez… para que dela fique, como de sua Mãe já ficara, um rasto de saudade inconformada, um magoado recordar que a faz ser evocada, por quantos a conheceram, com o jeito sonhador de quem conta uma lenda: …
-- Era tão bonita!...
E… também canta outro poeta: “por morrer uma andorinha não acaba a Primavera…”
Mas…
Quando na vida se perde
Um amigo ou um parente,
P’ra que serve a Primavera?
- Se o frio está dentro da gente.
Maria José Rijo
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Jornal Linhas de Elvas
A
Nº 1724 – 2 Março de 1984
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ENSOPADO DA BODA

Numa mistura de banha de porco e azeite, deixa-se papinhar cebola picada, alho e louro. Antes que a cebola frite, leva a carne de borrego partida em bocados e colorau.
Tempera-se, então, com sal, pimenta em grão e cravo (pode ou não levar salsa).
Cozinhar tapada em lume brando.
Deita-se-lhe água em golinhos, para cozer devagar sem afogar. Depois de cozida, junta-se-lhe as batatas cortadas às rodelas que também se deixam cozer com pouco caldo.
Acrescenta-se então uma golada de vinagre ou de vinho branco e volta a abrir fervura antes de se acrescentar o caldo à conta desejada. Serve-se sobre sopa de pão.
(O vinagre ou o vinho não são essenciais.)

Maria José Rijo
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Colecção de Gastronomia - Pão

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SOPA DE CACHOLA

Fressura de porco, molejas, bocadinhos de baço.
Em banha de porco, frita-se, sem alourar, cebola e alho.
Logo que a cebola esteja passada, deita-se a carne o pimentão-flor, o cravinho, pimenta, louro e um molho de salsa.
Depois de refogado, leva água para cozer.
Logo que esteja cozido, acrescenta-se o caldo que chegue para as sopas e um pouco de sangue de porco batido com vinagre.
Sobre as sopas de pão cortadas fininhas, colocam-se rodelas de laranja e, por cima, verte-se o caldo com as carnes.
Acompanha-se com mais rodelas de laranja.


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ENSOPADO à PASTORA









