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Há qualquer coisa que falha

Sábado, 14.05.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.889 – 22 de Maio de 1987

CONVERSAS SOLTAS  

Há qualquer coisa que falha

Quando há pouco tempo fui, finalmente, cumprir uma visita de há muito prometida – a dona da casa tinha à minha espera – uma guloseima que, em crianças costumávamos saborear com muito apreço.

Aceitei, agradeci, e porque se tratava de fruto tropical, pouco vulgar - como um natural reflexo, perguntei – e para ti?

Então a minha amiga, comovidamente, disse:

- Ora aí está a pergunta que nem os meus netos, nem os amigos deles, hoje fazem!

E acrescentou alguns judiciosos comentários mais, sobre o assunto.

Falou-se depois de mil coisas várias mas, desde esse dia, que cá por dentro, aquele comentário me obriga a observar e a reflectir!

Tem razão a minha amiga!

A criança hoje é rainha das atenções, e porque há qualquer coisa que não bate certo – é quase sempre – um soberano absoluto, despótico, cruel e quase tirano.

Penso que a criança pode ser rainha por direito, pode e deve, mas como tal deverá conhecer deveres que essa soberania impõe e, acima de todas as obrigações que lhe cabem, deverá estar o respeito pelos “súbditos” que a cuidam, a tratam, a protegem, a alimentam, a instruem e a educam.

Se das crianças se respeitam - e muito bem – os direitos – às crianças deverá ser ensinado o conhecimento dos seus próprios deveres.

Num velho livro de escola doutros tempos, havia uma lição, contada em verso, sobre a história de um cacho de uvas que uma mãe dera a um filho, e começava assim:

 

“ a mãe dera ao filho

Um belo cacho de uvas,

Dourado pelo sol

E regado pelas chuvas…”

 

O filho, lembrando-se do pai, para ele o guardou, que por sua vez, a pensar na mulher também não o comeu.

Desta forma, sem palavras, à sobremesa do jantar, felizes, entre os três repartiram os bagos dourados que cada um, de per si, achara impossível saborear, sem repartir com os restantes membros da família.

Bem vistas as coisas, esta é a politica do Amor, que mais do que qualquer outra – ou acima de todas – sempre há-de formar o Homem Bom.

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:39

O Velho, o Rapaz e o Burro...

Quarta-feira, 15.04.09

Á là Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.917 – 4 de Dezembro de 1987

         

                quadro de João Luiz Costa

.

Todos nós tendemos, naturalmente, para viver com conforto, comer do que se gasta, preguiçar, fazer o que nos apetece.

Aliás esse é o instinto natural de qualquer bicho. Só que o “bicho homem” – pensa – e, aí é que começam os problemas e simultaneamente o aliciante da questão – a capacidade e a coragem de cada um decidir entre o: - apetece, e o: deve.

Aí começa a luta para se conseguir o equilíbrio justo entre este “deve” e “haver” de cada conta corrente de qualquer vida humana.

Ouvi outro dia, na televisão, um Padre falar sobre vida e morte com uma sobriedade de palavras e um rigor que me deixaram impressionada.

                      

“Sem a morte, a vida não teria ética” – dizia ele.

“Toda a obra deve ter um fim para poder ser avaliada. Sem a oportunidade desse juízo final, nada teria sentido” – disse também.

Assim, em frases curtas, fáceis de entender e de reter na memória deixou matéria para se pensar e repensar nas velhas verdades de sempre: - o respeito para com o uso de cada dia, feito da soma do respeito dispensado a cada instante.

       

Ninguém, absolutamente ninguém, sabe quando termina o seu tempo, razão pela qual cada momento deveria ter o gosto de único, no prazer e na responsabilidade com que vivemos.

De tudo isto se infere que, dando a morte sentido ético à vida, mais do que para com os outros, cada um de nós, tem que procurar estar de acordo com a sua própria consciência ainda que lhe faltem os apoios exteriores de que – ao fim e ao cabo – humanamente todos carecemos.

          

Pensando nestas coisas reconheço que, especialmente, quem tem que trabalhar fora de casa, quando ao acordar, pela manhã, abra os olhos e diga no segredo do seu coração:

“ Bendita seja a luz do dia

Bendito o Senhor que a cria

Bendita Santa Maria

Bendito o Santo ou Santa deste dia”

Etc, etc,

 'Mãos em oração', de Durer.

Esta, ou qualquer outra oração, ou nenhuma, ao pôr os pés no chão – tem que saber – e estar preparado para ser protagonista de nunca por demais recontada história de: “O Velho, o rapaz e o burro” – e, para tanto, encontrar o humor possível para que não se perca de si próprio.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:06

HOMENS e BICHOS

Quinta-feira, 20.11.08

Á lá Minute

Jornal linhas de Elvas

Nº 1.885 – 24 de Abril de 1987

 

Bicho de Estimação metendo o bico em prato alheio! 

Duas vezes consecutivas escutei, interessada, o Dr. Alçada Batista falar sobre relações surpreendentes entre alguns

 

homens e o meio que os circunda.

Contava ele histórias breves sobre monges, ascetas e eremitas, que algures, em regiões isoladas do mundo, repartiram em paz o seu espaço com animais, ditos selvagens ou perigosos, que com eles coabitam ou conviviam familiarmente.

           

Destacou, até, a estranha paz estabelecida entre um monge eremita, que abrigava na sua cabana um ninho de víboras, e que muito naturalmente recomendou a uns hospedes de ocasião, que tivessem cuidado para não as perturbar pois que uma delas tinha tido filhos, e necessariamente, carecia de mais tranquilidade e paz na circunstância.

Tudo isto são relatos tão estranhos que frente a eles só há, a meu ver, duas atitudes possíveis: - Ou se encolhem os ombros e se sorri como de outras doces lendas, e se passa à frente – ou – se pára e se pensa a sério no comportamento da espécie humana frente aos animais.

                 

Lembro-me, de ter visto em certa ocasião, na televisão espanhola, alguém que afirmou ser o homem o único animal capaz de atacar sem motivos, o chão que o suporta, e para provar a sua teoria, deixou ali frente às câmaras, que escorpiões e aranhas venenosas passeassem livremente sobre os seus braços nus.

                            escorpiao

Perante coisas assim, quase parece lógico deduzir, que em lugar de usar a inteligência para suprir dificuldades e procurar uma equilibrada relação de paz com o resto da criação, o homem acusa como defeitos e perigos todas as diferenças que o separa e distingue dos outros animais.

Deste modo justifica os sofrimentos, que, por vezes, lhes inflige o destino a que os condena e o espaço que lhes disputa empurrando já para a extinção de algumas espécies.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:34

O Homem Novo

Terça-feira, 12.08.08

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.874 – 13 – Julho – 2006

Conversas Soltas

  

Li no Jornal Linhas de Elvas de quinta feira 1/6/06, um artigo de opinião assinado por João Paiva para o qual - ao que me avisaram  através da NET - o seu autor pedia um parecer da minha parte, o que me causou surpresa por não me sentir à altura de tal distinção, mas, que, como é obvio – agradeço.

Não conheço, João Paiva, não sei quem é. Pareceu-me ainda jovem e, se como afirma temos amigos comuns não deixaremos de nos encontrar mais dia, menos dia, se Deus quiser.

Mas pensando melhor – direi: que não conhecia -  porque, quem  acredita na responsabilidade e compromisso do que se diz e escreve, também se identifica através das afirmações que produz.

Por isso ousei apelidá-lo de: - O Homem Novo!

Para mim o Homem Novo – é esse. É o que não lê a critica como um insulto ou um acto de maledicência. É o que lê a critica- mesmo que lhe não agrade - como um acto de responsabilidade, às vezes, até, como um acto de desespero,  mas também -  Sempre - como um corajoso acto de esperança.

Por isso a sua chamada à responsabilização da sociedade civil; por isso o seu alerta para a consciencialização de que tudo é de todos para fruir; mas, também, de que, tudo é de todos, na partilha da responsabilidade e, na procura das soluções - me pareceu a postura certa do Homem Novo, o homem do futuro, que não delega no estado ou nos políticos locais a solução de todos os problemas. Do homem que sabe que é do compromisso de cada um, que é “da colaboração” ( que eu leio contribuição) de cada um, que as soluções podem acontecer.

O Homem novo, não tem idade, basta-lhe, sendo jovem ou idoso, ter consciência cívica, caracter, abertura de espírito, visão de futuro, sentido de o “Outro” e o consequente procedimento responsável e coerente.

O Homem Novo, é o que oferece caminhos, é o que não passa indiferente ao que vê à sua volta.

È o que no meio da turba, se identifica e se assume e vai pelo seu pé por onde entende que é o seu trilho, mesmo sabendo que fácil é a estrada já rasgada.

Parabéns.

Julguei entender que Elvas – Plataforma XXI lhe abriu perspectivas de esperança. Acho que tem razão. Concordo.

Aliás João Pais explana muito bem as suas ideias. - Mas...

Contrapor já vai – quase -  sendo um “vício” em mim!

E... João Paiva acredita que em torno de qualquer projecto, - excepcional, que ele seja - todos se unam com a força e a veemência que leva o povo ao entusiasmo como só frente  a uma vitória  no futebol ( entre nós) se tem podido observar?

Não sente o desinteresse e o desencanto instalados em todas as frentes?

Se fizer a relação entre as reacções de LUTA e LUTO pela perda irreparável de quanto Elvas recentemente sofreu - ( o último Regimento, a sua Maternidade e a assustadora ameaça  AINDA não muito bem identificada de perda de valências do Hospital) - com  o  ruidoso carnaval que ecoou pela noite dentro quando a batalha campal  do futebol na Alemanha se decidiu a  favor de Portugal...

Se o fizer...e contabilizar- também- o quase silêncio em relação à perseguição que está tentando amordaçar a   imprensa local...

O que pensará?

Pensará como eu? - A proposta é valida! - Está na mesa!

Que bom seria, se com a mesma convicção e força se defendessem em massa, em uníssono, causas das quais dependem, não o futuro de Selecções que representem Portugal – mas o futuro de PORTUGAL, em si próprio...

O êxito de um país é o resultado da soma das contribuições de todos – todos – sem excepção - que o constituem.

– Não acha?

Expresso aqui, também a minha gratidão a todos que, de qualquer modo, fazem chegar ao meu conhecimento o seu apoio pelas minhas opiniões.

Um dos rumos da minha vida é procurar não desmerecer de tamanha confiança e compreensão, e lutar com coragem pelo que considero – a minha verdade – sem a querer impor a ninguém, e menos ainda, - faze-la passar - como única.

                                          

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:18

COISAS MAIS DO QUE INCRÍVEIS

Sexta-feira, 11.04.08

            Na revista do Expresso de 1 de Agosto vinha uma larga reportagem sobre as aventuras do capitão Roby, que li com pasmada curiosidade.

O capitão Roby achava muita graça à rapidez e inteligência das respostas que um dos meus sobrinhos, com seis anos na altura, sempre lhe dava e, daí, que eu o conhecesse de nome e de fotografias.

Assim que tivesse lido a sua odisseia com redobrado interesse.

 Necessariamente a seguir perguntei-me que ganhara eu ou ganharia qualquer outra pessoa a ler aquele arrazoado!

            Nada.

            Para além do relato duma vida plena de mentiras e vigarices que podem servir de alerta contra outros contos do vigário todo o mais me pareceu perfeitamente escusado.

            Lembro-me até de ter pensado que era excessiva a tolerância da revista ao permitir o descarado exibicionismo de Roby ao falar dos seus “dotes” de macho.

            Porquê, pensava eu, dar a tão aberrante criatura oportunidade de mais uma vez afrontar as pessoas com a sua petulância e idiota vaidade!

            Tendo mais em que pensar, esqueci o assunto.

            Vim a lembrar-me dele, depois, quando começou a triste odisseia de Clinton. Pensei então que a sensatez o respeito pelos outros, o pudor, até por vezes a dignidade que devia ser implícita à condição de ser gente, são, presentemente, valores de muito baixa cotação frente à fúria desenfreada do sensacionalismo.

                                  Hillary e Bill Clinton

Não vou entrar em considerandos sobre minúcias de tão triste caso que a meu ver apenas dizem respeito ao casal Clinton .

                 O então presidente Clinton, em imagem de TV com Monica Lewinsky

Não fora ele presidente da maior potência mundial e em lugar desta bandalheira toda apenas os amigos depois de três ou quatro whiskys fariam graça com tal assunto e mesmo assim discretamente o escândalo, porém, (grande é a nau, grande é a tormenta) alastrou pelo mundo inteiro e conseguiram os” puristas”americanos dar maior visibilidade ao vestido da Mónica do que jamais obteve a própria estátua da liberdade.

                  Getty Images

Chega-se a pensar que desejariam, até, tirar-lhe o facho da mão para exibir tais roupinhas ou coisas piores.

Alias, depois de toda esta deplorável demonstração de ausência de tudo o que pode ser admirável no comportamento do homem; deste sádico gozo de humilhar seres humanos como fizeram com Clinton e sua familia, os próprios americanos, temos que reconhecer que este comportamento tem tanto a ver com justiça e respeito pelos direitos humanos como as atrocidades cometidas nos campos de concentração.

Bill Clinton

Viver assim lutas políticas é tornar abjecto o que pode e deve ser nobre. É falsear tudo e trair todos os princípios pelos quais se devem reger as pessoas de bem

Vem isto à colação porque me confortou ter conhecimento de que a maior parte dos órgãos da comunicação social aqui do” nosso rectângulo” tinha assumido o compromisso de deixar de “pormenorizar aspectos da intimidade de Bill Clinton que não se revistam de óbvio interesse público”.

Às vezes “os pequenos” atingem maiores dimensões do que os ditos “grandes”, Realmente os homens não se medem aos palmos!

              

                    MARIA JOSÉ RIJO    

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Jornal linhas de Elvas

Nº 2.473 – 9-Outubro-98

Conversas Soltas

                 

         

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publicado por Maria José Rijo às 00:10

Reminiscências III

Quarta-feira, 02.04.08

           

        No começo de um novo ano – e, desta feita, um ano tão especial que é o último antes do tão esperado, cantado e louvado ano 2000 – nada mais a preceito do que levantar de sob a poeira dos tempos recordações. E, se não forem tristes, bem melhor será...

Reminiscências têm a leveza do que é vagamente recordado. São a ponta, o esparso do que vagueia na memória e é lembrado sem a exactidão, o peso, o recorte preciso, a importância do que se pode designar por uma verdadeira lembrança, penso eu.

            Gosto de reminiscências.

            São uma espécie de indícios, sugestões para caminhos do pensamento por onde se avança, ou não... De onde se foge, ou não...

            Como contraponto a este 2000 em que tudo será novo, reluzente, imponderável, em que até os computadores tremerão...e a nossa moeda, o consagrado escudo se prepara para falecer, embora nunca tivesse gozado de tão boa saúde...

            Nesta mesma era, em que os homens, creio e receio, vão continuar a fazer guerras cada vez mais cruéis e injustas vou relembrar uma quase anedota com raízes muito fundas no tempo. Talvez lá pelos princípios do século XIII, quando as ordens religiosas eram compostas de frades mendicantes, porque os seus princípios assentavam no voto de pobreza.

           Quem sabe!...                                                                   

Dos personagens mais usados nas velhas historietas eram os padres, e os frades, para além das princesas, reis e rainhas , quando se tratasse de narrativas amorosas

            Os padres e os frades andavam mais ligados a contos de pobreza ,a falta de proventos que os faziam criar ardis e manhas para vencer necessidades de sobrevivência  .Assim que, em certa época, nada tendo, havia dias , para comer ,amarelo de fome ,disse um padre ao sacristão para ir pelos arredores pedir aos proprietários ricos das redondezas qualquer coisa que os salvasse de tal aperto, enquanto ele dizia missa e  pregava o seu sermão.

            Decorria a cerimónia quando o padre avistou o sacristão a entrar discretamente na igreja. Não resistiu o coitado a indagar a sorte que o esperava e, metendo os seus cuidados no meio das latinadas cantou com ansiedade: - tu que foste e que vieste dize-me lá o que trouxeste?

            Apanhando a entoação, respondeu o sacristão: - trouxe um mémé preso por um pé.

            Não podendo conter a alegria levantou o padre os braços para os céus e disse: graças a Deus! - E os fiéis repetiram: - graças a Deus!

            Porém, faminto e curioso continuou na mesma cantilena: - o que lhe fizeste?

            Já está morto e esfolado boiando num ensopado, esclareceu cúmplice o sacristão.

            Radiante diz o padre: - Deus seja louvado!

            Deus seja louvado! Repete a assistência.

            Está o sermão acabado que se Deus não me acudia de jejum eu já morria

            Amem! Disse o povo que de latim e cantoria nada entendia.

 

           Estas historietas, aparentemente inócuas, revelam na sua ingenuidade, segredos de outras eras.

            São contos chegados até nós por tradição oral. Para muitos não terão interesse, para outros, darão para sorrir e para pensar.

            Pessoalmente, encantam-me e, passo-os com a intenção com que me foram

narrados, como herança da memória do povo que somos.

 

                                   Maria José Rijo

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.486 – 8 / Janeiro / 1999

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:03

Casimiro Abreu

Quinta-feira, 13.03.08

Em dezanove de Fevereiro de dois mil e três, com oitenta anos, faleceu em Elvas este Poeta, que, também em Elvas tivera o seu berço em vinte e dois de Janeiro de mil, novecentos e vinte e três.

Foi a enterrar há três anos discreta e apagadamente.

Não deixou heranças fabulosas em dinheiros e bens materiais deste mundo.

Nada do que torna importantes, as pessoas, nesta vida.

Nada do que torna as pessoas colunáveis e condecoráveis.

Nada!...

Nem sequer foi jogador de futebol!!!

Nem ganhou o totoloto!

Não teve, por isso, um aceno de saudação, oficial, da sua terra, nem foi capa de jornais.

Não está na toponímia da cidade – não é nome de rua, nem de praça!

Nem de estádio!

Foi apenas um Poeta!

Um poeta que fez Elvas crescer na área em que o ser humano, realmente vale – em ideias, em iniciativas que tornaram a cidade conhecida por eventos culturais que alargou até Espanha.

Um poeta que idealizou progresso através de empreendimentos que outros aproveitaram para prosperar!

Um poeta, que com inteligente ironia, glosou em poemas satíricos os símbolos do conservadorismo e do atraso parolo, que impediam a sua cidade de olhar em frente...

Um poeta, cujo capital era massa cinzenta e, a coragem de a usar...

Um poeta que, está também, na génese dum jornal que dirigiu, e que foi lutador, valente e ousado, quando era difícil e perigoso sê-lo.

Um homem que sabia que a Vida, também é risco, e arriscava sem medo.

Um homem que não consentia que atacassem qualquer dos seus colaboradores, e considerava como feita a si próprio, qualquer beliscadura que alguém ousasse contra eles...

Um poeta com alma e coragem, que não virava costas a quem estivesse ao seu lado, lutando por valores que ele entendia como justos e promissores para o bem das gerações futuras.

Um poeta talentoso, que publicou livros onde evoca lugares e usos da sua terra natal, e reminiscências de infância que fazem história, porque referem costumes burgueses hoje, já quase desaparecidos.

Um poeta que encabeçava um pequeno “clã” - de amigos e admiradores - que manteve viva a chama da resistência à ditadura, sem esperar contrapartidas de cargos, honras ou regalias – mas que pelo contrário, lhes punha, a cada passo, a segurança e a liberdade em risco.

Um elvense, que, como outros, também hoje esquecidos, ajudou à instauração da democracia de que, outros “clãs” em proveito próprio, sem ética, nem pudor, (porque não basta à mulher de César, ser séria, é também preciso que o pareça!) se aproveitam afoitamente como se fossem monarcas com direitos de sucessão congénitos!

Enfim ! - fruto dos tempos! – Por certo!

Mas, falta de idealismo, também!

E, falta de outras coisas mais...

Às vezes, apenas egoísmo e apatia das “plateias” que – uma vez instaladas - adormecem frente aos acontecimentos, sem interiorizar o que escreveu Michel Quoist :“ Eu, sou o outro!”

 

Termino com dois versos, apenas, de um poema do livro “Pórtico” de Casimiro:

 

“Depois de ter escutado lamentos fora de mim,

Senti o peito repassado de ais, só iguais,

A choros que vêm de mim!”

 

 

                       Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.855 – 2/Março/2006

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 22:24

O TEMPORA! O MORES!

Segunda-feira, 14.01.08

Assim clamava Cícero contra a perversidade dos homens do seu tempo!

Olho as árvores plantadas outro dia e já morrendo quebradas, e apetece-me clamar como Cícero:Cícero

               Oh! Tempos! Oh! Costumes!

Mas, tenho fé. Tenho fé que hão-de vir tempos que se hão-de prolongar até ao fim dos tempos em que deixará de haver motivos para tal exclamação. Tenho fé que hão-de vir tempos que cada ser humano ao rezar o Padre-nosso há-de pronunciar cada palavra como se a estivesse a descobrir.

Há-de formular cada palavra como se estivesse inventado uma maneira sua de contar o que sente, há-de tomar-lhe o gosto como se a provasse. Há-de sentir na sua alma o seu significado como se a estivesse a dar à luz, e sentirá na pele o arrepio maravilhado da surpresa.

Tenho fé que ao dizer: o pão-nosso de cada dia nos dai hoje…

Ao pronunciar o que às vezes se diz em repetições sem sentido, há-de saber que espécie de pão, é esse pão que pede.

Há-de saber que se Deus criou ao homem corpo e alma – esse pão – é o alimento do todo.

Há-de saber que o alimento da alma, do deleite de viver faz parte o gosto de usufruir com todos os sentidos tudo quanto Deus criou.

Então os homens hão-de saber o Amor que devem ao rio, ao mar, ao respeito por todas as manifestações de vida.

Tenho fé que então não haverá mais flores pisadas, árvores arrancadas, animais maltratados por puro jogo, ignorante malvadez.

E será como filhos de Deus – à Sua imagem criadas – conscientes e agradecidos que havemos de viver a esperança de merecer o direito a esse grito de amor: Pai-nosso!

Seja cada dia um fruto

Cada fruto uma semente

Cada semente o produto

Dos passos dados em frente.

 

                             Maria José Rijo

@@@@@

Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.729 – 6 de Abril de 1984

 

 

                                                                                                                                                                                      

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publicado por Maria José Rijo às 16:18





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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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