Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
A telha
Deu-lhe na telha!
Não tem telha onde se acoite!
Está com a telha!
Estar debaixo de telha!
Sei lá de quantas mais expressões me poderia agora socorrer para lembrar como “ a telha” essa pequena peça de barro que se destina à feitura de telhados também pode ser conotada até com o bom senso e compostura dos indivíduos, o que até nem é difícil de entender se pensamos que é a cabeça que encima o corpo, assim como o telhado o faz no casario.
Mas, vamos à estória...contava-se que durante a ditadura Salazarista, quando entrou em vigor a multa pelo uso de isqueiros (não licenciados), numa das clausulas se dizia que: - estavam isentos de pagamento, quando usados debaixo de telha – o que queria significar: - em casa.
Parece que então para tornar mais evidente o ridículo de tal determinação um grupo de estudantes de Coimbra, ostensivamente saíram para a rua usando os seus isqueiros na via publica, mas pondo como pára-vento pequenas telhas que transportavam debaixo das capas.
Assim, infringiam uma lei, garantindo estar a cumpri-la à risca pois só utilizavam o isqueiro debaixo de telha...
Curiosamente, agora, que ninguém mais paga licença de isqueiro porque essas violências eram coisas de ditadores e impensáveis “em democracia” – quem fumar debaixo de telha – está sob a alçada da fiscalização.
Mas, cuidado, que agora que somos livres e democratas, toda a gente pode funcionar como “os notáveis” bufos da PIDE.
Todas as denúncias são aceitas porque assim se educam, em democracia, os povos.
Ora, na hora em que a
ASAE até ameaça o brinhol feito na hora, à nossa vista, nas feiras e arraiais do nossa gente, que mais se pode dizer senão que estamos à mercê de quaisquer fantasias que dêem na telha a qualquer “socializante” senhor Ministro destes
Por muito que justifiquem as “mudanças” eu só posso aplaudir o que o Dr. António Barreto muito justamente escreveu, no jornal O Publico –“ Eles estão doidos!”
Ninguém de bom senso se opõe ao progresso.
Ninguém!
tradição – a Matriz cultural - de um povo impondo regras e mais regras até ao delírio da loucura, como se de uma limpeza ética se tratasse!
E toda uma série impensável de alterações que nos pretendem conduzir a um igualitarismo opressor, que nos tornará desprezíveis, como párias ou mendigos, deixando de ser quem sabíamos ser com dignidade e honra, mesmo sem grandezas, para nos tornarmos clones de experiências alheias.
Acorde Senhor Primeiro-ministro!
Acorde!
Lá no “meu” Baixo Alentejo até se canta: - quem tem cuidados não dorme!
Acorde! - Senão, fica para aí parado à espera que o INEM o leve às 
urgências que já todo o mundo de si reclama, e – falece politicamente – antes de lá chegar...
Olhe que os seus Ministros, são: - tão – tão cega e surdamente ministros, que nem sequer conseguem ver e entender “as romagens” de alegria de um povo inteiro!
Fazem – apenas – permita-se-me o plebeísmo – o que lhes dá na telha!
Comove tanta devoção à Pátria!
Tão lindos!
Tão lindos – todos! - Benza-os Deus!
Refiro os proventos que auferem! – Como é óbvio!
E, dos Excelentíssimos Gestores – também!
Maria José Rijo
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Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.953 – 24-Janeiro-2008
Conversas Soltas
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Um documento
Dizia na sua última crónica o nosso bom amigo Gois, que para se agradar a uns, ás vezes, desagrada-se a outros.
O Gois, tem razão.
Talvez por isso, quando se atinge uma certa maturidade, escolhe-se apenas, servir a nossa consciência, e, daí que se acabe por não agradar a ninguém, mas ganha-se o que é imprescindível para a boa saúde, até da alma, um sono descansado.
Por norma quem escreve com sentido de responsabilidade e não o faz anonimamente, recusa denunciar fontes, não compromete quem em si confia mas, também não comete a leviandade de tornar publico qualquer denúncia, sem estar baseado em documentos ou depoimentos que considere sérios e absolutamente fiáveis.
Quem costuma ler os meus escritos, sabe que não me conformo com as soluções encontradas para superar o fecho de Hospitais, Maternidades, Urgências etc. etc. etc...
E, não são as falinhas mansas do Senhor Primeiro-ministro, nem as vermelhuscas faces do colérico e obstinado Senhor Ministro da Saúde que me vão calar.
Transcrevo, hoje, aqui, quase integralmente, um documento que comprova mais uma vez, como funcionam BEM os serviços que o Governo alardeia, estarem óptimos PORQUE ESTÂO CENTRALIZADOS
Carta enviada ao Procurador-geral da Republica:
Queixa / Requerimento
O signatário na qualidade de pai de Rafael Alexandre Rijo Lopes da Cunha, de 34 anos, Arquitecto de profissão, falecido em 28.01.2007 cerca das 23,00hrs. Na sua residência, vem requerer a V.Exª o seguinte e com os seguintes fundamentos:
1. O falecido Rafael A.R. Lopes da Cunha, sofria de doença alérgica “ Asma”desde os 2,5 anos de idade, tendo sido sempre tratado pelo Professor Palma Carlos. De referir que essa patologia desapareceu entre os 14 e os 30 anos de idade, voltando nesta idade a reaparecer. Contudo continuava a ser seguido com regularidade pelo Professor Palma Carlos.
Mantinha uma vida saudável e a todos os títulos normal. Brilhante na Academia e de mérito profissional reconhecido no desempenho da actividade de Arquitecto.
1. No Domingo dia 28. 01. 2007, manteve a sua visita normal de família entre as 12.30 e 14.30hrs.
2..... cerca das 21,30 queixou-se de mau estar
3...às 21.50hrs. aí, sim após uma crise de tosse muito intensa queixou-se que se sentia muito mal
4. Cerca das 22hrs, apelou-se pelo telefone ao 112 pedindo emergência médica, pois o paciente estava quase sem respirar. Sem tecer por ora quaisquer comentários quanto ao prolongamento e forma do atendimento, é um facto que o 112 não percebeu (não obstante o desespero convulsivo do apelo) a gravidade da situação.
4. tais como garrafa de oxigénio, desfibrilhador, etc. etc, ) e nada mais fizeram que as convencionais compressões no peito
5. Cerca das 23 hrs. Chega outra ambulância do 112, essa com uma pequena garrafa de oxigénio, e nada mais. Continuam a procurar a reanimação pelos processos normais de compressão no peito e administração de oxigénio.
6. Só cerca das 23,30 hrs, isto é, após 1 hora e 30 minutos após o apelo chega o INEM, com médico e enfermeiro, equipado com desfibrilhador e restantes meios. Porém já era tarde.
7. À parte a dor de uma família enlutada e sofrida, e de um bebé de 22 meses que não chegará a conhecer o pai, venho REQUERER a V. Exª se digne mandar investigar as razões porque o 112 não actuou como devia; os Bombeiros. Não sabendo tratar do assunto, não conduziram o doente aos serviços de urgência (S. F. Xavier) a 8 minutos de casa; o INEM só chega 1, 30 depois de requerida a urgência.

8. Finalmente requero uma explicação do porquê aqui na Capital do País a 8- 10 minutos dum Hospital Central morre no hall de sua casa um jovem de 34 anos por falta de socorro adequado.
Em nome do direito à verdade e do direito de cidadania exijo um inquérito e uma explicação.
Segue a assinatura.
E, assim foi, porque assim é, e porque escutando os noticiários, em cada dia mais se presume que assim será...
Maria José Rijo
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Conversas Soltas
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.910 – 22 – Março- 2007


