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Valha-me o Sr. da Piedade

Domingo, 22.05.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.877 – 27 de Fevereiro de 1987

A La Minute

Valha-me o Senhor da Piedade

 

 

Estão a decorrer as celebrações dos 250 anos da fundação do Santuário do Senhor Jesus da Piedade.

Dito assim, parece apenas uma comemoração como tantas mais.

 

Parece! – Mas é diferente.

 

O Senhor Jesus da Piedade e Nossa Senhora da Conceição – são os protectores celestiais da grande família elvense. São esperança e conforto de cada um de nos.

Tudo se lhes pede e confia. Paz, Vida, Saúde, Amor.

E desde protecção para a carga do “honrado ofício” de contrabandista, até à imunidade dos porcos

contra a peste, tudo se comparticipa com a sua divina misericórdia.

Deles porém, tudo se aceita!

“Graças a Senhor Jesus da Piedade – aconteceu…”

“A Senhora da Conceição fez o milagre…”

Ou – “O Senhor não quis…” – “A Senhora não poude…” Temos que ter paciência!

O Senhor da Piedade e a Senhora da Conceição são Pai e Mãe – Esperança e Guias.

 

As suas Igrejas caiadas, sem pompas das pesadas e nobres catedrais convidam à intimidade familiar.

São bem a casa onde não nos constrangem os fatos de trabalho, o sacho debaixo do braço, o xaile velho, a bota enlameada, a roupa do dia a dia, o sapato cambado.

E se este amor confiante, este passar à porta e entrar, esta “obrigação” de ir lá fazer o sinal da cruz ou depois do passeio domingueiro na tarde de sol, se isto – não é sinal de fé – de fé espontânea, verdadeira e irresistível … então valha-me o Senhor Jesus da Piedade – que eu não sei o que é.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 13:52

PRESENÇAS

Segunda-feira, 29.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.000 – 23 de Dezembro de 2008

Conversas Soltas 

 Quanto mais tempo se vive mais premente é a sensação de como o tempo é fugaz.

Enquanto que na infância e na juventude as distâncias entre as datas de festas e aniversários se nos afiguram substanciais, imensas, passadas essas épocas, das nossas vidas, temos cada vez mais a consciência de, como tendo, embora, a mesma cadência no tempo se nos afiguram tão próximas umas das outras, que quase parecem contínuas.

É exagero, eu sei, mas, enquanto a criança exclama: - Tanto!

Quando a esclarecemos do que terá que esperar por outro Natal; o adulto dá consigo a dizer; - Já! – Quando compulsa o calendário…

Rememorava estas e outras ideias fazendo a distribuição das minhas tarefas obrigatórias pelos escassos dias que faltam para a celebração do Natal, neste tremendamente difícil ano de 2008.

                            

Então, dei-me conta das ausências que o meu coração já regista quando toca a reunir para este ritual de afecto entre a família e amigos. Dei-me conta e comecei a apurar essa contabilidade.

Percebi então que cada um dos presentes tem um lugar que ocupa.

Que é o seu.

Destina-se-lhe a cadeira, que se coloca no local mais privilegiado para se lhe dar conforto, prazer, para que se sinta querido – amado, respeitado, insubstituível…

Escolhe-se-lhe a prendinha do seu agrado.

Mas é esse apenas o espaço da sua presença física, que é visível para todos, tão visível, que se identifica ao olhar.

Já assim não é com os ausentes.

Porque desses, é todo o espaço, a todas as horas.

Não precisam de cadeira, de prato, para que as suas ausências ocupem toda a alma de quem os recordar.

Pode o Natal reunir famílias, amigos, parentes.

Pode o tilintar dos copos fazer a música das saudações, dos bons augúrios que se trocam entre emoções, risos ou lágrimas que tanto ou mais do que os presentes, o Natal é também a sublimação da saudade que faz que os ausentes, sem estarem visíveis ocupem até os lugares de cujas almas são pertença.

         

Natal, com presenças!

Natal com ausências!

Natal de coração cheio – de ambas as coisas – mas, ainda e sempre Natal – com Fé – com Esperança – com Fraternidade…

          

Que o sentimento de que o outro é nosso irmão preencha os nossos corações e, que seja – como uma oração sentida – o simples desejo que se repete:

BOAS FESTAS!

FELIZ NATAL!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:23

Reminiscência --- A Sedução

Quarta-feira, 16.01.08

Uma das maiores seduções da infância, sempre foi e será, o aconchego do colo da mãe, do pai das velhas tias ou dos avós, muito principalmente quando os seus abraços se tornam – ainda - mais amplos pelo acrescente dos xailes com que se abrigam pelas costas nos serões de Inverno. É que, então. Os seus braços abertos, parecem enormes asas protectoras que se fecham quase plasmando as crianças junto aos seus corações.

Quando pequenas, minha irmã e eu, nessas circunstâncias, sempre explorávamos a oportunidade de ficar, ouvindo contos ou histórias e família, até à hora de ir para a cama, que implacável não consentia adiamentos...

(Era a avó corajosa que, da janela, tinha disparado para o ar, a espingarda do avô para afastar os ladrões que rondavam a casa. Era o avô que levava o dinheiro dentro dum cinto tecido em malha de meia, enrolado à cintura quando saía em negócios...eram as suas próprias reminiscências, acordadas do sono da alma para nos entreter e encantar...)

Seguia-se depois o ritual das despedidas, e, antes de deitar, as orações, o aconchegar da roupa, e o apagar do candeeiro de petróleo seguida da última recomendação: - durmam sem medo que estamos aqui e a porta do quarto fica aberta...

Assim acontecia e os risos misturados com o som das vozes no entusiasmo do decorrer do jogo da “sueca” com que, a feijões, “os crescidos” se distraiam nos serões, faziam o embalo para o nosso descanso tranquilo de crianças.

O outro deslumbre da minha vida, eram, as idas ao mês de Maria, à novena do Sagrado Coração de Jesus e outras cerimónias a que nossa Avó decidisse que poderíamos, ou deveríamos ir, e, aí era a sua vez de pedir aconchego no Regaço Materno.

Das idas à missa, também gostava. Minha avó tinha cadeira e genuflexório privado, na Igreja de Estombar, no Algarve, onde isto acontecia. Tinha ela, e tinham todos os frequentadores habituais, porque as Igrejas, pelo menos nas terras pobres, como aquela, então, era, não dispunham de bancos, ou tinham-nos em muito pouco número.

As pessoas assistiam de pé, ou de joelhos às cerimónias. Mais tarde, aí pelos anos – 50 – ainda vim encontrar essa mesma situação na Igreja S. Miguel de Seide, quando visitei a casa de Camilo. Aí, eu própria, me sentei no soalho como os habitantes locais. o que me deu o gosto de uma outra espécie de comunhão na autenticidade da Fé que coabita com a humildade de, em qualquer circunstância se saber dizer – Amem !

Mas, eu vinha contar da maravilha que, na minha infância, era a reza do terço.

Verdade, verdade, eu nem saberia então o que verdadeiramente o terço significava. Só sabia do encanto que era ver as bocas todas a bichanar um palavreado misterioso com as mãos a deixarem correr as contas, com um Cristo crucificado, a balouçar, e os olhos atentos, fixos no sacerdote, de quem  se repetiam as frases.

Algumas contas, de alguns rosários tilintavam como pequenas campainhas, mormente se eram de vidro, e, eram esses sons a causa do meu enlevo, do meu comovido deslumbramento.

Minha avó orgulhava-se do nosso comportamento e, por essa razão levava-nos com ela. O padre até nos ofereceu uns pequenos livros de missa. O meu tinha capa branca, com uma cruz dourada em relevo, e foi prémio da exemplar compostura dos meus escassos cinco anos, o de minha irmã era azul e mais volumoso.

Ainda hoje, que Deus me perdoe, me perco das rezas a olhar as bocas e as mãos dos penitentes – as mãos gastas e calosas, quantas vezes quase enclavinhadas, como que convulsas, lado a lado com outras cheias de anéis com unhas pintadas por onde as contas, também escorrem, uma a uma como lágrimas contidas de súplicas de fundas angustias que só à misericórdia da Mãe, de coração para coração, se confessam, mas que as mãos, muitas vezes, indiscretas, indiciam...

Talvez as crianças de hoje, guardem a memória do tilintar de copos, da música que fazem tinindo em toques de saudações nas reuniões que, quer em casa, quer em bares, já só se fazem de copo na mão como se essa fora a única expressão possível de conviver e mostrar alegria.

Talvez guardem não as confidências dos familiares idosos que fechados no silêncio, definham enfileirados em Lares - nem a lembrança do brilho das contas dos rosários, mas sim a memória dos reflexos das luzes no colorido dos vinhos e licores a escorrer para as bocas de quem - fora de si –se procura...

Talvez! - É que vi – e comparei – o ontem e o hoje, numa reportagem de tirar o sono – a um País - sobre meninos, querendo parecer grandes, no que os grandes têm de pior – (o vício como distracção) – o vício - do álcool...neste mesmo País – o nosso - onde a reforma da educação acaba de  excluir do currículo escolar a disciplina de Moral, por desnecessária- deduz-se!

                         Maria José Rijo

 

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Jornal O Linhas de Elvas

Nº 2.893 – 23-Novembro-2006

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:36

Decorações de Natal...

Sexta-feira, 14.12.07

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Fotos do Blog -- http://olhares-meus.blogspot.com/

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publicado por Maria José Rijo às 01:36

O DIVINO NETO – Á Laia de conto de Natal

Terça-feira, 11.12.07

Tristes ou alegres, doces ou amargos – aqui está a época certa em que “elas” chegam e se instalam sem pedir licença ocupando tudo.

“Elas” estão mesmo presas a tudo – rendemo-nos e deixamo-las fazer de nós “gato-sapato” – que sendo Natal a festa da família, tem forçosamente que ser a festa da saudade e, o reino “delas”das recordações…

 Pois que floresçam!

 

-- No quarto da minha Avó havia um oratório, tinha muitos quadrinhos e lembranças (chaves de urnas, madeixinhas de cabelos baços) e alguns santos. No centro, ao fundo, “O senhor” – pregado na cruz – à frente, um belo menino Jesus, sobre uma peanha e, a seus pés um pequeno presépio (um ex-voto aí, do século XVII, não havia dúvidas)!

Num dos lados uma bonita imagem de Nossa Senhora do Rosário e, do outro, antiquíssima também, outra escultura: - Santo António com o menino Jesus pequenino, nu, sentado sobre o missal, tendo na outra mão o rosário. Enfiada nesse braço, ainda a “coroinha”.

 

Este era o mundo das orações, das preces, da angústia e dos devotos agradecimentos.

Era o altar das reverências.

-- “Vai-te benzer ao oratório! – que são horas de deitar”

-- “Vai pedir a Jesus! – Vai agradecer a Jesus”.

-- “Vai rezar aos santinhos”

--“És capaz de repetir isso ao pé de Jesus?”

-- “Vai acender a luz do oratório! – que isto – que aquilo! … “

--“Alumia Santa Barbara, que vem aí a trovoada!...”

-- “Muda as flores aos santinhos…”

Era assim o ano inteiro.

 

Ah! – Mas no Natal!

No Natal o menino Jesus mudava de roupa. Saia do seu fato de cetim cor de azeite, das suas chinelas bordadas, a cordão com pérolas miúdas, da sua roupinha de Bretanha enfeitada de rendas e fitinhas. Antes de vestir a túnica branca bordada a ouro (pelas mãos habilidosíssimas de uma de minhas tias) que exibira entre os dias de Natal e de Reis, minha Avó despia-“O”, deitava-“O” sobre uma pequena toalha de linho com franjas, que num canto,

a vermelho, tinha a marca “M.J.” (Menino Jesus) bordada em ponto de cruz miúdo – ponto de marca – assim se dizia – já tinha água morna (provada com as costas da mão) na bacia enorme do “lavatório grande” – onde diariamente mergulhava e ensaboava as suas duas netas – e estava interdito a mais, quem quer que fosse – e seguia com carinho o mesmo ritual da cerimónia das abluções. Depois de “O” lavar, voltando a envolve-l”O” na toalhinha bendita, aconchegava-“O” ao peito como se faz às crianças e, dizendo palavrinhas de amor e conforto: - “coitadinho”! – “Está muito frio!” – “Eu visto-“O” já” – “pronto!” – “pronto!”—dava-lhe palmadinhas nas costas e, a seguir compunha-“O “ para ficar durante as “festas” culminando o monte de pedras com musgos, areia e laguinhos de espelhos onde se exibiam – rodeando o Presépio – figuras de barro e celulóide de tamanhos tão distintos , como distintas foram as gerações de que provinham e as acumularam.

Talvez, na tímida e infantil adoração, com que há meio século, minha irmã e eu, olhávamos o “Novo Menino Jesus” – houvesse a ingénua convicção de que “Ele” era também neto da nossa Avó.

 

Ainda hoje, afogada na saudade desse tempo, dou comigo a sorrir, pensando que é a “Ele” agora, que a nossa Avó, lá no céu, aconchega as roupas da cama, falando-lhe de nós com o humaníssimo amor que usava a falar-nos d’Ele.

 

Natal de 1984

 

                             Maria José Rijo

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À La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.765 – 21 de Dezembro de 1984

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:30

Conversas de Natal

Quarta-feira, 05.12.07

Jornal Linhas de Elvas -

Nº 2.637 – 21 de Dezembro de 2001

ENTREVISTA Sraª. D. Maria José Rijo

 Em

Conversas de Natal 

“Gostaria de fazer uma viagem no tempo”

Desde os tempos mais remotos que o Natal é um dos momentos mais maravilhosos na infância de uma pessoa. Maria José Rijo, com a grande experiência de vida que tem, atravessou várias fases da quadra natalícia. A mudança dos costumes e da tradição não lhe são indiferentes.

        Cresceu num meio e num tempo em que a festividade era uma época de sonho e continua a acreditar que só é Natal se se tentar manter esse espírito.

        Num tempo em que não se dizia Natal, mas sim “a festa” , o “mês do Menino” , ou ainda “vamos festejar o nascimento”, todos estavam muito ligados à figura de Jesus. Essa era a base da alegria do momento.

        Com a televisão, “todos estes sentimentos são vendidos ao desbarato”. As pessoas perderam a noção do que é verdadeiramente original. Enfeita-se a porta de casa, a árvore de Natal, mas apenas se estão a cultivar os sinais exteriores. O Natal é, ou deveria ser, acima de tudo, uma festa de interiorização.

Linhas de Elvas (LE) –> O que recebia no Natal quando era criança?

Maria José Rijo (MJR) –> Recebia bonecas, mobílias em miniatura, chocolates. Não tínhamos muitos brinquedos. Recebíamos alguns jogos, dominó, o jogo da glória, o loto para brincarmos ao serão, quando estávamos doentes ou quando estava a chover e não podíamos ir para a rua. Havia sempre alguém que estivesse disponível para brincar connosco. Não tínhamos a abundância que se tem hoje, em que cada criança tem uma loja. Na altura dizíamos: “a minha boneca, a minha caminha, o meu jogo” , porque tínhamos apenas um. Identificávamo-nos mais com as nossas coisas.

 

                  (Registo- Trabelho de Maria José )

L.E. -> A Tradição ainda é o que era?

MJR -> Não. Principalmente porque se cultiva muito o exterior.

         No meu tempo as crianças tinham um leque de cobiças, mas, por outro lado, identificavam melhor o prazer das coisas.

         Os chocolates bons, as caixas bonitas de chocolates, as ameixas de Elvas chegavam ás nossas casas pelo Natal. As coisas não estavam banalizadas.

         Hoje as crianças têm tudo sem apreciarem nada, não sonham com coisa nenhuma.

         O facto das mulheres terem ganho o direito de trabalhar fora de casa, fê-las relegar os meninos um pouco para a prateleira. As crianças têm necessariamente menos qualidade no afecto. Para os compensar do pouco tempo que passam com eles, começam a comprar. Mas não é um comboio eléctrico que vale uma tarde de colo e de miminhos.

         Claro que hoje há coisas maravilhosas, mas em algumas coisas perdeu-se a noção da primordialidade que têm.

 

             (Registo - trabalho feito por Maria José Rijo)

L.E -> O que é para si o verdadeiro espírito do Natal?

MJR -> É o espírito de família, é pensar nos outros. Por exemplo no Baixo Alentejo, onde eu vivia, as pessoas mais humildes cantavam à porta das pessoas que tinham mais. Estes recebiam-nos, mandavam-nos entrar, ofereciam-nos filhós e azevias. Era uma oportunidade para conviverem com outras classes.

         Dentro desse espírito de família, os mais carenciados eram convidados para passarem o Natal com os mais abastados.

 

L.E -> Qual é o mais bonito gesto que se pode ter no Natal ?

MJR -> Eu acho que é tentar identificar as carências das pessoas e, discretamente, arranjar forma de colmatar essas falhas.

Era ponto de honra do meu avô e da minha avó, quando sabiam que alguém passava necessidades, ajudar sem que a pessoa soubesse quem era o autor. Nas vésperas de Natal, principalmente, aproveitavam para transmitir essas mensagens de amor. Colocavam o dinheiro ou os géneros na medida das suas possibilidades, à porta da pessoa e não diziam nada a ninguém.

 

L.E -> Pensa que o Natal é quando o homem quiser?

MJR -> Creio que dentro do coração de cada um, é . Se a pessoa cultivar a fraternidade e o respeito pelos outros, se pensar um pouco menos em si e um pouco mais nos outros, acho que é possível.

         Eu sou muito virada para a comunidade. Gosto muito de coisas bonitas mas não me agarro a nada. Sou capaz de dar tudo. A única coisa a que me sinto, realmente, ligada é aos meus livros. Fazem muito parte da minha vida, são fruto de opções.

 

L.E -> Em quem acredita: no Menino Jesus ou no Pai Natal?

MJR -> O Pai Natal para mim, não tem sentido. A mim sempre me ensinaram que quem trazia as prendas era o Menino Jesus, se nos portávamos bem o ano inteiro. A minha avó ensinava-nos a rezar quando éramos pequeninas: Menino Jesus perdoa as maldades que hoje fiz e ajuda-me a ser boa. Rezava isto, todas as noites e quando chegava perto do Natal fazia-se o balanço. Então achas que mereces as prendinhas do Menino Jesus? Era o menino que tinha essa responsabilidade.

 

L.E -> Qual a prenda que gostaria de receber nesta quadra?

MJR -> Queria muito a segurança na saúde da minha mãe. De material não há nada que cobice. Gostaria de fazer uma viagem no tempo. Tenho muitas saudades das pessoas do antigamente.

 

 

L.E -> Qual é a tradicional gastronomia alentejana da quadra natalícia?

MJR -> No Alentejo, os pratos mais típicos são os de peru, do lombo com amêijoas, as migas. Havia também, sempre um prato de peixe. Acho que o prato de peru não é uma tradição portuguesa, mas começou a entrar muito cedo nas nossas mesas devido à face criação da ave. A gastronomia do Alentejo sempre assentou nas coisas que havia. Temos também o arroz doce, os borrachos, as azevias que no baixo Alentejo se chamavam pastéis de batata-doce.

L.E -> CoNatal é a nsidera que o altura dos milagres?

MJR -> Nunca tinha pensado nisso, mas talvez seja. Porque o espírito de Natal, por vezes, toca tanto nas pessoas que, na medida em que conseguirem ser menos egoístas, mais generosas e voltadas para os outros, acaba por ser. O milagre pode ser esse…

         Ás vezes penso no Natal um pouco como penso em Fátima. Não sei se realmente existe, mas acredito muito no ser humano e acho que dentro de nós existe um desejo de crescer e de ser bom. Se há coisas que se fazem mal é porque as pessoas estão revoltadas, não receberam o crédito que achavam merecer.  

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:06

À beirinha do Natal

Terça-feira, 04.12.07

É sempre com um espírito diferente, daquele do dia a dia comum, que se faz esta caminhada do advento.

                         

Quer queiramos quer não, assim como o sol e a chuva, o frio ou o calor influenciam os nossos comportamentos, assim também as festas religiosas como que “contaminam” até o ar que se respira e, crentes e não crentes, se deixam empolgar por lembranças, evocações que conduzem a memórias guardadas no segredo de todas as almas, pelo mistério das nossas sensibilidades.

E, assim como se prepara a nossa aparência usando o melhor fato e, a nossa mesa, procurando paladares e aromas de petiscos tradicionais, para receber familiares e amigos, assim também nos corações deixamos que a ternura e o perdão amolecem as resmungos e impaciências do dia a dia e os afectos como que floresçam nos sorrisos e nos abraços de cada reencontro.

                 

E, se é certo que a dor das grandes perdas permanece como um lastro pesado no fundo de cada um de nós, não é menos certo que o triunfo da Vida, consiste em saber que o sol, ainda que não o vejamos, nasce todos os dias, e com ele a esperança se renova.

 Assim que os desejos bons que não concretizamos, as palavras que calamos e quereríamos ter dito na hora certa a quem talvez as tivesse esperado em vão, e sofresse porque as silenciamos; a companhia que não fizemos a quem triste e só, se possa ter pensado esquecido de todos; a mão que não estendemos a quem já sem forças se rendeu ao desalento porque lhe faltou esse apoio...

                               

Tudo o que achamos que não valia a pena termos feito porque outros o fariam melhor, ou porque a preguiça nos enredou...tudo, nos apareça em consciência, como brasas, ainda vivas, sob as cinzas dos tempos que não soubemos viver plenamente e nos sacuda e nos acorde para uma fome implacável de redenção.

Porém, logo a seguir, perdoamo-nos a nós mesmos porque não somos os salvadores do mundo, não temos tempo para tudo, que é muita coisa, que fizemos o melhor que sabíamos, e mais isto, e mais aquilo, que ninguém é perfeito, e, quase logo, logo, estamos com pena de nós...

                                

Então, como quem ingere um tranquilizante, que muito embora nada cure, tudo esbate e adormece por momentos, aqui estamos nós, ano após ano a despachar quilos de postais e cartas pelo correio com as saudações (de preferência já impressas, para maior facilidade!) a que justapomos apressadamente a nossa assinatura.

E, assim embalamos os nossos sonhos mais altruístas na vulgaridade dos nossos gestos...

                                    

Reconheço!

Reconheço, e deploro os remedeios que quase sempre substituem as mais nobres intenções, porém, aqui me rendo publicamente, fazendo para meu uso, a escolha que – também – mais à mão me calha por me parecer a mais lógica para chegar a todos os meus possíveis Leitores, ao Director e a todos os Trabalhadores do “Linhas” bem com a suas famílias os melhores desejos de Boas-Festas, e de um Santo Natal.

                    

Votos que expresso, também – com muita esperança – para a nossa Cidade, tão à mercê das marés...

 

                                                        Maria José Rijo

 

  P.S.                                                      

Aproveito, ainda, para agradecer, cartas e referências que me têm dirigido, através do jornal, de forma tão amiga, que, muitas vezes, têm sido “a mão” em que me apoio para ir em frente.

Bem hajam!

                                                     Maria José

 

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.845 – 22-Dez. -2005

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:50





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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