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Sorrir, porque não?

Quarta-feira, 06.05.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.731 – 17 - Outubro - 2003

Conversas Soltas

  

           

Porque será que todos conhecemos tão bem os deveres dos outros e, conseguimos descurar tão repetidamente os nossos?

A vítima mais recente, e também mais surpreendente, desta vaga de sabedoria colectiva, do que cada um deve fazer, é, nem mais, nem menos, do que o Santo Padre!

Cruzam-se pelo mundo inteiro as sentenciosas opiniões que lhe são destinadas, e quase todas convergem na obrigação que lhe atribuem de resignar.

Que conste, julgo que a história não regista dúvidas, Jesus Cristo carregou a sua cruz até ao Calvário.

             

Não desistiu a meio.

Não deitou a cruz ao chão, para se deitar sobre ela e descansar.

Porque não faria o Papa outro tanto se é em Cristo, – que representa, na terra, – que ele pousa o seu olhar?

     

Penso que todos aqueles que cultivam o bem da oração em vez de alvitrar isto ou aquilo para o caminho de Vida de João Paulo II, poderiam rezar para que ele, lhe não falte a coragem de levar o seu desígnio até ao fim.

O Papa foi bem explícito, quando afirmou que governa a Igreja com a cabeça, não com as pernas.

Pensando, mercê da minha idade, na pesada problemática da velhice, muitas vezes, agora, escuto e escuto o que aos idosos concerne.

                                     image001.jpg

Cada vez a esperança de vida das pessoas se alarga mais.

Cada vez a longevidade aparece mais como um factor comum e essa conquista tem, para quem já não for jovem, tanto de promissor como de aterrador.

   

Se até o Santo Padre, não consegue ser poupado à forma como os outros pensam que deve ser o seu comportamento; pode imaginar-se, como na intimidade de uma família, ou na própria sociedade, qualquer idoso se vê condicionado a uma obediência forçada a vontades alheias.

Queixam-se os jovens, e não serei eu a discutir as suas razões, de que não são compreendidas pelas gerações que os antecederam!

                

Será então que o percurso da distância que os separa só tem um sentido?

Será que esse caminho de não entendimento, é percorrido – também – de forma a ir ao encontro daqueles que já arrastam os pés, se deslocam em cadeiras de rodas, mas ainda dispondo da sua perfeita lucidez, se sentem humilhados a serem conduzidos como tolos e imbecis?

Cada época da vida do homem tem o seu ritmo próprio.

À árvore que se plantou, oferece-se o apoio dum tutor para que cresça erecta e perfeita…

À criança que ensaia os primeiros passos, dá-se-lhe a mão, para que se encoraje e estendem-se-lhes os braços para amparar se hesita ou cai…

À árvore feita, goza-se-lhe da sombra, dos frutos, da beleza, e não nos nega…

Do homem feito, na pujança da Vida, - recebem-se os frutos da alma: - exemplo, trabalho, palavra, obra…

         papa.jpg

Aos velhos, deixemos os tempos serenos da reflexão, e os espaços abertos para os seus passos lentos, mas entendamos que nem sempre por essa aparência se pode medir a sua capacidade de pensar e decidir.

Qualquer árvore dá sombra até cair…

       

   

Saibamos compreender o ritmo e os compassos do tempo…

É que também a vida (como na igreja) se governa com a cabeça!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:09

PENSO QUE DEVO

Sexta-feira, 04.04.08

Enquanto eu viver, enquanto cada um de nós viver, por muito que uns concordem e outros discordem – enquanto eu viver, enquanto cada um de nós viver – estou e estarei, estamos e estaremos no nosso tempo.

            Porque o meu tempo, - o tempo de cada um de nós -  o nosso tempo, não se cinge apenas à duração da nossa juventude.

O nosso tempo é o tempo das nossas vidas. 

Quando muito, poderemos dizer: - quando eu era jovem.

Quando éramos jovens...

Ou, também:- na época da minha juventude, ou, na época da nossa juventude mas , nunca, em caso algum, referir o passado como o nosso tempo , e afirmar que o presente já não nos diz respeito.

Admitir que terminada a juventude a vida se nos esgotou, e que o presente é apenas um património dos jovens onde por tolerância nos consentem ser testemunhas presenciais, não é nem verdadeiro, nem honesto.

É, na minha opinião, e, penso que devo dize-lo – uma atitude mentirosa e cobarde.

E, se assim a designo é porque ela se me afigura como uma falsa premissa que faz intuir que a inteligência e o conhecimento variam na razão directa da musculação e resistência física.

Às vezes, não tão poucas quanto seria desejável, ouço na televisão e leio em jornais criticas a pessoas que, já com uma certa idade, ainda não saíram da cena política e insistem em emitir pareceres que, “esses tais críticos” consideram fora de propósito

Como se ancião e imbecil fossem sinónimos.

Penso que, quem assim critica, ainda não parou para reconhecer que aos seus, embora muito grandes saberes, pode também, faltar algo que só o tempo lhe dará se lá chegar – a sabedoria da idade – a experiência de quem tem uma vivência que só o peso dos anos permitiu.

Também não iremos cair no exagero de afirmar que as virtudes são apenas apanágio da idade.

Parece-me ser justo afirmar que as pessoas que gozam a plenitude das suas faculdades, têm o direito e , até o dever de dar o seu testemunho, porque assim se faz a história – sobre o registo e  memória do passado.

Essa, é alias, a base da evolução e do progresso: - somar ao conhecimento adquirido por uns as experiências e descobertas de outros.

Também houve que tivesse desejado a resignação do Santo Padre João Paulo II.

          

Dão-se hoje graças a Deus, porque tal não aconteceu.

Embora as vidas não se avaliam pela extensão, também não se poderá afirmar que quer a longevidade quer a fragilidade física alterem ou fatalmente anulem a qualidade moral e intelectual do valor do testemunho de uma existência.

             Flyyy way...

Vida, é Vida desde o primeiro até ao último momento e, sempre única para qualquer idade.

Não se pode viver para se ser agradável ou simpático ou para dizer e fazer o que outros, por muito importantes que se julguem neste mundo, queiram que seja dito ou feito.

Vive-se para se dar testemunho de ser gente – ser pessoa – cada um de nós – filho único de Deus.

Procuro, por isso, fazer o que penso que devo.

                           Maria José Rijo

 

@@@@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.810 -- 21-Abril – 2005

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:10

A Chave

Quinta-feira, 23.08.07

No jornal “Linhas de Elvas” nº1756, de 19 de Outubro de 1984, sob o título “a Chave”, na minha rubrica então designada “A la Minute” escrevi assim:

 

......Como música de fundo na minha memória, o eco de uma voz.

A voz do Santo Padre com aquele seu jeito, tão particular de falar português.

Com aquele seu olhar tão directo, de céu limpo tão azul:

”Porque é o Homem”

O “Homem...”

Lembram-se como Sua Santidade pronunciou esta palavra recortando o “m” final?

Parece que foi ontem, ali em Vila Viçosa...

“o Homem” como se dissesse: - “Homem-me”.

E essa sua maneira de dizer faz que a palavra tenha uma ressonância, um eco que não tem, se dita por nós.

É como se todo o sentido, todo o significado, todo o valor divino do humano se evidenciasse de repente às nossas consciências...

Os trabalhadores tornam-se: os homens – O Homem!

Os exércitos tornam-se: os homens – O Homem!

Os inimigos tornam-se: os homens – O Homem!

Todos readquirem a dimensão certa, são os Homens, são o Homem!

Com mais fé, com mais tolerância, com mais amor.

Com verdadeiro sentido de “os outros homens”, o homem verdadeiro é aquele que aceita viver com a consciência de Deus.

Nesse caminho encontrará a resposta em si, e, dela dará testemunho na sua vida.

Se o homem reconhecer que “nada do que é humano lhe é impossível”( como disse Santo Agostinho)- não precisará de ser sábio para entender que aos mesmos homens que escolherem os caminhos das guerrasVeja fotos do papa

 e destruições também estão abertos os caminhos da Paz,  da Justiça e da Santidade.

E, é essa a chave

.

Vão passados 21 anos.

Vejo-me hoje, entre aquele número sem conta dos que choram a morte do Papa João Paulo II.

E, na minha memória, dele, resistirá o eco da sua voz, então ainda forte e possante, pronunciando a palavra “Homem” como sinto que Jesus teria dito a Lázaro levanta-te e anda!

Porque dita por ele a palavra Homem encerrava todo o caminho da humanidade, tinha toda a força da sua fé e o significado de uma profecia de esperança dirigida a cada um de nós

Assim também o entendi e creio.

Assim o mundo inteiro lhe reza e agradece.

                                                                               Maria José Rijo

@@@@

Jornal linhas de Elvas

7-Abril – 05 – Nº 2.808

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:20





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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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