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UM JORNAL DE HÁ 4 SÉCULOS

Quinta-feira, 28.10.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1839 –  30 de Maio  1986

UM JORNAL DE HÁ 4 SÉCULOS

 

Quem nos diria que há quatro séculos já havia um jornal denominado “Gazeta dos Desportos”?

Parece impensável?

Vejamos então:

Será que se admite como possível que qualquer redactor de um jornal não distinga as cidades das vilas ou aldeias do seu próprio país?

Impensável?

 

Pois… quem já leu por duas vezes, em pouco tempo, escrito na Gazeta dos Desportos – vila de Elvas referindo uma cidade que tem, nessa qualidade, mais de quatro séculos de existência, só pode pensar que o dito é, consequentemente, anterior ao século XVI!

Ou não será assim?

Porque, - de duas - uma:

 

Ou há um mínimo de preparação – instrução primária – (onde já se aprende geografia politica que baste para saber quais são as cidades do nosso país) – que se exige a quem escreve em jornais de futebol ou, o doutoramento na matéria vem já de tão longe no tempo, que antes de Elvas ser cidade, o que aconteceu a 20 de Abril de 1513, já este jornal se editava. Apostando nesta hipótese, julgo que o que nos chegou às mãos foi qualquer transcrição ou fotocópia – (moeda mais recente) – de velho e precioso manuscrito! 2, daí que o nosso pasmo seja tamanho quanto a nossa confusão!

 

Naqueles tempos, era usado o pergaminho como hoje se usa o papel.

Só nós sabemos, se, já então para tal se curtia a pele de burro.

Talvez! Porque duas vezes seguidas a mesma imperdoável calinada é qualquer coisa que excede o que é razoável aceitar por lapso! …

 

Maria José Rijo

 .

ATENÇÃO:

Para conhecimento dos interessados, nesta citação parcial:

“… e vendo a grandeza da nossa notável e muito honrada Villa de Elvas, e como a sua povoação e nobreza vay louvoros a D.S.., cada vez em mayor crescimento, povoada de bons fidalgos, e cavaleiros, e outra gente de merecimento e q. estão sempre aparelhadas pª. Nos servir com armas, homens e cavallos, e como por todas estas razões he coiza justa………………………………………………………………………”

 

(( carta de el-rei D. Manuel, de 20 de Abril de 1513, elevando Elvas à categoria de cidade )).

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publicado por Maria José Rijo às 19:34

As palavras e a gente

Quinta-feira, 02.09.10

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3086 de 2 Setembro de 2010  

Conversas Soltas

As palavras e a gente

 

Um grupo de escritores, amigos de Miguel Torga, resolveu certa vez, oferecer-lhe uma palavra. Depois de muito pensarem e discutirem, decidiram por unanimidade que, para Torga, a mais certa, a que melhor lhe quadrava, e, então lhe foi oferecida, foi a palavra – telúrico.

Sempre achei esta história que me foi contada por um elemento do grupo do qual, também fazia parte Virgílio Ferreira, uma delícia.

 Quem leu poesia sua, os seus diários, ou estudou alguma coisa sobre a personalidade de Torga, não tem dúvidas de como a essência da palavra lhe assenta como uma feição. Sóbria, escorreita, sem arrebiques, nem artifícios, promissora como terra generosa e fértil.

Daí que muitas vezes, quando recordo este episódio, me detenha a pensar nas palavras que gostaria, também, de ser eu a oferecer a algumas pessoas em determinados momentos ou circunstâncias ou, naquelas outras com que qualquer de nós ficaria feliz se fosse presenteado.

Porque as palavras, como a música, são uma forma de mostrar como se vê o mundo, como se sente a gente entre a outra gente, com que força de alma, com que olhos, com que amor se abarca a Vida.

 

Quem diz: - meu amor, ou meu querido, ou minha querida, beija com as palavras seja qual for a distância a que se encontre da pessoa a quem se dirige - porque a palavra não é apenas um conjunto de letras. A palavra é um cofre de emoções que se abre especialmente para o coração, para o entendimento de quem a recebe, de quem a escuta, a guarda, a recorda.

Oferecer uma palavra, pode ser como oferecer uma flor, um fruto. Porque a palavra também pode ser olhada com fruto de um sentimento, como flor de um afecto, como a ternura de um sorriso

A palavra tanto pode afagar, mimar, salvar, como também, pode gerar todas as situações opostas.

Com a palavra também se pode brincar, embora a palavra nunca seja um brinquedo.

Então hoje, lembrando o aniversário de o jornal “ Linhas de Elvas”que, como toda a imprensa vive da palavra, ocorreu-me ponderar qual, ou quais seriam aquelas que lhe poderiam ser oferecidas.

Quais as que lhe assentariam, como retrato, quais as que, olhadas fosse por quem fosse, que o conhecesse, dele falassem, como o sorriso a gargalhada, o tom de voz, identifica qualquer pessoa da nossa intimidade.

Como lembrar é um dos privilégios de quem viveu muito…

 

Recordei o dia em que o vi nascer e só me ocorreu -Sonho!

Recordei perseguições políticas e escrevi – Coragem!

Recordei aplausos e vitórias e escrevi – Reconhecimento!

Recordei adversidades suportadas sem soçobrar e escrevi – Dignidade!

Recordei o serviço de amor a Elvas e escrevi – Fidelidade

Recordei a democrática aceitação de diferentes ideais e escrevi – Imparcialidade!

Recordei o culto da Verdade e escrevi – Honra

Quis escolher uma palavra apenas, mas, não sabia qual escolher . Reconheci que somadas contam uma – VIDA – a vida de um jornal que nasceu sob a custódia do nome da – talvez mais importante batalha para a independência de Portugal – LINHAS DE ELVAS – que, como um estigma, marca a sua génese e o seu percurso.

Então, sentindo quanto, e como, todas lhe cabem por justiça, dei-me conta de que, juntas, são apenas por uma:

“ LINHAS”

Assim, e, todo o coração, como quem reza, só fui capaz de pensar

e escrever:

Escorreita e nobre a tua Vida, companheiro!

 

Parabéns!

 

 

  Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 11:34

Ministros

Sexta-feira, 17.04.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.749 – 24 Agosto de 1984

Nº 2.867 – 25 Maio 2006

Conversas Soltas

Por essa altura, vão passados 22 anos publicou este jornal um:

 “A lá Minute, (assim se chamava por esse tempo o meu espaço) em que parafraseando um programa de televisão de origem britânica – “Sim, Senhor Ministro!” - me foi dado comentar uma situação muito parecida com a que atravessamos agora.

Devo dizer que ninguém me “esconjurou”, embora até o Manuel Carvalho, o tivesse lido aos microfones da Rádio Elvas.

Ninguém teve dúvidas de que não estou, nunca estive contra quem quer que seja, mas apenas, agora e sempre com todos os que se batem por Elvas.

Dada a explicação, repito o texto que me parece, vem a propósito!

Sim, Senhor Ministro!

Li!

Li, sim Senhor Ministro!

Elvas inteira leu.

Leu, sim Senhor Ministro!

Leu e pasmou.

Lemos e pasmamos! Pasmamos, sim Senhor Ministro!

Pasmamos com a sua “série...” de razões

Pasmamos porque as razões de tal série, dão que pensar – não dão para rir.

Perdoe. Perdoe, sim Senhor Ministro se há alguma confusão por razões de outra... série. Temos motivos para estar confusos. Temos sim, Senhor Ministro!

       

A Santa Casa da Misericórdia de Elvas (hoje Hospital Distrital) foi criada aí por 1502 -1505!!!

Sabia Senhor Ministro?

E sabe Senhor Ministro o que significa para uma população cortar à sua cidade raízes desse tempo?

Eu sei, Senhor Ministro, eu sei.

           

Veja que vivendo em Angra do Heroísmo quando do terramoto vi cair a cidade. Vi cair a Sé.

A Sé era quinhentista como é a Misericórdia de Elvas.

Sabe o que é ver cair a nossos pés raízes portuguesas que vêm de tão fundo no tempo?

Não sabe? – Então não queira saber.

O chão treme. Tudo oscila. Tudo vacila.

É o caos. Acredite.

Não brinque aos Deuses, não brinque Senhor Ministro.

A história dará testemunho da nossa razão.

Dará, sim Senhor Ministro!

Ou quererá o Senhor Ministro reeditar a ideia do tempo do Dr. Salazar, (que Deus haja!) quando “poupou” na instrução criando “regentes em lugar de professores e “postos” em lugar de escolas?

                 OliveiraSalazar.PNG

Ou é que ao reconhecer a importância evidente da cidade de Badajoz está “por gentileza” sugerindo que vivamos como seu subúrbio, com a mesma magnanimidade régia com que Olivença foi oferecida a Espanha?

     

Há maneiras tão subtis de destruir que é preciso que se saiba que não é apenas com bombas que se fazem “Guernicas”...

Pense em Elvas. Pense sim, Senhor Ministro!

Não como uma cidade a espoliar para engrandecer outras.

Não como uma cidade a humilhar.

Pense em nós – reconhecendo-nos o direito de crescer e progredir com a ajuda de todo e qualquer governo – até o seu – o seu, sim Senhor Ministro.

                          lesmas.jpg

Se não o sabe fazer – demita-se! – e deixe o seu lugar a quem tenha da justiça que se deve às populações uma visão mais realista e mais humana,

Faça-nos esse favor.

Faça, sim Senhor Ministro!

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:14

As várias faces

Terça-feira, 14.04.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.849 – 8 de Agosto de 1986

  

Numa família, mesmo numerosa e de parcos haveres, quando nasce um elemento é sempre ocasião para festejar.

Foi assim agora. Uma cidade de província, não muito grande, como é a nossa, recebeu a presença de mais um jornal e celebrou o acontecimento.

Não há dois, sem três, diz o povo.

 

Aí está, pois, o terceiro, temos a conta certa ao que parece. E, se pelas condições e dimensões do meio, não poderemos vir a ser mais família de parentes abastados… há uma posição de vida que para todos é possível e desejável… a de família unida…

          Família-unida

correcta… onde cada qual ocupa o lugar que lhe cabe e o exerça com brio.

São sempre possíveis olhares diferentes, e sinceros, sobre as mesmas coisas.

Quando o poeta canta que “importante é a rosa” ele também sabe que para a lagarta voraz, toda aquela beleza é apenas um manjar.

E, se os apaixonados a usam como testemunho de amor, o luto transforma-a num sinal de saudade.

        Quaresma - Tempo de Oração, Jejum, Abstinência e Conversão

Não admira que o crente sinta a rosa como um convite à oração, um motivo de graça a Deus.

Cada olhar tem seu toque de alma frente à vida…

Sua semente de fé…

Sua pitada de esperança!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:53

O pretexto da visita

Segunda-feira, 09.03.09

Jornal O DESPERTADOR

Nº 247 – 25 de Fevereiro de 2009

A Visita

O pretexto da visita

 

Qualquer pretexto serve para conversa.

Qualquer conversa é pretexto para entreter uma visita.

Nesta altura de Carnaval comentar máscaras e cortejos daria pano para mangas.

 Daria! - Mas se até o Carnaval já não passa de uma triste repetição, “dum transplante” desajustado do calor do Brasil para o frio de Portugal, sem graça e sem carisma...         

Se até a folia à antiga portuguesa dos festejos de comadres e compadres, já passam em brancas nuvens...

Dos “assaltos” com máscaras trapalhonas ou os outros de fatos a primor com bailes e fartas ceias também já são se ouve falar...

Se, tudo isso, são apenas recordações...

De nosso, o que se vê por aí, são as os rostos amarelos, as caras da crise e o desconsolo indisfarçável dos cortejos onde as ocupantes dos carros parecem cumprir mortificadoras penitências, tão quietas, e pouco alegres se mostram...

Salvam-nos as crianças que inocentes se divertem, por tudo e por nada e para quem andar a passear de mão dada com a mãe o pai ou os avós já é festa, quanto mais espalhar confetes como quem semeia sonhos.

Assim, que, procurava qualquer coisa que me causasse admiração,

algum espanto, ou curiosidade, qualquer coisa diferente para não cairmos na mesma monotonia repetitiva dos Carnavais.

Dava voltas à minha imaginação procurando um tema.

Para disco partido repetindo até à exaustão suspeições e tramóias de gente – dita de bem - que usa colarinho branco a vida inteira como máscara  tão perfeita, que até parece mentira que sejam , quem na verdade são... – já temos os noticiários...

Desesperava.

Nada de novo no nosso pacato horizonte.

                  

A cidade a cair.

Os roubos e violências – q. b. para inquietar...

O horror do resultado da obra do abate das árvores e corte das esplanadas da muralha a crescer em fealdade e inutilidade, como se previa.

Ninguém reclamava um autódromo!

Mas... há sempre um mas.

Eis que chega uma revista de propaganda socialista editada pela Câmara.

Nela se anuncia a recuperação do poético jardim das laranjeiras.

À saudável alegria da notícia junta-se o receio...

O que sairá desta vez!!!

Será o seu aproveitamento idêntico ao da Quinta do Bispo?...

A ver vamos – dizia o cego...

Na contra capa, celebrando a festa da época, uma máscara a preceito.

Com seu nariz vermelho, seus óculos desmesurados, seu cabelo multicor.

Então descobri a novidade.

Que graça!

Em trinta e uma páginas – há dezoito – dezoito – repito - que não trazem um rosto que costuma fazer as delícias deste povo que o ama tanto, tanto que estou convencida que sem esse ícone cinco ou seis vezes por página, como já tem acontecido, nem saberá ao certo de quem é este álbum de fotografias.

 

Bom Carnaval para todos.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 20:30

VOLTEI A CUBA

Sábado, 24.01.09

JORNAL O Dia

1994

Os caminhos do tempo são, fatalmente, em frente. Não se volta ao passado.

Há no entanto, um instinto irresistível que nos obriga a olhar para trás com frequência.

Volta-se a lugares. Procuram-se vestígios. Encontram-se pessoas. Surpreendemo-nos com “estranhos” que nos foram íntimos em épocas passadas e que vivencias diferentes de nós distanciaram.

                   

Voltei a Cuba. A Cuba de Fialho – não a de Fidel.

Lá está ainda, no largo do Tribunal, o prédio que ele desdenhou comentando em tertúlia de amigos - (onde o proprietário gabando-o, impava de vaidade).

-“ A fachada é original! é! – parece uma secretária de pernas para o ar”.

   

Nós vivêramos na casa marcada pela lápide porque fora de Fialho de Almeida. Isso tornou-se um estigma ou um sortilégio, para mim. Não sei mesmo se ambas as coisas.

Na vizinhança as pessoas de mais idade haviam-no conhecido. Repetiam-lhe os ditos, contavam-lhe as histórias.

De contos de gente crescia eu ávida.

                        

Ia sentar-me junto da bordadeira já idosa, ou talvez, só murcha, pálida, serena, e bonita como uma imagem de cera, que, com gestos delicados, paciência e linhas de filosela de seda fazia florir as roupas do meu enxoval de moça casadoira e, enquando bordava – contava, contava, contava…

           

-- “O Senhor Doutor” – referia-o sempre assim.

--“O Senhor Doutor” – dizia à minha Mãe – põe meias de cor à rapariga! Ela é tão branca que toda a gente vai dizer que a trazes de pernas ao léu…”

-- Havia aí um homem que era muito vaidoso e, porque era rico e benemérito da terra, a tudo, ou quase tudo se referia dizendo: - isto fiz eu.

Ora ele era solteiro e um pouco esquisito. Aqui o tom de voz e a cor lhe subia ao rosto é que faziam a definição de equívoco.

Um dia, surgiu no grupo com um menino ao colo – era um afilhado. Logo Fialho sarcástico:

-- Oh, fulano – tu não me vais dizer hoje: - Isto fiz eu! “

Eu bebia estas histórias que arquivava com o tom de deferente enlevo em que sempre era referido o Senhor Doutor.

Depois, havia o jazigo, com os gatos de pedra, enroscados rematando a pequena abóbada. A frase ao lado da porta “miando pouco, não temendo nunca, arranhando sempre”.

Era tudo isto e era habitar a casa que lhe pertencera.

 

Respirar o perfume melado da acácia espinhosa que floria em cachos brancos logo ao lado da cisterna, no quintalzinho sombrio onde as violetas, que espontaneamente alastravam debruando as paredes rente ao chão, davam ao conjunto um toque de nostalgia tristeza como se o quintal fosse um claustro onde se evocasse uma qualquer soror Mariana consumida de desejos de amor.

Nunca liguei aquele ambiente ao perfil que criara de Fialho. À sua argúcia, ao seu destemor brigão, à sua mordacidade, à quase irracional brutalidade da força com que por vezes queima a sua prosa.

- “A coira esticou o pernil”. Com esta frase que põe na boca dum personagem fecha a história dum estupro, que ali em rapariga e, ainda hoje sangra na minha sensibilidade.

Mas… o que eu vinha a contar e já se me escapava era uma graça que teria divertido Fialho, penso!

Após o 25 de Abril, ali por Dezembro, andaram uns aviões a fazer piruetas lá por aquelas paragens. Com seus rastos de fumos coloridos deixaram desenhadas no ar enormes foices que o povo olhava fascinado – apelidando a habilidade de milagre. O menino, 5 anos espertos, viu também e comentou no mais castiço vernáculo alentejano:

-“Ò menino Jesus dum cabrão, atão voceia também já é comunista?”

-“Ai, nino! Já não mamas nada no Natal – vais a ver! – aí o que tu dissesti” – respondeu a irmã um nadinha mais velha e já cautelosa com as coisas do sobrenatural.

- Dêxa! – desabafi”

Porém, pelo sim, pelo não, entrou em casa sorrateiro, foi à chaminé – que sempre será o único telefone directo para o Céu – e disse:

- “Olhe lá menino Jesus – aquilo quê dissi foi a brencari…”

Também se nasce génio em política e diplomacia – digam lá o que disserem.

 

Maria José Rijo

 

 

 

 

 

 

VOLTEI A CUBA

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publicado por Maria José Rijo às 22:55

De vez em quando...

Quarta-feira, 26.11.08

Jornal O Despertador

Nº242 – 26-Novembro de 2008

A visita

 

Quer por visita, quer pelo telefone, de vez em quando, mais ou menos, todos vamos contactando uns com os outros.

 Assim se faz o sustento da amizade, ou, até do dever cívico de boa educação, entre conhecidos ou afectos aos mesmos ideais, projectos, ou crenças, sejam elas religiosas ou outras quaisquer.

Hoje, calhou-me vir bater a esta porta, porque sei que há sempre, por detrás dela, alguém com quem trocar dois dedos de conversa.

É domingo, estou só, e apesar do dia estar lindo, com um sol resplendoroso, apetece-me a serenidade do aconchego da minha casa, a minha música, o rememorar das minhas saudades, os meus pensamentos.

Assisti à missa pela televisão, e deixei-a aberta a fazer presença de fundo, enquanto cumpria obrigações domésticas inadiáveis.

Quando me dispunha a silenciá-la fui surpreendida com uma entrevista, bem interessante, com o Comendador Nabeiro, que me prendeu a atenção e, até porque o tema era sobre diferentes maneiras e usos de consumir café, quer como bebida, quer como condimento para receitas culinárias do maior requinte, vi, até final, com muito interesse.

            

Fiquei depois a pensar na homenagem que o povo de Campo Maior, sua terra natal, prestou a Rui Nabeiro, com a colocação, numa bonita praça, de uma estátua com a sua figura.

Como em tudo nesta vida, haverá quem goste e concorde, e quem tenha atitude contraditória.

Não é disso que venho falar, nem me caberia o mau gosto de emitir qualquer opinião sobre o assunto.

O que defendo, no meu ponto de vista é que estas atitudes quando se tomam, devem servir para dignificar a personagem eleita, como aconteceu no caso vertente.

A alguém que ultrapassa a medida comum presta-se uma homenagem acima da vulgaridade, como é certo, e não caberia nas conjecturas de quem quer que fosse escolher para o efeito um beco ou um a viela.

“ Se uma coisa merece ser feita, merece ainda mais ser bem feita” – diz a sabedoria popular.

Neste ponto da minha reflexão, pensei nos nomes de ruas que, na nossa cidade ultimamente têm sido como que semeados no vento, quero dizer: - não se entende com que critério de selecção acontece.

Deixam-se no olvido nomes de gente “grande” – que em vários ramos se notabilizaram – e gravam-se nomes de quem cruza connosco na rua e, se calhar até se sente constrangido por tão descabida e incómoda celebridade, quando às vezes, nem os vizinhos lhes sabem o nome...

Fixemo-nos então na nossa cidade.

Imagem

Não se erigiu estátua ao rei Senhor Dom Manuel – que todos sabemos ou deveríamos saber, quanto peso de história tem em relação a Elvas e, há gerações e gerações que é grosseiramente esquecido – mas, um dia, alguém lembra que é quase um pecado não remediar tamanha falta.

Então o que acontece? – A sua figura ímpar – é homenageada.

 Mas como? – Afixa-se o seu nome numa rua qualquer, dum bairro qualquer, lá onde o diabo perdeu as botas...

E, é esta a justiça que se lhe presta.

Falta de noção de proporções, talvez...

Falta de sentido de justiça, talvez...

Falta de não sei quê mais, talvez...

Será porque alguém (alheio ao poder) mas com saber e responsabilidade, lembrara há pouco tempo, que o lugar ideal para lhe ser honrada a memória – com uma estátua – era, a praceta entre o Aqueduto e o hotel D. Luís – que teve que acontecer com a mesquinhice que se conhece o triste e humilhante remedeio?!...

Oxalá se retome a noção de proporções e os que se crêem grandes, consigam assumir dimensão superior, dignificando quem, na verdade, tem lugar de honra na nossa história e, neste caso – também - na nossa terra.

Dar a uma rua, ao acaso, nesta cidade - o nome do rei Dom Manuel - é como negar-lhe a entrada pela porta  principal, e mandá-lo ir de volta, pela porta de serviço .  

Melhor fora, fingir que não se lhe conhece a estatura.

Elvense sofre...

                            

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:12

2 de Setembro - 2006

Domingo, 14.09.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.882 – 7- Setembro -2006

Conversas Soltas

 

Em 2 de Setembro, no ano de 1950, a tempo de ir, pela mão de seu fundador, - Ernesto Alves e Almeida - como um filho pela mão de seu Pai, ao primeiro S. Mateus da sua vida, nasceu o jornal “Linhas de Elvas”.

Por um destes desígnios misteriosos da vida, Ernesto, deixaria o leme dos destinos do seu jornal, quarenta anos depois, também num dia 2 de Setembro, deixando o Linhas de Elvas, como legado a seu único filho e actual Director.

Herdar um jornal, como o “Linhas”, é quase herdar um destino.

       

É herdar um compromisso com a independência de expressão, é herdar uma bandeira hasteada em defesa da liberdade.

Não é herdar um emprego, nem um trabalho, se bem que englobe tudo isso e muito mais.

Herdar o “Linhas de Elvas”, não foi herdar apenas um jornal.

Foi herdar uma missão de serviço a uma cidade.

Foi herdar a causa da justiça, a defesa dos seus ideais.

Foi herdar o compromisso de honra de dar voz aos fracos frente aos poderosos

Foi aceitar a luta sempre desigual da verdade contra a falácia.

Do doce enganoso, contra o amargo que cura.

Aceitar a herança de um jornal é aceitar riscos.

É arriscar dinheiro, conforto, tranquilidade, paz em nome do bem comum.

Aceitar a herança de um jornal é um acto de coragem.

Quando João Alves era pequeno, talvez com três, quatro anos, uma tarde na Piedade a brincar ao lado de seu Pai, de meu marido e de mim, caiu e esfolou um joelhinho.

O Pai, ergueu-o imediatamente pedindo com carinho: - não chores!

Ele, era dez reis de gente! - Vestia um bibe, como então todas as crianças usavam, ficou empoeirado, muito quieto, olhou-nos de frente, empertigou-se, com muita dignidade, sacudiu a roupa e disse com comovente convicção: - O João é um homem!

E não chorou.

Pois é João!

– Espinho que nasce para picar, nasce logo com o pico...

Todos os Homens sabem, que o maior orgulho, o único orgulho que a dignidade lhes consente – é o de serem capazes de controlar as suas emoções, voltar atrás se for necessário, para continuar em frente, como corajosamente acabas de fazer.

Obrigada pela lição de Carácter e de Honra que deste a todos nós.

Neste dia de aniversário, nada mais nobre para o destino de um Jornal, do que reconhecermos que ele tem ao leme um Homem que sabendo assumir toda a fragilidade de quem é humano, sabe sobrepor, a dignidade e o dever acima do seu conforto e da sua conveniência., e que aceitando contratempos e sacrifícios, defende a terra onde nasceu e honra a memória de seu Pai dando, também a seu próprio filho o exemplo do que é ser um Homem de Palavra, de Bem e de Coragem.

Parabéns!

Parabéns, obrigados e longa vida são os meus votos.

É que, se com ternura te vi crescer, confesso hoje, aqui, o orgulho de merecer a amizade do Homem de Bem que a Vida de ti fez.

 

 Maria José Rijo

 jornais

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publicado por Maria José Rijo às 00:23

Dia de Festa - 2003

Sexta-feira, 12.09.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.725 – 5 / Setembro/ 2003

Conversas Soltas

 

 

Convencionou-se que as idades se medem por anos e por cada um deles se festeja a Vida, se comemora, se recebem parabéns.

Implicitamente, assim se afirma que viver é uma felicidade. É uma festa.

Não fora assim e não se justificariam as comemorações, os parabéns...

[jornais.jpg]

Não deixa de ter lógica pensar que: - se os anos se contam pela soma dos meses em que os dias se agrupam, e os dias são a soma das horas e estas, a soma dos minutos que se repartem em segundos – poderíamos estar sempre em festa, porque afinal o que se comemora é o tempo de existência – a Vida.

E, o tempo é cada momento, cada instante.

E, em cada um deles cabe a memória de todo um passado. Seja de dias, anos, séculos até, se os houvéramos vivido...

Hoje, agora, neste momento, porque é dia de aniversário, venho dar parabéns. São pelo dia de hoje porque é o dia actual, o presente duma história já com mais de meio século de passado. E, é por essa Vida já vivida, por essa coragem de somar cada instante, cada dia, na realização de um projecto, de um sonho, é por essa persistência de existir criando futuro á medida que se edifica passado que esta data é de festa.

       Menino-e-menina-rindo-sentados-no-chao-vendo-jornais

Muita gente já passou por este jornal

Muito coração bateu, muito sangue vivo circulou, enquanto a mão deslizava no papel apontando emoções, contando histórias, relatando factos...dando a notícia, criando o jornal.

Que um jornal, não é apenas o que nele se escreveu e lê.

Um jornal, é também rosto e alma de quem o faz, de quem escolhe colaboradores, forma, maneira de o apresentar, e depois o solta, como um pássaro contente e livre. 

passaro.jpg

Um jornal é um arauto da vida e da história de um povo, de uma região, de uma cidade, de uma corporação, de uma escola, de um grupo...

Um semanário de província, faz a história do quotidiano da sua região.

E, este, é o nosso.

É o jornal da nossa cidade, que da Batalha das Linhas de Elvas tomou o nome como símbolo de uma maneira de estar na Vida – independência!

Talvez porque independência e liberdade gostam de andar de mãos dadas, talvez por isso, o “Linhas” tem seguido seguro no rumo que escolheu.

Que assim seja.

Que viva, e, sempre, como agora, se veja rodeado de amigos e admiradores que lhe reconheçam o mérito e o acarinhem em cada semana quando se oferece pontualmente nas bancas de venda relatando alegrias, triunfos, desgostos e decepções, - o bom e o mau - tudo o que faz o pulsar da Vida que sempre gira ao compasso dos corações da gente, da nossa gente .

 

 

Maria José Rijo.

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:45

O Linhas de Elvas - 2002

Quinta-feira, 11.09.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.674 – 6 – Setembro-2002

Conversas Soltas

 

 

O “Linhas de Elvas” faz anos, e em festas de aniversário, ou em quaisquer circunstâncias especiais, sempre parentes e amigos aparecem para fazer a festa do coração.

É o abraço, a prenda, a flor, a presença discreta ou exuberante, o simples aceno, o jantar de festa, a petiscada, o brinde, ou, os dois dedos de conversa de quem não sabe de outro modo dizer: - estou aqui!

Esse, é o meu jeito, cavaquear um pouco, caminhar lado a lado, e, para isso, rompendo o meu forçado silêncio, aqui vim.

Junto-me a todos os outros amigos para festejar.

Olho para o percurso do Linhas e, vejo-o com orgulho a crescer com o correr dos tempos.

Medito em como os jornais, ao invés das pessoas, percorrem os seus caminhos.

O tempo passa e, com ele a Vida humana, como um rio, procura inexoravelmente a foz.

Para um semanário que já cumpriu mais de meio século, o tempo que passa promete-lhe, ao contrário do que se passa na existência humana, mais vastos horizontes de Vida.

É como que uma afirmação de capacidade.

Se a Vida humana é o rio que corre em busca do mar, e que em cada dia vivido, mais perto se aproxima do seu mergulho no Infinito; um jornal que persiste em vir à luz semana a semana, ano após ano, não envelhece, renova-se a cada número, a cada exemplar, afastando-se do fim á medida que vence o tempo, e o contabiliza como capacidade e força de viver.

Arvore

O jornal é mais como a árvore. Enraíza com os anos. Fortalece-se com o tempo.

As árvores, renovam-se em cada raminho que nelas brota. Refrescam-se em cada folha, cada flor. Engrossam seus troncos, ganham porte e estrutura. Tornam-se frondosas. Impõem-se pela majestade, embelezam-nas as marcas das tormentas, dão-lhe expressão como as rugas num rosto.

Consolida-as o tempo.

Tornam-se protectoras na oferta da sombra. Marcos, às vezes referenciando caminhos.

Dizia-nos em certo dia, dum passado já longínquo, uma velha habitante duma pequena aldeia do Minho a quem solicitamos indicações para chegar a uma Quinta situada naquela zona:

- Não tem mais que saber, meus senhores,... Caminhai e lá adiante depois da curva, encontrareis uma carvalha gigante, – vereis logo o portão, é aí.

Os jornais são um pouco assim.

Como elas, as árvores, não são eternos, mas podem ser muitas vezes centenários.

(Em Guilhafonso, pequena povoação situada, ao pé da cidade da Guarda há um castanheiro onde se vai em visita de reverente admiração.

É que ele já existia no tempo das Descobertas.

Só Deus sabe se seus iguais não sulcaram os mares feitos caravelas e, só ele, ficou para disso dar testemunho...

Aqui, ao pé de nós quem sabe se algumas das oliveiras que a eito se arrancam não serão milenares!!! – Eu, não juraria...)

Aos jornais, também o tempo os consolida. Dos seus percursos, da forma de noticiar, do porte que adquirem por “seus feitos”, sua coragem e honestidade, seu culto pela verdade, nasce e se forma a sua auréola de respeitabilidade, o seu bom nome, a sua relação com as terras a sua intimidade com as pessoas.

           

Os jornais preservam a história do dia a dia. Os jornais de província são a memória do nosso quotidiano.

De há mais de meio século para cá, quem quiser saber, qualquer coisa de interesse ou importância sobre a cidade Elvas não pode fugir à sua consulta.

Tal como a velha habitante da aldeia do Minho, referenciava o carvalho gigante, aqui, qualquer interlocutor, ao acaso, só poderá responder: - Consulte o Linhas Elvas!

Não tem mais que saber.

 

 

 Maria José Rijo.

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:34





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