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Estatutos trocados

Segunda-feira, 23.03.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.76811 Janeiro de 1985

  

Algumas vezes acontece ouvirmos outras pessoas formularem opiniões que, espontaneamente, cometemos: era isso que eu queria dizer! – ou: - é isso que penso!

Na verdade, assim é. Vamos vivendo, vendo, acumulando experiências e conhecimento e, em certos momentos, somos surpreendidos por ver alguém à nossa frente verbalizar o que nos já era verdade assente – embora nunca o tivéssemos expressado.

A nossa opinião defendida assim por outras pessoas, dá-nos uma perspectiva engraçada: é como se pudéssemos ver de fora – para dentro de nós.

                                     

Pois, foi assim, outro dia, escutando uma entrevista pela rádio.

Falavam do que todos nós sabemos: a dificuldade em todos os aspectos, da vida do nosso País. Falavam de soluções possíveis – falavam de diversas formas de as encontrar.

Uma coisa, porém, ficou evidente nas diferentes intervenções:

Uma das principais e mais graves carências, é a da justiça.

Quando o homem da rua se queixa da fraqueza do governo – acusa-o da fragilidade com que exerce a justiça.

É na verdade necessário e urgente que se possa andar em paz e segurança nas ruas. É necessário desmantelar as inúmeras quadrilhas de todos os tamanhos e feitios, que por muitas diferentes artes e maneiras proliferam por aí, minando e corrompendo a justiça social. É na verdade, necessário e urgente, deter e suster o uso e abuso de “liberdades” que nada tem que ver com a liberdade a que todos temos direito.

                        

Quem trabalha, quem cumpre, tem direito à liberdade de viver em paz – trabalhar em paz – deslocar-se em segurança pelas ruas das suas terras, das suas cidades, a qualquer hora do dia e da noite. Isso faz parte do verdadeiro estatuto da liberdade.

            

 

 

 

O que nós temos agora é apenas a oportunidade de nos esgueirarmos de uns lados para outros, receosos, assustados, sempre esperando ser espancados e roubados…

Concluindo: O Povo ordeiro é que tem que viver e proceder com as cautelas e os temores que definiam a atitude insegura de ladrões e malfeitores.

Tranquilos – impunes – à vontade --- agora por cá – quem anda: - São eles.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:17

Reflexão sobre Liberdade

Sexta-feira, 06.07.07

http://olhares-meus.blogspot.com/

Forte de Nossa Senhora da Graça - de Elvas

Todos os anos, pelo 25 de Abril, se repetem as entrevistas, aos resistentes ao regime de Salazar, que ainda vão restando.

Como sempre aparece o escritor Baptista Bastos e, vê-lo, traz imediatamente à memória a pergunta que é sempre recordada e é tão conhecida quanto a sua obra literária: - Onde estava você no 25 de Abril?

Então pensei, que se me fora dirigida a mim, poderia responder que estava na lista dos “proscritos” de Elvas, logo imediatamente depois do nome de meu Marido, e onde também, estava entre outros mais, o nome do fundador do jornal Linhas de Elvas -  bastião da luta contra a ditadura – Ernesto Ranita Alves

 

( Também a coragem e a postura de coerência e dignidade se herdam!)- Parabéns João Alves!

                       

O crime era crer que quem não é por nós, não é forçosamente contra nós, mas, simplesmente, diferente de nós!

Portanto em 1962 , já estava  - aí – quero dizer – aqui - no culto da Liberdade, aceitando os riscos daí recorrentes, e que não foram poucos.( como ainda hoje, ao que se constata, nalguns casos, pode acontecer).

Todos temos que procurar a razão e o rumo da nossa Vida.

É isso que tento fazer com serenidade e responsabilidade.

Preocupam-se comigo pessoas que me querem bem e, pedem que cale a minha opinião para não sofrer incómodos a que fico exposta, até porque estou só! - Não posso aceitar tal postura.

Sabemos que o povo ensina: “ Com teu amo não jogues as pêras”

Se o meu Pão dependesse de quem oprime, talvez tivesse que me curvar como outros são obrigados a fazer porque ninguém é tão inconsequente que possa arriscar a subsistência das suas famílias.

Não sendo esse o meu caso. Estar só é a minha força e, utilizo-a raciocinando em voz alta – porque o risco é só meu – e acredito, que é a pensar e a falar, que as pessoas se podem entender.

Não se pode vencer eliminando o adversário. Convencer é o caminho.

Já não estamos nos tempos do Marquês de Pombal! – (ascendente de dois dos meus sobrinhos bisnetos, que tendo como avô o conde de Vila Praia da Vitória, estão na linha da sua descendência) em sua honra o rapaz tem por nome, Sebastião, e, não se furtaria jamais, por certo, ao peso da memória da destruição e morte dos Távoras, do Duque de Aveiro e das atrocidades contra a Igreja, etc. etc, etc... e, tudo o mais que implicou vingança, em lugar de justiça, - perpetrado pelo seu célebre antepassado!- se não fora, que, talvez contrito, por tão maus feitos, tenha também sido do seu tempo a nobre e redentora atitude da abolição da escravatura.

Ainda assim, em qualquer biografia, lá está o “retrato” severo, do homem que tendo indiscutíveis qualidades de chefia as utilizou da pior forma possível mandando e desmandando com tal prepotência, que nem a ousada geometria, para a época, do traçado da Baixa Pombalina conseguiu, até hoje, apagar a imagem da crueldade com que espezinhou os direitos humanos de quem não pensava como ele e a quem fez pagar com a Vida o “crime” de ter ideias diferentes.

A história é implacável com a memória do sofrimento e da injustiça. No tempo do Marquês se erigiu  na nossa Elvas o Forte da Graça. Poucos o evocam, mas o drama dos Távoras após os mesmos séculos, permanece latente na memória colectiva do Pais. 

Sou uma pessoa de idade, pela graça de Deus ainda consciente e responsável, e como quem pensa pela sua cabeça quer encontrar o sentido da Vida e, se interroga – também me interrogo!

Me interrogo e, me respondo: - Só insulta e grita quem não tendo razão, não tendo argumentos válidos, se refugia na força do murro, da opressão e do insulto.

Todos, mesmo os que pensam e agem diferente de nós merecem o nosso respeito.

Acreditamos que há um só Deus, mas há milhares de seitas e credos, milhares de formas, milhares de caminhos para atingir um mesmo desígnio.

Podemos avaliar à luz da nossa formação e convicções as manifestações exteriores desses percursos. Nunca a autenticidade da fé que os move.

Não há heróis de direita nem de esquerda. Há gente boa e capaz em todos os quadrantes da política e da Vida.

E, é absolutamente lícito e indispensável que, cada qual, tenha espaço político, para assumir em Democracia, as suas convicções. Que lute lealmente pelos seus ideais e se indigne por toda e qualquer forma de repressão por mais encapotada que se afigure. Também o direito á indignação, é uma forma de LIBERDADE.

 

(A palavra do Poeta não é sagrada senão enquanto verdadeira – Brecht)

                                            

                                                         Maria José Rijo.

 

 

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Conversas Soltas

                 Jornal Linhas de Elvas

                 Nº 2.864 – 4 / Maio / 2006

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:22

Um novo dogma

Segunda-feira, 18.06.07

Não fumo. Nunca fumei. - Nem pretendo defender o vício de fumar, ou qualquer outro.

        Mas como pessoa livre, como indivíduo e como direito de cidadania, defendo todas as formas de liberdade desde que não colidam com a liberdade de outros.

        E, entre elas está a liberdade de fumar, ou não, de acordo com a decisão, que só ao próprio cabe fazer.

        Não fumar, não pode ser imposto à sociedade como dogma de uma nova religião.

 Sempre me encantou a beleza do gesto de fumar e a sensação de prazer que emana da atitude, por vezes deleitosa, dos fumadores.

De certo modo, observando-os, colhe-se deles, a mesma impressão que nos transmite quem, por prazer, se entregue a qualquer expressão artística.

Há por vezes patente no rosto do fumador um gozo de alma, tão evidente, que é quase palpável, como é, também, a ligação interior, a identidade gerada entre o músico e o instrumento em que é executada ou criada, a partitura...

Do ponto de vista meramente estético, salvo opinião contrária, sempre de admitir e aceitar, o acto de fumar é elegante e parece até, fazer parte da imagem de certas profissões.

A um velho pescador, encostado ao casco do seu barco, olhando o mar em dias de mansidão ou de tempestade, se não se juntar a beata pendurada ao canto do lábio, ou o cachimbo cheiroso, fumado quase com gula, o retrato soa a falso.

Ao pastor que, no Alentejo imenso, guarda o gado, fica tão bem o cão deitado a seus pés, como o cigarro, esquecido na boca, quando encostado ao cajado olha a lonjura, sabe Deus pensando em quê...ou simplesmente matando com o olhar as sedes da alma...

Ao candidato a Pai que a ansiedade estrangula na espera do primeiro filho, só o cigarro que se acende e a mão nervosa, que quase de imediato o apaga, dão o socorro, que mais nada é capaz de dar - se for fumador...

Vezes demais, todos já presenciamos, a ajuda que o cigarro dá a quem em desespero, chora magoas inconsoláveis, perdas irreversíveis.

Tudo o que for excessivo, não é salutar. Não somente o uso do tabaco.

Na oficina de qualquer artista, aceita-se como se fora indispensável o cinzeiro abarrotando de “beatas” que relata as tentativas frustradas da obra de arte teimosamente tentada, imaginada e conseguida, ou, não – ou - a insónia do escritor que toda a noite perseguiu o personagem que se lhe escapava no enredo onde o queria enquadrar...

Que não se imponha a quem não a suporte a presença do fumador – justifica-se, deseja-se, aceita-se e defende-se! – Informar sobre os riscos? – de acordo mas salvaguardar, sempre, a cada qual a capacidade e liberdade de fazer a sua escolha de forma não agressiva.

Não fumar em recintos fechados! – Certo! Absolutamente certo!

Porém, tratar o fumador da forma execrável que se está fazendo afigura-se-me um atentado contra a liberdade individual de escolha que a ninguém deve ser cerceada.

Um fumador não é um ser maldito, um indesejável.

É apenas e muito simplesmente uma pessoa que tem tanto direito de gostar de fumar, como outros de comer bolos, marisco, caracóis ou de ir à caça.

Que fumar tem riscos! – Todos o sabem. O mar, o avião, o carro na estrada, ou, até mesmo atravessar a rua, também! – E, daí? – Quem não arrisca -  vegeta e, quem vegeta -  não é eterno também.

Todos os radicalismos são castradores das liberdades e, ser livre é condição primeira de ser gente.

Se se sanciona e dá à sociedade a liberdade de fazer morrer quem

Não tem opção de escolha para se defender, (como é o caso da liberalização do aborto – que também tem riscos...) onde está a lógica de contrariar quem tem capacidade de escolher o seu próprio caminho?

Viver, não é, em si - se bem pensado - mais do que caminhar para a morte, seja qual for o percurso que se escolha e, os “condimentos” que se lhe possa  juntar.

Com tabaco? – Sem tabaco? – Desde que moderadamente, nesta vida tudo cabe, e, como escreveu Vinícios

 

“ Enquanto dura que seja infinito.”

                                                     Maria José Rijo

                                                 Escritora e Poetisa

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.894 – 30 – Nov. 06

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:44





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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