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Parabéns Gus

Segunda-feira, 18.05.20

Mais de 200.000 imagens grátis de Flores e Flor - Pixabay

O desencanto desta rotina imposta pelas atuais circunstancias
tornam os dias tão iguais como se o tempo tivesse parado num
bocejo de tédio.
Assim que, por um triz, nem me dava conta que estamos a 18 de
Maio e nem tenho um poeminha novo para o meu querido Gus neste
seu dia de aniversário, como resposta ao mimo que sempre me
dispensa encorajando-me como o seu generoso aplauso

a não deixar de escrever.
Que fazer então ?
Enviar-lhe flores
Flores Naturais x Flores Artificiais (ou flores permanentes ...
os melhores votos de Felicidades - a mais grata ternura
pelo seu afeto e ... esse "apontamento" que não sei
se já não conhece.
Com um abraço de coração da
Tia Zé.

Apontamento:

Enquanto sou
estou confrontada com o universo
se se nasce sem querer
impossível não ser
como um verso do poema
que a Vida encena
que se reescreve a cada passo
como uma brasa
que se reacende
e nos transcende
fazendo do fim
um recomeço.

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 00:00

Feliz Páscoa

Domingo, 12.04.20

Uma Páscoa Feliz com a L'Occitane 

É domingo de Páscoa.
Sendo dia de festa, é também,
naturalmente dia de Saudade para quem
já contou 94 anos.
Assim, tenho comigo viva a lembrança de
quem já partiu desta "casa blog", onde
sempre nos juntamos.
Luciano, meu velho amigo de sempre.
Luisinha e filha na manhã das suas vidas.
Xavier meu defensor incondicional.
Maria Augusta Torres muito querida e
doce Amiga, cuja ausência é também
irreparável, assim melhor sabendo quanto
vale o bem que me resta aqui estou
desvanecida de gratidão e ternura a
fechar num abraço sem fim os meus
queridos que vieram estar comigo e fizeram
a festa do meu coração nesta difícil
época de quarentena.
- Dolores e Avelino
- Gus
- Luís Carlos Presti.
Eu sei... Gus ... eu sei que prometi mas...
mas...creia que ainda não desisti.

Um abraço grande para todos

Tia Zé

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publicado por Maria José Rijo às 00:00

Feliz Aniversário .... Maria José Rijo

Segunda-feira, 06.04.20

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Dia 6 de Abril 2020, segunda-feira

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... um passeio pelas Olaias...

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Juromenha 

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Com um beijinho especial, neste seu Aniversário 

Neste blog que comemorou 13 anos de Vida. FELICIDADES

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:00

7 de Fevereiro de 2007 - 7 de Fevereiro 2020

Sexta-feira, 07.02.20

Resultado de imagem para flores 

Quando este blog começou o seu património afetivo existia apenas na alma de quem o sonhou e o fez acontecer.

Depois, o afecto a sua volta foi crescendo com a presença dos amigos que foi conquistando e se tornaram a sua família de coração.

E, assim foi vivendo rico de amor e feliz.

Só que o tempo que tudo cria, inexoravelmente também, tudo muda e, aqueles anos plenos e felizes como um conto de natal já se recordam com um sabor amargo e doce de profunda saudade.

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Tanto que me atrevo a afirmar que enquanto existir um só que seja daqueles - todos - que já fomos - afinal seremos - todos - sempre.

Lembrar é bom enche o coração.

Um abraço

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 00:00

Natal 2019

Terça-feira, 24.12.19

Neste Natal de 2019 bem gostaria de evocar, como merecem, todos quantos guardo em saudade no meu coração mas…

Talvez só o silêncio

o expresse e diga

porque não há palavras

que definam Amor

ou a dimensão

da Morte e Vida

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Assim, para o querido GUS e todos os Amigos que ainda nos recordem com desejos de um Santo Natal, mais uma tentativa de encontrar o caminho…

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Enquanto sou

Estou confrontada

Com tudo e todos

Se se nasce sem querer

Impossível não ser

Como um verso

No poema do universo

Que a cada passo

Se reescreve e apaga

Mas deixa a brasa

Que o reacende

Fazendo do fim

- o recomeço

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 00:02

CARTA DE JUROMENHA - 1994

Sexta-feira, 18.10.19
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.249 – de 20 de Maio de 1994
Conversas Soltas

Ao longe vejo Olivença
Mais perto, Vila Real
A meus pés o Guadiana
Correndo manso – na crença
De que tudo é Portugal

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Meu amigo

Quando eu era rapariga, falava-lhe guardando a distância implícita no reverente – Senhor Doutor.

Agora, que os anos, as minhas mágoas e os meus cabelos brancos permitem encurtar um pouco as distâncias, enfrento o seu tu cá, tu lá – de sempre – com um afectuoso: Meu Amigo. Porém, não cuide que este vocativo tem um conteúdo muito diferente.

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Isto quer dizer, apenas, que “ouso” tratar o Doutor que é escritor e jornalista de reconhecido mérito – chamando a primeiro plano a amizade que o velho tratamento já envolvia, embrulhado com o rótulo da dignidade oficial.

Situados que estamos, vou então dizer-lhe que: quando hoje colhi do seu espanto a desagradável sensação do “dinossaurico” atraso que representa o meu jeito de só escrever à mão; o meu vício de improvisar; a minha intrínseca aversão pelas máquinas – a cerimónia que faço com o meu próprio carro…

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Quando isto aconteceu, lembrei-me que me pediram certa vez para escrever sobre artesanato e vou apoiar-me no que então escrevi para o que pretendo contar.

É que, meu amigo, sou e sempre serei artesã.

- Quando escrevo azul, quereria fazê-lo sem caneta, ou lápis, 
- apenas com o dedo molhado na cor do céu.
- Quando digo mar… já vou na onda.
- Quando me encosto a um tronco de árvore e o abraço 
surpreendo-me por não me transformar em ramos, folhas e flores.
- Quando mergulho o olhar num poente a quietude do fim do dia
ameaça-me como se fora o meu próprio ocaso.
Sempre me sonhei erva do prado, ave, nuvem, folha ao vento.
Sempre. Porém, nunca foi senão o que sou -  apenas eu – empanturrada
de emoções como as crianças gulosas fazem com os chocolates – sem conta,
peso ou medida.

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Impossível com matéria desta natureza fazer obra de estilo 
com rigor de pormenor ou moldes de fresador.

Destas mãos de obreira – que me comovem porque iguais às de minha Mãe – grandes e ossudas, com unhas curtas, sem verniz, com esfoladelas da lareira e do fogão, mãos que até já amortalharam docemente – gente muito amada – destas mãos, meu amigo, só artesanato pode nascer.

Um pouco ao acaso, como as flores do campo. Raízes de mim que sou a terra que o sustenta.

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Não me queira sentada à máquina, de dedo espetado soletrando de tecla em tecla, aos pulinhos, como um pardal a comer migalhas.

Não queira. Deixe-me fora desses preceitos de civilização que me são alheios.

Já que me chamou para voltar a escrever – já que o fez – e tem agora a minha família e amigos – todos juntos – a cantar-lhe hossanas – assuma a auréola e dê-me do alto dessa santidade que lhe foi conferida, por tal feito, o perdão de que careço por tanta insipiência, não me espartilhando com preceitos que me constrangem.

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Tempos houve, em que não se usavam frigoríficos.

Bebia-se então água da bilha de barro que ficava de noite ao relento para refrescar – e a todos consolava.

Parei aí. Creia. E, como eu me lembro disto!...

Não invente actualizações para mim.

Saiba-me capaz de acreditar em mezinhas, fazer rezas de “cobro” e “quebranto”, benzeduras…

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Pense-me tecedeira dessas artes e manhas. Veja-me gastando tintas e pincéis em arroubos de naífe.

Registe que me era mais a feição passear de burro e sombrinha aberta no Chiado – e o mais que no género imaginar – mas – por favor, máquinas não! – a não ser de costura e, à antiga, com pedal.

Já sabe agora em que ponto me encontro… onde quer que me encontre!

E que é frequente encontrar-me sentada no poial, da porta de postigo, da nossa pequena casa de Juromenha, a ver correr o rio e a rezar o terço com as mãos ao sol pousadas no regaço.

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Posso estar só, ou acompanhada, a ouvir e a contar histórias.

Nada de erudito.

Qualquer coisa como um último abencerragem duma ruralidade que quadra bem à minha condição de artesã confessa e assumida.

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Vale assim?

É que me pareceu ouvi-lo, esquecido do “Poder Local” a resmungar comigo:

“Antes eu fosse sandeu
Ou me embruxassem com ervas
No dia em que me apareceu
Aquela artesã lá de Elvas”

Deixo-lhe um abraço agradecido e amigo.

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Maria José  Travelho Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 13:17

REQUIEM POR UM RIO – NOTICIAS DE JUROMENHA - 2008

Sexta-feira, 18.10.19

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Dias 5 e 6 de A gosto – ou seja: sábado e domingo próximos – Juromenha vai reviver a sua tradição de honrar com festejos religiosos e populares a Santa Padroeira da sua Igreja e povoação.

Assim, oferece às pessoas que durante todo o ano, lá habitam e por lá labutam, dois dias de intervalo no rame-rame das suas honradas vidas modestas e pacatas para de forma mais alegre e aberta conviverem.

De todos os lados chegam familiares, forasteiros e amigos, por esta altura do ano.

Vêm matar saudades e abrilhantar as festas.

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Fazem-se touradas, petisqueiras, solta-se fogo de artifício. Dá-se largas à alegria.

Baila-se nas ruas. Conversa-se e ri-se.

Vivem-se revivendo-as, amizades, tradições, recordações comuns.

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Mas… se as festas têm o nome de Nossa Senhora do Loreto – a cujo culto – o nosso rei D. Dinis consagrou a então muito importante Praça de Juromenha – lá por esses longínquos, séc. XIII/XIV – a componente religiosa a tudo o mais se sobrepõe.

No Sábado, dia 5, ás 16 horas, a Missa será celebrada por alma dos filhos da terra que Deus já chamou a si.

No domingo, dia 6, às 16.30 será a Missa solene seguida de procissão.

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A vila é pequena. Aninha-se num alto, à sombra dum castelo, como nos contos de fadas. Vale a pena ir espreitá-la!...

A procissão, segue o percurso dos passeios turísticos de qualquer forasteiro.

Afasta-se um pouco das casas e caminha pela estradinha modesta que se desenha entre os campos e a Fortaleza – separando-os.

Cenário constante do quotidiano dos seus naturais.

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Depois, lá ao fundo, num pequeno largo do Arrabalde de S. Lazaro – dá a volta para mostrar o rio à mãe de Jesus e regressa pacatamente ao povoado para repor a imagem no seu altar – que o seu culto – esse - está  entronizado no coração de toda a população.

A Banda, solenemente toca e o sol acende faíscas, como brasas, nos metais reluzentes dos instrumentos musicais…

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Só que, este ano… Este ano – não há rio! No seu leito vazio – como numa cama de hospital, onde a morte recentemente tivesse passado, restam as marcas de quem a ocupou – então, neste caso, metros sem fim de grossas mangueiras a dar testemunho das tranfusões que o rio suportou até exaurir.

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O rio foi sugado até dele restarem apenas poças, como rastos de chuvadas em terras de lama, ou manchas de sangue em locais de crime. O rio foi morto na pátria onde nasceu vítima do uso desabusado do seu sangue – a sua água.

Nas suas margens, glorificando o crime, vicejam exuberantes pomares cuja sede excede as generosas capacidades de dádiva do rio.

Na geografia da Península – aprendia-se assim:

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Guadiana – nasce na Lagoa da Regedora em Espanha e corre, beneficiando terras, gentes e bichos, até ao Atlântico, que encontra em Vila Real de Santo António, no Algarve – Portugal.

Os seus afluentes principais, no nosso país são, Xévora, Ceia, Degebe, Vascão e Odeleite na margem direita. Na margem esquerda: Ardila e Chanca. Porém …

Em nome de um desenfreado progresso – Será progresso, meu Deus? – O Homem que inventa necessidades que ultrapassam as suas reais necessidades e, até, a generosidade da terra, do mar, dos rios da própria atmosfera – tudo modifica.

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Prende os rios. Sufoca-lhes o destino. E, em lugar de neles se deleitar, pescar e dos rios beber – bebe-os! Inverte tudo. Brinca aos deuses.

Faz pomares em terras de Oliveiras sóbrias e chaparros protectores da humidade dos solos…

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Determina as árvores que são proscritas; como se alguma vez, alguma árvore, não tivesse sentido de existir… e, delirante, glorifica o excesso de outras.

Se em democracia se afirma que as regalias de um indivíduo acabam onde começam os direitos de outro indivíduo…

As regalias de todos os habitantes do planeta acabam, necessariamente, onde começa a perigar o equilíbrio da própria Natureza.

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É tão lógico, tão evidente como: não estender o pé além do lençol – coisa que o Povo ensina, apenas, por intuição.

Requiem por um rio, que morre com seus peixes, seus cágados, seus mil bichos de água…

Requiem por um rio, que Deus criou também para embelezar a vida espelhando, árvores, tufos de loendros, céus, sóis e luar e, do céu, beber as chuvas.

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Requiem por um rio, onde o gado bebia, de onde os pobres sustentavam o verde dos seus hortejos nas margens… e perfumava as noites quentes do Alentejo com cheiros de hortelã, mantrasto e poejos…

Requiem por um caminheiro que sonhava o mar e, a má-fé, cruelmente interrompem o seu destino…

Mas… Requiem, também, pelo Homem que quer aprisionar o sonho de seu Criador para o acomodar à sua precária medida.

Ámen!

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Maria José Travelho Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 12:20

A minha gatinha Kika - 2011

Quinta-feira, 17.10.19
Pagina de Diário - 21- Março -2011
A minha gatinha KIKA

 

Kika, a minha gatinha, na brincadeira, fez-me um pequeno arranhão na mão direita. Nada que tenha importância - no entanto, achei conveniente desinfectar – acabo de escrever desinfectar, paro e penso: - desde que me lembro nunca hesitei como agora para escrever uma palavra! - ponho c, antes do t ,ou não? -isto do novo acordo ortográfico deixa-me com vontade de mandar passear quem o decidiu e fazer como meus Pais fizeram no seu tempo – continuaram a escrever como tinham aprendido indiferentes às mudanças de farmácia com ou sem ph, etc. etc…

Mas, não foi a nova moda da escrita que me prendeu a atenção, o que me fez confrontar com a minha realidade foram as minhas mãos. De repente tive a sensação que estava a cuidar das mãos da minha Avó quando me pedia ajuda por se ter arranhado ao cuidar das suas flores.

 

Por esse tempo, lembro-me de ficar comovida e triste quando ela com um ar nostálgico dizia: chamam-se a estas manchas “ rosas do túmulo” e, com uma das mãos afagava as costas da outra alisando a pele, enrugada e murcha cheia de pequenas manchas castanhas como sardas.

Ocorreu-me isso, agora, fixando as minhas próprias mãos, e logo me lembrei da Querida Matilde Araújo passando a sua mão macia pelas minhas, calejadas e ásperas dos canivetes, limas e formões na época em que eu fazia figurinhas em pau de buxo, dizendo-me, com apreço, naquele seu jeito de falar quase entoado – as suas mãos são as suas obreiras, Maria José!

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As mãos, são o ponto que fixo, observo e mais me encanta em qualquer pessoa. Nas fotografias, é para onde olho em primeiro lugar. A linguagem das mãos seduz-me e apaixona-me. As mãos casam-se com os olhos para falar da alma. Completam-se.

Também num dos meus primeiros livros de escola, havia uma lição que começava assim: “ fora daquelas mãos estilizadas que os pintores debuxam nos seus quadros, não há mãos bonitas na sociedade propriamente dita”.

E, depois, vinha a frase de que eu mais gostava "as mãos de minha mãe tinham um calo de abrir e fechar a porta da despensa”

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Eu via essa mãe, o molho das chaves e, sentia-me mimalha pedindo como se de minha própria Mãe se tratasse: - deixe-me ver, eu não mexo em nada, e olhava em volta corando como se alguém ouvisse a voz do meu desejo. 

Por estas e outras lembranças, muitas vezes penso na responsabilidade de quem educa crianças.

O mundo delas não cabe no nosso…abrange-o, mas ultrapassa-o.

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Quase oitenta anos depois, ainda vejo as imagens que o meu coração desenhava lendo ou ouvindo estas pequenas coisas.

Beijou-lhe as mãos…Apertou-lhe a mão…

Mordeu a mão que o amparou…

Afinal, as mãos, são, mais do que as extremidades dos membros superiores. Sem deixar de o ser, são ainda, também, e muito principalmente: - as “extremidades frágeis de nossos gestos imperfeitos, onde às vezes nascem flores” – ou não…

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 Maria José Travelho Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 13:55

POEMA - Retrato

Quinta-feira, 17.10.19

 

Meus passos na terra

Meu olhar nos longes

Minha alma dispersa

nas voltas do caminho...

Meu coração vindo à tona

das saudades que o afogam...

Meus pensamentos convulsos

em erupções sem controlo

Assim  me vejo 

sem querer ser

num tempo que não comando

a que chamo:

Minha Vida

4 - Janeiro - 2016

Maria José Travelho Rijo

(Livro de Poemas IV)

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publicado por Maria José Rijo às 12:18

O GATO PIAS – PERDER E GANHAR - 2000

Quarta-feira, 16.10.19
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.555 de 12- Maio-2000
Conversas Soltas                                                                        

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Perder e ganhar são palavras tão correntes, tantas vezes repetidas a propósito de tudo e de nada que penso valer a pena meditar um pouco nelas.

Afinal, o que é perder e o que é ganhar?

Será que se ganha quando se pode por o pé sobre o peito do adversário deitado por terra, como é de uso ver nas fotografias de caça, mormente se a peça abatida tem peso e tamanho de vulto? Será ?

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Será que alguém se pode considerar vencedor porque dispondo de poder como o caçador dispõe da arma subjuga e cala os adversários, será?

Então se assim é porquê a preocupação permanente de algumas pessoas em aproveitar a propósito e a despropósito circunstâncias de acaso querendo-as transformar em oportunidades - que em verdade não o são , e só colocam mal quem, sem sentido algum de conveniências, exibe o seu mau gosto, falta de educação, e falta de respeito pelos outros - para  exultantes, pisarem no seu semelhante?

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 Será assim tão incontrolável a necessidade de se justificarem perante os outros, sendo, como se fazem crer, tão donos das verdades e das soluções?

Na realidade arrogância não significa segurança, nem certeza de coisa alguma.

Arrogância pode muito bem significar insegurança e medo, esforço irreprimível para abafar a incomodidade da consciência que jamais adormece...

Um vencedor não se define por falar de poleiro.

Nunca será vencedor quem nada acata dos sentimentos dos outros e faz e desfaz obras de outrém só porque detém o mando e quer, e pode, exibir a sua força.

Penso que não serão jamais esses os vencedores.

Vencedor é quem resiste.

Vencedor pode ser quem na aparência perde, mas luta, arrisca, sofre, suporta incompreensões, incómodos, grosserias, sarcasmos soezes, mas não se nega à luta de rosto descoberto.

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Vencedor é quem entra na contenda sabendo que lhe falta a força, o poder, mas não dobra porque lhe sobra consciência dos seus direitos e dos seus deveres, da sua obrigação de não renegar aquilo em que acredita.

 Pensava nestas e em outras coisas. Pensava, porque lendo jornais, escutando noticiários, até vendo novelas, a reflexão se nos impõe.

Apeteceu-me então, o que estou a fazer, chamar a atenção para a maneira como desde sempre, em todos os tempos alguns poderosos exerciam e exercem o poder.

Como a cobiçaa má féa perfídia, se podem dissimular sob falsas aparências Vencer, ganhar...

Só cada qual sabe o que lhe vai no coração. Às vezes, quem morre vencido à luz dos homens é vitorioso à luz de Deus. O contrário também pode ser realidade 

O que não deixará porém duvidas a quem quer que seja -  é que é sintoma de falta de caracter desrespeitar e achincalhar, a despropósito, um adversário vencido como se qualquer espécie de poder elevasse um Homem acima dos outros Homens.

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 Pensava assim quando com um sorriso me ocorreu a história do gato Pias

 Aprendi-a recentemente, mas não a esquecerei por certo.

Expulso de uma ilha grega onde habitava respondeu a quem incrédulo lhe perguntou: (vendo-o sem malas nem embrulhos) - então partes sem bagagem?

“Omnia mea mecum porto” (levo tudo comigo) respondeu sensatamente o gato.

Todos levaremos tudo connosco quando partirmos de vez.        E, tal como o gato não precisaremos nem de malas nem de relatórios, medalhas, condecorações, ou albuns de fotografias das “maravilhas”que tivermos erguido neste mundo.

Apenas e sem hipótese alguma de escamotear - quaisquer que tenham sido os resultados - espectaculares ou nefastos - as nossas mais secretas intenções  estarão sem disfarce possível como nossa única bagagem.

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Levo tudo comigo - trazemos tudo connosco.   Omnia mea mecum porto

Quer em latim, quer traduzida, a frase é curta - vale a pena fixa-la e 

 Medita-la

Vale mesmo a pena.

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Maria José Travelho Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 11:53





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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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