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Será esta a Solução? Quem Sabe!

Domingo, 08.02.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.841 – 24 – Novembro - 2005

Conversas Soltas

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Não consigo, ninguém consegue, perceber porque uma cidade como Elvas à qual o País tanto deve pelos sacrifícios que corajosamente suportou e que a história regista para que Portugal pudesse fruir da sua independência se veja despojada de todos os organismos e serviços que a definem como cidade e lhe davam a justa e bem merecida importância.

Enumerar tudo quanto tem sido feito pelos sucessivos governos para transformar Elvas num posto fronteiriço ou subúrbio de Badajoz, sem a mínima importância no contexto nacional, seria exaustivo e inútil porque todos, novos velhos, jovens e crianças, todos, quantos dia a dia percorrem as ruas da cidade têm consciência olhando os edifícios de que: aqui era... havia...foi... e evoca a lista de perdas que a pouco e pouco nos têm vindo a empobrecer.

Ora, se tão pouco valemos para quem nos devia respeitar talvez a solução seja pedirmos a nossa integração em Espanha.

Está talvez chegada a hora de fazermos essa opção...

RI8 - Regimento de Infantaria nº8 por francisLM.

Se pensarmos que o R18 tem os dias contados... (apesar da veemente luta do Presidente da Câmara contra a abstrusa decisão dum governo da sua própria cor –( justiça lhe seja feita !) e que a Maternidade está na mira para abater num próximo futuro...

Se pensarmos que as nossas crianças, ao nascer, estarão privadas desse direito fundamental de ser recebidas nesta vida pelo embalo na sua língua pátria... (lembremos Pessoa!)

Se pensarmos que os nossos jovens encontram “ali” as Universidades onde os acolhem sem médias de vintes, (os cursos “ali” são para gente normal, não para génios) e, ali se formam...

Se pensarmos que “ali” se recorre a tudo e por tudo, que aqui, não temos...e “ali” nos é facultado com profissionalismo e competência...

Teremos de confessar que os “nossos” são eles e, não aqueles a quem por direito pertencemos mas, que dia a dia, nos humilham tratando-nos não como portugueses, mas sim como coisas, ou empreendimentos rentáveis ou não rentáveis e, portanto susceptíveis de ser abatidos ou desprezados.

Ora acontece que se Elvas não tivesse sido despojada dos seus Regimentos, dos canhões nas muralhas, e, ao contrário as cerimónias militares tivessem sido preservadas, desde o simbólico fechar de portas, aos toques de recolher com “charanga”, aos concertos com bandas militares, á abertura de Fortes por senha, pontes levadiças, render de sentinelas com seus brados de alerta, visitas guiadas a contraminas, concursos hípicos, e tudo o mais que poderia ter, ou já teve e que a pudesse conservar como museu militar vivo e activo portas adentro... se em lugar de terem destruído todo o seu equipamento de fortaleza medieval tudo tivesse sido preservado e enriquecido, como - digo sem receio - qualquer outro país teria feito ...Elvas seria hoje um pólo turístico ímpar e de renome e conservaria a actividade militar que lhe é própria e devida, onde as instituições respectivas  ainda funcionariam por direito histórico.

Pois, diz quem sabe, que à excepção de Ávila, também muralhada, nada há na península que se lhe compare...

E, então, teria sido possível eximir a saudosa Quinta do Bispo à cobiça desmesurada da construção das Brandoas que desfiguram o País de norte a sul...

E, ela poderia ter sido como muitos filhos ilustres desta terra sonharam… um eco-museu agrícola onde a história da lavoura, parte integrante desta dicotomia das nossas raízes como povo – terra e armas – teria o devido lugar, e onde, mercê da sua ligação à vida da Igreja, na época áurea da contribuição de Elvas para a história da música em Portugal e, recentemente pela ligação a António Sardinha, muito ali se poderia evocar e recriar, do ponto de vista cultural...

Elvas, Alentejo, Portugal

Ai!...“Esta Elvas”... “Esta Elvas”... Também tão perto, e tão longe, do Guadiana e de tudo quanto a vizinhança dum rio pode oferecer...

Como porém nada se fez com olhos de futuro e se deixou o cimento sepultar a história, aqui estamos flutuando à mercê dos ventos de acaso.

Mapa de Espanha

Peçamos então à Espanha que nos dê abrigo e desapareçamos de vez do mapa português para que o nosso governo aliviado, limpe as mãos à parede, pelo esforço que tem feito para nos sufocar.

Quem sabe! Talvez essas impressões digitais possam num futuro ser visitadas num muro de lamentações onde se possa meditar sobre a inevitabilidade ou não, de certas mortes anunciadas....

 

 

 Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:20

Haverá quem se lembre? – Talvez...

Domingo, 01.02.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.844 – 15-Dezembro- 2005

Conversas Soltas

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 o-despertar-03-a.jpg

O jornal “O Despertar” de Coimbra com data de 26/11/1986 citava um artigo de o “Linhas de Elvas”, que também fora lido aos microfones da “Rádio Renascença” de Lisboa, em 18/11/86, onde, sob o título – Elvas no futuro, uma segunda Olivença? - Se dizia:

fernando-pessoa.JPG

        “Foi Fernando Pessoa quem disse que a «nossa pátria é a nossa língua».

Esta frase foi de há muitos anos, quando a língua oficial em Elvas era o português.”

E, mais adiante...

            “Os garotos já não dizem automóveis, dizem «coches», os armazéns são «almacenes», as ruas são «calles», o comércio já não está fechado ou aberto, está «cerrado» ou «abierto», o obrigado foi substituído por «gracias,» o escudo pela peseta, etc., etc.,etc.

Como já foi criada numa patriotice ingénua os «Amigos de Olivença», só resta, por aquilo que dizemos acima, criar os «Amigos de Elvas».

«Linhas de Elvas», através do seu colaborador J.A.R. está de parabéns, pela coragem de reconhecer que estamos a ser colonizados, e que estamos ainda a tempo de reagir e lutar pela nossa portugalidade.

               

J.A.R. Termina assim: «Mas temos que ser nós, elvenses a lutar, uma vez que do Terreiro do Paço, já se sabe, só vêm promessas – à espera de votos – e visitantes apressados a caminho de Badajoz!

Haja Deus!...»”

           [alentejo.jpg]

Remexendo em papelada, encontrei, por acaso, o texto escrito por meu marido - no tempo em que os bronzes e os atoalhados davam o tom nesta nossa terra - e do qual extraí os excertos que cito porque mostram que já vem de muito longe a inércia que permite o deixa correr...que tanto tem empobrecido a nossa cidade.

Assim como mostra também que são sempre vozes soltas que se erguem contra as “epidemias” que nos molestam.

            

Porque, atitudes colectivas, multidões só vi quando se tratava de futebol, e, agora até nem isso.

Nada tenho contra a bola! – Nada!

Nem contra o tal “comboio azul e ouro”...

Mas, aonde está esse espírito de iniciativa, essa força, quando o assunto não é futebol?

Daí que repare e aponte a forma diferenciada como os assuntos são tratados quer a nível local, quer a nível nacional.

Quantos estádios foi capaz de consentir este país pobre e endividado que se construíssem?

Quantas Maternidades e Centros de Saúde vai o mesmo país agora consentir que se encerrem?

Será que isto se entende? – Onde está a coerência?

Quais são os valores?

Pode a Saúde ser considerada um negócio que tenha que dar rendimento?

Devem as grávidas em trabalho de parto – suportar 50, 60, quilómetros de carro para ter os seus filhos com assistência médica?

Realmente, talvez só nos reste como solução criar o grupo de “Os Amigos de Elvas” para que, daqui a algum tempo – pouco tempo - como se afigura pela agonia das estruturas, (que se já  se vive) desta cidade de Elvas, se guarde  - uma nostálgica lembrança...

[saudade.bmp]

Então, como quem conta uma lenda, os das velhas gerações, contarão aos vindouros: olhando o que sobrar - Elvas era...teve... tinha...

E, como de Olivença, a memória se esvairá com os tempos...

 

 

 Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:53

2007

Domingo, 25.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.903 – 1 de Fevereiro de 2007

Conversas Soltas

           TI em 2007

Vai já, um pouco a mais de meio o primeiro mês do “ano novo”, e tudo se perfila, no nosso horizonte, por igual ao ano velho.

Ali para aqueles lados onde a cantiga diz que havia um Vizir em Porto Covo, talvez, já não se cante, porque se alargou a hora de chorar dado que, ainda o Senhor Ministro da Saúde, estava a digerir o confessado orgulho de ter dispensado o inquérito àquela – ninharia chata – das confusões com as ambulâncias e os helicópteros que provaram mais uma vez como o País tem esses serviços bem organizados...

Ainda...

               

... Até porque assim se demonstrou – também – como é verdadeira essa “moenga” de os alentejanos serem lentos! – Pois para o provar: - não é que o paciente demorou seis ou sete horas para morrer!

Outro, fosse ele, e teria morrido logo, imediatamente, para não incomodar o Senhor Ministro e não alimentar a má-língua, que sempre tem que dizer, qualquer coisinha, nestas circunstâncias!

Há cada empata!

Pois ainda...

        

– E, já outro “invejoso” de tão desejada celebridade, morreu por idênticas razões? E, na mesma zona!

É preciso, mesmo, não ser nada original!

Oh, raça danada a destes portugueses que não se cansam de incomodar – contradizendo – já não bastava com a forma como vivem, agora também, com a forma como morrem, – as pessoas importantes! Coitadinhas! – Que têm que aguentar tanta incompreensão!

pobre-gente.jpg

Oh! Gente pobre! Ignorante e ingrata. Com tão boas ambulâncias para parir pelos caminhos, não é que se queixam por fecharem as Maternidades das suas zonas!!!

Que horror!

Calcule-se que até há, por aqui, quem queira ir para Évora, uma semana antes da data prevista para o parto, com medo de ter a criança na ambulância e por ser incapaz de aceitar ter filhos em Espanha!

Então que os tenham em casa com qualquer comadre, ora essa!

Não têm boas camas? – Pois se as não tiverem, que tenham os filhos de cócoras, na boa tradição das trabalhadeiras que pariam nos campos! - Onde a má sina as arrastava.

              

Oh! Santa paciência a de Ministro! - que tanto sofre!

E, essa, agora, daquele intrometido vereador da C.M.L que resolveu meter o nariz no negócio dos terrenos para construções!

                        300.jpg

Então esse tal Sá Fernandes, não sabe os custos do progresso?

Em que mundo é que ele vive?

Pois que venha cá e aprenda.

                                                        

Ali onde havia um olival que o P.G.U: preservava para manter a ambiência mística no enquadramento do Senhor Jesus da Piedade, (que é Imóvel Protegido) já há casas que permitem sacudir os tapetes para cima dos romeiros...e, naquela Quinta que era também, zona protegida, o que aconteceu?

Então ele ainda não aprendeu, que é tudo tão transparente que nem se vê?...                           

Ora, num País, onde nem se fala sequer em corrupção, porque haverá, ainda, vereadores, que se metem onde não são chamados! É gente estranha! Raça em extinção!

Ficam em evidência porque são poucos! – Olha se fossem muitos!

                   mouth-zip Se a moda pega...               

Se, assim, já é tanto o estrago, olha se a moda pega!

Já viram o desassossego!

Ano novo! Ano velho! – Como escreveu no Linhas um novo colaborador – que, aqui saúdo: - “mais do mesmo!”

Acabo de saber pela televisão que o Senhor Ministro da Saúde reconheceu (agora) que são necessárias mais ambulâncias.

                           

Pergunto: será ele alentejano? – É que, eu, sou, e não percebo porque detém ele – ainda – o lugar?! - (nada a fazer, sou lenta!)

Mas...

               ambulancia.gif

Ele, de onde será que ainda não reconheceu que o problema não é de ambulâncias a menos!!!

Mas, de alguns - e são vários - que estão sobrando...

 

 

 

 Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 18:06

O teorema

Domingo, 18.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.856 – 9-Março-2006

Conversas Soltas

                                        

Teorema, aprendia-se, também, no liceu – designa em matemática a preposição não evidente mas demonstrável.

Ora essa demonstração pode fazer-se por via analítica ou – partindo da hipótese para a tese através de uma série de proposições em que cada uma é consequência de outra, ou, ainda, por absurdo – se é certo o que me lembro!

Estou já tão longe desses rudimentos de ciência, aprendidos na adolescência, que qualquer confusão não é de estranhar e é, até, compreensível.

          Zoom

Mas vamos ao teorema proposto: - A eliminação da Maternidade em Elvas.

- OU – Melhor dizendo: a eliminação da cidade de Elvas do património português – a partir da eliminação da sua Maternidade!

! Não é evidente que se queira que isso vá acontecer!

Mas, é demonstrável por absurdo que pareça, que tal hipótese se verifique!

Ora vejamos algumas proposições:

- Partindo da hipótese que (com pretextos mais ou menos esfarrapados) as grávidas de Elvas e arredores, vão dar à luz em Badajoz...

- Partindo da hipótese que os pais dessas crianças se sintam hostilizados e ofendidos pela falta de respeito – quer como pessoas, quer como cidadãos portugueses - que essa imposição justifica...

          

- Partindo da hipótese que são assim obrigados a reconhecer que Espanha os aceita como filhos e o seu próprio País, os humilha e enjeita, é lógico e inteligente que escolham para as suas crianças a nacionalidade dessa pátria que os acolhe e, onde encontram um bem-estar, um leque de escolhas e um nível de vida muito melhor do que no sua pátria de origem...

             Maternidade (Arquivo)

- Partindo da hipótese que isso acontece, e, é lógico que na maior parte dos casos - aconteça – a breve trecho Elvas será

- Habitada por espanhóis por nascimento que sendo naturais descendentes de elvenses serão os legítimos proprietários de todos os bens nesta nobre cidade...

- Partindo pois da hipótese de que este absurdo se concretize...

- Partindo da hipótese de que em Portugal se dá mais valor a toda e qualquer obra de fachada -  que até pode deixar o país à beira da falência - do que aos deveres   para com as populações...

                   

- Partindo da hipótese que todas as valências que Elvas tem perdido (possam fazer parte desse maquiavélico projecto de alienação da cidade) com mais esta perda se vai exaurir mais um sinal de Vida e de esperança na nossa comunidade.

- Partindo de todas essas hipóteses e outras mais que seria exaustivo enumerar, teremos a inequívoca demonstração de que esta é a melhor forma encontrada para oferecer Elvas a Espanha!

            

Muito mais racional e muito menos controversa do que a cedência de Olivença (que há quem afirme - e quem desminta - que foi negócio de casamentos, ou consequência do tratado de Alcanices, lá por 1297...)

É que, desta vez, é sem contestação possível, uma oferta por NASCIMENTOS.

Assim, por somatório de hipóteses, fica demonstrado o teorema que mostra como é viável o que parece absurdo - a eliminação da cidade de Elvas da posse de Portugal!

   

Em 1987, mercê de especial conjuntura, tive oportunidade de afirmar numa conferência de imprensa, de que os jornais de Lisboa fizeram eco, algumas coisas que, aqui, agora, reitero:

                          “ Elvas sofre de aculturação a Espanha!

Elvas está a tornar-se subúrbio de Badajoz!

Fizemos um pacto de geminação, somos amigos, somos irmãos mas, somos um povo distinto!

Pede-se ao governo que olhe Elvas COM AMOR!

De Elvas, não se deverá jamais dizer: Elvas, era... teve... tinha...

    Uma Cidade do Futuro?   

Elvas AINDA é presente e, tem direito a ter futuro.

(na altura, a luta era pela recuperação do Património militar e religioso, Maternidade, Casa da Cultura, Escola de Música, Coral, etc, etc, etc...que sem Saúde, Cultura, e Industria, nenhuma cidade cresce e tem futuro.)

                

Se podemos afirmar: - Portugal É – um país independente! – Em lugar de: - Portugal, ERA! Muito a Elvas - essa glória - se  deve!

Mostre-se pelo menos Gratidão e respeito.

Saiba honrar-se a história! - Já que tantas vezes não se honra a palavra dada.

 

Ao Dr. Melo e Sousa com a minha estima e muito apreço

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 14:07

ORA BEM!

Domingo, 14.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.906 – 22-Fevereiro-2007

Conversas Soltas

 

             Referendo sobre a regionalização divide Portugal em dois

Ora bem! De que havemos de falar nesta altura em qualquer conversa, senão dos resultados do referendo?!

E, como é meu hábito assumir o que penso, digo, ou faço, começo por afirmar que, votei – não – embora, confessa-lo, não fosse, de todo, em todo, necessário, mas...

“ Je dis tout, tant pis si je me ridiculise” -  ( Violette Leduc)

E, agora que os resultados já são conhecidos e, o Sim, venceu, embora de forma não concludente, como toda a gente viu, ainda me dá mais gosto assumir que não estou na lista dos ganhadores

 Devo no entanto confessar que a vitória do sim me abre horizontes, não direi de esperança, mas de expectativas bem lógicas e interessantes.

Vejamos:

se a chusma de abortos é tanta como rezam as crónicas, e o governo é tão solícito a ajudar nessa circunstância, nada mais natural que a Maternidade e Elvas reabra para não deixar ao desamparo as pacientes necessitadas. Até porque é evidente que a sua situação merece mais cuidado e carinho do que a das mulheres que levam a sua gestação até ao fim, e, em lugar de abortos têm crianças de tempo.

Reconhecida e apadrinhada pela lei, fica a necessidade de se poder fazer em Portugal, com toda a eficiência e profilaxia, o aborto. (o que não se contesta)

Reconhecida e apadrinhada também pela nossa lei, fica a necessidade de as grávidas irem parir a Espanha porque esse mesmo governo não lhes dá condições de terem os filhos na sua Pátria.

Como equilibrar as duas situações, não sei!

Cada qual, tem seu ponto de vista sobre cada situação. Depende dos seus gostos, tendências, ideais, vocações. Da sua formação...

Faz dia 22 deste mês, anos, nasceu, alguém que me foi muito querido, e, cuja dor de ausência, fará sempre parte de mim, a quem foi dado o nome de Rafael. Dividindo a minha alegria, quando ele nasceu, com um grupo de amigas, ouvi estas exclamações: - Rafael, o nome do anjo...

Rafael, como o grande pintor da Renascença...

                    Os anjos mais famosos da história da arte

Cada coração tem um eco diferente, e, sempre assim será.

Cada qual sonha à medida dos seus gostos, tendências e anseios. E, quem como eu, andou à escola, calçada e bem abrigada, entre crianças de pés nus cheios de frieiras, e mal agasalhadas, numa aldeia pobre do Baixo-Alentejo, não poderá jamais, aceitar coliseus, T.G.Ves, ou o que quer que seja de espectacular, enquanto, houver filas à porta dos Centros de Saúde, Hospitais sem médicos, Maternidades fechadas, pessoas chamadas para intervenções cirúrgicas depois de terem falecido, ambulâncias apetrechadas de tudo – MENOS - do seu equipamento  principal – médicos e enfermeiros!

             

Tenho no ouvido e na consciência as palavras responsáveis, generosas e humaníssimas de alguém que tem feito milagres a salvar vidas até de siameses – o Senhor Doutor Gentil Martins, que cito: – Se existem listas de espera de doentes com cancro no Serviço se Saúde, não se pode dar prioridade ao aborto”

Eu, não estou contra ninguém.

Estou a favor de tudo quanto represente JUSTIÇA SOCIAL acima de qualquer outra coisa, porque, para mim e, para muita gente mais, o essencial é o ser humano feito à imagem de Deus.

Esse estranho “bicho homem” que legisla para eliminar a ocultas, elementos da sua própria espécie, e fica tão feliz como o Senhor Primeiro Ministro que, com descontrolado entusiasmo, pavoneava a sua alegria como se houvera ganho meios para criar em condições dignas, os filhos que muitas Mães gostariam de ter tido se lhes tivessem dado possibilidades para tal, ou conseguido controlar a pobreza, a fome que grassa livre, os salários baixos, o angustiante nível de vida dos portugueses... a não ser que este seja um meio para ajudar a controlar o deficit...

               

Termino confessando ao “nosso” maior português de sempre, (no seu género, claro!) que: - não sou, nem intelectual, nem de meia tigela. Se o fora, pedinchava que me erguessem uma estátua, como qualquer tartufo, neste Carnaval da Vida.

              

       SOU NADA-. NADA por inteiro e, por isso, me vergo ante

Fernando Pessoa

Repetindo:

“ Não sou nada.

Nunca serei nada.

Não posso querer deixar de ser nada.

E contudo tenho em mim todos

os sonhos do mundo”

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:03

Água mole em pedra dura...

Quinta-feira, 11.10.07

Em 16 de Setembro de 1994, no Nº2.265 do jornal Linhas de Elvas, citei a opinião de um casal de altas individualidades que conviveram connosco aquando do dia Mundial da Música, em 1987 - (como representantes do então I.P.P.C.)e que  em visita de saudade a Elvas, me convidaram para jantar.

Na altura o Estado pretendia vender em hasta pública o Forte da Graça!

Indignados, como eu, perante tão abstrusa hipótese sugeriram-me a leitura de um livro fabuloso – da autoria de Artur William Costigan - Cartas sobre a Sociedade e os Costumes de Portugal 1778- 1779, como apoio para os artigos que em defesa do Forte eu me propunha  escrever.

Na hora da despedida os meus distintos Amigos remataram as suas apreciações dizendo que as Câmaras deveriam comportar o “Pelouro da Imaginação” ao que eu retorqui dizendo que os Governos, esses, sim! - Deveriam ter esse Ministério!

Lançada “a ofensiva”, publiquei quinze artigos seguidos sobre a cruzada que Elvas assumiu contra tal abuso.

No jornal de 23 de Setembro, desse mesmo ano de 1994, o “Linhas” publicou um belo artigo sobre a história do Forte, da autoria de José Sanches Fava que então saudei com as palavras que - Hoje, Agora - vou repetir:

Até que enfim Elvas!

Na verdade tenho feito da insistência a minha arma para não deixar morrer este assunto e “ provocar” a Cidade para que o façam também!

Não basta a palmadinha nas costas, o telefonema de aplauso.

Não! Não basta!

Necessário é isto:

A coragem de assumir o que se pensa e fazer da palavra a bandeira que se hasteia na luta por princípios, convicções e fé no que nos cabe respeitar e defender.

As pedras adustas dos Fortes e Muralhas da nossa terra – só têm uma voz! – a voz das suas gentes.

Que ela não emudeça, em nome dum comodismo fácil, é um imperativo da história

.

Penso que é a hora de repetir o apelo.

 

Voltemos então ao nosso pungente problema:

A Maternidade de Elvas!

É tão gritante a arbitrariedade da decisão ministerial que até num programa de diversão o Locutor (neste caso, também um alentejano) – Malato – se lhe referiu em dois ou três dias sucessivos, que eu tivesse ouvido...

 

Em Julho de 2.005, num programa de televisão da Confraria do Rabêlo – em São Xisto (a que assisti) um locutor entrevistava um emigrante que de visita à terra vivia comovido os festejos tradicionais do seu povo natal.

O que sente? – Perguntou-lhe:

Então o Homem de semblante rude e mãos calosas respondeu com voz meio embargada pelas lágrimas –

 

Quando se fala da terra a gente chora!

 

É contra “Gente” como esta que se está fechando a Maternidade de Elvas...

Contra os que, sem revolta, aceitam dobrar-se à força do que humildemente, definem como Destino!

E, já desistiram de acreditar que, a voz do coração de um País, tem que encontrar eco nas decisões dos seus Governos!

Dos Governos que os submetem ao jugo de tais destinos...

A não ser que os Governos não saibam entender o País que os elege...

E, portanto, não “o” saibam merecer.

 

                                                 Maria José Rijo

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.869 – 8 Junho 2006

Conversas Soltas

@@@@@@

Fotos do Blog -->   http://olhares-meus.blogspot.com/

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:49





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

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