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Faleceu - hoje - a escritora Matilde Rosa Araujo

Terça-feira, 06.07.10

 

 ..

 

 Matilde Rosa Araújo

nasceu a 21 de Junho de 1921,

 e faleceu hoje, terça-feira, dia 6 de Julho de 2010,

aos 89 anos, em casa, em Lisboa. 

 

...

 

Vidas longas dão-nos como à mulher da Biblia

a graça de conhecer a geração dos netos dos nossos netos

e também a mágoa de ver

partir familiares e amigos.

Agora foi a Matilde - a "Laranjinha" - a Tila

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publicado por Maria José Rijo às 23:07

Quase um conto...

Quinta-feira, 27.03.08

Porquê eu? – Inquiriu a minha interlocutora.

Porque sempre tive em muito boa conta, a tua lucidez, a tua inteligência, a honestidade dos teus julgamentos e, porque também contabilizo o capital que te advém para o entendimento humano da tua profissão de “Relações Publicas”.

Serve a resposta? - Retorqui.

O seu apreço, se bem que me honre, constrange-me um pouco...mas, está bem, aceito a sua proposta.

Então lê, pondera e diz-me que espécie de pessoa pensas tu que é, – ou, que pode ser - quem escreve isto e passei-lhe para a mão um rectângulo de papel branco com a hermética frase escrita a tinta preta.

amigos

Uma vez que considera como pessoa amiga e convive de perto consigo, não quero menosprezar o seu julgamento, mas, onde lê admiração pela inteligência e apreço pela pessoa cuja formação elogia e cujo caracter respeita, eu só posso, por isto que leio, intuir vaidade, pedantismo e afectação...

Não será extremamente duro esse parecer?

Julgo que não, foi a resposta, e, explico as minhas razões.

Como pode uma pessoa amiga em confidência, pôr em termos tão pretensiosos qualquer dúvida íntima! Eu não entendo.

Só, se, se tratar de alguém com tanto convencimento da sua própria importância, alguém tão convencido da sua superioridade que ao invés de abrir o coração propõe com palavras rebuscadas uma pergunta para a qual, se vê que, já tem a resposta.

E, mais, essa resposta, é-lhe tão favorável em termos de auto-elogio que ela própria, apesar dessa convicção tem uns resquícios de pudor da nudez evidente do seu convencimento.

Pareceu-me a conclusão demasiado dura, demasiado rigorosa, mas, a verdade é que, se no meu íntimo não admitisse a dúvida, ou a suspeita de que algo me escapava no entendimento, na compreensão, daquela maneira de ser algo constrangedora, apesar da correcção de atitudes e da preocupação evidente de se fazer admirar, não me teria ocorrido fazer tal pergunta a Matilde.

Vão anos passados depois que esta conversa aconteceu. Creio bem que ao longo deles nunca mais em tal pensei.

A vida joga um pouco com as nossas posições e, desloca-nos, como os peões num xadrez. Os que hoje estão perto, o acaso que as junta, também as separa, e lhes dá o xeque-mate.

Agora, inesperadamente, nesta onda de expurgo, encontrei, muito dobradinho no bolso dum casaco velho o bocado de papel onde a frase que suscitou esta conversa estava escrita.

Num ápice tudo ficou presente, e, como é natural a estes anos de distância, o meu olhar sobre o assunto já não é o mesmo.

brumas

Penso agora que a opinião que na altura me surpreendeu, seria neste momento, inteiramente subscrita por mim.

Sem dúvida, a amizade e a presença, pesa muito nos conceitos que emitimos sobre as pessoas que nos rodeiam, e, por vezes, a distância, torna-nos mais objectivos e, descortinamos em nós, com absoluta evidência, o que nos recusávamos a aceitar.

São sempre mais independentes, a ajuizar, os olhares de quem está descomprometido, com o complicado mundo dos afectos.

Não sei a frase de cor, e, agora que a queria citar, verifico que inadvertidamente deitei o papel no lixo, mas, estou certa: Matilde, não se deixara iludir, tivera razão.

Reconheço o meu equívoco.

 

                                      Maria José Rijo

 

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.706 – 18/Abril/2003

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 21:04

O Abracinho

Sexta-feira, 04.01.08

O menino saiu da fila que se encaminhava para um local determinado e, na sua voz doce de criança, com o rostinho bonito, muito corado, ele próprio talvez surpreendido da sua ousadia, disse de convicção:

Quero-lhe agradecer! Gosto muito das coisas que a Senhora escreve!

Então a Matilde Araújo, que dela se tratava, sorrindo comovida, fechou o menino num longo e apertado abraço.

O menino, não saberá ainda escrever histórias ou poemas… mas, o menino já sabe, e, se Deus quiser, saberá sempre, apreciar obras que outros criaram, sentir-lhe a beleza e dizê-lo francamente com a candura que brota da alma limpa dos meninos.

Não me admirava nada, se algum dia, numa nova história aquele abraço aparecesse “retratado” – naquele jeito de quem sabe contar coisas como as crianças gostam de escutar e ler.

Também acredito que o QUIM, pela vida fora, quando pegar num livro, qualquer que seja, lembrará que por detrás dele está sempre alguém que, ao escreve-lo sonhou receber de cada leitor compreensão e respeito verdadeiros – autênticos – como o “tal abracinho” que se fecha num abraço maior e se guarda no coração para durar uma vida inteira.

 

                           Maria José Rijo

@@@@

Á La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.892 – 12 de Junho de 1987

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 11:21

Evidências ou coincidências!? ...

Domingo, 15.07.07

Como todas as manhãs, a empregada chegou na hora certa. Enquanto metia a chave na porta surgiu o gato, ninguém saberia de onde, o que, também como sempre, atrapalhava o cerimonial da entrada com as marradinhas  de cumprimentos de boas- vindas.

Transposta a entrada seguia-se o ritual costumeiro.

Mudar a água da tigela onde o bichano bebia, renovar-lhe a dose do leite, encher-lhe o prato ,depois de bem lavado, com  petisco do seu agrado.

Só então, já livre daquele empecilho a atravancar-lhe os passos, com miadelas de mimo e manifestações interesseiras de afecto,

começava a tarefa do dia a dia, propriamente dita.

Abria o saco das compras, colocava o pão e o leite nos lugares próprios, arranjava a maquineta do café e preparava o tabuleiro para o pequeno almoço.

Então, sem fazer ruído, entrava na sala, abria um pouco as janelas, recolhia os cinzeiros, despejava-os, lavava-os, repunha-os nos lugares, substituía os jornais velhos que apanhava espalhados pelo chão, pelos do dia que cuidadosamente, colocava direitinhos em monte, no sítio aprazado para o intento.

Dava um jeito numa jarra, um toque aqui, ou acolá, tirava a cinza da lareira, e acendia-a de novo.

Invariavelmente, o gato, que passara a noite peregrinando pelos telhados em busca de aventuras, ao sentir-se de barriga confortada, vinha instalar-se perto do lume, lambendo-se,  alisando os bigodes e preparando-se para uma soneca regalada.

Tudo nos conformes pensava a mulher, olhando em redor, a avaliar o resultado da sua intervenção...

            Tirava então o avental, dava uma ajeitadela no cabelo passando-lhe as mãos para o alisar, agarrava as cartas prontas para o correio, que sempre ficavam na salva de prata na consola do corredor, e, tão mansamente, como chegara esgueirava-se para a rua deixando o dono da casa continuar a dormir tranquilamente na casa em silêncio.

Quando recebeu a carta ,  Matilde, julgou sonhar.

Como é que Miguel de Unamuno lhe poderia ter escrito se havia morrido 1936 , e era o ano 2000?

Mas a carta estava ali nas suas mãos e era forçoso reconhecer que não era uma carta vulgar. Quem a escrevera possuía cultura sólida e profundos conhecimentos, até, sobre teorias de matéria tão delicada como a sobrevivência da mente após a morte . Difícil agora seria identificar o autor da brincadeira que exibia um tom de intimidade e, até um certo pendor amoroso na forma como se lhe dirigia.

Que estava intrigada, era evidente. Decidiu que não falaria a ninguém sobre o assunto e discretamente investigaria na procura de uma pista.

Entretanto o seu velho amigo Santa- Maria, telefonou-lhe porque sabendo do seu interesse pelo transcendente, vida para além da morte etc. etc. etc. queria falar com ela sobre uma conferência muito interessante a que assistira.

Foi.

Pelo sim, pelo não, levou consigo a misteriosa carta.

Santa-Maria não escrevia uma palavra que fosse sem ser manuscrita. Máquinas de qualquer espécie considerava-as como impedimentos entre o pensamento e a escrita.

Assim que, se muniu de uma serie de folhas repletas de anotações e, passados os primeiros instantes  de efusivas manifestações de alegria pela visita, se enfronharam  numa conversa sem fim.

A certo passo Matilde reparou na semelhança da caligrafia do mestre com a carta que levava no bolso e, não resistiu.

Muito séria disse:- quer ler isto?

Claro. –Foi a resposta.

Porém, mal olhou a folha que lhe apresentavam exclamou:  mas... esta letra é minha! – e, estupefacto leu tudo avidamente.

Após a leitura, ficou estático pensando, e foi então que recordou que havia sonhado que fora, em outra encarnação, ou vida passada, o escritor Miguel Unamuno, e que ela fora, nesse tempo, sua mulher, razão pela qual, nessa outra dimensão lhe havia escrito aquela, e outras  cartas, que se recordava – perfeitamente- ter lido no sonho.

Só não tinha consciência de que a sonhar lhe  tivesse escrito, o que era evidente ter acontecido.

Foi a vez de ela confessar que, se lembrava agora, de também  já uma ocasião haver sonhado ter sido casada com  Unamuno .

Olharam-se confusos.

Evidências?- Coincidências?...

De certo, sabiam apenas, que tinham sonhado.

 

 

                                                           Maria José Rijo

                                                     Escritora e Poetisa

 

@@

Revista Norte Alentejo

Nº 19 – Março / Abril -- 2002

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:56





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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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