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Para a Dolores com um beijinho

Terça-feira, 11.11.08

 

o Kiko e a Tia Zé

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publicado por Maria José Rijo às 14:25

Retrato de Menina

Quinta-feira, 02.10.08

 

Oleo de Maria José Rijo

(1982)

que pode ser apreciado

no Museu de Fotografia de Elvas

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publicado por Maria José Rijo às 23:05

“PRANTO por uma menina de outros tempos”

Quinta-feira, 10.01.08

Voltou como desejava o poeta: para “dormir o sono eterno abrindo junto ao berço a sepultura”.

Retornou quem com outras meninas da sua geração fez a Primavera viva da nossa cidade, no seu tempo.

Talvez ela até gostasse assim!

-- Morrer antes de envelhecer de corpo e espírito.

-- Morrer como gostava de ser, e foi até ao fim: esbelta, bonita, cativante.

-- Talvez… para que dela fique, como de sua Mãe já ficara, um rasto de saudade inconformada, um magoado recordar que a faz ser evocada, por quantos a conheceram, com o jeito sonhador de quem conta uma lenda: …

-- Era tão bonita!...

E… também canta outro poeta: “por morrer uma andorinha não acaba a Primavera…”

Mas…

              

                 Quando na vida se perde

                 Um amigo ou um parente,

                 P’ra que serve a Primavera?

                 - Se o frio está dentro da gente.

 

 

                                          Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

A la Minute

Nº 1724 – 2 Março de 1984

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:38

Em Cabinda um soldado menino…

Sexta-feira, 14.12.07

A manhã estava húmida e fria.

Não nevara durante a noite mas as temperaturas muito baixas conservavam intacto o gelo que revestia as árvores tornando-as tão irreais como se fossem de vidro.

Arrepiava vê-las assim, hirtas, sem movimentos, ostentando a pesada beleza do gelo que as fixava em poses de serenas estátuas.

Não se ouviam passos e nas ruas não havia gente. As janelas fechadas dos prédios faziam a fronteira por onde os dois mundos se espreitavam através das vidraças.

Dentro de casa, provindo da cozinha espalhavam-se cheiros conhecidos. Referências culinárias passadas de geração em geração desde tempos já perdidos na memória.

O peru assado no forno, lentamente, protegido por grossas folhas de couve lombarda. A canela que desenhava grafismos sobre o arroz-doce. O azeite fervente onde as filhós empolavam em bolhinhas fritando até doirar. A calda de açúcar baunilhada, para as fatias de ovos – tudo – tudo junto, mandava com os seus condimentos fluidos a mensagem da mesa de consoada, farta de pitéus gostosos, que se ofereciam à gula da família e amigos no regresso da missa tradicional – sobre a toalha de linho branca sobre a mesa com o peso das rendas antigas engomadas a preceito.

= Então tocou o telefone.

   Imperativo, estridente e desajustado som naquela época de cânticos e sinos.

   E, a notícia, breve e cruel, ficou ali pespegada com a inoportunidade do indesejável. Com o peso do que é irremediável e opressor.

Lá em Cabinda… longe, longe, daquela cidade da Guarda – morrera – numa emboscada - um soldado menino, por erro de secretaria, fora parar à guerra no mesmo barco que levara seu irmão gémeo.

A cozinheira eficiente, cheia de orgulho e brio do seu currículo de serviço por embaixadas e casas fidalgas – ignorando a tragédia ia e vinha por entre tabuleiros, tachos e tigelas, atenta e afadigada.

Em grandes alguidares de água boiavam merugens, alfaces e agriões. Era a promessa das frescas saladas.

 

Quando eu apareci no cenário dois olhos amigos me fixaram pontuando com ternura a recomendação:

= Não venha para aqui encher o seu cabelo de cheiros de gordura que não é preciso.

     Eu dou conta de tudo. Vá-se entretendo com as flores e o fruteiro. Ainda não arrumou o azevinho e já aqui tem as camélias que encomendou.

Na véspera andáramos, felizes, lá para os lados do Seixo Amarelo, pisando tapetes de folhagem macias por entre soutos e matos cheirosos, catando verdes com bagas vermelhas.

= Afinal – disse eu – séria e firme: = Já não fazemos festa

    Depois, fria como o “cinzelo”, expliquei:

= Dois sobrinhos em Angola, um irmão que vai para a Guiné antes do fim do ano, os seus rapazes por lá também – sabe Deus como…

= Vamos festejar o quê?

Chamo os nossos amigos para levarem tudo isto, e nós vamos serra a baixo até à nossa gente. Depois de alguma troca de razões, lá acedeu rezingando, contrariada de verdade.

No entanto, vestiu para estrear pelo caminho, um casaquinho novo e ofereceu-me um xaile de malha (que eu vira tricotar diligentemente aos serões) para abafar os meus joelhos nas viagens. E, lá fomos noite dentro.

 

Quando se desce ou sobe a serra avistam-se vales profundos com luzinhas dispersas que quase parecem pequenas estrelas, A observação fê-la, certa vez, uma criança, dizendo deslumbrada:

-- Olha! Olha! O céu vem até cá abaixo!

Por altura do Soito do bispo uma raposa atravessou a estrada a coxear.

A mulher riu porque eu, em voz alta, rezei:

== Boas-festas, Bicho! Que chegues em paz à tua toca para criares as tuas ninhadas.

Tirando aquela minha coraçonada, ninguém falara. O rádio do carro, baixinho, envolvia-nos com cânticos de Natal e breves noticiários.

Corriam as horas consumindo estrada e cada qual fechado nos seus pensamentos.

Começávamos a ficar perto do nosso destino – Caldas da Rainha.

A minha perturbação crescia. Como dizer a uma Mãe que lhe morrera um filho?

Ensaiava mentalmente mil jeitos. Nenhum me parecia certo. Viéramos, piedosamente, traze-la para junto das irmãs. Viéramos, mas eu teria que falar. Teria que contar.

Quando parámos o carro, antes que ela tocasse a campainha da porta, aconcheguei-a a mim e, num grande abraço, solucei ao seu ouvido a triste novidade.

O afecto da família envolveu-a. Ao seu cuidado a deixámos.

 

Na noite calma, cumprida a missão, ficámos sós, longe de casa.

Sós.

Sem coragem para procurar companhia, não querendo levar a ninguém tristeza como presente de Natal.

Fomos até à Foz do Arelho ver-o-mar à luz das estrelas e escutá-lo, indiferente, como o céu às nossas mágoas.

Andámos um pouco a pé, de mãos dadas, depois apertámo-nos num abraço e chorei. Não era pieguice. Era um sentimento transbordante de ternura. Era talvez a doce consciência desta fragilidade de ser gente – de ser nada.

Nada, frente à grandeza da vida ou ao silêncio inviolável e imenso da morte. Nada. E, mesmo assim sentir como em qualquer de nós cabe a ternura que nos verga, dum Presépio, a dor do luto, a medida desmedida do Amor.

 

 

                                            Maria José Rijo

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Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.247 – 6 de Maio de 1995

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:28

Decorações de Natal...

Sexta-feira, 14.12.07

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Fotos do Blog -- http://olhares-meus.blogspot.com/

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publicado por Maria José Rijo às 01:36

O DIVINO NETO – Á Laia de conto de Natal

Terça-feira, 11.12.07

Tristes ou alegres, doces ou amargos – aqui está a época certa em que “elas” chegam e se instalam sem pedir licença ocupando tudo.

“Elas” estão mesmo presas a tudo – rendemo-nos e deixamo-las fazer de nós “gato-sapato” – que sendo Natal a festa da família, tem forçosamente que ser a festa da saudade e, o reino “delas”das recordações…

 Pois que floresçam!

 

-- No quarto da minha Avó havia um oratório, tinha muitos quadrinhos e lembranças (chaves de urnas, madeixinhas de cabelos baços) e alguns santos. No centro, ao fundo, “O senhor” – pregado na cruz – à frente, um belo menino Jesus, sobre uma peanha e, a seus pés um pequeno presépio (um ex-voto aí, do século XVII, não havia dúvidas)!

Num dos lados uma bonita imagem de Nossa Senhora do Rosário e, do outro, antiquíssima também, outra escultura: - Santo António com o menino Jesus pequenino, nu, sentado sobre o missal, tendo na outra mão o rosário. Enfiada nesse braço, ainda a “coroinha”.

 

Este era o mundo das orações, das preces, da angústia e dos devotos agradecimentos.

Era o altar das reverências.

-- “Vai-te benzer ao oratório! – que são horas de deitar”

-- “Vai pedir a Jesus! – Vai agradecer a Jesus”.

-- “Vai rezar aos santinhos”

--“És capaz de repetir isso ao pé de Jesus?”

-- “Vai acender a luz do oratório! – que isto – que aquilo! … “

--“Alumia Santa Barbara, que vem aí a trovoada!...”

-- “Muda as flores aos santinhos…”

Era assim o ano inteiro.

 

Ah! – Mas no Natal!

No Natal o menino Jesus mudava de roupa. Saia do seu fato de cetim cor de azeite, das suas chinelas bordadas, a cordão com pérolas miúdas, da sua roupinha de Bretanha enfeitada de rendas e fitinhas. Antes de vestir a túnica branca bordada a ouro (pelas mãos habilidosíssimas de uma de minhas tias) que exibira entre os dias de Natal e de Reis, minha Avó despia-“O”, deitava-“O” sobre uma pequena toalha de linho com franjas, que num canto,

a vermelho, tinha a marca “M.J.” (Menino Jesus) bordada em ponto de cruz miúdo – ponto de marca – assim se dizia – já tinha água morna (provada com as costas da mão) na bacia enorme do “lavatório grande” – onde diariamente mergulhava e ensaboava as suas duas netas – e estava interdito a mais, quem quer que fosse – e seguia com carinho o mesmo ritual da cerimónia das abluções. Depois de “O” lavar, voltando a envolve-l”O” na toalhinha bendita, aconchegava-“O” ao peito como se faz às crianças e, dizendo palavrinhas de amor e conforto: - “coitadinho”! – “Está muito frio!” – “Eu visto-“O” já” – “pronto!” – “pronto!”—dava-lhe palmadinhas nas costas e, a seguir compunha-“O “ para ficar durante as “festas” culminando o monte de pedras com musgos, areia e laguinhos de espelhos onde se exibiam – rodeando o Presépio – figuras de barro e celulóide de tamanhos tão distintos , como distintas foram as gerações de que provinham e as acumularam.

Talvez, na tímida e infantil adoração, com que há meio século, minha irmã e eu, olhávamos o “Novo Menino Jesus” – houvesse a ingénua convicção de que “Ele” era também neto da nossa Avó.

 

Ainda hoje, afogada na saudade desse tempo, dou comigo a sorrir, pensando que é a “Ele” agora, que a nossa Avó, lá no céu, aconchega as roupas da cama, falando-lhe de nós com o humaníssimo amor que usava a falar-nos d’Ele.

 

Natal de 1984

 

                             Maria José Rijo

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À La Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.765 – 21 de Dezembro de 1984

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:30

Conversas de Natal

Quarta-feira, 05.12.07

Jornal Linhas de Elvas -

Nº 2.637 – 21 de Dezembro de 2001

ENTREVISTA Sraª. D. Maria José Rijo

 Em

Conversas de Natal 

“Gostaria de fazer uma viagem no tempo”

Desde os tempos mais remotos que o Natal é um dos momentos mais maravilhosos na infância de uma pessoa. Maria José Rijo, com a grande experiência de vida que tem, atravessou várias fases da quadra natalícia. A mudança dos costumes e da tradição não lhe são indiferentes.

        Cresceu num meio e num tempo em que a festividade era uma época de sonho e continua a acreditar que só é Natal se se tentar manter esse espírito.

        Num tempo em que não se dizia Natal, mas sim “a festa” , o “mês do Menino” , ou ainda “vamos festejar o nascimento”, todos estavam muito ligados à figura de Jesus. Essa era a base da alegria do momento.

        Com a televisão, “todos estes sentimentos são vendidos ao desbarato”. As pessoas perderam a noção do que é verdadeiramente original. Enfeita-se a porta de casa, a árvore de Natal, mas apenas se estão a cultivar os sinais exteriores. O Natal é, ou deveria ser, acima de tudo, uma festa de interiorização.

Linhas de Elvas (LE) –> O que recebia no Natal quando era criança?

Maria José Rijo (MJR) –> Recebia bonecas, mobílias em miniatura, chocolates. Não tínhamos muitos brinquedos. Recebíamos alguns jogos, dominó, o jogo da glória, o loto para brincarmos ao serão, quando estávamos doentes ou quando estava a chover e não podíamos ir para a rua. Havia sempre alguém que estivesse disponível para brincar connosco. Não tínhamos a abundância que se tem hoje, em que cada criança tem uma loja. Na altura dizíamos: “a minha boneca, a minha caminha, o meu jogo” , porque tínhamos apenas um. Identificávamo-nos mais com as nossas coisas.

 

                  (Registo- Trabelho de Maria José )

L.E. -> A Tradição ainda é o que era?

MJR -> Não. Principalmente porque se cultiva muito o exterior.

         No meu tempo as crianças tinham um leque de cobiças, mas, por outro lado, identificavam melhor o prazer das coisas.

         Os chocolates bons, as caixas bonitas de chocolates, as ameixas de Elvas chegavam ás nossas casas pelo Natal. As coisas não estavam banalizadas.

         Hoje as crianças têm tudo sem apreciarem nada, não sonham com coisa nenhuma.

         O facto das mulheres terem ganho o direito de trabalhar fora de casa, fê-las relegar os meninos um pouco para a prateleira. As crianças têm necessariamente menos qualidade no afecto. Para os compensar do pouco tempo que passam com eles, começam a comprar. Mas não é um comboio eléctrico que vale uma tarde de colo e de miminhos.

         Claro que hoje há coisas maravilhosas, mas em algumas coisas perdeu-se a noção da primordialidade que têm.

 

             (Registo - trabalho feito por Maria José Rijo)

L.E -> O que é para si o verdadeiro espírito do Natal?

MJR -> É o espírito de família, é pensar nos outros. Por exemplo no Baixo Alentejo, onde eu vivia, as pessoas mais humildes cantavam à porta das pessoas que tinham mais. Estes recebiam-nos, mandavam-nos entrar, ofereciam-nos filhós e azevias. Era uma oportunidade para conviverem com outras classes.

         Dentro desse espírito de família, os mais carenciados eram convidados para passarem o Natal com os mais abastados.

 

L.E -> Qual é o mais bonito gesto que se pode ter no Natal ?

MJR -> Eu acho que é tentar identificar as carências das pessoas e, discretamente, arranjar forma de colmatar essas falhas.

Era ponto de honra do meu avô e da minha avó, quando sabiam que alguém passava necessidades, ajudar sem que a pessoa soubesse quem era o autor. Nas vésperas de Natal, principalmente, aproveitavam para transmitir essas mensagens de amor. Colocavam o dinheiro ou os géneros na medida das suas possibilidades, à porta da pessoa e não diziam nada a ninguém.

 

L.E -> Pensa que o Natal é quando o homem quiser?

MJR -> Creio que dentro do coração de cada um, é . Se a pessoa cultivar a fraternidade e o respeito pelos outros, se pensar um pouco menos em si e um pouco mais nos outros, acho que é possível.

         Eu sou muito virada para a comunidade. Gosto muito de coisas bonitas mas não me agarro a nada. Sou capaz de dar tudo. A única coisa a que me sinto, realmente, ligada é aos meus livros. Fazem muito parte da minha vida, são fruto de opções.

 

L.E -> Em quem acredita: no Menino Jesus ou no Pai Natal?

MJR -> O Pai Natal para mim, não tem sentido. A mim sempre me ensinaram que quem trazia as prendas era o Menino Jesus, se nos portávamos bem o ano inteiro. A minha avó ensinava-nos a rezar quando éramos pequeninas: Menino Jesus perdoa as maldades que hoje fiz e ajuda-me a ser boa. Rezava isto, todas as noites e quando chegava perto do Natal fazia-se o balanço. Então achas que mereces as prendinhas do Menino Jesus? Era o menino que tinha essa responsabilidade.

 

L.E -> Qual a prenda que gostaria de receber nesta quadra?

MJR -> Queria muito a segurança na saúde da minha mãe. De material não há nada que cobice. Gostaria de fazer uma viagem no tempo. Tenho muitas saudades das pessoas do antigamente.

 

 

L.E -> Qual é a tradicional gastronomia alentejana da quadra natalícia?

MJR -> No Alentejo, os pratos mais típicos são os de peru, do lombo com amêijoas, as migas. Havia também, sempre um prato de peixe. Acho que o prato de peru não é uma tradição portuguesa, mas começou a entrar muito cedo nas nossas mesas devido à face criação da ave. A gastronomia do Alentejo sempre assentou nas coisas que havia. Temos também o arroz doce, os borrachos, as azevias que no baixo Alentejo se chamavam pastéis de batata-doce.

L.E -> CoNatal é a nsidera que o altura dos milagres?

MJR -> Nunca tinha pensado nisso, mas talvez seja. Porque o espírito de Natal, por vezes, toca tanto nas pessoas que, na medida em que conseguirem ser menos egoístas, mais generosas e voltadas para os outros, acaba por ser. O milagre pode ser esse…

         Ás vezes penso no Natal um pouco como penso em Fátima. Não sei se realmente existe, mas acredito muito no ser humano e acho que dentro de nós existe um desejo de crescer e de ser bom. Se há coisas que se fazem mal é porque as pessoas estão revoltadas, não receberam o crédito que achavam merecer.  

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:06

Neste Natal -

Domingo, 02.12.07

Estava para ali descuidada a reler páginas, ao acaso, de livros que volta e meia, folheio por puro prazer de os manusear, quando, na prosa exemplar do grande pensador, que foi, António Sardinha encontrei em - “Do Valor Da Tradição”- o que passo a citar:

Para nós a Tradição não é somente o Passado. É antes a permanência no desenvolvimento.

E mais adiante:

A sociedade é uma criação, não é uma construção, - não é um mecanismo. Porque é uma criação, a sua existência é condicionada por certas leis naturais, de cuja acção convergente um dia resultou. Ora por” Tradição” nós temos que entender necessariamente o conjunto de hábitos e tendências que procuram manter a sociedade no equilíbrio das forças que lhe deram origem e pelo respeito das quais continua durando.

Claro que estou a respigar excertos do texto. Como é óbvio, estou a escolher o que julgo responder melhor a algumas das nossas dúvidas mais comuns sobre tradição, e tradições, conceitos que assimilamos, muitas vezes sem para eles encontrarmos definições que nos satisfaçam.

Penso, que pelo menos, nesta prosa editada em 1942, que mais não seja, como curiosidade, tem interesse adquirir mais estes pontos de referência.

Continuo a citar:

Antecipando-se ao seu tempo, o senhor de Bonald declarava há mais de um século que as instituições do passado, não eram boas por serem antigas, mas eram antigas por serem boas.

Eis aqui o fundamento positivo do “tradicionalismo”.

“A tradição”para nós não vale sentimentalmente, como as ruínas valiam para os românticos, - como uma quantidade morta, que a saudade encheu do seu perfume estranho.

A”Tradição”vale, sobretudo, como a permanência na continuidade

Depois de, citando António Sardinha, falar do valor da tradição, nada mais oportuno que citar um elvense de relevo, o escritor Antonio Thomaz Pires que em 1923 – (tudo lembranças do século passado) – registou para a posteridade em “Estudos e Notas Elvenses”as principais tradições do Natal em Elvas.

Algumas delas, ou muitas delas, terão já caído em desuso.

Porém as guloseimas e comezainas mantêm-se quase inalteráveis, embora a “vigília” já não principie pela consoada ás oito da noite, collação que se compõe de peixe, pão, e esparregado e salada de alfacecom mais ou menos abundância, ninguém resistirá à doce tentação de se regalar com uma azevia, ou uma tirinha de nógado , mantendo assim, viva, pelo menos, a tradição gastronómica, que heroicamente tem resistido ao decorrer dos tempos.

Talvez se tenha perdido um pouco a tradição das searinhas e dos presépios de musgo, e figurinhas...Mas não de todo, bem como as roncas que a pouco e pouco têm vindo a  reganhar o seu espaço cortando, com os seus sons roucos, o silêncio das geladas noites do mês do Menino.

Talvez o pai natal, com o seu colorido e seu saco de brinquedos tenha conquistado um lugar predominante nos nossos costumes, talvez...

Porém, a liturgia diz:

“ Um Menino nos foi dado e ele nasceu para nós!”

A Sagrada Família no Egito

Volto, a António Sardinha:

A dignidade humana só se reconhece nos laços que a ligam ao seu destino imortal no momento em que uma Virgem dá á luz no estábulo de Belém.

Para todos: - Um Santo Natal!

Haja Paz!

                                                 

                     Maria José Rijo

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Jornal linhas de Elvas

Nº 2.741 – 26-12-03

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:53

Um nome basta...

Sábado, 15.09.07

No nosso panorama social, cheio de gente que se atropela sem pudor, para ficar na primeira fila do retrato de conjunto a que cada época tem direito para oferecer ao arquivo da história...
Nesta corrida desenfreada a títulos e a cargos importantes...
Nesta ânsia de cognomes para evidenciar o peso social dos utentes de tais alcavalas...às vezes mais virtuais do que reais...
Nesta corrida aos proventos que advêm quando a opção é, por escolha, o senhor director, o senhor presidente, o senhor ministro, o senhor doutor, o senhor administrador...e se esquecem, nomes de pai e mãe, ou, mais grave: se escondem, por modestas, as origens...
Neste panorama de falsos valores e falsas grandezas, de repente, estoirou a temida notícia da morte de Luciano Pavarotti!
Verifica-se então, sem sombra de dúvida que, quando o talento sobra, não são necessários títulos, realezas de berço, nada...
Nada mais do que “qualidade”, nada mais do que real “talento”, nada, nada mais, para que o mundo inteiro fixe um nome, um nome só, e o repita, e o ame, e o respeite, porque, então, um nome basta.
Apenas Luciano, ou apenas Pavarotti...
Para quê mais?!
Se, só assim, sem mais ser necessário, pelos tempos fora, a memória da voz que gerações e gerações hão-de reverenciar será referida.
Quando a dimensão humana existe, todos os acessórios são inúteis, na verdade um nome, um simples nome identifica, - um nome basta!

Não falarei da menina desaparecida. Não quero ter vergonha de mim, o que de certo aconteceria, se falasse, sobre aparências, do que nada sei.
Limito-me a interiorizar o drama de todas as famílias que perdem as suas crianças

 e a sofrer por elas, como toda a gente.

 

Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Conversas Soltas

Nº 2.934 – 13-Set.- 2007

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:28

Menina de Trapo

Sexta-feira, 29.06.07

 Livro infantil

escrito por Maria José Rijo

 

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                    Boneca de trapo

de sonhos urdida

teus olhos de linha

são olhos de vida

 

Boneca de trapo

menina de trapo

dormes ao meu colo

dou-te o meu calor

 

Menina de trapo

menina de amor

menina de trapo

menina de amor

                       

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:05





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LIVROS PUBLICADOS:

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