Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Ministros
Jornal Linhas de Elvas
Nº 1.749 – 24 Agosto de 1984
Nº 2.867 – 25 Maio 2006
Conversas Soltas
Por essa altura, vão passados 22 anos publicou este jornal um:
“A lá Minute, (assim se chamava por esse tempo o meu espaço) em que parafraseando um programa de televisão de origem britânica – “Sim, Senhor Ministro!” - me foi dado comentar uma situação muito parecida com a que atravessamos agora.
Devo dizer que ninguém me “esconjurou”, embora até o Manuel Carvalho, o tivesse lido aos microfones da Rádio Elvas.
Ninguém teve dúvidas de que não estou, nunca estive contra quem quer que seja, mas apenas, agora e sempre com todos os que se batem por Elvas.
Dada a explicação, repito o texto que me parece, vem a propósito!
Sim, Senhor Ministro!
Li!
Li, sim Senhor Ministro!
Elvas inteira leu.
Leu, sim Senhor Ministro!
Leu e pasmou.
Lemos e pasmamos! Pasmamos, sim Senhor Ministro!
Pasmamos com a sua “série...” de razões
Pasmamos porque as razões de tal série, dão que pensar – não dão para rir.
Perdoe. Perdoe, sim Senhor Ministro se há alguma confusão por razões de outra... série. Temos motivos para estar confusos. Temos sim, Senhor Ministro!

A Santa Casa da Misericórdia de Elvas (hoje Hospital Distrital) foi criada aí por 1502 -1505!!!
Sabia Senhor Ministro?
E sabe Senhor Ministro o que significa para uma população cortar à sua cidade raízes desse tempo?
Eu sei, Senhor Ministro, eu sei.

Veja que vivendo em Angra do Heroísmo quando do terramoto vi cair a cidade. Vi cair a Sé.
A Sé era quinhentista como é a Misericórdia de Elvas.
Sabe o que é ver cair a nossos pés raízes portuguesas que vêm de tão fundo no tempo?
Não sabe? – Então não queira saber.
O chão treme. Tudo oscila. Tudo vacila.
É o caos. Acredite.

Não brinque aos Deuses, não brinque Senhor Ministro.
A história dará testemunho da nossa razão.
Dará, sim Senhor Ministro!
Ou quererá o Senhor Ministro reeditar a ideia do tempo do Dr. Salazar, (que Deus haja!) quando “poupou” na instrução criando “regentes em lugar de professores e “postos” em lugar de escolas?
Ou é que ao reconhecer a importância evidente da cidade de Badajoz está “por gentileza” sugerindo que vivamos como seu subúrbio, com a mesma magnanimidade régia com que Olivença foi oferecida a Espanha?

Há maneiras tão subtis de destruir que é preciso que se saiba que não é apenas com bombas que se fazem “Guernicas”...
Pense em Elvas. Pense sim, Senhor Ministro!
Não como uma cidade a espoliar para engrandecer outras.
Não como uma cidade a humilhar.
Pense em nós – reconhecendo-nos o direito de crescer e progredir com a ajuda de todo e qualquer governo – até o seu – o seu, sim Senhor Ministro.
Se não o sabe fazer – demita-se! – e deixe o seu lugar a quem tenha da justiça que se deve às populações uma visão mais realista e mais humana,
Faça-nos esse favor.
Faça, sim Senhor Ministro!
Maria José Rijo
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Vou pensar …
Á LÁ Minute
Nº 1741 – 29 de Junho de 1984
Jornal Linhas de Elvas

Distraidamente, escutava o noticiário, enquanto relia de Fernando Pessoa – “O Mostrengo”.

“Á roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: - “Quem é que ousou entrar nas minhas cavernas que não desvendo meus tectos negros do fim do mundo?”
E o homem do leme disse tremendo:…”
O noticiário distrai-me. Como que intrometendo-se o locutor diz: o partido comunista ameaça…
Sempre o mesmo! Penso e volto ao poema um pouco ao acaso.

“…-De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?
- disse o mostrengo, e rodou três vezes, três vezes rodou imundo e grosso.
-“Quem vem poder o que só eu posso, que moro onde nunca ninguém me visse e escorro os medos do mar sem fundo?”
E o homem do leme tremeu e disse:…
A voz do locutor volta a interpor-se propagando a notícia que parece emocioná-lo:
O bloco central treme! A coligação treme!
O partido comunista acha que o governo deve cair!
Não quero pensar no que ouço!
Volto ao poema, volto ao homem do leme que o mostrengo ameaça.
“… três vezes do leme as mãos ergueu, três vezes ao leme as repreendeu e disse ao fim de tremer três vezes:
-“Aqui, ao lume, sou mais do que eu:
Sou um povo…”
Ergo os olhos do livro saboreando o que li. Fixo sem dar por isso o rosto do locutor que faz a súmula do noticiário:
O governo acusou o partido comunista de destabilização. A coligação treme! O ministro disse…

“… Aqui ao leme sou mais do que eu
Sou um povo… e mais do que o mostrengo, que minha alma teme e roda nas trevas do fim do mundo manda a vontade que me ata ao lume…”
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Decididamente é difícil ler poesia e simultaneamente ouvir o noticiário.
Fixo o meu olhar no dedo espetado do ministro que parece agora no “ecran” da televisão:
“O governo foi eleito por sufrágio popular e se o povo português repudiou certos partidos…”
- Quero só pensar no poema que vou já sabendo de cor:

“…Aqui ao leme sou mais do que eu
Sou um povo
e mais do que o mostrengo que me a alma teme manda vontade que me ata ao leme…”
“do povo que nos manda” – remata o ministro.
Fecha a televisão e não leio mais hoje.
Vou pensar…
Maria José Rijo

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O Diálogo
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.956 – 14 de Fevereiro - 2008
Conversas Soltas

Dou, em cada dia, graças a Deus pela qualidade da minha vida.
Tenho – terei mesmo? – (duvido que a dimensão do Bem da Vida, seja humanamente mensurável, mas isso já é outro assunto) consciência do que a Sua misericórdia me concede por, na casa dos oitenta, ainda me bastar a mim própria, olhar com interesse o mundo à minha volta, pensar, tentar entender e, até intervir.
Que, isto de falar, sem esconder o rosto, não é mais nem menos do que assumir o dever de cidadania que a todos cabe e quer dizer – também sou responsável.
Daí que ouça, com atenção, as intervenções públicas dos Senhores Ministros e Senhores Deputados e, também dos Senhores Políticos presidentes de partidos, etc... etc,,,
Daí que dos debates, das propostas, das decisões, das sugestões, críticas recíprocas, das alfinetadas, das catilinárias, (como diria meu Pai), me tenha ficado a nítida sensação de que em lugar de estarem equacionando problemas nacionais, (que querem resolver) na maior parte dos casos estão usando em despique floreados de oratória para ver quem enrola, (este termo parece-me fora de propósito, será?!) melhor o opositor, e ganha mais aplausos das galerias. (traduzo: votos)

Então, neste ano de comemorações do IV centenário do Padre António Vieira, é ver como cada qual se esforça por brilhar na oratória!...
Não admira, na circunstância, que me lembrasse de trazer a lume uma estórinha dos meus tempos de criança, aprendida na escola da aldeia, que servia para se falar muito, sem dizer nada, mas, pelo menos, não dá vontade de chorar ao ouvi-la.
Parece-me um excelente exercício dialéctico para uso dos Senhores Políticos...
È verdade que ninguém o entenderá, mas, pelo menos, a gente ri-se...
Imaginemo-los com os seus ares de donos irrefutáveis da verdade, dedo acusador em riste apostrofando o opositor em tom declamatório:
“ Que te importa a ti?
A conversa é teu?
Quando eu falar com tu,
Logo tu falas com eu!”
Nada mais perfeito para a “sintonia” dos projectos em curso: -
Ponte, aeroporto, TGV, incineração...decisões de justiça... tudo, tudo, tem cabimento neste – esclarecedor – solilóquio, seja ele repetido por quem for!

– À direita, à esquerda ou, até ao centro...
Porque assim todos – como eles – ficaremos sem saber qual é o rumo.
Ou se, ainda, há rumo possível...
Maria José Rijo

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Faz obséquio!
Com a reportagem da televisão mostrando o Museu dos Coches a propósito da refeição, oferecida pelo Senhor Presidente Cavaco Silva aos visitantes de Portugal, como epílogo da Cimeira, vieram-me à memória reminiscências de infância, tão misteriosas de entender – na altura, para mim – como hoje alguns dos eventos desta cimeira.
Quando eu era pequena, pequena, como todos os adultos também já foram – pois que, até - como diz Le Petit Prince : “toutes les grande personnes ont d’abord été des enfants”...
Circunstância que muitas vezes parecem ter esquecido, de tão ocupados que estão a ser “Importantes”, o que convenhamos deve ser uma representação muito desgastante e enfadonha.
Mas a escolha é deles e, eu nada tenho que ver com isso.
Contava eu, que, de vez em quando, meus pais levavam-nos a Lisboa.
Estas decisões eram sempre precedidas de conciliábulos à mesa que levavam em conta, também os pareceres da Avó e das Tias. Era assim uma espécie de cimeira familiar.
Eles já tinham a sua decisão tomada, (tenho esse convencimento) mas não lhes custava nada serem corteses com as respeitáveis representantes do passado de quem haviam herdado princípios e preceitos morais e ouvi-los, como se os seus pareceres fossem decisivos. Sabendo, embora todos, que não eram.
“ Temos que levar as garotas a Lisboa”. Têm que ver outras coisas. Só a praia no Verão e as férias no Algarve com os primos, não é suficiente.
Têm que visitar museus, andar de eléctrico, ir ao Jardim Zoológico, viver situações diferentes. Estão sempre aqui e acabam ficando acanhadas. Só conhecem árvores e bicharada, têm que saber estar à vontade noutros meios.
Minha irmã, entrara para a escola e essa nova etapa da sua vida, favorecia-me também, visto que embora sendo dois anos mais nova, acabava por fruir daquelas decisões.
Então lá íamos, de comboio, em segunda classe, até ao Barreiro e, depois de barco – de vapor – até ao Terreiro do Paço.
Daí, até a um “hotelzinho de famílias” numa rua da Baixa estreita e de prédios muito altos, frequentado também por amigos e familiares – não me lembro. Sei que no meu espírito ecoa uma palavra: - caleche! Mas seria?- vão 76 anos...Já nem tenho a quem perguntar...
Embora eu me sentisse toda só olhos e fosse quase pendurada de minha Mãe, entre extasiada e assustada, muitos pormenores desses acontecimentos, o tempo já escondeu da minha memória.
Ficou-me destas visitas a lembrança das idas ao Zoo, ao Aquário Vasco da Gama, ao Museu dos Coches, Mosteiros e outros lugares onde nem sempre, depois de adulta voltei...
Porém, como se fora agora, vejo a figura do porteiro do hotel, com uma farda que tinha galões e dragonas como só tinham, no meu conhecimento, os príncipes dos contos de fadas, o que me deslumbrou
Então, quando ao abrir a porta, nos convidando a entrar, se curvou cumprimentando solene e disse: - faz obséquio!
A minha imaginação voou!
Era a primeira vez que escutava tal palavra.
O que quereria dizer, não sabia, mas...abre-te Césamo! Não tinha mais mistério, nem mais beleza, aos meus ouvidos.
Meu Pai, com a benevolência do costume, lá me explicou que era apenas uma forma de dizer – faz favor.

Ora, não é que revendo na televisão o Museu dos Coches recheado de pessoas para mim de intenções e hábitos tão herméticas como impressionantes me ocorreu pensar que o mesmo pode estar a acontecer à maioria dos portugueses tão desprovidos “do saber” destes meandros como acontece comigo?

Pensei então que era altura de pedir ao Senhor Primeiro-ministro que, descodifique a cimeira para os leigos como eu.
É só, e apenas, trocar todo o palavreado “bonito” por linguagem comum.
Sem fardas, nem galões. Nua, mas verdadeira.
Coisa que se entenda de caras, como um vulgar - Se faz favor!
Queremos saber se há referendo e para referendar o quê.
Não me digam que “Dez Quilos” de conversa escrita, vale apenas a saliva gasta numa pergunta de sim ou não!
Queremos entender. Precisamos entender.
Faz obséquio!
Maria José Rijo
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Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.948 – 20 de Dezembro – 2007
Conversas Soltas
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“Diga lá – Excelência”
Leio sempre com a maior atenção, os artigos de opinião dos meus companheiros “de lides”, que sinto como verdadeiros amigos. Quer pelo tempo que já levamos de percurso comum, quer também, por este “parentesco” de comportamento que, nos faz, sem contrapartidas económicas, ou outras, dar a face em prol do que em consciência achamos ser o Bem comum. Somos uma espécie de não acomodados, nem sempre bem entendidos, mas, convictos e resistentes...
Por eles, muitas vezes tomo conhecimentos de factos que de outra forma me passariam despercebidos, dado que só pelo jornal algumas notícias me chegam e, por essa circunstância já nem sempre muito frescas...
Desta vez, após a leitura de um excerto de afirmações proferidas por Sua Excelência o Senhor Presidente Rondão, numa entrevista que João Gois cita, não consegui deixar de reparar na circunstância que, na minha opinião, torna a forma como está exposto um critério de decisão, que até pode estar certo (não é essa agora, a minha tese) numa tremenda gafe, e, até ofensa, para outras personalidades que ocupem ou tenham ocupado os cargos que de forma “tão frontal”, (como a designa João Gois, com uma generosa tolerância, que me recuso a subscrever), são referidos, por – Tachos! - 
Apetece perguntar como no programa cujo título parafraseei: - diga lá Excelência, o que é um tacho?
Aqui fica, ipsis verbis, o que motiva os meus comentários: -“Havendo quatro regiões, há quatro tachos porque há quatro presidentes”
Então a definição de presidente, qual é? - Tachista!?...
Se a sugestão proposta é para que fique uma só região, o que equivale, a um só tacho e, consequentemente, um só presidente, ou – Tachista - ocorre perguntar: - é como tacho que um presidente de Câmara vê os cargos de outras pessoas, como ele, escolhidas ou eleitas, para servir o Povo que somos, - o País que somos?
Parece lógico intuir deste discurso, que, se deve reduzir a quantidade de tachos, para que haja menos... tachistas! E, os referidos tachos possam – sendo menos – servir mais fartamente os seus usufrutuários! – Será isso?
Então é a isto que está reduzido o respeito que se tem por cargos públicos, e políticos?
Neste caso, qual é o espírito que preside ao desempenho das funções inerentes a tais cargos?
Achar bem – um só presidente - porque isso reduz o número de tachos???...
Então neste país – no nosso país - já não há ideais? - Espírito de missão? – Espírito de serviço? - Amor ao progresso, ao bem-estar do próximo? Altruísmo? – Abnegação? - Solidariedade? - Dignidade? – Nada que dignifique o ser humano!?...
Estará esquecida a lição do Papa João Paulo, ao dizer que “o caminho é o Homem?”
Impõe-se a pergunta: - é para tachos que se fazem eleições?
Não se esclarece em tão notável entrevista quantos elementos afectos ao tachista, poderão comer do dito tacho. A família? Os compadres? - Os amigos?
Porque: - se não é um cargo, com os seus deveres, compromissos de honra, com os seus consequentes encargos, alegrias, tristezas, sucessos e insucessos, vitórias e derrotas, projectos e ideais, que é atribuído a alguém que, como tal, precisa de colaboradores à altura de tais responsabilidades – mas sim – um tacho!...
... Então de um tacho como diziam os ceifeiros e os malteses que se recolhiam à noite, lá nos montes, pelos palheiros:”- podemos garfar todos do mesmo barranhão!” E, à roda do tacho, abancava um sem número de gente vária, desenraízada de deveres e de afectos, que deambulavam comendo onde podiam e que, uma vez saciados, partiam sem escrúpulos, até sem dizer adeus, para onde mais lhes conviesse já que nenhuns tabus os detinham.
Espero em Deus que o senhor primeiro Ministro, com a sua decisão de reduzir postos de Trabalho, não confunda Pão com Tachos, porque são realidades bem diferentes, e, tenho a certeza de que, nenhum Excelentíssimo Ministro quereria “ calçar as botas” dos funcionários atingidos pelas tão justas medidas, que estão promulgando – para os outros – claro!
Maria José Rijo
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Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.860 – 6/Abril/2006
Conversas Soltas
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“Tão querido!”
O meu desvanecimento pelo Senhor Ministro da Saúde subiu de tom.
Já antes me haviam encantado as soluções políticas, em relação à saúde, criadas por Sua Exª para o País em geral, e para a nossa cidade, em particular.
Quem anda a parir e a morrer em turismo de ambulância pelas estradas do País, vive esse deslumbramento em plenitude.
O Senhor Ministro é médico e, ao que parece exímio cirurgião, pois, desmembrou com eficiência as Instituições que nos serviam, no que patenteou, sem dúvida, inegável perícia.
Aliás todo o País, respirava alegria, segurança e bem-estar com a organização “ioiô” que foi implantada na saúde
Pega, larga, agarra de novo, enrola, desenrola – uma maravilha de procedimento que faz imediatamente perceber como “foi bem amadurecido” o brilhante programa, como, aliás, não poderia deixar de o ser, dado que de saúde e portanto, de Vidas, se trata.
Sabemo-lo por duras penas.
Algumas famílias – incluo a minha – de forma tão particular, que só poderão medir o tamanho do seu apreço pela obra do Senhor Ministro, comparando-o ao vazio criado pela ausência dos afectos que lhes davam sentido e encanto…
Porém, hoje, no primeiro noticiário da RTP, logo pela manhã bem cedinho, não consegui reter a exclamação: - Tão querido! – Quando ouvi o Senhor Ministro dizer para serem dados aos pobres os medicamentos fora de prazo (?)
Comoveu-me tamanha generosidade! – Tão nobre iniciativa.
Só não disse Sua Exª. De que pobreza se tratava.
É que, com as medidas que têm sido implementadas, na saúde, assistência social e outras, os pobres comuns, não precisam de remédios fora de validade
para se extinguirem completamente.
A fome, o abandono e a miséria já estão provendo a satisfação desse programa…
Isso, não é mais, problema.
Está resolvido.
Mas, hoje, ainda – dia 28 de Julho – no noticiário das 13 horas – surgiu a explicação de que tão descabida afirmação, não fora uma baboseira sem graça.
Fora: - “um dito de espírito”!
Convenhamos que – como tal – é pobre!
É, mesmo: muito, muito pobre.
De uma pobreza sem remédio, que nem tem prazo marcado
- Quando mais um fim à vista!
- Tão querido!
Maria José Rijo
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Conversas Soltas
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.925 – 5 de Julho 2007
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Um documento
Dizia na sua última crónica o nosso bom amigo Gois, que para se agradar a uns, ás vezes, desagrada-se a outros.
O Gois, tem razão.
Talvez por isso, quando se atinge uma certa maturidade, escolhe-se apenas, servir a nossa consciência, e, daí que se acabe por não agradar a ninguém, mas ganha-se o que é imprescindível para a boa saúde, até da alma, um sono descansado.
Por norma quem escreve com sentido de responsabilidade e não o faz anonimamente, recusa denunciar fontes, não compromete quem em si confia mas, também não comete a leviandade de tornar publico qualquer denúncia, sem estar baseado em documentos ou depoimentos que considere sérios e absolutamente fiáveis.
Quem costuma ler os meus escritos, sabe que não me conformo com as soluções encontradas para superar o fecho de Hospitais, Maternidades, Urgências etc. etc. etc...
E, não são as falinhas mansas do Senhor Primeiro-ministro, nem as vermelhuscas faces do colérico e obstinado Senhor Ministro da Saúde que me vão calar.
Transcrevo, hoje, aqui, quase integralmente, um documento que comprova mais uma vez, como funcionam BEM os serviços que o Governo alardeia, estarem óptimos PORQUE ESTÂO CENTRALIZADOS
Carta enviada ao Procurador-geral da Republica:
Queixa / Requerimento
O signatário na qualidade de pai de Rafael Alexandre Rijo Lopes da Cunha, de 34 anos, Arquitecto de profissão, falecido em 28.01.2007 cerca das 23,00hrs. Na sua residência, vem requerer a V.Exª o seguinte e com os seguintes fundamentos:
1. O falecido Rafael A.R. Lopes da Cunha, sofria de doença alérgica “ Asma”desde os 2,5 anos de idade, tendo sido sempre tratado pelo Professor Palma Carlos. De referir que essa patologia desapareceu entre os 14 e os 30 anos de idade, voltando nesta idade a reaparecer. Contudo continuava a ser seguido com regularidade pelo Professor Palma Carlos.
Mantinha uma vida saudável e a todos os títulos normal. Brilhante na Academia e de mérito profissional reconhecido no desempenho da actividade de Arquitecto.
1. No Domingo dia 28. 01. 2007, manteve a sua visita normal de família entre as 12.30 e 14.30hrs.
2..... cerca das 21,30 queixou-se de mau estar
3...às 21.50hrs. aí, sim após uma crise de tosse muito intensa queixou-se que se sentia muito mal
4. Cerca das 22hrs, apelou-se pelo telefone ao 112 pedindo emergência médica, pois o paciente estava quase sem respirar. Sem tecer por ora quaisquer comentários quanto ao prolongamento e forma do atendimento, é um facto que o 112 não percebeu (não obstante o desespero convulsivo do apelo) a gravidade da situação.
4. tais como garrafa de oxigénio, desfibrilhador, etc. etc, ) e nada mais fizeram que as convencionais compressões no peito
5. Cerca das 23 hrs. Chega outra ambulância do 112, essa com uma pequena garrafa de oxigénio, e nada mais. Continuam a procurar a reanimação pelos processos normais de compressão no peito e administração de oxigénio.
6. Só cerca das 23,30 hrs, isto é, após 1 hora e 30 minutos após o apelo chega o INEM, com médico e enfermeiro, equipado com desfibrilhador e restantes meios. Porém já era tarde.
7. À parte a dor de uma família enlutada e sofrida, e de um bebé de 22 meses que não chegará a conhecer o pai, venho REQUERER a V. Exª se digne mandar investigar as razões porque o 112 não actuou como devia; os Bombeiros. Não sabendo tratar do assunto, não conduziram o doente aos serviços de urgência (S. F. Xavier) a 8 minutos de casa; o INEM só chega 1, 30 depois de requerida a urgência.

8. Finalmente requero uma explicação do porquê aqui na Capital do País a 8- 10 minutos dum Hospital Central morre no hall de sua casa um jovem de 34 anos por falta de socorro adequado.
Em nome do direito à verdade e do direito de cidadania exijo um inquérito e uma explicação.
Segue a assinatura.
E, assim foi, porque assim é, e porque escutando os noticiários, em cada dia mais se presume que assim será...
Maria José Rijo
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Conversas Soltas
Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.910 – 22 – Março- 2007









