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Olá! - Cá estou...

Domingo, 18.07.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

 Nº 1799 – 16 de Agosto de 1985

 “Olá” – cá estou”

 

              

 

Regressei há dias mas, o calor, que por cá encontrei derreteu toda a minha energia para fazer o que quer que fosse.

 

Não fora o condicionamento que os hábitos, adquiridos por educação nos imprimem, e creio que teria sido capaz de dormir, dormir durante estes dias de bafo de febre – como qualquer urso que se preze faz para fugir ao seu flagelo – O Inverno.

 

Mas… cá estamos graças a Deus, e antes, que me esqueça – se é que se esquecem estas coisas! – queria contar como foi bonita a minha despedida de Elvas, rumo às férias.

 

Enquanto cumpria o ritual de arrumação das malas escutava meio distraída a rádio.

 

De repente, porém, o meu ouvido foi alertado e, entre montinhos de roupas e calçado, sentei-me a escutar com a maior atenção um pequeno programa – que, ao que entendi, já era repetido – de uma primeira emissão que eu perdera.

 

 

 

Eram alunos da Escola Preparatória de Elvas a celebrar, com trabalho de sua autoria, o centenário do nascimento de dois compositores célebres: Handell e Bach.

 

Infelizmente para mim, não sou entendida em assuntos musicais. Porém, como toda a gente pode ser – sou eu – isso sim! – Entendida em "esperança" – porque acredito nas pessoas.

Daí que saber que alguém, neste caso a professora Srª. Dona Maria Elvira Vaz Serra Cabrita, falara aos seus alunos da forma a interessá-los sobre um belo e difícil tema – me encantou.

 

 

Afinal, é possível pôr uma classe inteira (dessas mesmas gerações de quem nos queixamos por fazerem desacatos) a pesquisar, a catar conhecimentos, a gostar de usar o seu próprio tempo de lazer enriquecendo o espírito.

 

Afinal é possível, pôr as gerações novas a aprender com tanta entrega a alegria, como brincam no escorrega dum jardim!

 

Parabéns  à Escola e Parabéns Professora!

 

Parece-me estar a ouvi-la em anos passados, em Tomar, quando os seus filhos tinham as idades que têm agora os seus pequenos alunos:

 

“Os filhos educam-se olhando-os de frente a tempo inteiro. Três quartos, já não chega! - É pouco!”

 

Afinal, os alunos, também se podem tornar discípulos se olhados de frente – a tempo inteiro.

 

Certo, Maria Elvira!

 

Certo! Parabéns, Obrigada.

 

 

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 15:07

Ao sabor do acaso

Sábado, 31.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3005 – 29 de Janeiro de 2009

Conversas Soltas

 

 

Mesmo quem nada percebe de música, como eu, tem a noção do que ela é, do que ela significa, do que ela vale, quando nos deixamos invadir por ela e dentro dela – libertos – nos soltamos.

Penso sempre, que, mesmo quando não sei as palavras que, como uma reza, eu poria dentro dos seus sons, penso sempre, que toda a música é oração, mesmo quando fala de revolta.

         

Por estar bravo, encapelado que seja, o mar não deixa de ser mar.

E, mesmo quando afoga, ainda e sempre, é água.

Não me perguntem o que quero dizer com esta conversa, porque não saberia dizer.

Sei que estou a ouvir música, sei que está a chover, sei que tenho a lareira acesa. Sei que é reconfortante estar em casa com tempo assim e olhar pelas vidraças e ver o “mundo” molhado lá fora.

          

E, sei que a música tem o condão de criar como que um mundo envolvente para nós - um mundo diferente  para cada um de nós - dentro do mundo imenso onde cabem reunidos, os mundos de todos nós juntos.

Em dias de chuva, Chopin, é mais ele.

É , absolutamente, ele.

Sei que é assim porque nestes dias, nestas horas ele pega na nossa sensibilidade, no nosso coração, nas nossas almas e eleva-as até ao infinito de nós mesmos. Até à fusão com a essência da música, até lá onde o que se pensa, o que se sente, o que se julga ser, se desfaz como bolas de sabão deixando apenas um resíduo de água,

Fugaz como uma lágrima.

Um vestígio, uma vaga lembrança da beleza entrevista e impossível de capturar.

A flor atrai porque é bela.

A infância deslumbra porque é inocente e pura

A música cativa e apaixona porque da flor é o perfume e da pureza e inocência – é a voz.

 

A música é a fala da Vida.

É a prova de que para todo o mal há esperança e espaço para redenção.

Porque de tudo a música fala.

“Quasimodo” era horrendo fisicamente.

O amor o sublimou.

Contado em música só poderia ser belo.

Porque a música é o extracto, o mistério, o segredo, a centelha de infinito de cada ser.

Nestes dias, em que a música nos faz mergulhar dentro do mistério incontido da dimensão divina de ser gente, parece que o cinzento do céu acontece para que brilhe melhor a clarividência de o reconhecermos.

O piano emudeceu.

Sem a alma nas mãos de Maria João Pires, ficou apenas, o que é – um instrumento musical. Um móvel.

E, a tarde – sem a música – ficou aquele entreacto – hoje chuvoso, ventoso e triste que nos conduz à noite.

Embuço-me no vazio escuro que o silêncio criou em meu redor e vou fingir que ainda não acordei do meu deleite.

 

  Maria José Rijo

                                 0004rh34

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:06

Interlúdio

Terça-feira, 07.10.08

Jornal linhas de Elvas

Nº 1972 – 6 de Janeiro de 1989

A lá Minute

            musica.JPG

 Ouvir música, ao meio da tarde, especialmente concertos de piano, em casa, à hora em que lá fora se trabalha – é bom!

Pode ser até um presente de consolação que as gripalhadas oferecem às suas vítimas.

Há outras hipóteses! – Não fazer nada, dormir, pensar, pôr o correio em dia, arrumar gavetas… passajar!...

Passajar! – Reminiscência de outras épocas.

Passajar meias e ler poesia eram duas actividades complementares, não há muitos anos.

Passajar meias era prosaico, chato, mas… necessário. A poesia requer tempo para ser lida e intervalos para ser pensada depois de sentida. Assim que somadas as duas actividades cobria-se a chateza de passajar com a subordinação do pensamento a outro “mote”, e alternadamente os olhos liam ou seguiam a agulha – as mãos obedeciam e o espírito, livre, viajava.

    

Um pouco de música para fundo – piano de preferência, e cada qual tinha o jardim das delicias que soubesse inventar – o lago que sonhasse, os cisnes mudos e mistérios que evocasse as árvores de paz que recordasse – a tristeza que sofresse o arrojo que desejasse, as lutas, as vitórias e as derrotas que assumisse…

Hoje, já não se passaja – os tempos do nylon oferecem as resistências precisas para as pressas que nos consomem. O que se rompe vai para o lixo.

O lixo, disputa ao homem o espaço de semear e viver, o lugar dos lagos, das árvores e dos cisnes…

O lixo corre nos rios, desagua nos mares, empesta os ares, irrompe pelos céus.

Nas florestas fechadas onde as aves esvoaçam furtivas e cantavam nas altas ramarias – assobiam triturando as serras mecânicas e a vida natural recua onde a vida inventada avança, blindada e brilhante de aço frio, onde não se escuta em bater de coração.

 

 

 

Nesta pausa de acaso, aqui, no meu mundo de ontem – hoje vivo – sinto que permaneço e me desloco como sobrevivente temerosa e simultaneamente deslumbrada e curiosa – das passadas largas como pontes que ligam ontem e amanhã.

E no veste, despe e deita fora de roupas, moveis e modas que se sucedem e a que ninguém se prende porque o tempo de atar faz falta para mudar e seguir em frente – sinto-me em relação a este momento como um objecto de cantareira a que alguém atribuísse uma alma e um passado – e, neste desajuste consciente – acolhe-me a música, voz dos tempos, nela me liberto sem medo e encontro, afinal, lugar para mim neste interlúdio entre séculos.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 21:56

Num entardecer de Setembro à beirinha do São Mateus...

Sexta-feira, 12.09.08

Maria José RIJO  

Nº 2.985-- 11 de Setembro de 2008

Jornal Linhas de Elvas

Nocturno

Choro todos os meus prantos
Ao piano - com Chopin
Minha alma brada seus males
Ao piano com Chopin
Segredo os sonhos que tenho
Ao piano com Chopin
Solto as esperanças que embalo
Ao piano com Chopin
Liberto frustrações que calo
Ao piano com Chopin
É nos 'nocturnos' que entendo
Ao piano com Chopin
Que é no silêncio de Deus
Que a noite se faz manhã
 

 

 

 

Maria José Rijo

 

 

http://pmqp.blogspot.com/2007/10/chopin-por-maria-joo-pires.html

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publicado por Maria José Rijo às 11:12

As Roncas do Natal de Elvas

Domingo, 23.12.07

Em Estudos e notas elvenses por A. Thomaz Pires, consta:

“ Das nove horas até à meia noite de Natal percorrem as ruas da cidade differentes grupos de homens do povo, cantando em altas vozes, em coro, e n’um rhytmo e entoação especial, trovas ao Menino Jesus, acompanhadas pelo som áspero da ronca: alcatruz de nora, ou panella de Barro, a cujo bocal se adapta uma membrana, ou pelle de bexiga, atravessada por um e pau encerado, pelo qual se corre a mão com força para produzir um som rouco.

Somente pelo Natal é este instrumento ouvido”

(António Tomás Pires, “A noite de Natal, o Anno Bom e os Santos Reis” – in Estudos e notas elvenses. Elvas António Torres de Carvalho, 1923, 2ª ed.p.9.)

Ainda hoje em noites de Natal, é frequente escutar no silêncio das ruas, o som das roncas, como memória dos tempos, ressoando cavas e roucas, a acompanhar o compasso lento, dos cantes dos homens, que embuçados nos seus capotes, arrostam o frio da invernia para reverenciar o Menino Deus. Solenes, vão cuspindo na mão, para lubrificar a pele, como também fazem para empunhar a enxada e cantam coisas belas e ingénuas que o coração lhes dita:

 

Ó meu  Menino Jesus

Encostadinho ó madêro

Aqui tens a minha alma

Fazei dela travesseiro

 

Maria José Rijo

(Elvas, Dezembro 2002)

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publicado por Maria José Rijo às 21:07





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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