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CHORA MEU CORAÇÃO

Quarta-feira, 27.07.11

Á lÁ Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1931 – 11 de Março de 1988

CHORA MEU CORAÇÃO

 

Se não houver uma cantiguinha brasileira com este título – se não houver –
paciência !!

Faz de conta que há e que fui eu que a escrevi, porque se eu tocasse ou cantasse olhando,
agora, tantos eucaliptos derrubados e tantos mais marcados de cruz para cair,
não resistiria a pegar no tema!

Não é que se queira acreditar que o seu abate obedeça – obedecerá – por certo, a
uma politica de alargamento de estradas ou a qualquer projecto válido que
justifique o “morticínio”.

Mas lembrando uma época , ainda recente, em que a “mal amada”, era a lendária
oliveira, e por todos os lados se viam, tristemente, olivais de raiz ao sol…

Pensando naquela “onda” que fez a maré das rusticas azinheiras que desamparadas do amor
dos homens caiam como construções de cartas…

Recordando que nesta altura surgiam e proliferavam os pomares  de macieiras como se arvore que não florisse de branco na Primavera, não tivesse direito à vida e se estivesse a reconstruir
o paraiso na terra…

Vendo agora restaurado o prestígio da Oliveira, vendo também recuperada a Azinheira
que já é falado como necessário para dar sombra ao gado, protecção e alimento à
caça, útil para a conservação da humidade nos solos, e mais … fico a pensar se
os eucaliptos à beira dos caminhos, não virão ainda a ser evocados com saudade.

Por agora, choram-se aqueles que, como eu, não vêm sem dor, cortar uma àrvore que
levou anos e anos a crescer e a ganhar porte, que ofereceu sombra ao caminheiro
cansado, deu cunho identificador a qualquer troço de estrada, deu abrigo a
ninhos de cegonha, que ano após ano lá voltavam para criar novos filhos e a
matraquear com os seus longos bicos.

Chora meu coração!

Chora de medo, que desta vez, não tenha havido um cuidadoso estudo prévio que evite o
abate de uma só àrvore, que seja.

É que uma, uma apenas, já empobrece o canto do vento, o abrigo dos pássaros, o
perfume e a pureza do ar, o banquete das abelhas e o regalo dos olhos de quem,
de dentro da alma, as bendiga como uma das dádivas mais generosas da Natureza e
as ame como um sinal de Deus.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 18:21

“…Sei lá…”

Terça-feira, 10.02.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.879 – 13 de Março de 1987

Á La Minute

 

Talvez que a proximidade das suas origens, seja o que me encanta em objectos de uso corrente, como colheres de pau, louças de barro, cestos e canastras.

Gosto da natureza, e entre a terra de barro dos campos, onde o trigo cresce e a panela grosseira, de asa, como braço à cintura, onde o pobre cozinha a sopa no lume de chão da chaminé do monte… quase só vai a distância de um amassar, tender e ir ao forno, como se de pão se tratasse.

Entre o pinheiro que tomba no desbaste do pinhal, que se quer frondoso, e a colher de pau que mexe o caldo – vão apenas uns golpes certeiros de enxó, dados até, quem sabe, pela mesma mão.

Também a canastra da hortaliça, o cesto da vindima ou o cabaz das compras andam perto da força descontrolada com que a Primavera faz rebentar, à maluca, a oliveira, o salgueiro, o souto ou o canavial da beira de água.

Talvez esta proximidade evidente entre a obra e a sua matriz lhe dê essa feição vigorosa de povo, esse jeito inocente e sábio de cada coisa útil… esse ar de pretável serventia… que me cativa e comove.

               

Talvez que, a sugestão que oferecem de pioneirismo, de ponto de partida, no caminho da descoberta de porcelanas, talhas arredondadas, relevos, caprichos entrelaçados de tapeçarias preciosas, talvez, me toque a sensibilidade como os passos indecisos da criança que ensaia a aventura de andar pelo seu pé.

                         suri_cruise_7

 Não sei se tudo isto, ou nada disto, me liga a tais coisas… porque me é muito difícil descobrir as raízes, que alimentam o florescer do respeito e encanto pelo que se conhece de cor e nos cativa.

Talvez seja apenas e ainda, o ecoar do espanto porque se descobriu, sentiu, ou pressentiu apenas, que as soluções simples, às vezes nos roçam, e as recusamos por demais evidentes e nos embrenhamos depois em labirintos, onde não raro, nos perdemos.

Pode ser, talvez, sei lá… a convicção de que o deslumbramento, a dor, a esperança, todos os sentimentos verdadeiros… são filhos de elaboração interior e têm tanto a ver com o correr natural da vida… manso ou atribulado… como o leito dum rio que fatalmente o conduz à foz.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 18:33

Para o Gustavo Frederich

Terça-feira, 01.04.08

 

Algumas das muitas oliveiras centenárias nesta zona

...

(Fotos do Blog

http://olhares-meus.blogspot.com/

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publicado por Maria José Rijo às 23:45

Gastronomia e Culinária

Segunda-feira, 25.06.07

 

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.858 – 23-Março-2006

 

 

Aqui há uns anos, porque exercia, na altura, funções relativas à cultura tive, por vezes, que escrever pequenos textos para catálogos alusivos a alguns eventos que, por força do cargo, tinha que promover. Foi nessa linha que, em 89, quando da primeira mostra de gastronomia Alentejana, me vi impelida a procurar uma interpretação para a palavra que define a arte de comer e beber - Gastronomia.

Ocorreu-me, então, escrever:

                   A gastronomia é o resultado de uma aliança entre a ciência, a arte e o prazer.

                   Ciência, porque implica conhecimento.

                   Arte, porque vive também da beleza, da sensibilidade e imaginação criativa de quem cozinha.

                   Prazer, porque pelo olfacto e pela vista excita e inebria o paladar enquanto sacia o estômago alimentando a vida.

Daí que cada povo, através dos tempos, tenha esmerado o seu conhecimento do ambiente, desde a fauna à flora, e utilizado todos os meios disponíveis para preparar os seus pratos típicos.

O Alentejo, dispõe de uma cozinha rica, inteligente, onde o próprio clima impôs a descoberta de algumas formas bem peculiares de utilizar os alimentos mais correntes etc. etc...

Lembrei-me de falar neste assunto, porque ao catalogar, folhas e folhas de revistas que pacientemente arquivo com toda e qualquer receita de culinária que me apareça pela frente encontrei o “velho” apontamento. Que me induziu a escolher este tema para conversar hoje.

Compulsando o volume desmedido de folhas e folhinhas que já possuo, impôs-se-me a evidência da inutilidade de tal arquivo.

Para além de reconhecer que nunca se publicaram tantas receitas para confecção de pratos e, simultaneamente jamais se terá – talvez - comido tão mal, verifico ainda que, numa altura do conhecimento  em que a higiene alimentar se impõe como regra primordial de saúde, não há receita que não se baseie  num consumo desbragado de natas , condimentos, manteigas e outras gorduras promissoras de boas percentagens de colesterol.

Até me admira que assim como havia, ou há, uma edição que trata das cem ou mais maneiras de cozinhar bacalhau, não estejam também disponíveis para, venda “as trezentas, ou mais”, de consumir natas.

Passando da gastronomia à culinária que é a arte que lhe está afim – a arte de cozinhar; teremos, se formos à raiz dos costumes, atitudes bem mais inteligentes do que aquelas que hoje assumimos. O alentejano tinha, no seu dizer, “um passadio simples”.

Queria dizer com esta expressão, que era frugal no seu sustento. A terra dava-lhe o trigo, portanto, o pão. Também lhe dava a oliveira e, consequentemente azeite e as“zètoninhas”.(azeitonas)

Apascentando os rebanhos, tinha garantido o leite e o queijo.

Mondando as searas, colhia as acelgas, as tengarrinhas, ou cardos, (que depois de cantar o cuco, - em Março - já não se deveriam colher por estarem duras), os saramagos, os catacuzess, hortaliças espontâneas que ingeria com prazer na sopa, ou no cozido de grão de bico que também semeava e colhia, nas madrugadas de Verão, para a semente permanecesse na vagem...

 

Limpando os “hortejos”, que vegetavam em cada quintal, ou nos “baldios” colhia as beldroegas para as sopas, nas regadeiras húmidas por onde a água da rega escorria e onde elas, infestando, proliferavam.

Perfumava, apaladando a comida, com poejos, orégãos, salva, mangerona, hortelã das ribeiras...

Com os cheirosos coentros, pão e azeite, criou esse ex-libris da culinária Alentejana – a açorda – esse monumento gastronómico que no rigor dos Invernos, alimenta, conforta, aquece corpo e alma e ainda perfuma o bafo quente do suspiro regalado de quem não resiste a dar graças a Deus por uma refeição consoladora.

 

  Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:54





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