Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
SOPA DE TOMATE

Tomate, cebola, dentes de alho, azeite, pimento verde – tudo no tacho a estufar em lume brando.
Deite orégãos (se gosta do paladar).
Quando estiver cozido passa-se pelo passador.
Acrescenta-se o caldo obtido com um pouco de água.
Deve ficar bem espesso. Batem-se os ovos com um garfo e deitam-se-lhe para dentro enquanto ferve.
Verte-se o caldo sobre o pão.
Acompanha-se com figos frescos ou uvas e azeitonas.

Maria José Rijo
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Colecção de Gastronomia - Pão

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Ás vezes
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Ás vezes, quando a noite desce e o calor abranda, ao acabar de regar a meia dúzia de vasos que formam o meu “jardim suspenso”- tão longe das maravilhas da Babilónia, mas tão perto do meu encanto – encosto-me à ombreira da janela, olho a Piedade, mesmo à minha frente, e fico a pensar...
E, muitas, muitas, são as vezes, em que de todo o meu coração me interrogo, e interrogo: - meu Deus! – Porquê?
Os anos já me pesam, estou só, a luta é por demais desigual.
Porquê não desisto?
Era tão mais fácil!
Nada daquilo porque luto é em meu proveito. Nada daquilo por que luto me traz vantagens de qualquer espécie.
Por quê então?
E, a resposta não chegava.
Mas veio.
Agora veio.
E veio com asas.
Veio com uma pomba. Um símbolo de paz.
No vaso da salsa, ela lá está.
Não por castigo. Não!
Apenas por destino.
A varandinha esteve fechada uns dias, por ausência minha.
A pomba, pensou-a fora do alcance de intrusos e pôs lá os ovos.
Quando regressei e os vi, logo após a surpresa, veio-me a tentação de os destruir. Os pombos sujam tudo, estragam as flores...São incómodos, mas...
A pomba não tem culpa de ser pomba e a pomba lá está !
Eu só entro na varanda de mansinho, procurando não a assustar. Nos primeiros dias ela voava afastando-se mal me via. Agora fica e olha-me seguindo as minhas voltas. Mas fica.
Nestes dias mais quentes espreitava-a por vezes receando que o calor a matasse. Pus-lhe lá ao pé um bebedouro. Também lhe deitei milho.
Não sei se isso a ajuda. Sei apenas que ela me comove. Sei que a sinto assustada mas firme na assunção do sofrimento que lhe é imposto pela sua condição de ave.
Sei que ela vence o medo e o incómodo da minha presença porque aquele é o seu destino.
Aquela é a função da sua vida. E ela, contra todos os riscos, cumpre-a.
Está só. É frágil. Está à mercê do meu humor, das minhas boas ou más intenções, posso até destrui-la se eu quiser.
Mas ela sabe o que lhe cabe fazer e verga-se ao instinto da luta pela sobrevivência da espécie, aceita a desigualdade do jogo e não foge, não foge dos desígnios da vida como ninguém foge também dos desígnios da morte.
Ela cumpre o que lhe cabe cumprir.
É por certo esse o caminho para todos os seres que Deus cria.
Maria José Rijo
Escritora e Poetisa
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Jornal linhas de Elvas
Nº 2.828 – 25 / Ag. / 05
Conversas Soltas

