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Recado

Quinta-feira, 22.01.09

.


Quando meus olhos
fecharem de vez
põe sobre o meu coração
um caroço de fruto
cereja, pêssego, ameixa!
qualquer um...
e deixa! - deixa que assim
a Vida iluda a morte
de tal sorte
que em cada Primavera
eu volte a respirar
com as folhas verdes
as flores cheirosas
e os frutos
pão de pássaros, insectos
e lagartas...
... e as borboletas
hão-de anunciar-me
quando as rosas florirem

é só isso que precisarei saber - sempre.

.
Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:18

O pequeno castanheiro – (história verdadeira)

Sábado, 22.09.07

         Quando rompeu a crosta da terra e apareceu à luz do dia pensou: - meus pais, avós e demais antepassados deverão estar por perto observando-me. Pensou e, por sua vez, sentiu vontade, uma vontade doida de crescer para se mostrar e ver o mundo que o rodeava e conhecer e honrar a sua espécie.

         Sabia, de um saber de génese, sem que lhe fosse contado ou o tivesse lido, que pertencia a uma família de árvores antiquíssima oriundas da Ásia.

         Descendia e pertencia à família das Fagáceas.

         A ainda nem tinha folhas mas esperava-as lanceoladas, alternas, dentadas e tinha a certeza de que seriam caducas.

         Há traços de família que são inalienáveis e com esses bens de herança contava para viver.

         Sabia que o seu destino era o de florir em épocas certas, criar seus verdes ouriços e deles soltar os frutos gostosos engordados no segredo desse berço de veludo.

         Via-os castanhos, brilhantes de polimento, via, idealizava já as suculentas e gordinhas castanhas. Tinha consciência da importância desses frutos na história dos homens.

         “Os castanheiros, titulados nas serras com respeitoso carinho os ossos de Portugal, que levam dezenas de anos a crescer, trezentos no seu ser e trezentos a morrer” (Aquilino Ribeiro, Avós dos Nossos Avós).

         Sabia que vivia em Guilhafonso, perto da cidade da Guarda, um antepassado seu que já era árvore quando as caravelas das descobertas acharam o Brasil e hoje era um nobre e frondoso gigante falado e respeitável.

         Sabia, só por provir de onde provinha.

         Por isso com alegria nasceu e quis crescer.

         Não era muito exigente.

         Não pedia ar condicionado, quer dizer: estufas ou requintes de modernidade.

         Apenas pedia terras não calcárias e um verãozinho longo para amadurecer os seus frutos.

         Quando ganhou uns palmos de altura olhou em seu redor muito interessado e reparou que em “souto” não vivia. Nem avistava família que mesmo de longe afavelmente o saudasse.

         Ficou preocupado com a solidão mas concentrou-se para crescer mais e melhor. Das aves que passavam nos céus e já o procuravam para pousar, que se recordasse, nunca ouvira falar.

         Pareciam-lhe exóticas, coloridas em excesso para o que julgava encontrar.

         Escutou os nomes: Alma de gato, Beija-flor, Maria preta, Maria branca, Saíra, Tié-preto, Tié-Sangue, Sanhaço, Ferro-velho, Tucano, Papagaio, Arara, Piriquito,, Saracura !!!

         Familiar só ouvira: - pica-pau, rolinha, garça, coruja...

Ficou intrigado.

Distraiu-se quando ouviu falar em: Natal. Alegrou-se, até.

Nevará? – Conjecturou!

Mas fazia tanto calor!

Toda a gente citava o Verão!

Desorientou-se um pouco. Porém, sabendo-se jovem aguardou o futuro confiado.

Nada tinha que dizer da beleza das árvores e plantas suas vizinhas. Prestava-lhes até, culto, com a sua admiração. Impressionavam-no as bananeiras que tanto se ocupavam a engordar seus enormes cachos de frutos sabendo que morriam a seguir.

Entendia o canto de alegria na cor das flores da spatódea, com sua laranja tão intenso que parecia rubro ao sol, como fogo.

Percebia a “vaidade” das tripsális quando as comparavam com plumagens de cor.

Levava horas embevecido com os “Ipês” roxos, brancos, amarelos...

Porém, no conjunto, tudo isto o inquietava.

Por perto via os macacos, quando o suposto era ver javalis, na calada da noite, resfolegando a fossar em procura das glandes caídas sob o manto das folhagens que atapetavam o solo com os mais variados tons de ouro e cobre nos Outonos doces das regiões montanhosas do interior de Portugal onde supunha viver.

As falas das pessoas iludiam-no. Eram as mesmas. Talvez mais coloridas como acontecia com os pássaros.

Mas não desesperou.

Vou fazer o meu dever – decidiu! – Quando já se salientava o bastante entre as outras árvores, e até já se notava a sombra que a sua copa projectava no chão.

Nessa noite, olhou o céu e pensou: - Esta Primavera darei flor e depois tudo se seguirá normalmente. Mas, quem recebeu a sua confidência, foi o cruzeiro do Sul e não a Estrela Polar como ele queria.

Ninguém o prevenira de que estava no Brasil. Que o haviam plantado na Serrinha do Alambari e que as estações do ano nem coincidem, nem têm a regularidade que ele sabia de cor nos meses da sua terra. Era outro hemisfério.

Vestir-se na Primavera, dar sombra no Verão, frutos no Outono, despir-se no Inverno, eram os dados que transportava e o comandavam.

Mas... que Primavera? – Que Verão?

Desorientou-se completamente.

Enganavam-no os frios, as chuvas, os sóis.

Floria fora do tempo. Repetia as próprias flores e empenhava-se noutras na esperança de alcançar a tempo o sol que as ajudasse a tornarem-se frutos.

Quando quase o conseguia o tempo voltava a traí-lo e os ouriços caiam vazios.

Chegou a florir três vezes num só ano. E apenas, uma vez conseguiu dar frutos. Nunca mais. Perdeu o gosto pela vida. Exausto desistiu.

Agora é poleiro de aves, tem orquídeas, nos ramos e erva de passarinho e com o seu jovem tronco erecto e seco conta a sua terna e triste história de emigrante que, talvez por solidão não encontrou seu caminho e se deixou vencer como ás vezes também acontece mesmo quando é o amor que comanda a aventura.

Porém, no coração do homem que o plantou, haverá sempre um menino que na sua terra natal brincava à sombra de castanheiros e esses, como a saudade, resistem a sóis e luas...

 

                                      Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.358 – 6-Junho-1996

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:29

Mas que grande pardal!

Terça-feira, 26.06.07

Quando o professor perguntou ao aluno as espécies animais e o aluno respondeu acertadamente o professor entusiasmado e confiante, indagou o que sabia o rapaz sobre aves e suas características.

Sem perder os ares de entendido, alto e bom som, criando um pandemónio de gargalhadas, por toda a sala ecoou a resposta:

 - Pássaros, passarões, passarinhos, passarucos, aves de rapina, melharucos, pardais, melros, papagaios e cucos.

Muito sério, o professor inquiriu: (aludindo irónicamente à classificação que tanta ignorância merecia) - então e um chumbinho para matar essa passarada toda?

Como o mestre era estrábico, e o aluno atrevido e irreverente, logo retorquiu:

- E que me diz o “Sôtor” a um olhinho torto para errar a pontaria?

Sem complexos o professor comentou sorrindo: - mas que grande pardal!

Não é, por certo, desta anedota que provém a designação de pardal a todo e qualquer indivíduo que use e abuse dos seus poderes para atingir os seus fins, ou cometa qualquer espécie de velhacaria!

 Também penso que deve haver aves mais ardilosas do que os nossos vizinhos de penas riscadas, em cores tão discretas como os cotins de que se faziam os modestos fatos dos trabalhadores rurais, há muitos, muitos anos – embora ninguém lhes negue atrevimento.

 Apelido os pardais de vizinhos pois, vivem e convivem connosco dia a dia, tanto, que se costuma dizer - comem em Portugal, vivem em Portugal, nidificam em Portugal  mas, não andam em Portugal – já que, se não estão pousados, ou a voar,   é saltitando em pulinhos miudos, sobre as duas patinhas que se deslocam pelo chão.

Tudo isto me ocorreu escutando contos de atitudes que em bom calão popular se costumam atribuir a pessoas sem escrúpulos, os tais – passarões, os que – mandam e decidem - e prejudicam, em princípio, talvez , sem intenção, talvez até por lapso, por ignorância,  por desconhecimento, por desactualização , por  erros  involuntários, mas que, frente ao mal que causam ou causaram, em lugar de terem a humildade e hombridade de se desculpar, assumir, e tentarem a todo o custo remediar e ressarcir as vitimas dos prejuízos, as perseguem como se  destrui-las pudesse, alguma vez, limpar-lhes a consciência e apagar os  erros cometidos.

Escutando relatos de actos iníquos de quem a coberto da força do poder dos cargos que exerce, pisa e humilha quem de si depende, somos levados a pensar na sabedoria do povo quando diz: - se queres conhecer o vilão põe-lhe um pau na mão...

E reconheçamos que indefesos, aos injustiçados só lhes resta acreditar que o estudante cábula tinha razão: porque, pássaros, passarões, passarinhos, passarucos, aves de rapina, melharucos, pardais, melros, papagaios e cucos... não é a classificação correcta das aves, mas pode, muito bem, constituir uma subdivisão degenerativa, da espécie humana que, infelizmente, cresce e pulula como cogumelos nas sombras húmidas e escuras e como eles pode envenenar a vida de muita boa gente...

 

                                            Maria José Rijo

@@

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

                Nº 2.886 – 6/Out./06

@@@@@@@@@Pardal-doméstico

         

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publicado por Maria José Rijo às 21:15

Todos os dias...

Quarta-feira, 21.02.07

retratos pequenos com crianças

Todos os dias

amanhecem

Crianças

Pássaros

Flores

 

los pensamientos, Viola × wittrockiana

Sobre a noite das

Crianças

Pássaros

Flores

que já não amanhecem...

Amanhecerá ?

 

 Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 22:32





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LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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