Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
Reciclagem
Vi uma reportagem sobre reciclagem que me deixou estarrecida com a imensidade de coisas úteis, que se podem conseguir reciclando materiais das mais diversas proveniências.
Juntei a esse conhecimento um anúncio de propaganda educacional que pretende levar o público a colaborar numa campanha de limpeza e conservação do ambiente e, simultaneamente de aproveitamento do que sobra, se inutiliza, ou simplesmente se repudia ou despreza – generalizando: - do lixo.
- Ficaram-me na memória os rostos expressivos das crianças, cujas imagens de beleza sempre tocam o coração, e que inteligentemente, foram utilizadas para ajudar a fixar normas que. Já era tempo, de, por todos, terem sido aceitas, apreendidas e aprendidas de cor e salteado.

Mas, enfim, mais vale tarde do que nunca.
São preceitos novos de higiene e cidadania, que urge integrar no quotidiano.
Há sempre esperança de que cada um de nós, se adapte, pouco a pouco às novas obrigações que decorrem em linha directa das regalias sociais que o progresso e evoluções técnicas nos oferecem.
Ao tanque de lavar roupa, à barrela com sabão sucedeu a máquina com a adição da poluição violenta dos detergentes.
Aos alguidares, para a lavagem manual da louça, sucedeu também a comodidade da máquina, com suas vantagens e seu reverso.
O guardanapo de tecido, o lenço, a fralda, têm seus sucedâneos de papel- são descartáveis – com seu volumoso rasto de lixo... e assim, por aí fora.
Ao crescendo da nossa libertação das fastidiosas tarefas domésticas, à facilidade de resolução seja lá de que problema for, lá vem em anexo o contributo para o agigantar da poluição emporcalhando o mundo, atentando contra a pureza da água, rios, lagos, mares, solos, atmosfera; em suma, da vida...se contra isso não forem tomadas providências,
Foi então, neste ponto do meu raciocínio que me dei conta, de que mais do que reciclar matéria, as crianças, como símbolo do futuro, o que estão a pedir é que reciclemos procedimentos, mentalidades, posturas, atitudes.
As crianças estão a pedir que lhes deixemos o espaço – descontaminado, limpo – a que têm direito para crescer e viver.
Que não entulhemos o futuro, de quem vier depois de nós com os nossos lixos, é afinal, o recado que nos atinge como uma dolorosa bofetada no rosto.
É que – em pleno século XXI- se são precisas associações para defesa dos animais – isso significa que eles não gozam do respeito e protecção que lhes são devidas...
Se ainda persiste o vilipendioso aviso de: - não cuspa, não estrague, não colha, não pise, não..., não... – é porque, ainda se pisa, colhe, rasga, cospe...
Se se admite o aborto, porque matar – é solução...

As guerras que devastem povos, arrasem civilizações com seus cortejos infindáveis de injustiças e genocídios aviltando a existência neste planeta Terra que nos cabe legar como “casa” às crianças que nos fixam – ainda – com sorrisos de esperança no olhar... do ponto de vista de quem as gera também podem ser terapêuticas...
Enquanto o respeito pela Vida, em qualquer das formas em que ela se apresente, não for um valor intrínseco da condição de ser “Gente” e tiver que ser imposto por leis,
decretos, coimas... Enquanto assim for – reconheçamos que é o Homem que necessita ser reciclado porque, o erro, - é ele – o lixo é a sua mente, que não o leva a merecer o legado que recebeu, e renova-lo na continuidade, na esperança como a própria Natureza ensina
Sempre, então, a terra nua nos surpreende mostrando as flores das sementes que em seu segredo guarda...
...nem delas se suspeita muitas vezes, mas...se florescem é porque estavam lá!...
È porque estão lá...
...e estarão, sempre, lá!
– Acredito.
Maria José Rijo
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Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.957 – 21-Fevereiro – 2008
Conversas Soltas
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A visita habitual
@@@@@@ Jornal O Despertador Nº 219 -- 31-Outubro - 2007 A VISITA - Nº 13 @@@@ Na maior parte das vezes, tudo o que se torna rotineiro, perde aquele encanto, aquela emoção que, o novo, sempre, mais ou menos gera.
Por outro lado, a habituação faz que as coisas se tomem como adquiridas, nossas, e, já só lhes prestemos atenção, quando, por qualquer circunstância nos falham. É assim, é da condição humana - é dos livros...
Vem isto à colação, porque, ao fim de alguns meses de enviar colaboração para o Despertador,
para além de saber que, no jornal, contam com ela, eu própria, já interiorizei a preocupação de não desiludir quem em mim confia, e me esforço por cumprir a visita habitual.
Assim que, no meu dia a dia, vá registando, este ou aquele assunto que me pareça mais a propósito para os dois dedos de conversa que qualquer visita sempre proporciona.
Foi – também, um pouco - com esse intuito que estando muito atenta aos problemas do ambiente, me chamou especialmente a atenção a referência feita à expansão das zonas urbanas, que alimentam o negócio da especulação de terrenos, e podem gerar a perda irreparável das áreas de cultivo, que resolvi focar este assunto.
Punha-se a tónica no empobrecimento que a excessiva área edificada representa como grave ameaça para o futuro. Registei, também, com a maior atenção a crítica feita à proliferação de piscinas particulares e outros hábitos que promovem o consumo insustentável, além de desperdício, de água, como se todos ignorássemos que esse Bem Vital, é – cada vez mais escasso - e paira sobre ele a ameaça de se esgotar, se o seu uso não for gerido com prudente inteligência.
Dei-me então conta que subjacente à atenção que prestava às comunicações, sobre estes assuntos, pairava na minha consciência a certeza de que o culto das aparências, a confusão entre - ser , ter e parecer - que gera a fúria de consumismo tem tudo a ver com a degradação da “saúde” do nosso planeta.
A ideia de facilidade, instalou-se.
Ninguém mais precisa de tecer a própria meia, a camisola, o cachecol, confeccionar o vestido, o avental, o lençol, não necessita saber fazer a empada, o rissol, o pastel, o bolo... está tudo à venda feito e perfeito, desde o bacalhau à Brás, até ao faisão cozinhado da forma mais exótica, ao javali, à cabeça de xára, passando pelo salmão fumado, as codornizes não sei que mais e, as enguias ou os cogumelos ou as trufas do fim do mundo.
Não há apetite que não tenha resposta nos produtos à venda, desde os vulgares bombons de ginja até às sofisticadas flores cristalizadas, sejam elas violetas ou pétalas de rosa.
Tudo o que foi segredo, especialidade carismática de qualquer região, convento ou mistério dos Incas ou Tibetanos está hoje à venda até nas tendas de rua em qualquer feira ou arraial – passe o exagero!
Tudo se banalizou! – Tudo, na aparência, perdeu a importância, o valor. E, porque tudo está (?) ao alcance de todos, nada se reveste da necessidade e emoção da conquista.
Nada vale nada...
Tudo parece banal...porque se tornou demasiado acessível.
E, a água, que era poupada porque carregada às costas, com trabalho e esforço, é agora aquele líquido que jorra das torneiras sem trabalho e sem esforço... e, é até fácil de desperdiçar...
E, o quintalinho da casa onde uma “Lúcia Lima”, dava as folhinhas para o chá que facilitava a digestão da comida tradicional que transformava a casa em lar, e, fazia sombra para o canteiro da salsa e da hortelã, não existe mais...
Porque as casas antigas foram trocadas pelas vivendas – todas com piscinas - que ocupam o lugar das pequenas propriedades de terra cheirosa e fértil...
Assim se foi criando o cenário de decadência das nossas cidades...
Não requalificar, não reabilitar, não recuperar, pode ser- também - atentar contra o património , para além de uma grave forma de poluição. Porque poluir, não é apenas deitar lixo no chão ...
Do passado parece apenas merecer continuação o velho ditado: - por fora cordas de viola; por dentro pão bolorento...
Disse um dia Leopoldo Sengnor:
“A terra não é nossa. Foram os nossos Filhos que no-la emprestaram”-
Pensemos nisso...
Maria José Rijo




