Maria José Rijo
Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!
São Mateus 2017
A nossa Paulinha mais uma vez conseguiu dar-nos
"um cheirinho de São Mateus" (confesso que a mim também)
pois com a mana Barbarinha de cama com gripe nem deu para mais
do que espreitar pela janelao colorido das luzes e o burburinho da
festa, que por ser "nossa vizinha" quer queiramos, quer não,
nos entra pela casa a dentro.
Fico sempre grata quando leio os vossos comentários,
muito principalmente porque me aquecem o coração![]()
contar com a vossa amizade que, nem
calculam como me acompanha neste
entardecer davida.
Um abraço, grande, grande
com Saudades
Maria José Rijo































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Para o Luciano...
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A despedida do S.Mateus
Com o regresso dos Pendões às suas freguesias se despedem da cidade de Elvas as tradicionais festas de S. Mateus com a sua romaria em honra do Senhor Jesus da Piedade.
“ Senhor Jesus da Piedade
Para o ano cá hei-de vir
Ou solteiro ou casado ou viuvo
Ou patrão ou criado de servir!”
E, mais ou menos com esta popular profissão de esperança – de voltar sempre que possível, sejam quais forem as circunstâncias – se despede cada qual de ano para ano da festa que faz parte da história e da vida de todos nós, porque é parte indissociável da história da cidade.
Como é lógico, com o rodar do tempo a idiossincrasia das manifestações populares altera-se.
Onde ontem estavam grupos a cantar e a dançar as “saias”, estendem agora, no chão, vendedores ambulantes as suas mantas para expor e pechisbeque que aparece repetido em curtos espaços.
Onde as bandas tocavam, serve-se agora gentilmente um cafèzinho!
Onde estavam, (e, por elas começava invariavelmente a exposição dos utensílios de lavoura na nossa feira), as escadas, as varas e a cestaria para a safra da azeitona, nada que o recorde aparece!
E, das bancadas de perinhos vermelhos que se lhes seguiam e davam à feira o seu perfume peculiar, já não mais do que a lembrança.
Nem o cheiro! Como é uso dizer-se.
A rica tenda dos objectos de cobre, luzindo à luz como sois, também já não engrandece o conjunto...
Os brinquedos de madeira, de lata, os barrinhos pintados tudo foi cedendo os seus espaços às necessidades e às modas destes novos tempos.
Os noivos de braço dado com as noivas, vestidos a rigor, seguidos de padrinhos, pais , amigos e familiares que passeando no arraial dividiam com todos o encanto do começo da sua vida de casados...também desapareceu.
Em contrapartida quase todas as raparigas e mulheres jovens exibem os ventres bonitos ou feios, esculturais ou não, adiposos muitas vezes como se não houvesse tecido suficiente para as calças chegarem á cintura.
Este ano ainda a novidade dum pavilhão desmedido de chão movediço e incómodo que teve pelo menos o “mérito” de matar o artesanato local, para além de mascarar mal o seu fim primordial: fazer - e fê-lo muito eficientemente – propaganda política( só desconheço a que preço!)
Resumindo: tudo muda.
Às vezes para melhor, às vezes para pior, porém a fé, a nossa fé
no Senhor Jesus da Piedade , graças a Deus permanece e, esse é o nosso sólido bordão de caminheiros nesta Vida.
Maria José Rijo
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Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.833 – 29 / Set./2005
Conversas Soltas
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Fotos do blog --> http://olhares-meus.blogspot.com/
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PAI NOSSO
Em Mayo de 1737 – assim se conta:
- Neste anno se fez a hirmida de N. Sºr da Piedade onde estava antigamente hua cruz, que por estar velha mandou o Beneficiado Manoel Antunes, q alli tem hua horta fazer hua cruz nova...
E, em Setembro de 2007 assim se contará : ...
Onde era um lugar de paz e de retiro, avizinhado de olivais , como o horto do Senhor, prolifera agora o casario polícromo , que desvirtua o local que foi, de silêncio, de paz, de oração e preces.
Na vida tudo muda e evolui.
Só não é necessário e imperioso que mude para pior.
Rezemos com fé e esperança, a oração que o Senhor nos ensinou para que o bom senso e o respeito pelo ambiente, não soçobrem mais, sob o peso da ganância e que jamais esqueçamos que palácios ou choupanas tudo, tudo, cá fica.
Connosco, ficam apenas, as nossas intenções...
Senhor Jesus da Piedade
Pai nosso que estais no céu
Nossa estrela e nosso guia
Santificado seja o Vosso Nome
Senhor, a teus pés estamos
Venha a nós o Vosso Reino
Que o céu é a nossa esperança
Seja feita a Vossa Vontade
E que a nossa , a Vossa seja
Assim na terra como no céu
Teu amor é nosso porto
O pão nosso de cada dia nos daí hoje
Nossas obras , o que vedes...
Perdoai as nossas ofensas,
Ainda que o não mereçamos
Assim como nós perdoamos
Nosso esforço te oferecemos
A quem nos tem ofendido
Nossos erros e enganos...
Não nos deixeis cair
Senhor
Bendito Sejais!
Livrai-nos do mal
Amen.
Maria José Rijo
Jornal Linhas de Elvas
Conversas Soltas
Nº- 2.935 – 20-Setembro-2007
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São Mateus
Todos os meses do ano, são meses das nossas Vidas. Porém, para qualquer de nós, de entre todos, algum, ou alguns, ganham especial significado.
São os meses dos nossos aniversários, ou das pessoas que nos são queridas.
Dias de meses vividos em festas de alegria celebrados entre amigos, familiares, companheiros de trabalho. Outras vezes, já só evocados em saudade, no recato da nossa intimidade desfiando orações, partilhando só com Deus, quase em segredo, mistérios de afectos que resistem a ausências de morte.
São aqueles que falam das datas que marcaram de qualquer forma as nossas existências, ou referem acontecimentos que se tornaram simbólicos nas terras onde nascemos, ou habitamos.
Isto, não referindo, esses outros, que no mundo inteiro se concelebram, como Natais, Páscoas, e, até alguns de Santos Padroeiros, ou, aquelas datas que evocam catástrofes que indelevelmente marcaram a história de povos e, a cuja memória de sofrimento a humanidade rende preito de geração em geração.
O mês de Setembro em Elvas, é, por excelência o mês do coração.
O mês do amor, o mês da saudade, o mês das lembranças, o mês do reacender das tradições...
O mês das histórias da nossa história. Da história da cidade e da sua gente. Das gentes que antes de nós foram, da gente que somos...das gentes que depois de nós hão-de vir...
Nele se celebram as festas em honra do Senhor Jesus da Piedade.
Pai do céu, invocado, por todos nós, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, ligando-nos a ELE em todos os actos importantes das nossas Vidas, e, também, nas pequenas agruras de um quotidiano, nem sempre fácil, mas sempre até ao fim dos nossos dias.
Em Setembro, pelo São Mateus
, em seculares tradições que nalguns casos ainda persistem, se marcavam casamentos, baptizados, se contratava pessoal para a lavoura, se apalavravam ou desfaziam contratos de arrendamento de herdades, se comprava gado, se geria o futuro imaginado para cada ano.
Falava-se de moios de trigo, de “decas” de azeite, de jornas e comedorias de maiorais e feitores.
Eram ecos de vozes da terra; que da terra vinha trabalho, pão e sustento.
Tinha-se prestado atenção cuidada ás “canículas e aos caniculares” que Agosto, como um oráculo fiel, sempre fornecia, para se marcarem sementeiras, depois das águas novas que em Setembro surgiam, como favas contadas.
Começava-se a prestar atenção ao aparecimento da “folhinha” – como era familiarmente denominado o “Borda-d’água”,
onde, em cada ano, se colheriam o resto das informações imprescindíveis para bem projectar todas as tarefas dos trabalhos de campo. E, no entretanto aproveitava-se o arraial de São Mateus
para confraternizar com romeiros, parentes e amigos, exibir as galas das vestimentas estreadas, que, para cada uma, das três missas, havia farpela nova, como mandava o figurino.
Á sombra das árvores se faziam os acampamentos. Ficava o cão preso sob o carro de canudo de onde saía desde a tábua de engomar, até ao ferro de brasas e a tudo o mais para organizar a improvisada cozinha de onde emanavam os bons cheiros das boas petisqueiras tradicionais.

Descansavam as muares mastigando palha nas gorpelhas...
Foi assim! - Era assim...
Mudam os tempos. Mudam as modas. Mudam os hábitos.
Tudo muda. Até o buraco do ozono desmente a verdade- que era indesmentível - das canículas e caniculares.
Porém,
“Senhor Jesus da Piedade
Luz da luz, Deus verdadeiro
Olha aos pés da Tua Cruz
Agrupado um povo inteiro.”
Porque, através dos tempos, em qualquer tempo, é assim a nossa Gente.
Boas Festas a todos.
Maria José Rijo
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Jornal Linhas de Elvas
Nº 2.884 – 21/9/06
Conversas Soltas
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