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Quinta do Bispo...

Quinta-feira, 06.12.12

Quinta do Bispo…

Aires Varela – historiador do séc. XVII

Quinta do Bispo…

Hissope – obra prima de Cruz e Silva baseada na disputa entre o

Deão da Sé de Elvas e o Bispo Dom Lourenço de Lencastre,

 filho bastardo do Rei D. João II – considerado como um

dos dois ou três melhores poemas heroi-cómicos da literatura ocidental.

Quinta do Bispo…

Onde António Sardinha habitou e morreu.

Quinta do Bispo…

Hoje

.
.
 

Indiferente à injustiça dos homens as

nespereiras voltam a florir

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:38

O Último São Mateus!”

Quarta-feira, 22.04.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.676 - 20 –Setembro - 2002

Conversas Soltas

“O Último São Mateus!”

 

Pode parecer estranho este título!

Pode! Mas não é.

Este é o último São Mateus em que o Parque da Piedade goza dos restos do seu enquadramento tradicional.

Ainda não há muitos anos, as oliveiras vicejavam no cabeço sobranceiro ao muro, que suporta as terras da encosta do pequeno monte, e cria o espaço para a perspectiva mais larga do olhar sobre o templo do Senhor Jesus da Piedade.

Para um lado e para outro, do largo que acrescenta o adro, seguiam-se lances curtos de caminho rústico ladeado de velhas árvores que davam ao Santuário a envolvência de paz que a Natureza misericordiosa oferecia ao romeiro que chegasse.

Sentia-se uma espécie de abraço à aproximação do recinto, quer vindo da cidade, quer vindo da estrada de Lisboa.

Aquele enquadramento natural delimitava um mundo, dentro de outro mundo.

Formava-se ali, como que um recatado oásis de fé.

Por um lado, beiravam o percurso- Quintas com história.

Por outro, o começo da própria história da origem do Santuário, com a Quinta dos Passarinhos, que fora pertença do Beneficiado Manuel Antunes que ao colocar por gratidão uma cruz, no local onde caiu da sua montada e invocar a Deus para que lhe valesse, deu origem ao culto do Senhor Jesus da Piedade.

Sob a protecção das oliveiras, como as de Jesus no Horto, acamparam ao longo de séculos, gerações e gerações de peregrinos no pequeno monte sobranceiro ao local, e em seu redor.

Correram os tempos, passaram os anos, e tudo foi mudando.

Mansamente, foi-se fazendo a adaptação às novas exigências do progresso e dos costumes.

Porém, parece-me, nem sempre o bom senso moderou as decisões que se foram tomando.

A “Quinta do Bispo”- penso que agora já todos estarão de acordo: - foi sacrificada, sem honra nem glória, para dar lugar àquilo que todos podem ver...e, abriu caminho, desaparecendo, ao que já se pode avaliar, e se desenha a passos largos:

Embeber o Santuário na desenfreada urbanização que já ameaça o seu nobre isolamento.

Não sou contra o progresso, (como é obvio) só não posso confundir, e não confundo construção desenfreada, delapidação da memória dum povo, com progresso!

(É meu Mestre o Arquitecto Ribeiro Telles!)

E sinto e penso com convicção que, assim como numa relação de Amor entre pessoas, também a relação de Amor entre gentes e cidades e locais têm os seus mistérios, os seus fluidos, o seu espírito, como que uma espécie de resplendor de alma criada pela seu próprio historial que é preciso não destruir; a troco de igualizar, o que era distinto, tornar vulgar o que era ímpar, abandalhar o que era nobre e único.

E, não me venham dizer que falo de utopias, sonhos irrealizáveis, e todo o mais que vos aprouver.

Quando eu contrapus -  á ideia de se fazer do Forte de Santa Luzia uma Pousada - o projecto que depois foi adoptado, - muito comentário parecido foi proferido...

E, porque o Dr. João Carpinteiro, nele acreditou, o Senhor Professor Miguel Baena, que com o Sr. Arquitecto Leite Rio e Sr. Arquitecto Pedroso Lima, propuseram-se fazer o projecto que, por acaso, até foi presente ao senhor Presidente da Republica, na presidência aberta em Elvas, o sonho triunfou.

Estávamos em 6 Março de 1989 quando chegou o primeiro orçamento cuja cópia tenho em mãos ao recordar estes factos.

        

Às vezes “acreditando em utopias”, como se vê pelo êxito da obra do Forte, consegue-se preservar o tal fluido que como um milagre segura nos locais os rastos da história... A memória dos tempos...a alma das gentes...

Assim tivesse sido com a Quinta do Bispo e, tantas coisas mais que essa “lástima” precederam e outras, que por môr dela, irão sucedendo, nunca aconteceriam, o que era, sem dúvida, um Bem para todos.

  Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:56

“REGRESSO“

Quarta-feira, 27.08.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.357 – 28- Junho-1996

Conversas Soltas

                    

Às vezes quase inesperadamente, o nosso espirito fixa-se em interesses novos e as preocupações do dia-a-dia ficam como que submersas. Porém, reaparecem a breve trecho e tudo se reestrutura em nós como se nada tivesse acontecido.

Basta retomar o ritmo da vida dentro do nosso espaço habitual, compulsar cartas e jornais alinhados por datas, conversar com amigos e desconhecidos e, eis que está feito o ponto da situação.

Assim se entra na rotina doméstica.

Para acréscimo sempre se apresentam como complementos, propagandas de todas as espécies – até, boletins cheios de cor em lustrosos papéis.

A época também ajuda.

É verão, anda tudo na rua.

São os Santos Populares. Temos o jardim brilhando de luminárias e os comes e bebes oferecem a tentação quase, irrecusável dos churros e caracóis.

Poucos resistirão ao “convite” – até porque a isto se soma a mostra de artesanato como prometedor aliciante.

É evidente que, acontecendo tudo isto na minha vizinhança e querendo eu ficar “à la page” – fui.

Pois... antes não fora.

Antes lá não tivesse ido.

Distribuição de “mostra” mais confusa não sei imaginar.

Confusão de ordenamento de espaços poderia ser o título próprio para a balbúrdia que lá está exposta.

A nossa Câmara representa-se, ou apresenta-se, ou... (não lhe mereceu a Cidade a deferência de o fazer condignamente) e recebe-nos numa barraca – que barraca! – Sem ar nem graça e, tendo por complemento a tabuleta que diz: Turismo – colocada às três pancadas.

Uma “apagada e vil tristeza”.

Tive a impressão de que todos os inconvenientes da feira estavam como que acampados, livremente, à espera da designação dos seus locais de arrumação.

Verdade que tive.

Mas... não!

Era já o produto acabado.

Que pena! – Diga-se “sem tabus”.

Talvez que essa barafunda tenha facilitado o assalto que a feira sofreu.

Quem sabe?!

Pelo menos provou-se que os tais 10.000 contos de grades (segundo li) de nada valeram no caso presente.

Quando será que se entende que nem só de pão vive o homem?!!

Mas... sabem que mais? – Não estive para me incomodar.

Voltei para casa como quem lesse quadras em manjericos, assim:

Não te rales ó Maria

Deixa lá, que tu vais ver

No Boletim, qualquer dia

Que lindo que isto vai ser

                

Escolhidas opiniões

Papéis, cores e pinturas

Farão balões e balões

A subir lá nas alturas...

E... assim vai o mandato das obras – que sendo verdadeiras e necessárias – são também o retrato chapado da falta de imaginação, criatividade, golpe de asa – semente de futuro.

Apenas – pedra sobre pedra – sem mais nada que uma árida e nua ambição de poder.

Como se uma cidade fosse apenas um conjunto de casas, ruas, esgotos, etc, etc,

Como se uma casa – fosse um lar – só por ser casa...

Melhor do que ninguém – o Homem da Quinta do Bispo – escreveu assim:

“Com os seus baluartes, as suas torres, os seus eirados e o seu aqueduto, Elvas é para o caminheiro que passa, um apelo súbito às energias mais fundas da nossa sensibilidade.

Qualquer dos grandes peregrinos literários de quem herdámos o veneno romântico do amor ao que se foi para nunca mais – Chateaubriand ou Barrès – bem poderiam ter-se sentado à sombra das suas muralhas e ouvir, de coração encostado a elas, a marcha compassada do tempo, marcando o ritmo da eternidade”.

 

Este é o verdadeiro espírito das coisas.

Afinal essa é a verdade – a mensagem que transmitem – o recado que deixam como herança às outras gerações e essa tem que ser a força impulsionadora que ligue – uma – condicione – até – o simples arrancar de uma pedra da calçada.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:27

O seu, a seu dono!

Sábado, 09.08.08

Maria JOSÉ RIJO

Jornal Linhas de Elvas

Conversas Soltas

Nº 2.981,

de 6 de Agosto de 2008

Diz a sabedoria popular que: quem dá o pão dá a criação.
Estes aforismos, tendo uma leitura interpretativa fácil e directa escondem, na sua simplicidade toda a sabedoria que através dos tempos, o homem empiricamente acumulou e, de onde, depois havia de derivar o fundo moral das leis que nos regem.
Pensei nisto sentindo que, nesta mesma ordem de ideias, algumas atitudes responsabilizam quem as toma para deveres que implicitamente lhes ficam adjacentes.

Chamei, por todas as formas que tive ao meu alcance, as

 

atenções, para o desmazelo trágico a que a Quinta do Bispo -'a galinha dos ovos de ouro do turismo de Elvas'estava votada desde que 'as mais valias' começaram a ter maior cotação do que a história e a civilização.

        
Acontece, que regressada de férias, folheando o 'carismático'
Boletim da Câmara,
[continuo a preferir a DICA] tomei conhecimento de que tinham sido removidas as árvores mortas, as carradas de lixo e na medida do possível, disfarçada a ruína do desamor e ignorância que condenaram a tão vergonhoso destino... a Versalhes de Elvas.

Sendo tudo isto verdade, também não o é menos que, algumas vezes, a Câmara, não faz ouvidos surdos aos reparos dos munícipes e corrige falhas que lhe são apontadas, como neste caso.
Assim que, como apontei a lástima, sinto minha obrigação moral aplaudir o esforço de correcção despendido. Como cidadã, munícipe, e pessoa de bem que me preso de ser aqui fica, da minha parte, o meu muito obrigada.
Tranquila com a minha consciência, uma pergunta se me impõe: E agora? Vai ficar outro tanto tempo à espera de outra tanta porção de lixo e da morte do resto do arvoredo, para ser menos evidente o arraso e dar acolhimento a mais cimento armado?
Ou, vai ser utilizada, como fazia parte de um programa cultural e turístico, fundamentado em torno da mostra da obra de António Sardinha?
É que, o que não tem função – é sabido – morre. E, pelo que aconteceu, é por demais evidente a verdade expressa nesta afirmação.
Neste mandato, várias coisas, vi realizar, que eram projectos dos mandatos do Dr. João Carpinteiro e constam do programa que por mão amiga foi cedido [a pedido] a este elenco.

    Vista aérea de Elvas
Dentro do meu critério, isso é saudável. Não importa de que lado vem a chuva se Elvas dela precisar. O que importa é que ela aconteça...
E, tenho conhecimento de que existe, e ainda, em parte, é viável, solução para aproveitamento cultural e turístico, do que sobrevive daquele espaço histórico.

Como, também, existem os projectos de alguns 'itens' que completam e valorizam o projecto [inacabado] do Museu do Forte de Santa Luzia, que foi presente ao Dr, Mário Soares, quando da sua Presidência Aberta, na nossa cidade.
Parece, por vezes, que a Excelentíssima Câmara , mais do que fazer, tem o complexo de desfazer a obra, que outros antes de si deixaram...

 
Museu Tomaz Pires, Sala Eurico Gama...explicitam esta afirmação.
Pensei então, que alguém que publicamente se refere ao seu tempo de gestão como : - O meu reinado! - Pudesse ter dos reis a nobreza de honrar a memória dos seus maiores e repensasse a decisão de suprimir o testemunho presencial de um dos mais ilustres súbditos desta rainha da fronteira - Elvas...

..
Noblesse oblige!

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 01:53

O Forte, o Professor e eu

Sexta-feira, 18.04.08

É sempre consolador ver como aqueles que admiramos apreciam e enaltecem o que também nos encanta e nos orgulha.

Foi essa, uma das razões que me prendeu frente ao programa que o Senhor Professor Hermano Saraiva dedicou à cidade de Elvas.

Para mim, para o meu desejo, a reportagem, teve um defeito…

- Foi pequena!

Queria muito que de norte a sul, todo o país percebesse e sentisse que Elvas é uma cidade diferente, impar no contexto nacional, que de forma alguma merece os problemas de empobrecimento que lhe estão infligindo.

Daí, que todo o louvor que lhe é feito, se me afigure escasso frente ao seu encanto valor e beleza.

Então, quando é o “Mestre” da reportagem histórica que lhe dá a honra da sua atenção e do seu saber, tudo nos sabe a pouco, embora nos torne gratos e nos delicie a forma sábia e extremamente elegante, até, com que faz os seus reparos.

Foi o caso da “cafetaria”.

(No projecto que foi apresentado ao então Presidente Dr. Mário Soares, quando da presidência aberta em Elvas em 89. Projecto que  -  em data mais recente -  se viria a concretizar , não no todo – pelo menos  até agora - havia  uma  estalagem medieval, e outros factores conducentes a uma intervenção activa do Forte na vida da cidade, e no desenvolvimento turístico.

Aliás, a reconhecida necessidade que, já então, se antevia como premente, de se incrementar em Elvas um turismo – de qualidade – sustentado, também, pela valorização da história em todas as suas minúcias para provocar um desenvolvimento capaz de impedir a situação de despromoção em que se está a cair, e pudesse chamar até nós outras e diversas actividades, era parte dessa visão de futuro que,  jamais poderia contar com a eliminação da Quinta do Bispo e outras tristes e irreparáveis realidades.)

De qualquer forma, tenho a convicção de que todos os elvenses que costumam seguir os programas do insigne Historiador e, com ele aprendem, como eu, a ver com um olhar novo todo e qualquer recanto de Portugal a que dispense a sua atenção, não deixarão, no íntimo do seus corações de guardar um sentimento de gratidão, porque, desta feita, foi o nosso país, por inteiro, que pode descobrir a beleza e a história que se respira em cada pedra, em cada recanto ao redor de nós, nesta nossa terra.

 

Outro assunto que não posso deixar em silêncio é o artigo de - Velez Correia – em que o “meu colega”  aqui nestas andanças das escritas, teve a generosidade e também a delicadeza e a solidariedade de reagir frente à agressiva e desajustada violência que a minha diferença de opinião suscitou ao poder instituído.

Na realidade, como escreve, não nos conhecemos pessoalmente, o que lamento – porém, isso não impediu que a sua inteligência, e a sua coragem intelectual, o tivessem levado a interpretar à luz dos valores da sua formação moral o que escrevi e, eu, tivesse recebido o favor da sua atenção  na  correcta interpretação do que pretendi dizer.

Se todos os mandantes do mundo entendessem como ódio a diferença de opiniões … não haveria mais esperança para a humanidade.

Embora eu não mereça os seus elogios, obrigada, obrigada sempre, pela sua compreensão, cortesia e tolerância.

Bem-haja!

Obrigada! – E, obrigada a todos que, quer pelo telefone, quer por carta, quer pela Internet me oferecem apoio.

Sentir que somos úteis, dá responsabilidade e sentido à nossa existência.

Obrigada mais uma vez!              

Bem hajam!

 

 

                          Maria José Rijo.

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.865 – 11 – Maio - 2006

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:57

... Dantes...

Domingo, 07.10.07

            Aqui na cidade os ruídos dos carros e das motorizadas já quase passam desapercebidos.

            São muitos.

            São constantes, já fazem parte dos sons de fundo da vivência do nosso quotidiano.

            Aqui o que nos desperta a atenção é um súbito silêncio – quase surge.

            Em Juromenha, lá bem na extremidade da povoação, onde temos uma porta com postigo e uma janela virada para o rio, não é assim.

            Lá, um carro, uma moto, um qualquer motor ou passo inusitado – são barulhos notórios que chamam à soleira das portas os interessados “fiscais” das quebras do silêncio.

            Lá imperam cigarras nas horas de calor e, noite fora, cantam os grilos ou ladram os cães, eles próprios também, guardiões da calma serenidade.

            Ora acontece que vindo a Elvas de fim-de-semana para acertar agulhas...

            Quero dizer: pagar caixa, condomínio, etc,etc, na recolha do correio que sempre se acumula cá tinha o “nosso Linhas” a esperar-me entre correio útil e a maralha aterradora da propaganda dos supermercados (de que cada vez gosto menos).

            Que saudades do Senhor Flaviano da Rua de Olivença e de outros comerciantes que nos habituamos a estimar e nos atendiam, aconselhando-nos nas escolhas e falando conversas de gente -  sem os slogans das modas de  agora ...

            Mas... tomando o fio da conversa...

            Dei uma vista de olhos ao conteúdo do cacifo fazendo um balanço geral da “colheita” e, logicamente, pendi para as notícias, veloz e curiosa, como as minhas vizinhas de Juromenha correm à voz dos pregoeiros que animam o arrabalde com seus pregões, músicas e buzinadelas.

            Então...

            Então?... Que actualidade a de “O Hissope”.

            Como seria possível esquecer obra tão bem urdida e bem escrita! – E, por indução a Quinta do Bispo... (Aquela gente toda do Hissope existiu!)

            Por outro lado, como pretendia que neste corre, corre, que por aí vai, haja tempo para pensar?!

            Pensar, até nas figuras que se fazem. Então, por estas e outras como estas, dei-me ao deleite de me refugiar nas minhas memórias.

            Privilégio da idade!

            É que dantes... 

        ... Dantes ninguém ia para a escola em carro próprio, nem de moto.

            Isso não eram transportes usuais.

            Eram miragens.

            Andava-se a pé, a cavalo, em carros puxados por mulas e também de burro.

            Ao evocar os burros sinto-me sempre enternecida.

           

            Bicho simpático.

            Simpático e útil.

            Ninguém hoje quererá acreditar – e, é verdade, juro! – Que ter burro podia ser sintoma de abastança. 

           Lá na aldeia onde fiz a instrução primária, só chegavam à escola escarranchados em gordos burros, os filhos dos lavradores ricos.

            Era vê-los com seus trajes de veludo preto, castanho ou azul-escuro, suas golas brancas, seus chapéus de feltro com aba redonda, a sacola dos livros numa das bolsas do alforge e o farnel na outra.

            No Inverno completava-se o paramento com largo capote de gola de peles (raposa ou coelho) mas o abrigo tinha dimensões tão vastas que repartia com o burro o conforto que proporcionava.

            Era pois à velocidade do burro que se caminhava nos meus tempos de criança.

            E era bom.

            Era cómodo e seguro.

            Via-se nascer e crescer o trigo; engrossar a azeitona; o florir dos chaparros em cadilhos de flores miudinhas...

            O sangrar dos sobreiros esfolados da cortiça.

            Via-se a margaça branquear o chão como neve. Via-se lavrar, semear, mondar, ceifar.

            Aprendia-se a amar o campo pelo contacto íntimo e vivo que se estreitava entre as coisas e as pessoas.

            E... pensava-se.

            Dava tempo para pensar.

            Recapitular até o que se ia aprendendo.

            Agora não.

            Parte-se correndo ou voando de um lado para o outro e, na pressa até se esquece ou, nem se chega a saber como se chegou ao destino ou se o “poleiro” pode ser destino.

            Depois...

            Depois, são os passos em falso, as falsas atitudes, as confusões.

            As tristes figuras.

            Dantes era norma amadurecer pareceres e decisões. Era comum cultivar a dignidade, respeitar os compromissos, honrar a palavra dada.

            Não fales antes de tempo.

            Agora, realmente, corre tudo tão depressa, tão à toa, e tudo se diz e desdiz com tal presteza e leviandade que se chega a duvidar do que os nossos olhos vêem e nossos ouvidos escutam.

            Esquece-se que palavra – a Palavra – é compromisso.

            Mas, cuidado! – É temeridade ignorar as evidências quer se corra ou vá pachorrentamente (como acontecia dantes) reparando bem onde se põem os pés.

       Por muito que o homem baralhe e dê cartas de novo – a Natureza – sabiamente não altera os seus ciclos – nem os burros ou qualquer bicho saudável as suas características genéticas.

       Assim: Homem é homem – bicho é bicho agora ou como era dantes...

 

                                             Maria José Rijo

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Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.362 – 9 /Agosto- 1996

Conversas Soltas

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publicado por Maria José Rijo às 23:27

“Chamemos-lhe – Harmonia “

Terça-feira, 03.07.07

           

                                                        

Aqui por esta nossa terra alentejana, somos uma gente muito especial.

            Houve até quem dissesse que nós e a nossa paisagem fazemos tão harmonioso casamento quer nos  cantares, quer no artesanato, quer na gostosa gastronomia à base  de pão que, somos como que “uma pátria dentro de outra pátria”.

            A frase é bonita – é !

            Mas também é verdadeiro o conceito que encerra.

            Lá pelo norte, numa paisagem de verdes perenes as mulheres vestiam-se de  cores vivas.

            Vermelhos, verdes, esbanjando lantejoulas e enfeites de ouros num hino à  alegria, às romarias do colorido das suas vinhas e vergeis.

            Por cá, usavam-se cores discretas de tons apagados como que receosos de  macular a imensidão da paisagem.

Sabendo-se discretas pareciam ter consciência de que não turvavam nem ao de  leve a atenção que cabe à grandeza dos nossos vastos horizontes.

            Por acaso – ou coincidência – os pescadores frente á imensidão do mar também não usavam cores vibrantes.

            Eram de cores mortas os axadrezados das suas calças e camisas; negras as cintas e igualmente os gorros.

            Tudo escuro e sóbrio. Modesto e humilde como quem depende para viver de um grande e indomável rei que ama e teme.

            Cada província adapta os seus costumes ao clima e à paisagem.

            No casario é o mesmo.

            Por cá usa-se o branco reflectindo melhor a luz afasta o bafo quente que vem das  terras bêbadas de sol que obrigam restolhos e matos a transpirar  odores de que só o  Alentejo tem o segredo.

            Por apuro e garridice enfeitam-se as casas com barrões de cores.

            Azul quase sempre. Azul ferrete de preferência.

            Tem que ver com o céu, a distância e diz a gente antiga que com “Nossa Senhora  da  Conceição”.

            Muitas vezes, também, se usa o ocre.

            Apanha-se com ele a cor das searas maduras e dos pastos olorosos.

            Aqui na nossa terra o ocre bebe também seus tons, nas pedras, nos fortes, nas  muralhas.

            Também é frequente o cinza.

            Talvez se inspire nos velhos troncos dos zambujeiros, na escura sobriedade dos montados de azinho, talvez, apenas nos dias tristes dos invernos rigorosos.

       

Seja lá pelo que for – tem que ver connosco.

            Não me pergunte se gosto ou não de outras cores.

            Isso nada respeita a quanto disse.

            Apenas falei da harmonia que é sempre desejável entre as gentes, as terras, e as  coisas que lhes são mais próprias, mais a carácter.

            E falei porque olhando há algum tempo as novas cores do jardim pensei:

            - Quando as olaias estiverem em flor , no auge da floração – estralando para ali em girandolas de cor – que mal, vai estar aquele amarelo limão (aliás, lindo) com que foi pintado um muro que  lamentavelmente tem que existir ... Será um empecilho para  os olhos e quebrará ainda mais a harmonia desejável do ambiente.

            Para que chamar a atenção para o que devia pedir perdão de existir ! – pensava eu.

            Tinha este apontamento já escrito quando voltei a passar ao jardim e vi  com agrado que haviam sido adoçados os tons  do seu amarelo.

            Tanta gente me pedira para falar no assunto que embora restabelecido o equilíbrio – não fora de propósito dizer o porquê de certas “embirrações” – que, como se conta , o não são.

            Só falta que as grades apareçam revestidas de glicínias e roseiras noisettes para  ganharem o tom romântico das quintas fora de portas.

            Era bonito.

            Era uma maneira de “pintar” com flores um certo clima de Elvas que António Sardinha  com tanta beleza e sensibilidade captou em “Vesperal” – soneto que dedicou  a sua Mulher.

                                   Se eu te pintasse, posta na tardinha

                    Pintava-te num fundo cor de olaia.

                    - Na mão suspensa, nessa mão que é minha,

                    O lenço fino acompanhando a saia ! “

            

É que Elvas é uma cidade feminina.

            Não é como Évora – a das “ruas frades” –

       como disse Florbela.

            Aqui – são “ruas freira”      ...

            E, é essa subtileza.

            Esse equilíbrio que se gera  entre os testemunhos da história e o presente.

            Entre a realidade e o sonho que fazem a mística de Elvas que, ao ser respeitada a pode levar – como merece – a ser considerada Património da Humanidade.

     

                                                       Maria José Rijo

                                                   Escritora e Poetisa

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Jornal linhas de Elvas

Nº 2.365 – 30 – 8 – 96

Conversas Soltas

           

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publicado por Maria José Rijo às 13:25

O Surrealismo

Sábado, 23.06.07

Quando me garantiram que tinha sido proferida – publicamente - a ameaça de “nem um parafuso” ser concedido a alguém que ousou escolher sem “perinde ac cadaver”(ao que li -  divisa dos jesuítas, que significa : obediência absoluta) os  colaboradores para os seus comandos – não me admirei.

Funcionam assim todas as ditaduras. Porém, para amenizar, dando cor ao negrume de tais falas, ocorreu-me pensar que em arte, em pintura, especialmente, uma afirmação deste teor poderia corresponder a uma atitude surrealista, uma vez que – sem controlo - deixa, livremente expressar a voz do inconsciente,  um tanto sem ética, nem estética!

Acontecendo esta conversa durante um passeio aos restos – quase despojos -  de uma ruína histórica, fiquei então a congeminar, como também seria surrealismo da minha parte pretender destrinçar os fios da meada que levaram a Quinta do Bispo ao opróbrio da injusta condenação à  morte.

Os empreiteiros, se não faliram, pouco menos. Têm casas por vender e outras, como fantasmas, em esqueleto, inacabadas, há anos....

O edifício airoso, perto do plátano, meio desabitado, não sei que futuro poderá ter, visto que o paredão - que parece – sustentar o desnível do solo onde se inserem as suas fundações a pesar do reforço dos carris de suporte, está rachando...

O desmazelo, a incúria, a porcaria fazem ninho e procriam proliferando a torto e a direito...nos prometidos jardins para lazer e regalo dos cidadãos...

Não fora, como disse Miguel de Sousa Tavares – “a alegria das lutas desiguais”- que são estas onde se entra já vencido pela força dos poderosos – mas onde se morre de cabeça erguida, pelo amor à verdade que nos ampara, e eu não estaria , hoje, talvez dez anos passados a recordar argumentos, brandidos como bandeira, para o sacrifício inútil e cruel duma Quinta – mais valia sem par para a cidade - romântica e nobre  cantada em  poemas lapidares por António Sardinha e ligada à história de Elvas, quer pelo nome do ilustre  historiador elvense – Aires Varela no sec. XVII, a quem foi comprada pelo VI Bispo de Elvas, D. Manuel da Cunha, donde lhe veio o nome - quer pelo famoso prelado   D. Lourenço de Alencastre celebrizado por Cruz e Silva no conhecido poema,  “ O Hissope”obra prima da literatura portuguesa apreciada em todo o mundo da cultura.

Fora eu Agatha Christie ou o inspector Poireau e andaria atrás da resposta desfecho dum romance policial ainda por escrever: - a quem aproveitou o crime?

Elementar, meu caro Watson!

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Maria José Rijo

                                                          

 

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Jornal Linhas de Elvas

de 14- Junho- 2007 – Nº 2.922

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 12:05

“Em torno de uma efeméride “

Sexta-feira, 22.06.07

                           http://olhares-meus.blogspot.com/

          Elvas 10 de Janeiro de 1997.

         Há 72 anos faleceu na sua casa da Quinta do Bispo 

    António Sardinha.

       Colho, desse local, que foi a Versalles de Elvas” a imagem de hoje.

         Fica-me frente as janelas.

         Convivo com ela diariamente.

         Ofereço-a aos meus olhos e legendo-a (com profunda m ágoa) com a isenção a que me obriga o respeito pela nossa cidade, a verdade de que ela d á testemunho.

         Frequentemente a televisão nos mostra com entrevistas e imagens, soluções inteligentes encontradas para o enriquecimento de muitas terras do nosso país.

         O grande e belo Porto – hoje património do mundo – não desdenhou a sua quinta de Serralves.

         Foz Côa, não deixou afogar as suas gravuras.

         Algures, também no Norte, um autarca veio  contar como um eco-museu ” esta restaurando velhos usos e costumes ... velhos ciclos (o ciclo do pão, foi um dos  referidos).

         Desse modo garante – vai promover turismo e defender da desertificação a sua terra situada no  interior. Afirma que assim se criam empregos, desenvolve o comércio e a riqueza do seu concelho.

         Agorinha mesmo – o professor David Martins – falou do êxito conseguido por ele e pelos professores da sua escola que, em ligação interdisciplinar ja levam dois discos de sucesso com actuações dos alunos de música de Vila Praia de Ancora.

         E anuncia que: - a autarquia vai propiciar o progressivo ensino da música às crianças desde a  sua entrada nas escolas – gratuito -  portanto.

         É verdade que opções, são opções ...

         Ao falar da Quinta do Bispo veio-me à  lembrança outra responsabilidade que herdei  e tenho a missão de recordar.

         Talvez os critérios de escolha tão afastados por vezes, das coisas  do espírito tenham assustado o senhor Cónego Dr. Silvestre e o tenham decidido a reter em suas mãos os “nove grossos manuscritos da Genealogia dos Vasconcelos” que foram oferecidos á Biblioteca de Elvas como sua Excelência bem sabe.

         Ao menos – com ele – estarão a salvo o que não  acontece à Quinta !

         Estranha é a sorte que impende sobre o património de uma cidade cuja rara beleza – a torna única – e tão carregada de história que quase  parece um conto de fadas.

         Servir – servindo-a devia ser considerado um privilégio – embora com todo o melindre que essa  distinção sempre confere.

                                        Maria José Rijo

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.385 – 17/Jan./1997

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publicado por Maria José Rijo às 21:17





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