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Instantâneo em Fátima

Domingo, 22.04.07

Basilica

 

Há vários anos que, em meados do mês de Setembro, rumo direito a Fátima. O que em princípio foi uma necessidade pungente, tornou-se um hábito, como que um ritual, que conforta o coração cumprir.

Fátima é o que é.

Para muitos local de oração e penitência, para outros passeios, convívio, curiosidade, meditação, visita a Nossa Senhora, encontro ou reencontro com a Fé, ou, até a procura dela ou de si próprio.

Por tudo isto, e mais que não sei dizer, Fátima, tem um clima espiritual místico e misterioso que envolve tudo e todos que pisam o seu chão

A Fátima vai-se por bem. Quero dizer, por razões boas. Por amor.

A Fátima vai-se agradecer, ou pedir, saúde, vida, protecção.

A Fátima, cada qual chega imbuído do melhor, do mais generoso, do mais puro sentimento que é capaz de albergar no seu coração.

Por isso, também, o ar de Fátima é leve e envolvente. Pode chover a potes, pode o calor ser de rachar, pode, é verdade, mas Fátima, com aquela sua condição de ser mais olhada do interior do que do exterior, mantém o seu clima de alma muito próprio, e o aconchego de quem sabe que para amar e rezar, todo o tempo é tempo certo – é bom tempo.

Desta vez, algumas pessoas aproveitávamos o apoio do muro de mármore, que envolve a pequena capela das aparições, onde nos é oferecida a comunhão para assistir à celebração da Missa, com a mais respeitosa atenção, quando a porta por de trás se abriu e alguém silenciosamente deslizou para colocar rosas brancas no espaço reservado para flores.

A cerimónia prosseguia, mas, com as ofertantes das flores, entrara uma gorda e anafada pomba branca que, olhando para tudo e para todos, passeou pelo espaço que tanta gente costuma percorrer de joelhos, e, como se ela própria estivesse a cumprir alguma promessa solenemente deu duas voltas.

À porta os guardas, sorridentes, mas preocupados, olhavam sem saber o que fazer.

Sacudi-la, espanta-la! – Poderia começar a esvoaçar sobre o altar e estragar a cerimónia.

Limitaram-se, expectantes, a aguardar.

Foi então, que serena como entrara, saiu, parando um pouco à porta a olhar para trás como se quisesse fixar bem o que vira, ou tivesse dúvidas se deveria ou não dar uma voltinha mais, e, num repente, tão inesperadamente como entrara, saiu levantando voo.

Momentos após, os sacerdotes, fizeram o mesmo percurso, no mesmo espaço dando a Comunhão aos fieis.

Comunguei com um sorriso de alma. Parecia que a encarnação do Divino Espírito Santo tinha por ali passado, antes, a fazer o Seu anúncio.

Momentos de beleza que a Vida nos oferece e que, como fugazes mas misterisos acenos se prendem a nós para sempre.

                                  Maria José Horta Travelho Rijo

in:

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.885 – 28/9/06

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:21





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