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As várias faces

Terça-feira, 14.04.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.849 – 8 de Agosto de 1986

  

Numa família, mesmo numerosa e de parcos haveres, quando nasce um elemento é sempre ocasião para festejar.

Foi assim agora. Uma cidade de província, não muito grande, como é a nossa, recebeu a presença de mais um jornal e celebrou o acontecimento.

Não há dois, sem três, diz o povo.

 

Aí está, pois, o terceiro, temos a conta certa ao que parece. E, se pelas condições e dimensões do meio, não poderemos vir a ser mais família de parentes abastados… há uma posição de vida que para todos é possível e desejável… a de família unida…

          Família-unida

correcta… onde cada qual ocupa o lugar que lhe cabe e o exerça com brio.

São sempre possíveis olhares diferentes, e sinceros, sobre as mesmas coisas.

Quando o poeta canta que “importante é a rosa” ele também sabe que para a lagarta voraz, toda aquela beleza é apenas um manjar.

E, se os apaixonados a usam como testemunho de amor, o luto transforma-a num sinal de saudade.

        Quaresma - Tempo de Oração, Jejum, Abstinência e Conversão

Não admira que o crente sinta a rosa como um convite à oração, um motivo de graça a Deus.

Cada olhar tem seu toque de alma frente à vida…

Sua semente de fé…

Sua pitada de esperança!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:53

Em tempo certo

Terça-feira, 09.12.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.468 – 4-Setembro-1998

Conversas Soltas

           

Aqui o temos - como todos os outros - em tempo certo!

É o nono, é Setembro!

Quando ele se aproxima, o meu coração de elvense, tem um vibrar diferente.

É verdade! - E, penso que, como também acontece num qualquer Natal, assim acontece nesta época, com todos os elvenses.

Setembro é o mês das evocações, é o mês das saudades, o mês das celebrações.

Começo pela casa: -“ o nosso Linhas”, completa quarenta e oito anos de idade.

É data de festa para celebrar - celebremos !

                        

Celebremos com a alegria e a responsabilidade que a efeméride suscita a todos quantos reconhecem que por mérito próprio, muito principalmente, um jornal de província, não desmerece ao longo de quase meio século do apreço e estima dos seus leitores e assinantes.

Saudemos com gratidão e amizade quem o produz, – desde quem o pagina a quem o escreve e a quem por ele se responsabiliza e lhe traça com coragem e isenção o caminho do futuro, e, também, a quem discreta e obscuramente lhe dá vida

Saudemos os seus assinantes e leitores, todos quantos lhe querem bem!

Depois, inevitàvelmente, outras lembranças se perfilam na memória.

Foi em Setembro que o seu fundador partiu. Vão oito anos, já, depois desse dia.

Evoco Ernesto Ranita Alves e Almeida!

Honremos com saudade e respeito a sua memória e, evoquemos também o “Fausto”e todos quantos deram, a seu jeito , muito da sua alma a este jornal  e também já partiram.

Escrevo como paradigma um outro nome.

Um nome apenas: - que mais não é necessário: - José Tello.

Por estas e outras demais razões eu sinto que Setembro com a aproximação das festas cria na nossa cidade um clima diferente só comparável em emoção com a envolvente ternura dum Natal.

Não há coração de pobre ou rico que não guarde uma referência por pequena que seja relacionada com as festas de Setembro, a data aglutinadora, por excelência das gentes da nossa região, em que todos correm para o abraço de familiares e amigos e para ajoelhar crentes e submissos aos pés do Senhor Jesus da Piedade. - Para o calcorrear vezes sem conto arraial acima e abaixo - até ter os pés cheios de bolhas... e os olhos a fecharem-se de cansaço.

É assim Setembro - cheio de lembranças, de presenças, reais ou virtuais , mas, sempre pleno de vida interior que o prenuncio do Outono envolve nesta “nossa” luz doce, suave,  com tons difusos de violeta e rosa  como não há igual .

************

Para aqueles dos meus possíveis leitores para quem estas datas são revividas pelas memórias da saudade, deixo, de presente, uma carta que escrevi para agradecer um belo botão de rosa e um sorriso de amizade que recebi...em tempo certo.

 

É que: - Vida! É sempre: - Vida! Apesar de todos os pesares...

 

Carta

(oito dias depois do dia da Mãe)

 

A rosa que me deste

Morreu hoje

Chegou em promessa, – fechada num botão

como fechada

estava a tua mão que a segurava...

Com ternura de mãe

a recebi, a amei e lhe sorri

Sorria-lhe todas as manhãs, desde então,

agradecendo - em silêncio - a sua companhia...

que renovava no meu coração, a esperança,

que é sempre filho e flor...

Depois, todo o tempo ela comigo compartia,

a beleza que a fazia ser rosa! - me vergava a seus pés,

e que eu recebia, como se, só para mim, ela fosse nascida...

... Há cada vaidade nesta vida!

Ontem - achei-a diferente

Ela já não me correspondeu...

Tinha a cabeça curvada

O ar vencido de quem tudo teve

e tudo já perdeu...

Hoje - recolhi-a pétala a pétala

Era ela toda - e já era nada!

Toda na minha mão fechada

e toda desfolhada...

Como penas de ave - sem  voo - sem bater de coração..

Já nem era, nem fresca, nem formosa.

Já nem era rosa...

Era ausência e frio

Sem calor de vida – nem era sorriso...

... mais... um arrepio...

Mas...sempre, lembrança doce e triste e linda,

que na alma se fecha silenciada

e, como perfume emanado da rosa...

dela se guarda a ventura que se goza...

Na alegria pura, como a pura dor...

de viver um sonho

ainda que breve

...como um tempo de flor...

 

Maria José Rijo

                              993000.jpg

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publicado por Maria José Rijo às 20:14

Para a DOLORES

Sexta-feira, 28.09.07

embora atrasado com um beijinho de Parabéns

da Maria José e da paula

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publicado por Maria José Rijo às 14:27

Era uma vez

Quarta-feira, 06.06.07

http://www.a-la-minute.blogspot.com/

--

Há seis anos, completaram-se agora no dia 22 que nasceu um menino a quem foi dado o nome de Lourenço.

Acontece que esse menino, que foi o primogénito de uma rapariga, recém casada, entrou na vida uma semana antes do falecimento de sua avó materna, que, muito jovem ainda, e, doente então, em fase terminal, rezava em cada dia para que Deus lhe desse o tempo necessário para conhecer esse seu neto e comparticipar da felicidade da filha, que ansiosamente esperava essa maternidade. É verdade que já vivera alegrias iguais quando lhe haviam nascido os dois netos que já tinha, porém, aquele era diferente, porque, para ela, seria o último que poderia conhecer...

E, permitiu Deus que isso assim acontecesse.

Então, tendo o bebé apenas oito dias, na missa de sétimo dia por sua mãe, já então entre os anjos, certamente, o padre autorizou que a jovem mãe desse voz, em nome do Lourenço, à confusão de sentimentos que a sufocavam.

 

Emocionada leu:

 

“Querida Avó Carolina – a quem o Sebastião chamava Avó  Nini fiquei muito contente por a Avó me ter conhecido.

Sei que vai estar sempre a olhar por mim e pelos primos, que vai ser o nosso anjo da guarda.

Sinto o maior orgulho pelo modo como a Avó encarou sempre, com tanta coragem e com tanta fé esta fase tão difícil da sua vida.

Sei que tenho a Avó mais especial do mundo , e vou conhece-la melhor em cada bocadinho seu que ficou na minha Mãe, nos seus outros filhos e em todos que viveram perto de si.

Avó esteja descansada que eu, o Sebastião e a Leonor vamos dar muita força a todos, principalmente à avó... ao avô... e à tia ... e vou pensar em si todos os dias.

Beijinhos Lourenço

 

Eu sei que, esta, é uma história íntima, sei! - Mas também sei que foi publica, porque vivida frente a uma igreja repleta. Logo, lembra-la não constitui inconfidência.

Mas, quem escreve para os jornais são pessoas, pessoas iguais àquelas que lêem as suas crónicas, e todas elas extraem o acerto ou desacerto das histórias que contam das experiências que vivem. Das forças e fragilidades com que se debatem, das dúvidas que as assaltam do sofrimento que suportam, do que as fez pensar, do que as faz rir ou chorar, e também, do que as faz felizes.

Da maneira como se aceita a felicidade, mas também, a dor que lhes bate à porta.

E todos sabemos que a dor sabe as moradas de todos nós sem precisar de códigos...e não se engana jamais no destinatário...

Assim, que hoje, à beira de um aniversário de alegria que convive, em paz, com o seu sentimento oposto – a dor da saudade me calhou fazer esta evocação que afinal apenas fala dos contrastes da Vida, das nossas vidas, onde sempre um sorriso pode coabitar com algumas lágrimas...

            E, então, como quem conta um conto, vou começar:

Era uma vez... Uma avó, que quando criança - com a idade que completa, agora seu neto Lourenço – brincando certo dia, à sombra de uma árvore, perguntou a quem a acompanhava :  - Já reparou nos barulhinhos que fazem as folhas das árvores?

Acha que as árvores também falam? – Acha que isto é a conversa delas?

E logo em seguida, sem dar tempo para que lhe dessem resposta, a menina, seguindo o seu pensamento acrescentou: - não as percebo, não sei língua de árvores, mas falam com certeza!

Não acha?

            As falas do coração resolvem-se muitas vezes num abraço. Num apertado e comovido abraço, e, assim aconteceu dessa vez.

E, nem quando a criança lhe sussurrou ao ouvido: - quando eu crescer quero ser como a tia a resposta se transformou em palavras...

Mas esse sonho de criança ficou como uma estrela, lá longe, marcando um caminho, um caminho em que se aprende que as árvores também falam, que tudo fala, nós às vezes é que fechamos o coração para não ouvir, não entender...

Porque escutar cria muita responsabilidade e, nós temos medo, muito, muito, medo de acreditar que somos capazes...

 

                                               Maria José Rijo

                                      Escritora, Poetisa, Pintora

 

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.842 – 2- Dez. - 05

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:16





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