Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Lembrança do São Mateus

Segunda-feira, 23.09.13

















.



.

Para a nossa querida Familia do Brasil

com um abraço

da Tia Zé

e Paula

.




























Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 15:18

A despedida do S.Mateus

Terça-feira, 02.10.07

Com o regresso dos Pendões às suas freguesias se despedem da cidade de Elvas as tradicionais festas de S. Mateus com a sua romaria em honra do Senhor Jesus da Piedade.

 

                                           “ Senhor Jesus da Piedade

Para o ano cá hei-de vir

Ou solteiro ou casado ou viuvo

Ou patrão ou criado de servir!”

 

E, mais ou menos com esta popular profissão de esperança – de voltar sempre que possível, sejam quais forem as circunstâncias – se despede cada qual de ano para ano da festa que faz parte da história e da vida de todos nós, porque é parte indissociável da história da cidade.

Como é lógico, com o rodar do tempo a idiossincrasia das manifestações populares altera-se.

Onde ontem estavam grupos a cantar e a dançar as “saias”, estendem agora, no chão, vendedores ambulantes as suas mantas para expor e pechisbeque que aparece repetido em curtos espaços.

Onde as bandas tocavam, serve-se agora gentilmente um cafèzinho!

Onde estavam, (e, por elas começava invariavelmente a exposição dos utensílios de lavoura na nossa feira), as escadas, as varas e a cestaria para a safra da azeitona, nada que o recorde aparece!

E, das bancadas de perinhos vermelhos que se lhes seguiam e davam à feira o seu perfume peculiar, já não mais do que a lembrança.

Nem o cheiro! Como é uso dizer-se.

A rica tenda dos objectos de cobre, luzindo à luz como sois, também já não engrandece o conjunto...

Os brinquedos de madeira, de lata, os barrinhos pintados tudo foi cedendo os seus espaços às necessidades e às modas destes novos tempos.

Os noivos de braço dado com as noivas, vestidos a rigor, seguidos de padrinhos, pais , amigos e familiares que passeando no arraial dividiam com todos o encanto do começo da sua vida de casados...também desapareceu.

Em contrapartida quase todas as raparigas e mulheres jovens exibem os ventres bonitos ou feios, esculturais ou não, adiposos muitas vezes como se não houvesse tecido suficiente para as calças chegarem á cintura.

Este ano ainda a novidade dum pavilhão desmedido de chão movediço e incómodo que teve pelo menos o “mérito” de matar o artesanato local, para além de mascarar mal o seu fim primordial: fazer - e fê-lo muito eficientemente – propaganda política( só desconheço a que preço!)

Resumindo: tudo muda.

Às vezes para melhor, às vezes para pior, porém a fé, a nossa fé

no Senhor Jesus da Piedade , graças a Deus permanece e, esse é o nosso sólido bordão de caminheiros nesta Vida.

 

 

                                         Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.833 – 29 / Set./2005

Conversas Soltas

@@@

Fotos do blog --> http://olhares-meus.blogspot.com/

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:23

PAI NOSSO

Sexta-feira, 21.09.07

Em Mayo de 1737 – assim se conta:
- Neste anno se fez a hirmida de N. Sºr da Piedade onde estava antigamente hua cruz, que por estar velha mandou o Beneficiado Manoel Antunes, q alli tem hua horta fazer hua cruz nova...
E, em Setembro de 2007 assim se contará : ...
Onde era um lugar de paz e de retiro, avizinhado de olivais , como o horto do Senhor, prolifera agora o casario polícromo , que desvirtua o local que foi, de silêncio, de paz, de oração e preces.
Na vida tudo muda e evolui.
Só não é necessário e imperioso que mude para pior.
Rezemos com fé e esperança, a oração que o Senhor nos ensinou para que o bom senso e o respeito pelo ambiente, não soçobrem mais, sob o peso da ganância e que jamais esqueçamos que palácios ou choupanas tudo, tudo, cá fica.
Connosco, ficam apenas, as nossas intenções...

Senhor Jesus da Piedade
Pai nosso que estais no céu
Nossa estrela e nosso guia
Santificado seja o Vosso Nome
Senhor, a teus pés estamos
Venha a nós o Vosso Reino
Que o céu é a nossa esperança
Seja feita a Vossa Vontade
E que a nossa , a Vossa seja
Assim na terra como no céu
Teu amor é nosso porto
O pão nosso de cada dia nos daí hoje
Nossas obras , o que vedes...
Perdoai as nossas ofensas,
Ainda que o não mereçamos
Assim como nós perdoamos
Nosso esforço te oferecemos
A quem nos tem ofendido
Nossos erros e enganos...
Não nos deixeis cair
em tentação
Senhor
, Tua mão pedimos, doce Pai de piedade
Bendito Sejais!
Livrai-nos do mal
Amen.

Maria José Rijo

 

 

 @@@@

Jornal Linhas de Elvas

Conversas Soltas

Nº- 2.935 – 20-Setembro-2007

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 02:31

Memórias – Recordações do São Mateus - Entrevista

Segunda-feira, 17.09.07

Nasceu em Moura mas considera-se elvense, pois vive há mais de cinco décadas. Escreve regularmente no semanário Linhas de Elvas e possui uma grande paixão pela leitura. Maria José Rijo recebeu a “im”, com a simpatia que lhe transparece no rosto e, com uma música de fundo que tranquiliza o espírito de qualquer pessoa, falou das suas memórias do São Mateus.

                                  Olhos lindos...

A colunista começou por contar que foi pelas festas em honra da cidade de Elvas – numa caseta, sita no final do parque da piedade, junto ao “El Cristo”, onde naqueles tempos se dançava - que conheceu o seu marido.

 

“ Ele era alferes e eu estudante. É a história de todas as raparigas e de todos os pés de alferes”.

Naquela altura “ os meus pais tinham uma casa em Beja para minha irmã e eu estudarmos. A minha irmã terminou o 7º ano e foi para o Instituto Industrial em Lisboa e tornava-se oneroso manter essa casa”. A tia-madrinha e irmã da mãe vivia em Elvas e: “disse – manda a garota para cá. Vim feliz e contente porque tinha conhecido o meu alferes no São Mateus”. Estudou no antigo Colégio Luso, onde, o namorado “à socapa” a ia esperar para a acompanhar no caminho até casa, tal como os de todas as outras raparigas que namoravam, e guarda memórias do cortejo das meninas do colégio que caminhavam com o passo mais lento possível para tornar o caminho e a conversa mais longa.”

Com o percurso escolar concluído, Maria José Rijo casou com o seu alferes e recorda as primeiras festas da cidade de Elvas, após o matrimónio, como uma das memórias mais bonitas que tem. Tal como já tinha visto no primeiro São Mateus, onde conheci o meu marido, os bailes das camponesas alegravam o arraial de uma forma extraordinária. Elas por tudo e por nada cantavam, paravam e faziam a roda com as pandeiretas. Os noivos guardavam quase sempre o mês de São Mateus para se casarem e depois iam para o arraial passear os vestidos de noivas. Era interessante, ingénua e tocante, porque era enternecedor ver as raparigas vestidas de noiva de braço dado com eles, por vezes, já casadas de uma semana ou 15 dias”.

Maria José Rijo relembra também os acampamentos no espaço do parque de campismo de hoje, no olival por cima do Senhor Jesus da Piedade, que já nem existe, e nos campos em redor. Ali encontravam-se “os carros que levam tudo, Elvas_-_Relembrando_o_S._Mateus_do_Passadoos carros de canudo” (no dizer de Carmo Mateus). “Eram os carros de onde saíam mantimentos, fatos, preparativos para terem as indumentárias aprumadas na hora da festa. As mulheres tiravam as tábuas de engomar, faziam as brasas para os ferros, sacudiam a cinza e passavam ao ar livre os fatos que depois penduravam para à noite os luzirem no arraial”.

Os hábitos e costumes matinais de quem acampava são também lembranças que Maria José Rijo não esquece. “De manhã elas levantavam-se, penteavam os cabelos ao ar livre quase como gestos de ciganas, lavavam o rosto nas fontes, falavam e riam umas com as outras. Eram actos mais ingénuos, mais espontâneos”.

Questionada sobre o simbolismo das festas, Maria José Rijo apresentou uma metáfora: “primeiro surgiu a festa que originou a romaria, tal como em Fátima, que era apenas uma azinheira. Aqui a raiz de tudo foi aquela cruz do sítio onde caiu o Beneficiado Manoel Antunes. A seguir começou a romaria que segundo alguns historiadores, evitava que as pessoas fossem a Compostela, porque era um costume desde a época medieval. Um preceito que na nossa zona se transferiu para o Santuário de Nosso Senhor Jesus da Piedade”.

a romaria, onde há cinco décadas se ia em carros de cavalos, dos quartéis, que disponibilizavam os charabãs às famílias militares, tinha, para o efeito diversos pontos de partida. Maria José Rijo, que residia na rua João de Casqueiro e fazia o trajecto para a Piedade a pé, partia da poterna -- “a saída íntima, porque as outras eram para quem ia de carro. Partíamos por ali e seguíamos pela muralha que fica paralela ao aqueduto até á quinta de S. Paulo, onde hoje está parte da urbanização da avenida da Piedade. Chegava-se à Piedade através de hortas e pequenos caminhos rurais

No que diz respeito à devoção e ao número de peregrinos na romaria, a colunista disse à “im” que “ cresceu o número de pessoas mas com uma fé menos profunda porque a vida é diferente. Vai muito mais gente, vê-se pelo arraial, e, justamente por isso, a festa tem que começar pela procissão dos pendões, porque a seguir à adoração é que vem a festa.

           Fotos4_2003-09-20 20-26-01.JPG A romaria e a festa completam-se porque a primeira resulta do convívio de todos os que vieram adorar o senhor Jesus da Piedade e a seguir fazem a festa da reunião. É alegria de estarem juntos e de se reencontrarem “ concluiu a entrevistada.

        

@@@@@@@@@@@@@

Revista Ideias Mistas

Entrevista a Sra. D. Maria José Rijo

Sobre – Memórias – Recordações do São Mateus

Em : -- Setembro de 2004

@@@@@@@@@@@@@

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 13:17

Rezas e Benzeduras V - I Remember September

Sexta-feira, 14.09.07

               Em Setembro -    muitos anos - cinquenta e quatro  exactamente, vim a Elvas de visita pela primeira vez.

               Era S. Mateus.

               Festejava-se o Senhor Jesus da Piedade. “Menina e Moça”, que era, como no dizer de Bernardim – cá encontrei meu par que namorei de janela alta à moda desses tempos.

               Primeiro andar – era a fasquia mínima – das regras de então -  só superável  em qualidade por janela de rés-do -chão  com  grades de ferro e rede mosquiteira.

               Eram na Rua João do Casqueiro as sessões de “ gargarejo” sob escuta de vizinhança que se adivinhava pelo tremelicar das rendas das cortinas, nas vidraças indiscretas – encostadas não fechadas – para que, além da imagem lhe chegasse o som...

               Era na mesma faceira, à direita, quando se desce, onde há logo a seguir “ duas janelas de ferro batido com balaústres e laçaria “que são citadas num estudo da renascença em Portugal – conta Raul Proença.

               Havia então, nessa tal casa, onde eu habitava com minha Tia Madrinha, para ajudar nos arranjos domésticos uma alegre rapariga, do Povo de S. Vicente, chamada Alda. Ela compartilhava dos namoros das meninas da casa entre as quais me contava – tudo gente das mesmas idades. A retribuição desses favores era-lhe concedida com a invenção por nós de oportunidades que lhe permitissem fugazes encontros de esquina, com o seu próprio namorado.

               Era ela que generosamente entretinha minha Tia Madrinha com perguntas e confusões de ardilosas ignorâncias culinárias ou outras, sempre lá para os fundos... para que pudéssemos largar os livros e correr às janelas quando o som das patas dos cavalos faiscando na calçada anunciava a presença dos “senhores alferes”, a passar, caracolando lentamente nas suas garbosas montadas.

                             (Desenhos de Manuel Jesus - Pintor de Elvas)    

                                                           -----

Foi ela quem nos ensinou a oração a Santa Helena, que rezávamos para adivinhar o futuro dos nossos ingénuos romances e que, nos fazia andar dias inteiros, ensonadas, suspirosas e olheirentas, segredando pelos cantos a tentar como pitonisas interpretar sonhos de que retínhamos apenas farrapos esparsos.

               Sonhos que nos devastavam o descanso e o aproveitamento nas aulas.

               Deitávamo-nos nervosas, assustadas, de cabelos soltos e braços cruzados sobre o peito repetindo com um gostinho de medo, de gozo e de pecado a misteriosa oração com seu cheirinho a bruxaria que nos deslumbrava mas causava arrepios.

                    

ORAÇÃO A SANTA HELENA:

 

               Srª. Santa Helena filha do Rei Irene

               Vós que pelo mundo andaste com a Virgem vos encontrastes

               Com Ela vos aconselhastes

               A cruz do Santo Lenho achastes

               Os três cravos  que ela tinha  todos três vós lhe tirastes

               O primeiro deitaste-lo ao mar

               O segundo  deste-lo ao Santo Lenho

               O terceiro com ele ficastes

               Por esse cravo que vós tendes Senhora eu vos peço

               Que me declareis em sonhos bem declarados:

               (faz-se o pedido)

               Se assim for que eu veja :

                                         casas caiadas, roupas lavadas, águas claras

                                         campos verdes e mesas alçadas

               Se assim não for que eu veja:

                                         paredes escuras, roupas sujas, águas turvas

                                         campos secos  e espadas nuas

                                         Padre-nosso, Ave-maria

                                 (repete-se a oração três vezes)

                                                -----------------

               Depois, pela manhã, enquanto nos serviam o café, confabulavamos confrontando as interpretações cabalísticas dos enigmas que relatávamos – sonhados ou, ainda mais inventados pelos nossos pavores, remorsos e temeridade.

               (Querido e Santo Padre Marcial, como se terá divertido na sua tolerante bondade com as confissões escutadas nas primeiras Sextas feiras do mês no antigo Colégio Luso...)

               Setembro em Elvas, para mim, é o mês de todas as magias...

               Era o mês das noivas com os seus fatos brancos, seus véus, de braço dado com seus maridos a passear solenes nas noites de arraial...

               São as manhãs luminosas e frescas transparentes e aniladas. As tardes serenas e doces de brando anoitecer...

               São os dias ainda quentes em contraste com as sombras já frescas que os prédios projectam nas ruas estreitas do casario fechado entre muralhas...

               São as árvores ainda verdes que já não podem, no entanto, esconder a folhagem que empalidece...

               É o tempo em mudança.

               O fim da estação a marcar presença com as folhas caídas que bailam enfim soltas, a sua dança de liberdade e morte.

               É o toque da angústia de tudo o que finda.

               O vazio nostálgico onde a esperança há-de medrar e reviver.

               É o tempo a orquestrar na sua divina sabedoria o envelhecer do Verão.

               Não mais luz violenta, agressiva, que tudo devassa – não mais o calor que derrete, abrasa e estorrica.

               É o insinuar da transformação que anuncia o repouso da Natureza – como a meia-idade traz ás pessoas a ponderação e a calma no Outono da vida.

               É a descoberta do saborear de cada momento, do instante fugaz, do recato, do segredo, do sorriso, da recordação, do mistério da vida que se pressente mas nos escapa ao entendimento.

              É o mês em que casei há cinquenta anos e celebro agora só.

              Só, como se nasce.

              Só, como se morre, mas, com o coração pleno do que se viveu se relembra com dor e alegria, como uma música suave, que vem de longe, nos delícia, nos comove e faz chorar.

              Como uma canção de embalar que se escuta até que a paz do sono nos invada.

                               “I Remember September “

              É o título de uma velha e linda balada de amor desses tempos idos que um cantor famoso celebrizou. 

                             “I Remember September...”

           

 

                                                                Maria José Rijo

@@@

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.419 – 19- Set.- 1997

####

Livro publicado:

Rezas e Benzeduras

##

Este livro pode ser adquirido no Jornal Linhas de Elvas

                                       

 

@@@@@@@@@@

Para todos os visitantes/Leitores - em especial para a DINA e para a DOLORES - Hoje com as saudações da        Paula

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:02

Do programa do São Mateus de 1990

Domingo, 09.09.07

Com desejos de Boas Festas a todos os Elvenses ofereço aos leitores do “Linhas de Elvas” o programa das festas do ano de 1990

Romeiro que de longe à fama do arraial vieste,

Retornado que no Ultramar tudo perdeste,

Forasteiro que de fora por aqui passaste,

Emigrante que do estrangeiro à Terra Mãe voltaste,

Peregrino ou Asceta que lugares santos demandas,

Feirante que a ganhar teu pão, de feira em feira andas,

Penitente que a dor do remorso até aqui guiou,

Visitante que mais outra vez aqui voltou,

Pagador de promessas que para cumprir estás presente,

Bem-vindo! Bem-vindos todos ! Bem-vinda toda a gente !

Para serdes bem-vindos não há hora marcada,

Que a hora certa – é a hora chegada !

Bem-vindo cada qual – como um irmão,

Bem-vindos todos quantos em espírito aqui estão !

Bem-vindo quem, a seu jeito, veio a um novo S. Mateus !

Bem-vindo quem vem contente! Que a alegria agrada a Deus,

Bem-vindo também tu! Que vens mortificado,

Bem-vindo! descansa ! serena aqui o teu coração

Para afogar as mágoas – tens a oração

Para renovar a esperança – olha bem a cruz,

Confia ! põe os olhos em Jesus

Verás dois braços abertos – Verás que é teu o espaço

Onde o Pai, o filho, estreita num abraço,

Traga as chagas que trouxer – chegue lá de onde chegar !...

E – deixa o pranto correr – se te apetecer chorar,

Chora, Irmão ! Chora à vontade !

Estás – na “Catedral da Fé” – onde ajoelha a cidade,

Estás a rezar aos pés do Senhor da Piedade !

 

                                                  Maria José Rijo

@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.470 – 18 / Set. / 1998

CONVERSAS SOLTAS

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 20:09

São Mateus

Sexta-feira, 07.09.07

Todos os meses do ano, são meses das nossas Vidas. Porém, para qualquer de nós, de entre todos, algum, ou alguns, ganham especial significado.

São os meses dos nossos aniversários, ou das pessoas que nos são queridas.

Dias de meses vividos em festas de alegria celebrados entre amigos, familiares, companheiros de trabalho. Outras vezes, já só evocados em saudade, no recato da nossa intimidade desfiando orações, partilhando só com Deus, quase em segredo, mistérios de afectos que resistem a ausências de morte.

São aqueles que falam das datas que marcaram de qualquer forma as nossas existências, ou referem acontecimentos que se tornaram simbólicos nas terras onde nascemos, ou habitamos.

Isto, não referindo, esses outros, que no mundo inteiro se concelebram, como Natais, Páscoas, e, até alguns de Santos Padroeiros, ou, aquelas datas que evocam catástrofes que indelevelmente marcaram a história de povos e, a cuja memória de sofrimento a humanidade rende preito de geração em geração.

 O mês de Setembro em Elvas, é, por excelência o mês do coração.

O mês do amor, o mês da saudade, o mês das lembranças, o mês do reacender das tradições...

O mês das histórias da nossa história. Da história da cidade e da sua gente. Das gentes que antes de nós foram, da gente que somos...das gentes que depois de nós hão-de vir...

Nele se celebram as festas em honra do Senhor Jesus da Piedade.

Pai do céu, invocado, por todos nós, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, ligando-nos a ELE em todos os actos importantes das nossas Vidas, e, também, nas pequenas agruras de um quotidiano, nem sempre fácil, mas sempre até ao fim dos nossos dias.

Em Setembro, pelo São Mateus, em seculares tradições que nalguns casos ainda persistem, se marcavam casamentos, baptizados, se contratava pessoal para a lavoura, se apalavravam ou desfaziam contratos de arrendamento de herdades, se comprava gado, se geria o futuro imaginado para cada ano.

Falava-se de moios de trigo, de “decas” de azeite, de jornas e comedorias de maiorais e feitores.

Eram ecos de vozes da terra; que da terra vinha trabalho, pão e sustento.

Tinha-se prestado atenção cuidada ás “canículas e aos caniculares” que Agosto, como um oráculo fiel, sempre fornecia, para se marcarem sementeiras, depois das águas novas que em Setembro surgiam, como favas contadas.

Começava-se a prestar atenção ao aparecimento da “folhinha” – como era familiarmente denominado o “Borda-d’água”, onde, em cada ano, se colheriam o resto das informações imprescindíveis para bem projectar todas as tarefas dos trabalhos de campo. E, no entretanto aproveitava-se o arraial de São Mateus para confraternizar com romeiros, parentes e amigos, exibir as galas das vestimentas estreadas, que, para cada uma, das três missas, havia farpela nova, como mandava o figurino.

Á sombra das árvores se faziam os acampamentos. Ficava o cão preso sob o carro de canudo de onde saía desde a tábua de engomar, até ao ferro de brasas e a tudo o mais para organizar a improvisada cozinha de onde emanavam os bons cheiros das boas petisqueiras tradicionais.

 

Descansavam as muares mastigando palha nas gorpelhas...

Foi assim! - Era assim...

Mudam os tempos. Mudam as modas. Mudam os hábitos.

Tudo muda. Até o buraco do ozono desmente a verdade- que era indesmentível - das canículas e caniculares.

Porém, em cada Setembro, vindos lá de onde vierem, em dia de Pendões, junto á voz de todos os presentes, há-de ressoar em cada coração como um eco de saudade, a voz dos que já não têm mais do que as nossas vozes cantando:

 

                                  “Senhor Jesus da Piedade

                                 Luz da luz, Deus verdadeiro 

                                 Olha aos pés da Tua Cruz

                                 Agrupado um povo inteiro.”

 

Porque, através  dos tempos, em qualquer tempo, é assim a nossa Gente.

Boas Festas a todos.

                                          Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.884 – 21/9/06

Conversas Soltas

@@

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 19:58





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Maio 2020

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31


comentários recentes

  • Anónimo

    Cá estou eu ... meia hora depois da meia-noite...B...

  • Anónimo

    PARABÉNS PARABÉNS PARABÉNS Muitos beijinhos n...

  • Anónimo

    Minha querida TiaMuitos Parabéns pelos 94 anos - q...

  • Anónimo

    Boa AmigaSou o filho de Augusta Silva Torres que a...

  • Anónimo

    Eu sabia... sabia que era este mês que a tia fazia...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

BLOGS DA CASA

EFEMERIDES

Aniversarios Blog

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2020

2019

2018

2017

2016

2014

2015

2013

2012

2011

2010

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Blogs- quem nos cita



arquivos



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.