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Quero ver a Deus

Quarta-feira, 11.03.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.837 – 27 – Outubro - 2005

Conversas Soltas

 

“Quero ver a Deus”

 

Nos dias 14 e 15 deste mês de Outubro realizou-se na Paróquia de Sta. Luzia a festa de Santa Teresa de Jesus.

Constou de várias cerimónias religiosas e a Eucaristia do dia 15 – dia de Santa Teresa - teve a presença do senhor Bispo D. Amândio Tomás.

Encerraram estas comemorações com um jantar convívio e um Concerto Orante, no museu de fotografia.

Trazer à colação a lembrança de uma festa, que já aconteceu há mais de uma semana e parece semelhante a outras festas de caris religioso pode, até parecer trabalho escusado. Afinal, a festa já aconteceu! – Já passou!

Mas não é assim, porque nunca é demais lembrar aqueles que pela sua grandeza de alma e, pelo seu exemplo, ficam na história da humanidade como marcos de luz e santidade.

Santa Teresa de Jesus nasceu em Ávila – Espanha, a 28 de Março de 1515 e faleceu no Carmelo de Alba de Tormes em 4 de Outubro de 1582.

Tinha 67 anos.

Santa Teresa de Jesus dirigiu todos os passos da sua caminhada nesta vida sob o desígnio do mais alto ideal do ser humano que ela soube sintetizar numa pequena frase –“ Quero ver a Deus”

Ver a Deus, parece uma frase simples, quase uma interjeição, um desabafo, um suspiro, e, no entanto com ela se anuncia o desejo de santidade, o anseio do regresso ao Pai que vive, às vezes oculto, mas latente, na alma de cada um de nós.Com ela se anuncia o desejo de nos despojarmos do que é acessório, do que é supérfluo, “da bagagem inútil” que tantas e tantas vezes carregamos sem nos dar conta.

“ Omnia mecum porto” respondeu o filósofo Bias que viajava sem bagagem....

        Assim por certo o terá pensado e sentido Santa Teresa quando em 1560, então com 45 anos auxiliada por S. João da Cruz, promove a reforma do Carmelo, onde vivia desde os 20 anos e professara aos 22, e, onde, em seu entender a vida corria demasiado fácil. Funda então as Carmelitas descalças e, ao morrer tinha fundado 17 mosteiros femininos e 15 masculinos.

Santa Teresa é uma das figuras cimeiras tanto da reforma católica como da literatura espanhola. Autodidacta, a sua produção literária reveste-se de valor excepcional, não só pela linguagem castiça e tom coloquial mas também pela densidade ideológica. No campo da teologia espiritual é considerada mestra da oração

Vida – Caminho de Perfeição – As moradas – Fundações – etc... etc... são títulos de obras que nos deixou.

 

Em 27 de Setembro de 1970, na Basílica Vaticana –  Santa Teresa,

Foi declarada pelo papa PauloVI “Doutora da Igreja Universal” confirmando a sua doutrina como pertencente ao tesouro espiritual da Igreja, e não apenas da Ordem Carmelita.

 

Os seus pensamentos, são verdadeiras rotas do caminho que seguiu e, cujo exemplo nos propõe.

 

“Deus não atende tanto `grandeza das obras como ao amor com que se fazem”

 

“ que os vossos pensamentos sejam sempre de muita coragem, pois disso depende que sejam as obras”

 

“A humildade é andar na verdade”

                               

Acção de Graças

Nada te perturbe. Nada te espante

Quem a Deus tem. Nada lhe falta

Nada te perturbe. Nada te espante

Nada te espante. Só Deus basta

 

Assim que sentindo-se

“Nas mãos de Deus”

nos deixa como guia

Dois versos que pedem guarida no

 coração de todos nós

 

Vossa sou, para vós nasci,

Que mandais fazer de mim?

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:58

A pedido de D. Augusta Silva Torres

Terça-feira, 28.10.08

 

Nossa Senhora da Conceição

pintada por

Maria José Rijo

e está patente ao publico

na Exposição PERCURSO

no

Museu de Fotografia de Elvas

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publicado por Maria José Rijo às 21:26

“Não me move, Senhor, para querer-Te”

Sábado, 22.03.08

            Por vezes, de um ou de outro ponto do País, onde o “Linhas de Elvas” chega, recebo notícias, recortes de jornais, documentos, que alguns leitores cuidam ser de utilidade para mim – o que muito me sensibiliza e agradeço.

            Desta vez, Viana do Castelo, recebi “farto” presente, quer na quantidade das sugestões que me são propostas, quer na qualidade.

            Pego, para já, numa delas que, confio, há-de encontrar alguns outros apreciadores.

                         O Êxtase de Santa Teresa (grafito anónimo, Lx, 1994)

Trata-se de um soneto que em 1746 foi publicada com privilégio real em Lisboa sendo pelo Padre Fr. Joan Franco que o editou, atribuído, como pode ver-se a S. Francisco Xavier.

                                                

Não me move, meu Deus, para querer-te
O céu que me hás um dia prometido:
E nem me move o inferno tão temido
Para deixar por isso de ofender-te.

Tu me moves, Senhor, move-me o ver-te
Cravado nessa cruz e escarnecido.
Move-me no teu corpo tão ferido
Ver o suor de agonia que ele verte.

Moves-me ao teu amor de tal maneira,
Que a não haver o céu, ainda te amara
E a não haver o inferno te temera.

Nada me tens que dar porque te queira;
Que se o que ouso esperar não esperara,
O mesmo que te quero te quisera.

                                                         

            Sobre a qualidade do poema, não me manifesto.

            Quanto eu ousasse dizer, seria apenas sombra embotando a luz que dele irradia.

                           

            Porém, o curioso da situação é que o mesmo soneto é citado em mais dois artigos que também me foram enviados – como sendo da autoria de Santa Teresa de Ávila.

            O autor de um dos textos – Joaquim Montezuna de Carvalho -  entre considerações várias cheias de interesse, conta, que a autoria do célebre poema também foi (ou é ? ) imputada a Santo Inácio de Laiola, ao frade Pedro de los Reyes, ao Beato Juan de Ávila, a Lope de Vega ...

Por sua vez, Fina d’Armada (professora e escritora) sob o título: - “A cidade da Santa Doutora “ fala com entusiasmo e admiração de Santa Teresa afirmando que Ávila célebre pelas suas muralhas (as mais bem conservadas do mundo) e por toda a sua beleza – é mais célebre ainda pela sua Santa, cujo culto, aliás, é universal.

            Refere, a certo passo, como curiosidade que até na gastronomia a Santa é venerada designando-se por gemas de Santa Teresa, uns doces deliciosos da região. Conta ainda o pormenor da maneira como é permitida a visita a algumas dependências do Convento onde a Santa viveu.

            Nos compartimentos sem janelas – a luz vindo apenas do alto – os visitantes são fechados lá dentro sozinhos.

            Para sair tocam a sineta puxando uma grossa corda.

            Recria-se desta forma a sensação de clausura de quem por ali habitou, pensando, rezando e meditando.

Teresa de Jesús

 A emoção assim provocada, deduz-se, está também contabilizada no interesse turístico que gera.

 Estas e outras curiosidades, ao fim e ao cabo, enredam-se em torno dum poema de perfeição, beleza e espiritualidade que não permite dúvidas – mas – cujo autor não está, ao fim de séculos, perfeitamente identificado. 

De qualquer forma esta prova de amor por amor – este amor de graça votado a Deus – não deixa margem de dúvidas a ninguém que, só pode ser, linguagem de santos.

 

                Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.373 – 25 de Out. 1996

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:49





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