Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Saudades

Quinta-feira, 01.12.16

1123.JPG   

1999-2016 = 17 Anos de Saudades

1123-3.JPG

 O ESPELHO DA SALA DE JANTAR

Sento-me distraidamente à mesa da sala de jantar.

Estou tão embrenhada nas minhas preocupações que o faço como qualquer despojo que à deriva fosse retido ali antes de seguir na corrente do imparável rio da vida.

Alguém me dissera: - sente-se à mesa que lhe levo já o pequeno-almoço, e, eu obedeci com a indiferença com que teria feito outra coisa qualquer que me fosse sugerida  Foi então que dei com os olhos no espelho.

É verdade, o espelho!

Lá está reflectida a mesa por inteiro. A mesa vazia posta no entanto como sempre para seis pessoas.

Lugares certos: - os da avó, da mãe, dos quatro filhos quer venham, quer não que os seus lugares permanecem preparados, esperando-os, como acontece no coração da mãe.

Toalha branca, sempre toalha branca. Ao centro no sentido do comprimento - a mesa é oval e o tampo estende-se por dois metros -  alinham-se a bandeja dos molhos as velas ,a taça  da fruta, o cesto do pão, o vinho - sempre tinto - e com a garrafa sem rolha, e numa das extremidades a pequena salva com os remédios da avó.

Com flores naturais ou secas, há sempre um pequeno toque de sensibilidade que marca o centro deste lugar de comunhão de afectos ocupado agora apenas por mim.

Fixo os meus olhos no espelho como se fossem de outrem e cedo à invasão das recordações que me atam a estes lugares.

A casa está velha, quase decrépita, - quase? - Talvez mais para sim do que para não. , talvez...Os móveis são todos antigos. Alguns a precisar de bons arranjos, mas belos, sólidos. Estão na casa há quatro gerações. Já ninguém dá por eles. Fazem parte das paredes a que sempre estiveram encostados .E o espelho, também.

Aquela moldura preciosa que o enquadra sempre recebeu a minha atenção. Parece renda. Toda ela é de rosas saídas do pau-preto e florindo suspensas a caminho dos nossos olhos. Coisa linda! Parece retirada do lavrado do Mosteiro da Batalha.

Agora no espelho imenso, apenas eu, me vejo perdida no silêncio da mesa vazia.

Os filhos foram tomando seus rumos.

Noutras terras, noutro continente em busca de sonhos ou miragens o pai sempre ausente. A avó então veio sentar-se ali, não, em seu lugar mas, no seu lugar, preenchendo assim a sua própria solidão e a cadeira vaga .

Agora porém, que não é a algazarra das festas de anos, das reuniões de Natal, das surpresas das visitas dos filhos, do som de esperança dos passitos dos netos, dos amigos com quem sempre se reparte o bolo podre ou a bola de carne que o gosto pela tradição obriga a que se faça mesmo quando o dinheiro escasseia agora , que é a doença que tudo comanda - só agora ,pela ausência dum simples sorriso, daquele jeito generoso de entender mazelas e pequenas misérias, desta condição sem medida de ser gente - só agora é que dou conta de como o belo espelho é frio e de como despida daquela presença, se impõe a decadência dum ambiente onde no entanto uma certa

nobreza se preserva e só a gentileza e a bondade de uma  pessoa revestia de encanto - do seu natural encanto.

Uma rajada de vento abre o portado da janela por de traz de mim. Por instinto levanto-me para a fechar. Mas não o faço imediatamente. Fico a olhar as copas das árvores que escondidas do avanço do cimento na fundura dos quintais dos antigos prédios aqui da Lapa e da Estrela ainda sobrevivem para falar duma Lisboa que os novos tempos, sem piedade, nem consciência, vão destruindo com a meticulosidade perversa de quem pensa que há futuro sem passado. e há presente sem memória.

Recordo-me, a mim própria , garota ainda, pela mão de meu avô , temerosa e emocionada a passar ,à noite, sob os plátanos que rasmalhando sem sossego ao compasso da mais leve brisa misturavam os seus sons de mistério com o eco do lúgubre choro dos alcatruzes atados nas velas dos moinhos que do alto dos cerros descia até nós lá por esse Algarve que o dinheiro e a ganância já sepultaram.

Sons da memória. Sons que são a trama da nossa estrutura de ser. Sons de fundo, sobre os quais a vida havia de ir apontando outros como quem reescreve sobre uma pauta já preenchida onde as melodias se sobrepõem e confundem.

Mais uma vez me evado pelos caminhos da memória que percorro em busca de conforto.

O vento amainou e a aragem fresca que me lambe o rosto seca-me os olhos já cansados das mágoas a que vou resistindo mal.

Inesperadamente chega-me enchendo o ar um vibrante toque de sinos.

É a primeira vez que os escuto aqui. Sem bem perceber porquê alegrei-me.

Corro ao telefone só para anunciar na tua varandinha ouvem-se os sinos da Basílica!

Depende do vento - é a resposta tranquila que escuto Também costumo escutá-los.

Os sinos são sempre um sinal...

Tudo depende dos ventos!

Dos ventos da sorte; fico a pensar.

Talvez Deus me estivesse a querer dizer: então, então!

Sou Pai - esqueceste ?

Infelizmente às vezes a nossa fé é bem menor que o nosso medo!

Sou obrigada a reconhecer.

 

Maria José Travelho Rijo

.

Nº 2.459 – 26- Junho-1998

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:00

92 - Natal

Sábado, 12.12.09

*

Escrevo-te para mim
Para falar contigo
daquele retrato de 43/44?
tirado no jardim
e, também para te contar
que, uma, a uma
desatados os laços que as juntavam
em maços
queimei as cartas que trocámos
dia a dia
naqueles quatro anos em que namorámos
só salvei o "tal" retrato
tirado pelo "chaperon" que nos guardava à vista
como era de "bom tom"
Não!
Não as reli!
queimei-as simplesmente
mas, no papel que a arder se contorcia
a cada instante, iluminada, aparecia
a palavra – Amor!
que num relance, eu lia
e, como se me queimasse – doía – doía...
Mas, a dor é fogo posto
que o pranto não apaga
e, qualquer lembrança aviva...
Não!
Não sorrias a dizer que escrever-te não faz sentido!
Tu sabes que estás comigo
como sabes, sem dúvidas
que me levaste contigo
*
Maria José Rijo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 21:50

Saudades

Quarta-feira, 07.01.09

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.746 – 30 – Janeiro de 2004

# - 7 de Janeiro de 2004 #

 

 

Maria Barbara Trinité Rosa e Maria José Rijo, participam a todas as pessoas interessadas, que no dia 7 de Fevereiro, pelas 11 horas, será celebrada na Igreja do Salvador, missa do trigésimo dia pelo eterno descanso de sua santa mãe – a avó Ana.

Desejam também, em seus nomes pessoais, de netos, bisnetos, trinetos, sua desvelada empregada e amiga Bia, da querida Paulinha e de todos os demais “netos do coração” que com seus cuidados ajudaram a amparar as fragilidades dos seus quase cento e quatro anos – agradecer as orações, a companhia, as flores e todo o apoio que por qualquer forma lhes tenha sido expresso por tão irreparável perda.

Para todos em geral uma palavra de gratidão extensiva à Fundação Gonçalves, sempre disponível com o seu pessoal eficiente, representado neste caso com a presença diária da Lina e da Paula; bem como às enfermeiras Céu Garcia e Goretti, impecavelmente prontas e carinhosas na sua ajuda.

Desejam ainda, muito veementemente, tornar público o especial reconhecimento que lhe merece o Doutor Luís Monteiro, que ao longo de quatro anos, em que começando por ser médico assistente, sabedor e eficiente se transformou no amigo atento e protector, que, nas horas finais, agiu como o missionário iluminado e piedoso – o Homem – cujo espírito de missão e generosidade, transcende a própria condição humana.

Um aceno de coração, também para a minha companheira do “velho” Colégio Luso – a Querida Céu Barradas – cuja mão amiga, mais uma vez, segurou a minha nos maus bocados do meu longo caminho.

Permita-se-me ainda uma especial referência ao Senhor Presidente da Câmara, a quem politicamente já tenho criticado, mas que teve a grandeza de alma de não confundir as águas, o que só posso registar com grato e comovido respeito.

A todos, e para todos, sem excepção, o profundo reconhecimento de todos nós.

 

Maria José Rijo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 00:04

'Sinto a saudade mais perto'

Sexta-feira, 04.07.08

CONVERSAS SOLTAS

 3 de Julho de 2008

Nº 2.976

Jornal Linhas de Elvas

Fernando Pessoa,

 

'também' escreveu sobre os sinos. Aliás na nossa literatura, muitos poetas e prosadores dissertaram sobre esse tema.
Alguns, limitaram-se a fazer-lhe referências, quando retratavam costumes das nossas gentes e, sempre que de temas campestres se falava, lá vinha a referência ao toque das Avé-Marias por ser das tradições mais arreigadas na alma do nosso povo.
Assim ao correr da conversa, ocorre-me por ser alentejano, o Conde de Monsaraz, no célebre poema ;- Tragédia Rústica .


'Quando o sino batia
As doze badaladas do meio-dia,
O trabalho parava.
E todo o bom católico rezava,
De cabeça inclinada e olhos no chão,
Um Padre-Nosso e uma
Avé – Maria,
Com o chapéu na mão. ‘
[Este escritor viveu entre 1852 e 1913]


O sino, é uma referência sempre presente na nossa cultura de católicos.

O sino, quase pode dizer-se, que, se não comandava, pelo menos pontuava a vida de aldeias, cidades e lugares.

sino1.gif
Até nas lendas com que se entretinham as crianças, quando a cultura era mais oralizada lá vinham as referências aos sinos:
'Tocam os sinos da torre!
Ai, meu Deus - quem morreria!?
- responde o filho de colo que inda falar nem sabia:
- morreu Dona Silvana pelo mal que fazia
- descasar os bem casados, coisa que Deus não queria'


Os sinos tocavam a rebate nas desgraças.
Os sinos repicavam nas festas.
Os sinos 'dobravam ' nos funerais...
Os sinos, sempre foram e são os anunciantes dos actos religioso que regem as nossas vidas de católicos.
'Foi a enterrar, como um cão, nem o sino tocou', dizia-se também nas histórias para execrar o comportamento dos bandidos e proscritos.
E, estas referências, passam de geração em geração, agarram-se

à nossa alma, fazem parte dela e entram nos nossos costumes

mais queridos.
- Vê se ouves o sino para irmos ver a noiva a sair da Igreja...
- Vê se ouves o sino para não faltarmos à Missa ou à novena...
- Vê se ouves o sino para não faltarmos ao funeral...
Mas o sino do cemitério de Elvas, não tem espalhado pelos ares a notícia da dor que até aqui sempre anunciava...
- Vêm perguntar-me porquê? - que não entendem - queixam-se...
- Não sei. É o que posso responder.
Mas, posso relembrar a todos, como Fernando Pessoa falou dos sinos. Para que se entenda que o assunto não é de brincadeira...

 

 

 

 

Ó sino da minha aldeia
Dolente na tarde calma
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida

Por mais que tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho
Soas-me na alma distante

A cada pancada tua
Vibrante no céu aberto
Sinto mais longe o passado
Sinto a saudade mais perto

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 12:17

Partilhamos todos...

Domingo, 20.04.08

Eu sei, sei perfeitamente, que não sou, nem de perto, nem de longe, a pessoa mais indicada para vir a público falar de Joaquim Tomaz Miguel Pereira.

Mas também sei que tendo tomado conhecimento da sua morte, não me sentiria bem se calasse a sensação de perda que me tocou e, também a consciência de que todos os elvenses, mesmo aqueles a quem o seu desaparecimento aparentemente nada diga, só porque sendo, como ele era - natural desta nossa terra – merecem tomar conhecimento de que, a nossa cidade, perdeu um filho ilustre, um homem de carácter, inteligente e bom, culto e muito devotado a tudo que envolvesse o progresso de : “esta Elvas, esta Elvas” – seu berço..

Nunca tive intimidade, nem com Miguel Tomaz Pereira, nem com sua Mulher.

Porém, como intimidade, não significa – amizade - tenho em  verdade o gosto de afirmar que fomos amigos, e confesso-me sua admiradora intelectual, embora não tenha um conhecimento profundo da sua obra.

Possuo, por oferta do próprio, alguns dos seus trabalhos literários, mas neste momento, mais do que tudo queria lembrar os artigos sobre a história da vida da nossa cidade que publicou em vários jornais locais, as causas que defendeu olhando sempre o seu desenvolvimento cultural assente no respeito pela nossa história e tradições e a sabedoria que deles imanava. Tenho como convicção, que, como eu, muitos interessados os terão coleccionado como fonte de conhecimento e consulta.

Quando ainda jovem, Joaquim Tomaz Miguel Pereira, escreveu também poesia que em 78 editou num livro intitulado:

“ Sonhar a Madrugada” – dele respigo – “Saudade” – poema dedicado ao Senhor Jesus da Piedade

 

       Som longínquo e presente de saudade

       Longínquo som de dor e de amargura

       Murmúrio manso de passado ausente,

       Algo feito de sangue e de tortura,

       Algo que se não vê, mas que se sente...

       Que se sente pairando – aonde, aonde?

       O sonho é sonho – e sonho alevantado,

       Na paisagem esbatida do destino,

       A imensa saudade do passado:

       S. Mateus dos meus tempos de menino!                                           

                                                   Elvas, Setembro 1963

 

Escrevo estas considerações, um pouco em cima do joelho –( da mala já fechada, neste caso) - porque me estão esperando para viajar, até onde também me leva a saudade dos meus tempos de menina...mas não fui capaz de me ausentar sem  “ partilhar com todos”  um pouco deste “Sonhar a Madrugada” de quem,  nesta hora, já plenamente a vive e foi entre nós, como pessoa – um cidadão  exemplar.

Expresso o meu pesar à família enlutada e à cidade, que, por ter perdido quem a serviu com saber, honra e brio, também ficou mais pobre.

 

 Maria José Rijo

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.847 – 5-Janeiro. -2006

Conversas Soltas

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 21:29

Vista do ALENTEJO

Quarta-feira, 02.04.08
 

PARA O

 LUCIANO

MATAR SAUDADES

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 21:12

Reminiscência – Caligrafia e ortografia

Sexta-feira, 28.03.08

As garotas não têm uma caligrafia capaz.

Foi (mais ou menos há 70 anos) a sentença de minha Avó, ao passar em revista a arrumação e o asseio dos nossos cadernos escolares. Daí à decisão de termos que fazer uma cópia por dia em cadernos de “duas linhas”, para apurar a letra, não houve distância no tempo.

Apurar era um verbo muito usado nesses tempos.

Veste-te com apuro. Arranja-te com apuro.

Lava-te e penteia-se com apuro.

Lava os dentes com apuro. (usa pasta! – era marca Couraça. picava na língua e era cor de rosa vivo)

Lava muito bem as mãos e, vê lá o apuro dessas unhas! – Olha que, mãos limpas, distinção certa.

Não te sentes de pernas cruzadas. Nada de atitudes desmazeladas...

Como porém tudo o que se relacionava connosco tinha sempre algumas segundas ou terceiras intenções na manga; a oportunidade de apurar a letra, serviu, já que era trabalho de casa, para nos espicaçar a curiosidade escolhendo para a circunstância um romance (próprio para “essas” idades) e assim ir provocando o vício da leitura.

Foi então que ao copiar a palavra “pároco” escrita com “ch” indaguei: - o que é um parocho?

Foi-me dito – entre gargalhadas - que era a forma antiga da palavra que eu muito bem conhecia com outra grafia – pároco.

Comecei então a reparar que enquanto meu Pai actualizava a sua escrita, minha mãe, e tias continuavam a escrever aí, com h, ahi, farmácia, com ph, fotografia, também com ph, e um sem número de termos que – modernamente – como elas acusavam, não se escreviam como haviam aprendido e se recusavam a alterar porque assim mantinham o orgulho de escrever sem erros.

Vão anos e anos que não saberia quase, contar, sobre estas decisões familiares de como enfrentar mudanças tão profundas no que tinham por verdades adquiridas.

Pois, naquilo que nos parecia (a nós, agora) quase intocável também um novo acordo ortográfico reacende uma certa relutância às alterações impostas como novas regras.

E, não é que o tempo me põe a mim e aos da minha geração na obrigação de decidir como fazer.

A caligrafia, aprendida a preceito, com apuro, não resistiu, – não resiste em ninguém - à interferência, da personalidade, da velocidade com que se pensa e escreve, ao calor , ao entusiasmo, ao amor ou à raiva com nos damos à vida , como vibramos com cada circunstância que se nos depara , e muito naturalmente à frequência com que se escreve – de tudo isso se define o jeito peculiar de cada qual escrever.

Mas, a ortografia, não. Escrever à pressa pode provocar má caligrafia, gatafunhos pouco legíveis, mas escrever com erros é sinal de ignorância.

A minha geração já tinha sido ameaçada de ser considerada analfabeta se não aprendesse a utilizar computadores...

Também teremos agora que nos sujeitar a que sejam os computadores a assinalar a vermelho, cada palavra, como faziam a lápis as exigentes professoras doutros tempos,

Apraza a Deus que a perfeição da técnica não seja tal, que lá de dentro, não espiche um ponteiro ou uma régua para castigar os refractários a tanta modernidade, ou, nos cole à cadeira até escrever dez vezes cada palavra errada.

O correio, agora traz facturas, saldos de Bancos e coisas afins.

Dantes, mão a mão o carteiro entregava porta a porta as cartas que se identificavam antes de abertas pelas letras que conhecíamos de cor, de pais, filhos, família e amigos.

A letra de minha Mãe era certinha, inclinada para a direita, muito elegante. Antes de fechar os cabazes de fruta que nos enviava cobria tudo com flores do quintal. Rosas, de Santa Terezinha, sempre que as havia e rematando pequenos bilhetes.

Era profunda, mas discreta nas manifestações de afecto

Tenho um, no meu missal, que diz apenas: hoje recebi notícias tuas e de tua irmã. Foi um dia feliz. Beijos Mãe.

É verdade, já me esquecia de dizer que aprendi a escrever saudade, acentuando o – u - com trema, que, como se sabe, também caiu em desuso.                          

 

                               Maria José Rijo

 

@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.962 – 27 Março de 2008

Conversas Soltas

 REMINISCÊNCIAS - 31

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 22:54





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Maio 2020

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31


comentários recentes

  • Anónimo

    Cá estou eu ... meia hora depois da meia-noite...B...

  • Anónimo

    PARABÉNS PARABÉNS PARABÉNS Muitos beijinhos n...

  • Anónimo

    Minha querida TiaMuitos Parabéns pelos 94 anos - q...

  • Anónimo

    Boa AmigaSou o filho de Augusta Silva Torres que a...

  • Anónimo

    Eu sabia... sabia que era este mês que a tia fazia...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

BLOGS DA CASA

EFEMERIDES

Aniversarios Blog

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2020

2019

2018

2017

2016

2014

2015

2013

2012

2011

2010

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Blogs- quem nos cita



arquivos



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.