Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


A SIC sabe...

Domingo, 14.09.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.734 – 7 de Novembro de 2003

Conversas Soltas

 

Chega a ser irritante a presunção implícita na pequena frase: - a SIC, sabe...

A SIC soube em primeira-mão...

Não é que esteja mal que saiba! – Nem é pecado que tenha sabido em primeira-mão!

Nem é que se possa sequer discutir o direito de informar antes que outros o façam.

Não é nada disso!

O que choca, o que fere as consciências, é a guerra subjacente à maneira como as coisas são ditas e como são feitas, é aquele: - em primeira-mão – repetido até ao cansaço que encerra toda a agressividade com que presentemente se faz jornalismo informativo.

É o despique.

É a falsa mensagem, que essa circunstância passa, de que o saber antes de outros, valoriza a notícia ou quem a der.

É, como dizem os brasileiros: - o contar vantagem...A bazófia!

É – o levar – a competição até à falta de ética.

Podem esgatanhar-se lá entre eles.

Podem, embora não devam. Porém, quando a notícia é passada para o grande público, não precisaria, penso, de vir ainda imbuída dos sinais da contenda, da arrogância que, afinal, em nada enriquece ou valoriza, nem a notícia, nem quem a dá.

O facto de ter sido aventada em primeira-mão, não torna a boa notícia melhor, nem piora a que for má. 

              

O que pode acontecer sempre, é lembrar as querelas das crianças. As disputas, entre irmãos, colegas de escola etc. etc. etc.

É o infantil esfregar, um punho fechado, na palma da outra mão, bem aberta, para arreliar os competidores vencidos, dizendo com ares provocatórios e trocistas: - ganhei! - Cheguei primeiro! - Ganhei!

Porque, isso, que nessa circunstância, não passa de criancice; na melhor das hipóteses, neste outro caso, é prova de -  lamentável imaturidade intelectual...

indigo_childern.jpg

Há agora, qualquer coisa, qualquer subtileza em certas formas de noticiar, que nos atinge de forma incómoda – quase ofensiva da nossa dignidade e da postura cívica que a todos se recomenda.

É certamente, mas não “só” falta de sobriedade!

É, porventura a desenfreada competição, que afasta da medida comportamental certa os intervenientes no processo.

Parece que toda a preocupação consiste mais na “ultrapassagem,” do que propriamente na forma como se processa a abordagem dos assuntos e, até, no sádico prazer de coscuvilhar a desgraça alheia.

Sem dúvida, transparece a mesma fúria, a mesma louca inconsciência, que faz das estradas de Portugal vias inseguras, onde o atropelo a códigos é a regra de que se orgulham os “espertalhuços” que vão (porque são, sempre, eles os primeiros e os melhores) – espalhando desgraça e morte!

Que país é o nosso afinal, que gente somos nós, se nos desvanece “tramar” o próximo, ao invés de nos centrarmos no que nos cabe cumprir...

Cumprir como pessoas de bom senso, pessoas de bem, gente com consciência dos seus deveres morais e cívicos!

Noticiar não será pura e simplesmente dar a notícia? – Informar sobre os acontecimentos? – Relatar com a maior independência, honestidade e rigor factos concretos?

 

Porquê especular?

Porquê, e, para quê?

Noticiar, é uma tarefa nobre e responsável, que não se compadece com despiques e populismos.

A notícia é, tem de ser, a face objectiva da verdade.

              

Referi-me à SIC, porque me parece, que estação que anuncia, a toda e qualquer hora, de forma tão grosseira, um programa de anedotas, de que parecem orgulhar-se, (em lugar de, dele, se envergonhar...) ainda não encontrou, por certo, o necessário equilíbrio entre o saber estar, o dito de espírito, a graça e a desgraça de não ter bitola para a justa medida do que informa, e instrui, valoriza ou degrada e polui a consciência moral de um povo.

 

 

Maria José Rijo

 

ROTA chamada filme

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 20:44

Pergunto-me...

Domingo, 22.06.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.887 – 12/10/06

Conversas Soltas

Não vou apodar, simplesmente, nem de isto, nem de aquilo, a telenovela que a SIC serve ao domicílio três vezes por dia, com a regularidade de quem ministra um medicamento imprescindível para a salvação da humanidade.

Não vou! – Mas vou pensar alto, porque, talvez assim encontre o fio da meada que em vão procuro para entender o fenómeno que, afinal, nos atinge a todos.

             Luciana Abreu - Floribella

Atinge a todos porque é particularmente pensando nos jovens que toda aquela trama está sendo concebida.

É, pois, por essa razão que me pergunto:

Que formação se pretende dar à juventude de um país quando para ela se congeminam novelas daquele nível?

É proibido dar trabalho a jovens com menos de X anos de idade; depois, aparecem crianças quase na primeira infância, representando, enredadas em tramas onde a mentira, a dissimulação, a vigarice, e toda e qualquer porcaria moral tem lugar de relevo, como hábitos normais...

E, como se isso não chegasse, os seus diálogos desenrolam-se em torno de paixões e amores precoces, como se as crianças, só isso pudessem copiar das atitudes adultas e não pudessem aprender a falar sobre outros temas, cultivar outros valores e, conviver entre si em alegria, de alma limpa, sem o peso de preocupações tão fora do âmbito das suas idades, compreensão, e justos sonhos...

Como se, porém, isso não bastasse, a heroína da saga, em lugar de conversar, argumentar com inteligência, berra num desvario se algo a contraria, e, quando quer ser doce e amável, quase sempre parece parva. Quando quer ser desembaraçada a maior parte das vezes é arrogante e mal-educada.

Resumindo e concluindo, não sei de mostra maior, de pretensioso pirosismo e falta de gosto, a qualquer nível.

É, por demais sabido, no entanto, que quando uma estação de televisão quer impor um produto usa da insistência como arma primordial.

Ela impinge - de acordo com as seus lucros e vantagens - o que lhe convém, sem um mínimo de reflexão, sobre as consequências do que impõe, por atacado, às famílias que cansadas de fatigantes dias de trabalho – sem possibilidade de escolha – se vêem na contingência  de ter que aceitar qualquer  entretenimento para os filhos, enquanto cozinham, lavam, passam a ferro etc...etc...   

Assim que, quer por saturação e cansaço, quer por falta de preparação ou de hábito de contestar, aceitam por princípio que o que chega até suas casas por estes meios em horário nobre, é bom de qualidade, como deveria ser, com certeza.

         No entanto, penso que será difícil, criar algo mais deseducativo, mais fuleiro e, mais perigoso para a formação da juventude, do que programas deste tipo.

É que, sob a aparência de ser uma “coisinha de nada”, só para distrair, se serve ao domicílio, várias vezes por dia, um veneno que assim ingerido em doses diárias, não mata. Não mata, mas causa habituação, e que actua como qualquer droga – corrosiva e devastadora.

             

Não mata, de imediato, – é verdade - mas pode estragar para sempre a saúde mental, o que resulta pior do que tomar uma dose poderosa de uma só vez.

É que nesse caso, as pessoas alarmam-se e procuram a cura – o que com esta forma dissimulada de perniciosa infiltração, às vezes, nos distrai e nos escapa, e vai atingindo os seus fins... com a eficácia dos venenos doces.

 

Maria José Rijo

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 23:12





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Maio 2020

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31


comentários recentes

  • Anónimo

    Cá estou eu ... meia hora depois da meia-noite...B...

  • Anónimo

    PARABÉNS PARABÉNS PARABÉNS Muitos beijinhos n...

  • Anónimo

    Minha querida TiaMuitos Parabéns pelos 94 anos - q...

  • Anónimo

    Boa AmigaSou o filho de Augusta Silva Torres que a...

  • Anónimo

    Eu sabia... sabia que era este mês que a tia fazia...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

BLOGS DA CASA

EFEMERIDES

Aniversarios Blog

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2020

2019

2018

2017

2016

2014

2015

2013

2012

2011

2010

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Blogs- quem nos cita


Posts mais comentados


arquivos



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.