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Maria José Rijo

Não sou princípio - Nem fim! -Sou um ponto no caminho- Daquela linha partida- Que vinha de Deus para mim!

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A “celestial” sopinha da panela - 9

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3.116 de 31 de Março de 2011

Histórias com mezinhas e receitas -- 9

A “celestial” sopinha da panela

 

A luz que a cozinha recebia, provinha do pátio e entrava pela porta que se mantinha aberta o dia inteiro, quer chovesse, quer ventasse ou, lá fora, o calor do sol derretesse até as pedras da calçada!

Para o pátio abriam as portas da casa do forno e de todos os quartos da habitação. O pátio era o centro da casa do senhor Padre que vivia com sua Mana solteira que continuava a fazer e vender pão, como já haviam feito seus pais e seus avós.

Daí que pairasse sempre por ali a incensar o ar, um vago e convidativo cheirinho de pão quente.

    

 A cozinha era enorme e funda. Logo à direita da entrada era a parede lateral de uma enorme chaminé, que fazia uma espécie de pequeno corredor que desembocava no aposento propriamente dito.

Verão e Inverno o lume de chão estava sempre aceso e embora possa parecer improvável, nunca, quer o calor, quer o frio, eram excessivos. O clima ambiente mantinha-se temperado, acolhedor.

Sempre que lá se entrava tinha-se a sensação de o fazer numa enorme e arrumada despensa, até pela semi-obscuridade que nos envolvia.

Ao fundo da casa onde, centrada, estava uma enorme mesa comprida rodeada de cadeiras de fundo de bunho( bem à alentejana), uma cómoda antiga com uma imagem de Nossa Senhora, uma jarra cheia de flores e na parede um Cristo pregado na cruz.

Sobre a mesa de jantar, como decoração, bonitos canjirões antigos, de louça das Caldas, com água e vinho sempre à “descrição” dos da casa ou seus convidados.

 

A toalha de linho grosso, branca como de um altar, tinha em volta uma bonita renda de pontas tecida a duas agulhas. Era peça de enxoval. ( Foi-nos confidenciado)

Dentro da chaminé podia-se andar à vontade, porque era ampla e tinha o “pano da cimalha”bastante alto.

De um lado e de outro do lume arrumavam-se cadeirinhas baixas e “burros” para os mais friorentos.

Ao fundo, encostado “à boneca” um grosso madeiro a que se amparava para arder a lenha miúda que se guardava de reserva no  lado exterior da chaminé e, em redor, uma panóplia de trempes   sustentando utensílios de barro, panelas e cafeteiras. Havia também panelas de ferro e cafeteiras de latão de tamanhos diversos, conforme as necessidades da casa.

Os móveis eram modestos, sem pretensões a ser mais do que eram realmente: suporte para pratos e travessas ou quaisquer outras necessidades de serviço.

Foi neste ambiente que, depois da procissão, como de costume, foi servida a refeição.

Com cuidado a Mana levantou o testo da panela maior sem a retirar do lume, arredando-a apenas, e, com a colher de concha, foi enchendo a terrina que havia de ir à mesa com um caldo suculento e tão perfumado que - disseram os circunstantes –“parecia coisa celestial”.Num dos móveis do lado já estavam duas cestas cheias de tangerinas e laranjas e uma grande travessa de arroz doce para a sobremesa e, sobre a vasta mesa as cestinhas de pão já fatiado para cada qual usar para a sopa, a quantidade a seu gosto e, um prato, com fartos e recendentes ramos de hortelã para o remate perfumado da iguaria.

 

Veio a receita:

“Está sempre pronta a qualquer hora. Temos a panela ao lume com as carnes. É a galinha, (das nossas) o toucinho entremeado da barbela do porco, um ossinho da suã, bom chouriço, uma cebolinha pequena e depois, deixar ferver, ferver, mais nada.”

 Isto era dito enquanto dispunha as carnes numa grande travessa para ir à mesa, indiferente a um pequeno ratinho que passou a correr junto a seus pés e se esgueirou para detrás da lenha…

Com o mesmo tom de voz, alertou:

“Mano! Temos que fechar a gata em casa à noite, já andam aí os musganhitos outra vez!”

Realmente a receita só podia ser celestial porque este cenário, é coisa de outro mundo!...

 

    Maria José Rijo

SOPA DE ESPARGOS E SOPA DE ESPINAFRES

 

Fritam-se em azeite coentros pisados com alho e sal.

Não se deixam fritar muito.

Sobre eles, deitam-se ou os espargos ou os espinafres que se deixam cozer em lume brando.

Escalfam-se ovos no caldo que se verte sobre o pão cortado em finas sopas.

                                     Maria José Rijo

@@@@@

Colecção de Gastronomia - Pão

 

SOPA DE POEJO

Poejos pisados com alho e sal e colorau.

Deita-se a mistura sobre o azeite quente.

Acrescenta-se o caldo que se engrossa com farinha.

Leva umas gotas de vinagre.

Escalfam-se ovos no caldo fervente que, depois, deita sobre a sopa de pão.

                                Maria José Rijo

@@@@

Colecção de Gastronomia - Pão

SOPA DE TOUCINHO

Frite o toucinho com chouriço (com o chouriço, se houver).

Retire os torresmos e o chouriço frito.

Na gordura, frite os temperos – alho, cebola, hortelã, salsa.

Acrescente a água necessária.

Verta o caldo sobre o pão fatiado.

Acompanhe com as carnes frias e azeitonas.

                                        Maria José Rijo          

 

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Colecção de Gastronomia - Pão    

                              

SOPA DE BATATA

 Azeite; Cebola e um dentinho de alho; Pimentão flor (umas pitadinhas para dar cor); Um bom ramo de hortelã; Um nadinha de salsa; Batatas às rodas grossas.

 Deixe a cebola ficar transparente na gordura quente antes de deitar os cheiros e as batatas.

Tape para estufar em lume brando. Junte água a pouco e pouco até a batata cozer.

Faça-o lentamente para o caldo engrossar. Acrescente o caldo à conta que precisar. Escalfe ovos (se as galinhas andam a pôr).

Deite tudo a ferver sobre a sopa de pão acamada na “tigela” em que há-de ir á mesa.

Veja se a louça é curtida (isto é uma velha recomendação popular, daí o senão), caso contrário sabe a barro.

                         Maria José Rijo

@@@@@

Colecção de Gastronomia - Pão

SOPA DE TOMATE

Tomate, cebola, dentes de alho, azeite, pimento verde – tudo no tacho a estufar em lume brando.

Deite orégãos (se gosta do paladar).

Quando estiver cozido passa-se pelo passador.

Acrescenta-se o caldo obtido com um pouco de água.

Deve ficar bem espesso. Batem-se os ovos com um garfo e deitam-se-lhe para dentro enquanto ferve.

Verte-se o caldo sobre o pão.

Acompanha-se com figos frescos ou uvas e azeitonas.

                                                           

                                        Maria José Rijo

@@@@@

Colecção de Gastronomia - Pão

SOPA DE CACHOLA

Fressura de porco, molejas, bocadinhos de baço.

Em banha de porco, frita-se, sem alourar, cebola e alho.

Logo que a cebola esteja passada, deita-se a carne o pimentão-flor, o cravinho, pimenta, louro e um molho de salsa.

Depois de refogado, leva água para cozer.

Logo que esteja cozido, acrescenta-se o caldo que chegue para as sopas e um pouco de sangue de porco batido com vinagre.

Sobre as sopas de pão cortadas fininhas, colocam-se rodelas de laranja e, por cima, verte-se o caldo com as carnes.

Acompanha-se com mais rodelas de laranja.

 

                                  Maria José Rijo

@@@

Colecção de Gastronomia

 

SOPA DE CAÇÃO

 

 

 

Modo de Fazer:

 

Coentros pisados com sal e olho.

Frita-se a mistura em azeite.

Junta-se colorau (pimentão flor).

Refoga-se ligeiramente o peixe na fritura.

Acrescenta-se a água e deixa-se cozer.

Retira-se o cação.

Engrossa-se o caldo com um pouco de farinha

desfeita em água e vinagre.

Rectificam-se os temperos e junta-se de novo o peixe para

se deitar tudo bem quente sobre a sopa de pão.

(Esta sopa também se pode fazer com bacalhau).

 

 

                                             Maria José Rijo

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