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Interludio de Verão

Quinta-feira, 24.06.10

Conversas Soltas

Jornal Linhas de Elvas

Nº 3077 - 24 de Junho de 2010

INTERLUDIO DE VERÃO

 

 

Ofereceram-me flores. Era essa a intenção. Mas, não eram propriamente flores. Concretamente era uma bela molhada de ramos de hera.

Toda a gente sabe como a hera é elegante a crescer, a abraçar outras plantas, embora não seja parasita, ou a trepar por muros, a encobrir embelezando ruínas de casebres ou de majestosos monumentos. É-lhe indiferente. Basta-lhe espalhar generosamente o seu encanto com seus caules castanho avermelhados e suas brilhantes, como que envernizadas, folhas verdes, quase triangulares, dispostas alternadamente ao longo das suas hastes. Depois, tem a vantagem de ter nas jarras uma longevidade que outras plantas não atingem. Aliás, a hera era tida como o símbolo da fidelidade e da longevidade. Dizia-se até que escondia os duendes e os espíritos nas florestas e associava-se, como a vinha ao deus Baco, já ensinava minha Santa Avó. Quando as Avós ainda tinham oportunidade de contar histórias, talvez porque houvesse, então, mais tempo para sonhar e mais espaço para envelhecer entre familiares.

Uma a uma fui compondo as jarras que, como quem veste um fato novo, voltavam aos seus lugares do costume todas compostas num dia que o calendário designava como sendo de Verão.

Mas…repentinamente…

Um cinzento quase negro, encobre no céu a cor azul-cobalto.

Os pássaros emudecem, deixam de voar alto.

Pulam de ramo em ramo, inquietos, em sobressalto.

Surge, não sei de onde o vento.

Primeiro sorrateiro. Depois em rajadas, rápido, frio.

Logo a seguir, em redemoinhos que elevam folhas e lixo em rodopios de medo. Estremece o arvoredo.

De longe vem invadir o ar um cheiro gostoso a humidade,

a terra molhada.

Do fundo da memória vem a supersticiosa recomendação popular:

Dizer que se gosta - dá azar

 (que do outro mundo as almas penadas dirão: Deus te farte muito dela!)

Desaparecem os cães das ruas da cidade.

Vultos de gente atravessam a correr as ruas. Entopem-se os cruzamentos com carros a buzinar inutilmente.

Troveja.

Num repente, impetuosamente – chove!

Chove copiosamente.

Nada mais se move.

Sôfrega a terra bebe.

Ocultas, germinam sementes.

Parece anoitecer.

De repente, o sol vence. Reaparece!

A tempestade esquece.

Um arco-íris, brilha no céu lavado de fresco.

Tantas cores que a luz esconde e só mostra de onde em onde!

A Vida é a Vida

Acontece

 

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 11:04

MODORRA

Terça-feira, 04.08.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.845 – 11 de Julho de 1986

 MODORRA

 

Quando o calor aperta, como agora, todas as energias ficam em nós, pulsando, latentes, como o motor num carro em ponto morto, e não há vontade que chegue, por vezes, para provocar o arranque que vença a inércia que o Verão acalenta.

No cérebro entorpecido as ideias passam, turvas como imagens antigas de cinema mudo, com fitas partidas, e, como elas se esgueiram.

Não se fixam.

E o: … vou? … não vou? … faço? … Não faço? … digo?... … não digo?

São as horas a sucederem-se sem que a decisão se firme. É o Verão a comandar, é a vontade mole, como manteiga derretida, ou água choca, são os projectos adiados, a nostalgia da única coisa apetecida: - Férias!

    

Férias! Férias! Férias! … Soa bem.

Talvez seja essa, afinal, a única ideia com força motriz para vencer esta modorra.

Talvez fosse esse, esse o tema … o único em que eu pagaria agora?!

       

Fixo-me na ideia e… não resisto… já que não parto… pelo menos… pouso a caneta e cedo á modorra que… Verão… é Verão!

 

Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:25

Reivindico!

Quarta-feira, 18.06.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.719 – 18 /Julho/03

Conversas Soltas

 

Mandaram-me, pessoas amigas, uma bela fotografia tirada no deserto de Moçâmedes, junto a um exemplar dessa maravilha, que merece a toda a gente, visita e registo fotográfico, e, que é, nem mais, nem menos, do que a celebérrima Welwitchia mirábilis.

      

Este nome de Welwitchia, advém-lhe do nome do botânico austríaco Friedrich Welwitsch (1806-1872) que a classificou.

                

Trata-se de uma planta dos desertos quentes de África, em forma de volumoso cogumelo de cinquenta a setenta centímetros de altura que parece partida por um golpe de machado em dois pedaços, configurados por grandes folhas persistentes, podendo ultrapassar dois metros de comprimento.

 

As flores são em espiga, têm seis longos estames, anteras com três células e, o fruto é um cone escamoso, amarelo ou vermelho, de onde as escamas se separam isoladamente libertando as sementes – assim reza a botânica que consultei.

 

Ora, perante tanta celebridade, tanta fama, concedida a uma espécie vegetal só porque consegue viver na adversa secura de um deserto, não admira que me apeteça reivindicar igual ou maior fama, registo individualizado em botânicas e dicionários, glória e destaque para a nossa vulgar e saborosa MELANCIA.

       

       Quente como um deserto, é no Verão o nosso Alentejo.

Bafo de lume é o que parece que se respira na estiagem impiedosa.

 

Nessa estação, saem da terra esturricada pelo sol, ondas de calor que criam miragens aos olhos quase cegos por tanta luminosidade, de quem se afoitar a percorrer os campos silenciosos, onde ás vezes até as cigarras emudecem...

 

E, aí, nessas terras de sequeiro, nasce e se cria a melancia. Serpenteando rastejam seus ramos gavinhosos de grandes folhas verdes que o sol chamusca com a ajuda da aragem escaldante, que, como febre, contorce e resseca o viço de quanto se atreva a querer por lá medrar...

        

Pois aí, sem mais nem menos, com sua casca em tons de verde, escuro, claro, ou listada, na terra de aparência exausta e morta cresce, e engrossa a redonda, gorda e suculenta “citrullus vulgaris”, planta hortense de frutos comestíveis refrescantes e ricos em vitaminas A, B1, B2, e C.(como a retrata a botânica)

Não sei de onde ela extrai a água...

Mas, ela consegue esse milagre.

Depois, oferece-a transformada em sumo vermelho e doce que dessedenta, conforta e lambuza as bocas gulosas que a devoram na procura de consolo e de frescura que regala.

Reivindico, pois, fama e glória para essa milagrosa criação da generosa Natureza.

Afinal a sua origem é também a África...

E, como estamos num pais de permanentes contestações, exijo esta reparação.

Imediatamente!

Já!

Que ninguém mais visite o Alentejo, no Verão, sem levar orgulhosamente consigo, uma bela foto ao lado de uma monumental melancia!

 

           Maria José Rijo 

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:48

Pensamentos de Maria José Rijo

Quarta-feira, 21.02.07

" Cada estação

  abre as portas

  a outra !"

.

 Maria José Rijo

 .

 

redtrees_rivaroadstreet.jpg

magnolia_spring2006.jpg

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Árvore sozinha

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publicado por Maria José Rijo às 22:47





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