Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


A VERDADE DOS MITOS

Domingo, 28.08.11

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.861 – 7 de Novembro de 1986

A La Minute

A VERDADE DOS MITOS

 

Uma das minhas histórias
preferidas, quando era criança, contava a vida de uma princesa, que em todos os
momentos de pavor que tinha que suportar, ao atravessar a floresta de cobre, de
prata e de ferro – sempre defendidas por horríveis dragões que vomitavam chamas
– se via “in extremis” – salva miraculosamente, porque nascera com uma
estrelinha de oiro na testa.

Nas histórias antigas, as meninas princesas boas, eram de beleza idílica e

bondade sem mácula e sofriam tratos de polé pela inveja de madrastas,

que eram sempre feias e más, pavorosas como sustos!

Como as histórias eram tecidas de terrores, maldades e
generosidades de dimensões impensáveis, ficava-se a saber que todas estas
coisas eram mais antigas no mundo do que as próprias histórias, já que eram
estas que as narravam.


Claro que nestes contos
do maravilhoso, os milagres, quero dizer, os acontecimentos fora do comum,
sucediam aos bons e aos maus. Assim, as lágrimas podiam ser pérolas, quando
vertidas pelos bons, enquanto os maus choravam sapos e caganitas de ratos.

Também no fim das
embrulhadas os maus eram punidos duramente, enquanto os bons recebiam
recompensas mirabolantes… casas cobertas de pedrarias, príncipes ou princesas
para consortes, e quer eles, quer elas, também exemplos insuperáveis de
virtudes, beleza, juventude, graça… aliás era um estado de graça que ficavam
depois a viver para sempre…

Não sei muito bem
porque, e se o suspeito calo por não ter a certeza - aqueles contos fantásticos
que sempre tinham sentido e intenção acodem-me muitas vezes ao espírito.

Vejo as florestas de cobre em cada árvore que o Outono despe,

com o sol a incendiar os tons de laranja das folhas que esvoaçam e

também vejo as florestas de ferro em cada pinheiro ou eucalipto queimado,

ainda de pé e já sem mais esperança de verdes renovados…

Vejo a prata no brilho de cada copa florida de branco quando os frutos

são ainda promessas…

Sei, sabemos, como são comovedoras e belas – verdadeiras pérolas –

as lágrimas de ternura, e como são revoltantes, asquerosos como feios

repteis ou fétidos ratos os sentimentos maus.

No entanto, nas histórias reais também o bom e o mau – fadas e bruxas –

de cuja mistura todos somos feitos se degladiam dentro de cada um.

E, se ninguém encontra, quando passa a mão pela testa, a tal estrelinha

que dá imunidade e garante o bem, o prémio, o conforto depois de qualquer

légua de caminho, ou luta terrível com perigoso dragão

 – não porque a estrelinha não existe – ela é o ideal porque se
orienta cada vida, para a qual se aponta o sentido de cada existência.

Por isso, à última hora, “in extremis”, quase sempre se salvava a princesa

idilicamente bela porque era a imagem daquilo que se propunha defender,

o Bem e a justiça, pelos quais lutava com resignação e coragem. Eis que,

compreendido ou não, cada um, tem que lutar e sofrer pela “estrelinha”

que o guia porque “in extremis” a fé o salvará.

 

Maria José Rijo 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 23:26

Agora que a poeira baixou...

Quinta-feira, 18.10.07

Vamos olhar pelo outro lado acontecimentos que nos perturbaram a tal ponto que levando ao rubro as nossas emoções quase paralisaram a nossa capacidade crítica.

Temos todos nós uma intrínseca necessidade de ser aceitos pelos demais.

Isto é uma verdade insofismável. Daí que, quase que como por instinto, sejamos levados, não propriamente a mentir, mas, a calar a nossa opinião, em nome de muitos factores aceites como correctos, alguns, até como deveres de educação. Proceder de modo a não ser desagradável, está aceito como conveniente e, daí que esteja estipulado como código social embrulhar o medo de ser sincero com expressões, tais como:

Não se ganha nada em ser desagradável...

Não é correcto desmentir quem quer que seja...

Para quê falar se já não se altera nada!...

Não se devem ganhar más vontades...

Podes perder o emprego...Vão despedir-te, acautela-te!

Vais ouvir impropérios...etc, etc, etc...

E, assim engordam a injustiça, a mentira, a falsidade e, assim se torna o convívio entre as pessoas uma verdadeira fraude, enquanto triunfam a prepotência, a demagogia, o oportunismo...

Permanece-se em silencio - ao serviço de quem detém o poder e perde-se o hábito da saudável crítica formativa de opiniões que esclarece, forma o caracter, revigora a coragem ,a honestidade e a postura de cidadania que todos devemos preservar.

Quero dizer que: em nome de princípios errados, de comodismo, e, volto a repetir: falsos medos se deixam triunfar situações de injustiça que cerceiam ideais e pesam nas consciências. Assim somos nós, e só nós, com o nosso encolher de ombros os únicos responsáveis pelas agruras de que nos lamentamos, tantas vezes, só para sermos simpáticos, só para que ninguém nos perturbe...

Mas... vamos ao caso: - o país inteiro, diria até, quase o mundo inteiro, vibrou de horror com a selvajaria perpetrada - na emboscada - preparada aos industriais portugueses que foram de visita ao Brasil  confiantes num amigo que os esperava...

Não vale a pena especular com pormenores, já por todos demasiado conhecidos; pois que a televisão, para alem das notícias, se portou nas reportagens como abutres gulosos, que se banqueteassem com a podridão.

Porém, não é dessa circunstância que quero falar.

Queria, sim, respeitando embora a dor dos familiares e amigos e, também a comoção que encheu de angústia o pais de norte a sul, confessar que não achei justo que o estado português se tivesse sobreposto às famílias e arcasse com as despesas da trasladação dos corpos das vitimas para as suas terras de origem.

Não consigo, interpretando tudo o que vi e ouvi, deixar de entender que aqueles seis homens de negócios com os bolsos confortavelmente recheados foram ao Brasil para aproveitar dum turismo de bordeis, que lhes proporcionaria o amigo – lá bem longe dos olhares das mulheres, cuja companhia, alias, recusaram.

Mas, quer fosse esse, ou qualquer outro intuito, que tivessem, nem sequer a forma como terminou as suas vidas justifica que sejamos nós - contribuintes - a custear as despesas que motivaram.

Porque é preciso que se diga que: - quando o estado, ou a autarquia, ou qualquer outro poder publico dão, seja o que for, quem está a pagar é o contribuinte.

Qual o critério então que comanda estas acções?

 Se era gente abastada ao ponto de viajar porquê deixar que a emoção, o exibicionismo de ser bonzinho ultrapasse o bom senso e os tratasse como vítimas duma causa nacional?!

Digam-me que os corpos de todos os soldados que morreram em África, e morreram por nós, regressaram a custas do estado, às suas terras, e nelas estão sepultados...

Digam-me que aquele, quase menino, soldado ao serviço em Timor, que ainda ontem vimos na televisão ao colo do pai, por ter perdido a capacidade de andar -só por engano está sem ajuda, sem soldo, sem esperança porque um acidente, em gozo de justas férias, fez dele não um homem dependente da justiça social, mas da caridade publica...

Digam-me que não é preciso fazer colectas de caridade para operar crianças, com doenças que requerem custosas idas para o estrangeiro e pertencem a famílias sem meios...

Digam-me essas e outras mais coisas que então eu entenderei que - o estado - para além do apoio QUE NINGUÉM DISCUTE , tinha obrigação de custear o regresso a Portugal dos seis infelizes industriais, que foram ao Brasil , gozar férias por sua deliberada vontade.

Enquanto estas e outras perguntas não obtiverem resposta convincente; habituemo-nos a controlar as emoções e a tomar decisões mais justas e razoáveis.                           

  

                                               Maria José Rijo

@@@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.624 – 21 /Set./2001

Conversas Soltas

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Maria José Rijo às 21:14





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Maio 2020

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31


comentários recentes

  • Anónimo

    Cá estou eu ... meia hora depois da meia-noite...B...

  • Anónimo

    PARABÉNS PARABÉNS PARABÉNS Muitos beijinhos n...

  • Anónimo

    Minha querida TiaMuitos Parabéns pelos 94 anos - q...

  • Anónimo

    Boa AmigaSou o filho de Augusta Silva Torres que a...

  • Anónimo

    Eu sabia... sabia que era este mês que a tia fazia...


Pensamentos de Mª José

@@@@@@@@@@@@@@@@@

@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


links

BLOGS DA CASA

EFEMERIDES

Aniversarios Blog

Culinaria

K I K A

Paginas de Diário

2020

2019

2018

2017

2016

2014

2015

2013

2012

2011

2010

Cá estou ...

Mais alguns...

Alguns...

Alentejo

Eurico Gama

Artigos sobre...

Escola Musica / Coral

Elvas Cidade...

Escritores e...

A Familia

Sebastião da GAma

Minhas sobrinhas Bisnetas

Meus sobrinhos Netos

Meus sobrinhos

Diversos...

Páscoa

São Mateus

Cartas especiais

noticias em Jornais

Dia da Criança

Cartas do Brasil- 1996

AÇORES

Juromenha

Col. de Gastronomia

O Natal

Exp. MuseuTomaz Pires-1984

Exposição PERCURSO-2008

HistóriasCmezinhasEreceitas

Revista Sénior

JOSÉ RIJO

Hospital e Maternidade

Livro de Reminiscências

Livros- de HistóriasInfantis

  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
  • O pequeno castanheiro

Dias festivos

Programa de Poesia (radio)

Crónicas na Revista

Livro de Poemas - I

Livro de Poemas - II

Livro de Poemas - III

Livro de Poemas - IV

Aniversários Linhas

Livro Rezas e Benzeduras

Livro das Flores

LivroJoaoCarpinteiro

A Visita - Despertador

Programas se SãoMateus

Entrevistas

Entrevista - TV-Videos,etc

Visitantes no Blog

Blogs- quem nos cita



arquivos



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.