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Vida por vida

Sábado, 26.06.10

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1803 – 13 de Agosto de 1985

Vida por Vida!

 

De noite, de dia, a qualquer hora toca a sirene – e prontamente os bombeiros aparecem sem saber para o que são chamados – mas dispostos para a tudo acudir.

Neste tempo quente, estão, as sucessivas chamadas, por cá, e as notícias de outros fogos de norte a sul do Pais, ligam-se de tal maneira que, dir-se-ia que a frente do fogo tem toda a largura de um imenso Verão.

E se é verdade que todos nós que ouvimos silvar a sirene, com diabólica frequência - para além do sentimento de angustia que nos fica – continuamos nos nossos lugares do costume – é verdade, também, que os bombeiros, como por instinto, tudo largam  para acorrer ao dilacerante apelo.

A qualquer hora, deixam a comodidade relativa dos seus postos de trabalho – a sombra aconchegada das suas casas,o repouso das suas noites, e, prontos, disponíveis – prestáveis – abnegadamente aparecem onde são precisos.

Há cerca de 50 anos, num livrito de escola onde a minha geração aprendia a ler, havia um pequeno texto elogiando a actividade dos bombeiros, que começava assim:

“Vida por vida – é o seu lema”

Depois, ensinava as crianças a descobrir o sentido e o significado da palavra: - Abnegação.

Coisas que na adolescência se fixam para sempre!

Presentemente é mais fácil o acesso a livros e a jornais para toda a gente – (mais escolas, mais bibliotecas) e, a crescer, para vincular noticias e conhecimentos – aí estão a rádio e a televisão.

Penso, penso e creio que: - se em lugar de se propagandear tanto, o mal que certas organizações fazem – se valorizasse o bem que outras proporcionam – muita gente havia de extravasar o seu amor pela valentia, com atitudes nobres, em vez de se exibir em fanfarronices e provocações, na procura de emoções fortes.

Parece-me que aqueles (Já com idade que lhes permite conduzir automóveis e motorizadas) que pela calada da noite, fazem na via publica – (entre histerismos de gritinhos e gargalhadas excitantes de acompanhantes) – acrobacias de temeridade acéfala – poderiam e deveriam ser levados a ponderar o que é, na verdade, a coragem.

Coragem – por vezes – é conseguir ficar indiferente às beliscaduras de falso amor próprio, e não pactuar com atitudes que com frequência, originam os perigos – escusados – dos corajosos autênticos – os bombeiros – que abnegadamente arriscam a vida para acudir, até aos que por capricho, virilidades duvidosas, falta de maturidade, etc, etc… - com atitudes de falsa segurança, provocam verdadeiras catástrofes, das quais  por vezes, são as primeiras vitimas.

Era bom – era muito bom que , de uma vez por todas, se  entendesse que a coragem não é fanfarronice, nem temeridade, e se a coragem por vezes envolve riscos – implica sempre o uso da razão – quer dizer: da inteligência.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 15:50

O Rico e o resto...

Quinta-feira, 08.10.09

Á Lá Minute

Jornal Linhas de Elvas

Nº 1.864 – 28 de Novembro de 1986

 O Rico e o Resto

            

Na televisão, uma cena que não convence ninguém, cativa a minha atenção. Dois actores muito conhecidos, fazem a apologia da maravilha que é ter uma pensão de velhice que acrescida agora de mais 13 por cento (e é o motivo de regozijo) fica tão tragicamente miserável frente à realidade do custo de vida, que a cena sugere em ensaio de qualquer quadro de revista, onde o humor negro marque o tom.

       

Talvez por estas e outras razões que rir é cada vez mais difícil. O riso para ser franco, aberto, saudável, livre como é a água que brota na fonte, tem que ter, como ela, força e ímpeto para vencer distâncias, obstáculos, romper a crosta e surgir á superfície, viva e fresca na nascente…

      

Talvez porque a vida vai depositando em nós sedimentos sem fim de pequenas grandes misérias que se sofrem e sentem, a gargalhada fácil e espontânea da criança e do adolescente… vão sendo no adulto… cada vez mais difíceis…

Talvez seja cada vez maior, a resistência oferecida à força, cada vez menor, que o riso tem para se impor, aflorar ou estalar em gargalhada acesa e viva, como borbulha rompendo a rocha.

          

Talvez seja por estas e outras razões que o sorriso e a ternura sejam as formas que exprimem mais de perto os sentimentos dos adultos, à medida que o tempo passa.

Talvez o sorriso seja esboço do riso, ou o que do riso resta…

Talvez a ternura seja o indicio ou o rastro que fica dos sentimentos fortes, vibrantes, quase agressivos, com que a juventude se embebeda de vida… como o Outono é que fica do Verão e, o Inverno, o tempo em que melhor se saboreia um dia de sol…

       

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:04

Poema - Beijei a Vida na boca

Quinta-feira, 30.04.09

Gus – já que começou a ler – leia o resto.
Não se constranja! E, se achar que vale a pena leia alto para que o ouçam a nossa família e os nossos amigos.
.

MeninoAnjo
Beijei a Vida na boca
numa entrega de Amor
louca
como a força de nascer
da semente
que no negro ventre da terra
germina
quebrando a crosta do chão
na procura – que pressente –

do céu
que não lhe dá mão
nem á erva que desponta
nem à boca sequiosa
nem à beleza da rosa
nem à fonte, que o rio, sonha
nem aos vermes nas funduras
nem às aves nas alturas
nem aos loucos
que - o - procuram no Amor

O céu é sonho presente
a distâncias sem medida
sempre alto sempre à vista
mas sempre longe da gente.
.

petalas
Conto sempre com a sua tolerância –

 Beijinhos
tia Zé

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:33

Actualidades 2003

Quarta-feira, 12.11.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.722 – 8 – Agosto - 2003

Conversas Soltas

 

          

Quer queiramos, quer não, o impacto dos noticiários, intromete-se nas nossas vidas.

São os fogos, quase sempre de origem criminosa, são as guerras, criminosas também, são os acidentes de viação, em suma: são as desgraças umas atrás das outras, e, qual delas, mais trágica que a antecedente...

E, como se não bastasse, até a maneira de veicular as notícias, algumas vezes é provocatória para a sensibilidade de quem as escuta.

Cada “estação” em jeito de quem exibe um trofeu, grita aos sete ventos e repete até ao cansaço que foi a primeira, senão a única, a saber da desgraça que conta e reconta com um gozo doentio.

Parece até haver um certo sadismo em exibir imagens pungentes de corpos desfeitos, estropiados, irreconhecíveis quase, como seres humanos.

sadam-hussein.jpg

Recentemente, o verdadeiro festival de alegria por terem sido mortos os dois filhos de Saddan Hussein foi arrepiante.

Penso, que quando aos homens parece como única solução matar outros homens, todos deveríamos sentir, não um frémito de sucesso em situações como esta, mas, sim de vergonha.

Vergonha, remorso e frustração, por nos ter sido impossível, por não termos sido capazes, de resolver os problemas com respeito pela Vida do nosso semelhante.

Onde deveria estar espelhada a dor da nossa derrota, exibe-se a glória de resolver matando, aniquilando, destruindo...

As guerras sucedem-se.

Já era tempo de se ter entendido que, ainda, nenhuma delas, por mais cruel e sanguinolenta, resolveu o que quer que fosse.

Nem na antiguidade o engenhoso logro do cavalo de Tróia, nem a experiência arrasadora de Hiroxima, ou, mais recentemente, o espectáculo televisivo da sofisticadíssima guerra no Iraque, nenhuma forma de guerra, jamais, resolveu os problemas entre os homens e instaurou uma Paz definitiva.

O ódio não se dilui em ódio.

O único solvente do ódio é o perdão, é o amor.

Em qualquer tempo, afirmações destas parecerão sempre utópicas, serão sempre polémicas.

São as chamadas verdades de trazer por casa...

Todos o sabemos.

Porém, quantos de entre nós nos afirmamos como cristãos e o esquecemos na prática.

Afinal, o Amor, a Fraternidade e o Perdão são a essência da religião a que chamamos nossa e em teoria defendemos...

Utópica deveria ser considerada a filosofia que pretende justificar o ataque de umas nações a outras, a destruição de uns povos por outros.

Antecipar o flagelo de uns, para evitar o flagelo de outros... que até poderia não chegar a acontecer, não é utópico, é uma realidade terrífica.

Guerras fazendo vítimas. Imagem: www.tamandare.g12.br

A lógica das guerras, será sempre a ausência de lógica.

Faz-me lembrar a tola anedota do indivíduo que angustiado com medo da passagem do cometa, se matou para não morrer...

E, assim segue o homem seus caminhos de ambição, perdido do Homem, perdido de si próprio...

Os mortos são apenas números de estatísticas...

Inimigos para uns, heróis para outros.

Sempre gente.

Eu, tu, ele...Sempre gente.

Apenas gente.

E, em jogo – sempre – um valor único – A Vida!

Dois mil anos depois de Cristo, é esta – ainda – a nossa actualidade.

 

 

 Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 00:09

Meditação

Domingo, 09.11.08

Hibisco 01.

Talvez este poeminha de 92

possa ter agora alguma

oportunidade

 

Como quem consuma

um amor

capaz de redimir

da solidão de ser

nos possui a morte

nesse abraço forte

onde tudo se esquece

porque é a Vida

que adormece

 

Maria José Rijo

1992

 

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publicado por Maria José Rijo às 23:13

De mim

Sexta-feira, 10.10.08

.Paisagens do Alentejo
Medrei só - entre gentios
papoila rubra entre verdes
nomada, cigana, sensual, pagã
telúrica, profana
sonho e pão
cacho de uvas escondido
rente ao chão
pelas parras do vinhedo
por acaso, não por medo...
Fui flor - fruto - caminho
Uva que não deu vinho...
Graça? - desgraça?
Palavras contam e calam
A Vida - passa

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 22:23

Evidentemente...

Quinta-feira, 04.09.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.388 – 7 – Fevereiro – 1997

Conversas Soltas

 

 

Várias vezes tenho presenciado, através da televisão, a obstinada posição de apoio ao aborto defendida por uma Senhora Deputada, para quem tal acto parece a coisa mais fácil do mundo!

Não é a dita Senhora a única a terçar armas por esse ponto de vista, porém, é, para mim, de quantas tenho escutado, a que mais me incomoda.

                                

Quando a ouço repetir que até aos três meses o feto não é pessoa humana – por muito cientificamente certa que esteja a sua afirmação -  sempre sinto revolta e até uma certa perplexidade.

Não será pessoa humana – mas – é sem duvida Vida Humana.

                        

Sobre isso não há equívocos.

Não passa pela cabeça de ninguém que haja disso desconhecimento.

Que mulher ao engravidar, desde logo não sabe que não vai dar à luz bolbos de plantas, couves, molhos de brócolos ou animais de estimação.

Daí que não vale a pena fantasiar, disfarçar ou escamotear a verdade.

A questão é e será sempre a mesma:

     “Há ou não o direito de interromper uma gravidez?”

              Foto de uma jovem segurando a barriga

Que é como dizer por outras palavras:

“Há ou não o direito de interromper o prosseguimento de uma Vida?”

                                

Postas assim claramente as coisas decida cada qual em sua consciência a atitude a tomar mas, faça-o sem subterfúgios de qualquer índole ou atitudes demagógicas porque os valores em questão ultrapassam-nos como sempre que se fala de Vida e Morte.

                

Sábio é o povo que desde sempre ensina:

“Vale mais prevenir do que remediar”

... E o povo tem razão – evidentemente!

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 00:20

“ As Minhas Lucubrações “

Segunda-feira, 01.09.08

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.340 – de 1 Março de 1996

 Conversas Soltas

 

 

Sempre ouvi dizer: “ respeita se queres ser respeitado”! – O que, em meu entender é, mais ou menos, a forma laica de enunciar o mandamento da lei de Deus que, desde o berço, nos ensinam:” Ama o próximo como a ti mesmo”.

Qualquer das formas é absolutamente inteligível encerra uma lição de saber viver.

Vem isto ao acaso porquê? – Porque, como se deduz, as leis, todas elas, são dependentes de preceitos morais e éticos.

São, na sua essência, a tradução lógica de princípios que, transformados em normas, servem como regras padrão para a defesa e protecção do indivíduo e regulamentam os comportamentos da sociedade no seu conjunto.

No entanto...

Bem, no entanto, parece que são passíveis de leituras diferenciadas, conforme as partes a quem cabe fazer a interpretação.

                               

Assim conjecturava eu, nestas coisas, alimentado este meu vício de querer entender; sentada num duro banco, numa inóspita sala de espera do Palácio da Justiça de Elvas – em circunstância que me fora imposta.

É que, estando, como de costume, em minha casa, calmamente a beberricar um cafézito, em certo dia, bateram-me à porta de forma insistente.

Suspenso abruptamente o meu discreto deleite, petrificou-me de espanto a voz alarmada que tremente me alertou:

“Senhora! – a polícia”.

Multa

Vi-me, em consequência na obrigação de assinar um papel, que me foi presente, pela mão de um simpático agente da autoridade (a quem eu até ofereci café e ele não aceitou).

Assim que, eu, que como única forma de me ver confrontada com a Polícia, só via uma possibilidade: o carro! – Respirei fundo.

Vá, lá! – Não era multa por mau estacionamento.

O que seria?

Ora, pois! – o que haveria de ser ?!!!

Vamos Historiar que – vale a pena.

Houve em tempos idos, durante oito anos, nesta mui nobre cidade de Elvas um notável paladino dos bons costumes e justiça.

Hoje, ao que se conta e sabe, distraído com outras lides, passes e faenas.

Zeloso enamorado que foi – no decorrer desses oito anos – de pontos, vírgulas, exclamações e outras minudências quejandas que andassem “a monte” dos seus devidos lugares das direitas linhas – vivia obcecado, mas feliz na pesquisa sistemática de coisas – na sua óptica – vitais para a higiene da “res pública”.

Assim que, nas páginas das crónicas desses referidos tempos, catou, com brio inimitável, erro de caligrafia, espessura e cor de tinta, mazela, mancha, pintinha, (nem que fora de mosca porcalhona) para exame laboratorial profundo.

Presumindo dessa maneira, identificar até as bactérias que tão mal iam ao gosto de tão alva consciência – a sua.

Este árduo esforço foi exercido com a insistência obstinada das crianças traquinas – de quem a gente gosta apesar de malcriadas – e que moem a cabeça dos adultos a cantar aquela chata lengalenga:

“Se um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais...” E, nunca mais se calam nem que se lhes peça de joelhos.

Mas... basta de derivações.

Retomemos o discurso...

... De acordo com o tal documento, que assinei, eu teria que estar; e lá estava; em determinado dia, a determinada hora, para prestar contas da minha nefanda cumplicidade nos aludidos crimes contra o bem comum.

O dia amanhecera de má catadura.

          1

Frio, cinzento, ventoso.

Ameaçava nevar.

O meu velho físico, dava albergue a uma perfeita constipação que triunfante me atormentava.

Tossia, espirrava, mas... resistia.

Da hora marcada, para as presenças convocadas, já passara mais outra... e mais um ou dois quartitos...

                             

Então, com um sorriso bonacheirão – valha-nos isso! – Um senhor funcionário, por certo, mais do que afeito a estas situações, veio amavelmente, anunciar que a data fora alterada.

Será um “tal” dia – disse.

Envolvi-me melhor no meu abrigo e desci a escadaria de mármore pensando nas variações possíveis dos nossos direitos...

Então se eu habito onde me mandam a polícia ou carta registada – para cá vir – porque não me mandaram prevenir pelos mesmos meios para não comparecer?

Será que o meu tempo não merece ser considerado?

Nem eu? – Nem ninguém mais?

É que, no papel da chamada, estão devidamente enumeradas as sanções a que me sujeito se ousar faltar...

Eu compareci.

Quem me convocou – não!

Receberão as mesmas punições?

Será curial desorganizar a vida das pessoas condicionando-as a prazos que se não cumprem – quase – sistematicamente?

Ou é que a impunidade faculta a prática da arbitrariedade?

Não sei, porque, assim é!

Sei, que é assim, e sinto que não está certo.

 

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 22:06

PENSO QUE DEVO

Sexta-feira, 04.04.08

Enquanto eu viver, enquanto cada um de nós viver, por muito que uns concordem e outros discordem – enquanto eu viver, enquanto cada um de nós viver – estou e estarei, estamos e estaremos no nosso tempo.

            Porque o meu tempo, - o tempo de cada um de nós -  o nosso tempo, não se cinge apenas à duração da nossa juventude.

O nosso tempo é o tempo das nossas vidas. 

Quando muito, poderemos dizer: - quando eu era jovem.

Quando éramos jovens...

Ou, também:- na época da minha juventude, ou, na época da nossa juventude mas , nunca, em caso algum, referir o passado como o nosso tempo , e afirmar que o presente já não nos diz respeito.

Admitir que terminada a juventude a vida se nos esgotou, e que o presente é apenas um património dos jovens onde por tolerância nos consentem ser testemunhas presenciais, não é nem verdadeiro, nem honesto.

É, na minha opinião, e, penso que devo dize-lo – uma atitude mentirosa e cobarde.

E, se assim a designo é porque ela se me afigura como uma falsa premissa que faz intuir que a inteligência e o conhecimento variam na razão directa da musculação e resistência física.

Às vezes, não tão poucas quanto seria desejável, ouço na televisão e leio em jornais criticas a pessoas que, já com uma certa idade, ainda não saíram da cena política e insistem em emitir pareceres que, “esses tais críticos” consideram fora de propósito

Como se ancião e imbecil fossem sinónimos.

Penso que, quem assim critica, ainda não parou para reconhecer que aos seus, embora muito grandes saberes, pode também, faltar algo que só o tempo lhe dará se lá chegar – a sabedoria da idade – a experiência de quem tem uma vivência que só o peso dos anos permitiu.

Também não iremos cair no exagero de afirmar que as virtudes são apenas apanágio da idade.

Parece-me ser justo afirmar que as pessoas que gozam a plenitude das suas faculdades, têm o direito e , até o dever de dar o seu testemunho, porque assim se faz a história – sobre o registo e  memória do passado.

Essa, é alias, a base da evolução e do progresso: - somar ao conhecimento adquirido por uns as experiências e descobertas de outros.

Também houve que tivesse desejado a resignação do Santo Padre João Paulo II.

          

Dão-se hoje graças a Deus, porque tal não aconteceu.

Embora as vidas não se avaliam pela extensão, também não se poderá afirmar que quer a longevidade quer a fragilidade física alterem ou fatalmente anulem a qualidade moral e intelectual do valor do testemunho de uma existência.

             Flyyy way...

Vida, é Vida desde o primeiro até ao último momento e, sempre única para qualquer idade.

Não se pode viver para se ser agradável ou simpático ou para dizer e fazer o que outros, por muito importantes que se julguem neste mundo, queiram que seja dito ou feito.

Vive-se para se dar testemunho de ser gente – ser pessoa – cada um de nós – filho único de Deus.

Procuro, por isso, fazer o que penso que devo.

                           Maria José Rijo

 

@@@@@@

Jornal linhas de Elvas

Nº 2.810 -- 21-Abril – 2005

Conversas Soltas

 

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publicado por Maria José Rijo às 16:10

“Pão e amor”

Sexta-feira, 14.03.08

“Pão e amor” é o título de uma obra da autoria de Knut Hamsun, escritor norueguês a quem foi atribuído o prémio Nobel de Literatura em 1920.

Trata-se de um livro apaixonante, cujo enredo se desenvolve em torno da história de uma família de colonos que se instalam nas terras desoladas e frias do norte da Noruega; onde vivem os seus dramas e as suas alegrias com o espírito heróico dos desbravadores.

Fala-se nele, do amor à terra “origem de tudo, fonte primacial da vida”, – como no próprio romance se lê, e dos homens amando segundo a lei de Deus, e vivendo entre os animais que os ajudam no trabalho e no sustento.

Lembrei-me desta obra que, na adolescência, muito marcou a minha sensibilidade quando, recentemente, a nossa cidade foi invadida pela notícia brutal da morte de uma recém nascida em condições pouco claras.

E, lembrei-me porquê? – Lembrei-me porque a heroina dessa história, do referido livro, nascera com o lábio rachado o que, desfeando-a, lhe reservou uma vida de exclusão em relação a todos os prazeres e alegrias da juventude e, a fazia esconder-se com vergonha daquela fealdade que a expunha à curiosidade e repugnância de toda a gente que, por esse facto, a descriminava cruelmente.

Só aquele colono, pobre e feio a aceitou porque ninguém mais o queria, a ele também, e tinha necessidade da companhia de uma mulher, para a sua aventura em procura da posse de um pedaço de terra, nos difíceis tempos da colonização.

Assim que, ao sentir-se, meses depois, grávida, a mulher, disfarça o seu estado, e ao perceber perto, a hora de lhe nascer a criança, afasta o homem e, mata a filha porque vem ao mundo com o mesmo defeito que fizera dela um ser revoltado e infeliz toda a vida.

Arrepia! - Espanta! Revolta! – Mas faz pensar...

Como era de esperar a certa altura o crime é descoberto, a mulher é presa e, é julgada e condenada.

Na penitenciária, tem comportamento exemplar, recebe instrução, acaba sendo operada para correcção do lábio que fica escorreito. Durante o resto da sua existência ela carrega a mágoa e o remorso do infanticídio a que por ignorância, a força do amor pela filha a conduziu, na ânsia de lhe poupar o sofrimento de uma vida de tragédia igual aquela a que o terrível defeito a condenara.

Curiosas, são as considerações da advogada de defesa que, então, argumentava assim:

- “ Nós as mulheres constituímos a metade infeliz e oprimida da Humanidade. Quem faz as leis são os homens; as mulheres nem podem dar o seu parecer.”

“- E há ainda outro lado da questão a encarar. Porque é que o homem não é incomodado? A mãe que cometeu um infanticídio sofre a prisão e os rigores da lei; mas ao pai da criança, ao sedutor, nada se lhe faz”.

 Curioso é que este e outros argumentos usados há mais de oitenta anos ainda tenham actualidade. Pois que, se é verdade que as leis hoje não são feitas apenas pelos homens, não é menos certo que em muitos extractos sociais os homens tiranizam as mulheres, violentam as suas consciências, levam-nas à loucura causada pelo peso dos infortúnios que lhe infligem, batem-lhes, fecham-nas em casa, deixam-nas sobrecarregadas de trabalho e miséria, até nas pesadas horas de solidão e sofrimento físico que um parto causa.

Depois, depois...a sociedade que isto permite. A sociedade que esquece a educação, a assistência social, que discute tostões em reformas de miséria e faz estádios de exibicionismos milionários, etc, etc, espeta o dedo e acusa.

Dispor de leis justas e progressistas, não é solução para todos os males da humanidade.

Mais importante, ou tão importante é dar ao povo a preparação para as conhecer e cumprir.

É dar-lhe a consciência cívica dos seus deveres e direitos.

É garantir-lhe condições de dignidade de Vida.

É acordar, ou, criar a consciência de uma sociedade egoísta, alienada por falsos valores, que cultiva as aparências, mesmo à custa da fraude, que, quase sempre, julga e acusa sem meter a mão na consciência procurando e aprofundando as causas, as origens de certos crimes e delitos de que os réus são, muitas vezes, as principais vitimas...

E, ainda há quem defenda o aborto! – Espero, um dia, vir a entender qual é a diferença entre matar um filho às escondidas no segredo de um ventre ou, após o nascimento!...

A falha, é minha, por certo.

                                   Maria José Rijo

@@@@

Jornal Linhas de Elvas

Nº 2.653 – 12/Abril/2002

Conversas Soltas

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:07





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-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






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  • A história da Cotovia
  • A história de uma Flor
  • A historia do Castelo
  • AlendaMisterioso vale florido
  • O sonho da Joca
  • A menina de Trapo
  • A avó conta 1 historia
  • Conto - Margarida - 1
  • Conto-Margaridavaicontente
  • ... então sonhei!
  • O Cavalinho encantado
  • A princesa Jasmim
  • Aurinha está doente
  • Arnaldo o terrivel
  • A Cabrinha
  • Era uma vez ...
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