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O pretexto da visita

Segunda-feira, 09.03.09

Jornal O DESPERTADOR

Nº 247 – 25 de Fevereiro de 2009

A Visita

O pretexto da visita

 

Qualquer pretexto serve para conversa.

Qualquer conversa é pretexto para entreter uma visita.

Nesta altura de Carnaval comentar máscaras e cortejos daria pano para mangas.

 Daria! - Mas se até o Carnaval já não passa de uma triste repetição, “dum transplante” desajustado do calor do Brasil para o frio de Portugal, sem graça e sem carisma...         

Se até a folia à antiga portuguesa dos festejos de comadres e compadres, já passam em brancas nuvens...

Dos “assaltos” com máscaras trapalhonas ou os outros de fatos a primor com bailes e fartas ceias também já são se ouve falar...

Se, tudo isso, são apenas recordações...

De nosso, o que se vê por aí, são as os rostos amarelos, as caras da crise e o desconsolo indisfarçável dos cortejos onde as ocupantes dos carros parecem cumprir mortificadoras penitências, tão quietas, e pouco alegres se mostram...

Salvam-nos as crianças que inocentes se divertem, por tudo e por nada e para quem andar a passear de mão dada com a mãe o pai ou os avós já é festa, quanto mais espalhar confetes como quem semeia sonhos.

Assim, que, procurava qualquer coisa que me causasse admiração,

algum espanto, ou curiosidade, qualquer coisa diferente para não cairmos na mesma monotonia repetitiva dos Carnavais.

Dava voltas à minha imaginação procurando um tema.

Para disco partido repetindo até à exaustão suspeições e tramóias de gente – dita de bem - que usa colarinho branco a vida inteira como máscara  tão perfeita, que até parece mentira que sejam , quem na verdade são... – já temos os noticiários...

Desesperava.

Nada de novo no nosso pacato horizonte.

                  

A cidade a cair.

Os roubos e violências – q. b. para inquietar...

O horror do resultado da obra do abate das árvores e corte das esplanadas da muralha a crescer em fealdade e inutilidade, como se previa.

Ninguém reclamava um autódromo!

Mas... há sempre um mas.

Eis que chega uma revista de propaganda socialista editada pela Câmara.

Nela se anuncia a recuperação do poético jardim das laranjeiras.

À saudável alegria da notícia junta-se o receio...

O que sairá desta vez!!!

Será o seu aproveitamento idêntico ao da Quinta do Bispo?...

A ver vamos – dizia o cego...

Na contra capa, celebrando a festa da época, uma máscara a preceito.

Com seu nariz vermelho, seus óculos desmesurados, seu cabelo multicor.

Então descobri a novidade.

Que graça!

Em trinta e uma páginas – há dezoito – dezoito – repito - que não trazem um rosto que costuma fazer as delícias deste povo que o ama tanto, tanto que estou convencida que sem esse ícone cinco ou seis vezes por página, como já tem acontecido, nem saberá ao certo de quem é este álbum de fotografias.

 

Bom Carnaval para todos.

 

Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 20:30

A voz do sangue

Sábado, 14.02.09

Jornal O Despertador

Nº 214 – 22-Agosto-2007

A Visita 9

 

Nesta pasmaceira do meu dia a dia, de que não me queixo, mas reconheço, como quem petisca numa mesa farta, indecisa na escolha definitiva, pegava e largava, em “pontas” ao acaso, sem eleger tarefa que me seduzisse.

Punha a mim própria hipóteses, que à partida interiormente recusava, umas, atrás de outras...

Com a consciência nítida e crua de que o tempo não é presente que, na minha idade, se possa esbanjar, atormentava-me.

Não me conforta pensar no que já fiz, se é que alguma coisa de préstimo terei feito. O que sempre me preocupa e pesa é o que posso ter deixado de fazer e era parte da realização do meu trajecto.

                

Avaliava decisões difíceis que tive que tomar e, embora delas não me envaideça, sentia um certo orgulho pela coragem de as ter tomado com sentido de justiça e honra.

Entre a coragem, o orgulho, e a vaidade, as fronteiras são por vezes tão frágeis que podem ofuscar o natural sentimento de alegria íntima que se ganha, quando, mesmo que se erre, se tem a coragem de fazer o que cremos certo, na hora certa.

E, bom, é, à distância, reconhecer com toda a humildade de consciência que, se pecou por defeito – não por excesso.

Saber que deliberadamente não se hostilizou ninguém – é bom.

Saber que sempre se assumiram os nossos actos e, deles, e por eles, sempre se deu o rosto, nunca se usando de traição, ou cobardia, é bom, é muito bom!

É reconfortante, dá paz.

Não nos sentirmos santos nem demónios, mas saber que entre esses limites se faz o percurso de ser gente, torna-nos tolerantes com os demais e exigentes connosco próprios.

           malmequer 2.jpg

Distraída com os meus pensamentos tinha esquecido a televisão que, aberta fornecia o ruído de fundo que sempre ajuda a situar-nos no mundo real.

Foi então, que, como uma pedrada que quebrasse um vidro, a minha atenção despertou por inteiro, pela voz da Tonicha a cantar à moda da minha terra na etapa da volta a Portugal em Beja.

Curioso, como apenas uma cantiga., nos pode situar num contexto de lembranças, carregado na alma, onde a terra tem a força e a voz do sangue que sustenta a nossa vida.

Decididamente, não aprovo Saramago nem qualquer iberista, seja lá ele, quem for...

Impossível! – Absolutamente impossível!

                   restolho.jpg

Pois se até uma cantiga nos traz os cheiros do restolho, o cantar das fontes, a imagem das casas caiadas, os horizontes imensos, e acende em nós a voz da terra e a luta e sofrimento dum povo humilde e trabalhador – como não saber, como não sentir, que a Pátria, está na nossa alma!

 

 

 Maria José Rijo

 

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:19

A visita prometida

Quarta-feira, 11.02.09

Jornal O Despertador

Nº 210 – 9 – Maio – 2007

A Visita

 

        

As visitas, mesmo quando esperadas, nem sempre são oportunas.

Às vezes, muitas vezes, não pela pessoa em si, mas pelas conversas, pelos assuntos, que abordam.

Principalmente se são do género de formular opiniões que vão contra o fluxo da maré...

E, é o caso.

Se eu tivesse voz activa na matéria, nunca, no Santuário de Fátima teria surgido – NO LOCAL ONDE ESTÀ – a nova basílica.

      

Nunca, jamais em tempo algum, se teria substituído a simplicidade simbólica da Cruz Alta, por nada deste mundo!

Ali bem perto da Capelinha das Aparições, nada melhor do que aquele sinal “Mais” – mais alto, mais amor, mais ideal cristão, mais tolerância, mais fé, mais...mais... mais... que aquela Cruz erguida, sobre o espaço vazio, amplo, imenso, liso, nu – dizia acenando aos corações que de longe a avistavam estais a chegar. Este é o caminho!...

Quero dizer, que, nada melhor do que a singeleza para chegar perto, quando se caminha tentando – chegar lá...

Também, se a minha voz – por cá – tivesse eco – nunca – enfeitaria o espaço ensaibrado onde a sombra do nosso Aqueduto se podia projectar grandiosa e bela - naquele emaranhado de postes que desfeiteantes, como antenas nos telhados comprometem  a imponente visão de um monumento que só precisa de espaço livre, em redor, para ser apreciado em toda a sua impressionante majestade. 

Assim se gera, na minha humilde opinião, mais um capítulo de decadência na sóbria nobreza da nossa cidade.

Ali, naquelas pedras adustas, ou na sua sombra, não havia nada a enfeitar.

       

Tudo que por ali se fizer, além de limpar e conservar -  é de  gosto  pobrezinho : - quer enfeitar, não sabe como, põe um raminho!

Com igual critério caiu a Quinta do Bispo!

Com igual critério se constroem casas alpendoradas sobre a estrada da Piedade!

Com igual critério nasceram fontes, como criadores de trutas, na rua da Carreira!

Com igual critério se arrasaram hortas e Quintas!

Com igual critério pululam rotundas!

Com igual critério se deixa esvaziar de vida o “Centro Histórico”!

Com igual critério – ou por falta dele!...Tudo pode acontecer...

... E, já agora, por imperativo de consciência, porque frontalmente dou opinião, sobre aquilo que por cá se passa, e chega ao meu conhecimento, também torno público o que penso sobre a situação do senhor Presidente Rondão frente à justiça, como indiciado.

A ser verdade, o que se aponta à Câmara de Lisboa, não vejo

       Câmara Municipal de Lisboa

Comparação possível entre o caso de Elvas e o da Câmara de Lisboa. - Cada caso - é um caso.

Aqui, a Câmara não está desgovernada – está governada como sempre foi e, a maioria dos elvenses acomodados, têm consentido.

Os Vereadores estão unidos – senão nos ideais, e processos de actuação – pelo menos, no conforto de cada fim de mês...

Quem não gosta da forma como algumas coisas são conduzidas pelo executivo – diga-o abertamente. – Isso é legítimo e honesto.

Aproveitar circunstâncias adversas para quem quer que seja, para especulações – não é justo, nem correcto, nem abona a favor de quem o fizer.

                 

Assim como, se for verdade, a “fantasia narcisista da estátua”, jamais se livrará Elvas do ridículo e da troça para a posteridade!

Nada, por agora, tem quem quer que seja – a acrescentar - ao caso do senhor Presidente Rondão.com a justiça.

Quem dele tiver queixas, pessoais, que as assuma – mas que não se sirva das circunstâncias actuais para fingir a coragem que não teve – antes.

...Visita – demorada, esta! - Pareceu-me ouvir!

! Peço desculpa! – Vou sair já...

 

  Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:18

A visita de Ano Novo

Segunda-feira, 26.01.09

Jornal O DESPERTADOR

Nº 244- 14 de Janeiro de 2009

A visita                                             

 

Dei-me conta de que, entre outras obrigações de amizade, também me faltava cumprimentar “O Despertador” expressando os meus desejos de vida feliz neste 2009 que tem apenas uns dias de existência.

Aqui estou, cumprindo esse propósito, do mando do coração, sabendo que se pode aceitar que: - o que não se faz pela Santa Luzia, se poderá fazer em qualquer outro dia...

Remediado o atraso, não calha mal, especulando um nadinha, pensar na pouca, ou nenhuma, razão que motiva a nossa alegria e esperança, sempre que um ano novo se inicia.

É evidente reconhecer que é somando os anos novos que, todos, todos sem excepção, desde que continuemos a viver – nos fazemos velhos.

A sabedoria popular diz que: - do velho se pode fazer novo.

O tempo decreta que, com anos novos se gera o velho e, nem uma coisa nem outra deixa de ser verdade.

Por outro lado, qualquer noite cede o lugar a um dia e, cada dia é tão novo como qualquer outro, seja no começo de uma semana, de um mês, ou de um ano.

Para quem nasce, o ano novo, como todos os que se lhe seguirem, começará nessa data em que viu a luz pela primeira vez.

Também é costume chamar ao ano que começa: - Ano Bom!

Chega a parecer que o ser humano tenta com estes maneirismos conquistar as graças do que é inconquistável, – o tempo.

               

Parece uma espécie de namoro, um fetiche, um suborno…

Acredito em ti! - Tenho esperança em ti! - Ano novo! – Ano bom!

Espero muito de ti!

 Também se poderia especular de forma diversa. Mais sensata talvez!

Ano novo, mês novo, semana nova, dia novo...  

Dentro de nós são que começa tudo... apostemos em nós.

Porque cada dia, cada hora, cada minuto é sempre novo para quem o viver.

É sempre princípio. Não deverá ser necessário o espaço de um ano para plantar ou colher, dentro de nós a esperança ou a mudança, porque os anos, hão-de suceder-se, mesmo quando nós já cá não estivermos para projectar a alteração que deveria ter acontecido logo que a reconhecemos necessária, e fomos adiando para cada ano novo, que até poderemos não chegar a estrear.

AUJAB0021s1WF.jpg

Prometem-nos de todos os quadrantes, um ano difícil!

Veste de luto, este 2009, o ano agora começado.

Veste de negro, porque é de guerras, injustiças, crueldades que se encheram e enchem os seus escassos dias.

Ninguém se demita de se sentir responsável só porque está longe de nós a desgraça.

Tempos melhores, só virão com Homens melhores, e esse esforço, essa luta é de todos nós.

Sabemo-lo bem. 

       asabedoria.jpg

Que os nossos gestos semeiem com coragem, justiça, paz, fraternidade e esperança.

É a minha oração.

 

Maria José Rijo

 

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publicado por Maria José Rijo às 21:26

Um “sepônhamos”

Quinta-feira, 06.11.08

O Despertador

Nº 240 – 31 – Out. -2008

A Visita

  

Assim! Assim mesmo, tal e qual, diria o maioral das vacas

“Ti Carrapiço” – meu grande mestre da sabedoria de viver.

Assim! Assim mesmo, tal e qual, ele que vivia de observações, empíricas deduções e memórias, me diria nesta hora de mal esclarecidas confusões e falsos pudores.

 “ Atão, num sepônhamos, essas criaturas que querem a justiça por mor das ofensas que le fazem, nã se alembrarão do que elas - já –chamaram aos outros só  porque não bebem do mesmo pucro...”

“Atão, num sepônhamos – nã se alembrarão qu’a té em falas de alto ao povo porque nã inguentam que  leiam  noutra cartilha  dizem cada bacorada que se nã ficassem gravadas p´rá gente ouvir até acraditar, agente nem acraditava...

   Atão, num sepônhamos quem arma enredos e engrenages

    com’àquela para

    se esconder por trás dum “homem moço”, e, mais isto

    e mais aquilo...

    ainda por cima falando mal dos que destaparam-na marosca.

    

Assim, com experiência e lucidez, falaria Ti Carrapiço...

 Mas, eu acrescento: - se por um milagre, a essa gente de “coragem” desse Deus a graça da genialidade de, em lugar das preciosas e inteligentes imagens de retórica que constroem – (e, que são mimos de respeito pela liberdade individual, justiça, generosidade, cortesia, boa educação, direitos de cidadania etc... que devem aos seus concidadãos) – puderem manifestar em banda desenhada o seu Respeitoso Amor pelo próximo... como seriam idílicas as suas criações!!!...

 Se calhar o fel que lhes escorre dos camuflados insultos com que mimam quem não põe a coleira e caninamente os segue transformava-se em rosas e nardos...porque, ao que deduzo, o que insulta é o desenho – os impropérios com que nos brindam – são – afinal – o expoente máximo da diplomacia e perfeita educação.

Depois desta brincadeira sobre o ridículo interlúdio com que se propõem distrair-nos em época de - eleições - meu estimado amigo, Manuel António Torneiro que muito considero, vou terminar esta visita da forma que, se calhar, ela deveria ter começado : - obrigada pela maneira como deu a notícia da minha exposição.

Obrigada. Soube-me bem saborear a amizade implícita na deferência que teve comigo.

A dimensão dos grandes, também se mede pela consideração que dispensam aos que não têm cargos importantes.

Obrigada, mais uma vez.

Também quero felicitá-lo pela sua candidatura à Câmara de Elvas. É sempre saudável que alguém que não precisou dos dinheiros públicos para prosperar na vida tenha a generosidade de se candidatar com espírito de serviço.

Só não entendo ou será que todos entendemos bem demais? - Que – só - agora, dois anos volvidos sobre o início da sua publicação, alguém se tenha sentido mal, com os desenhos do Cadete.

Depois de ver o fraternal convívio camarário com elementos que de tudo e mais alguma coisa mutuamente se apodaram – sem reticências – através da imprensa, vêm agora – em altura cirurgicamente escolhida – turvar a superfície das águas...

Será que não se querem ver ao espelho ou, há mistérios no fundo das águas? – O tempo o dirá...

 

Estou-me a lembrar do Santo Padre com um preservativo no nariz

                   

O Vaticano também, como muitos de nós, – não gostou – mas sabendo que a liberdade é o espaço criativo dos artistas e que só pelo exagero vive a caricatura... descontaram o excesso e como o original não tinha mácula – deixaram passar.

 

 Um abraço amigo e as maiores felicidades para si e para a sua campanha. É grato saber que quem nada juntou na política destina à sua terra, de coração, o que amealhou o longo da sua vida.

Parabéns, também a Elvas pela renovação desta candidatura!

 

 Maria José Rijo

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publicado por Maria José Rijo às 20:25

Sabe Deus!

Terça-feira, 12.02.08

Começava a ter saudades, destes dois dedos de conversa que sempre entretêm o espaço de tempo que se ocupa com uma visita.

Mas, todos sabemos que é assim: - metem-se férias, celebração de tradições, encontros e reencontros que as épocas propiciam e, de repente temos consciência que o tempo passou e deixamos para trás muitas coisas que gostaríamos de ter realizado.

Vá então de tentar recuperar o jeito habitual de viver, que, sabe Deus, muitas vezes se corta a contragosto.

E, por ter começado esta visita a escrever “sabe Deus” qualquer coisa dentro de mim me trouxe à memória o fatalismo do fado que, se, se canta, é porque - muito bem - nos canta.

Mas, quer eu escrevesse esse epíteto ou outro, como:

- Quem sabe! -

Sabe-se lá! – Foi Deus!

         Só Deus Sabe! – É a força do destino!

         Quem viver saberá!... Ou: - contará...

         Está no segredo dos deuses... e por aí fora...

         Não estaria tentando títulos certos para fados incertos, ainda que o pudesse parecer.

Estaria aventando conjecturas – mas, conjecturas de esperança, não de desgraças. Porque vividos que estão os pesadelos porque todos temos passado, está na hora de acreditar que o pior já passou.

Que quando a noite finda, é a madrugada que se lhe segue e traz consigo um novo dia.

Essa é a ordem da Natureza – mesmo sobre o caos.

Confiemos.

A gente sabe que as casas nos centros históricos das nossas cidades, se esboroam como biscoitos molhados no chá quente...

A gente sabe que os utentes de cargos políticos e outros, entram para eles cheios de ambições pessoais e saem cheios de dinheiro...

A gente sabe que aqueles que nos deveriam servir de padrão de referência pela dignidade, honestidade, lealdade, rigor com que exercem os seus altos cargos, se expõem dia a dia na televisão e nos jornais a contar, ou, muito, muito pior, a insinuar as piores coisas uns dos outros, desacreditando-se e desacreditando as suas funções e cargos...

A gente sabe, aprendido a duras penas, o que por aí se diz ou, por aí, se faz...

A gente sabe que chegados a este ponto de degradação só é possível acreditar e aguardar o regresso às origens – o recomeço.

A gente ouve que o traçado tal, foi por ali, e não por acolá ou “acoli”...sempre por torpes razões...

A gente ouve que há planos Directores Municipais que fazem piruetas, derrapagens, travagens e avanços impensáveis para passar com seus cortejos de oferendas às portas dos compadres...

 A gente ouve que não tem havido sobreiral ou quinta que tenha conseguido impedir a caminhada dos gigantes das botas altas, que já no tempo das fadas assustavam os indígenas...

A gente, sabe o que ouve, mas a gente não sabe quem o viu, quem garante e prova o que diz...

A gente não esquece o que ouve, e pensa no que, como um eco, se repete... se propaga e nos ofende.

Mas a gente crê, crê com toda a força da esperança que um dia as coisas podem mudar e, mais do que expor no pelourinho os que prevaricaram, é importante começar a apontar os que cumprem, – que também os há-de haver! - Os que fazem bem, os que são justos e segui-los sem desconfiança.

Porque esses sim! Esses é que nos podem mostrar o caminho se ainda o houver como acreditamos.

Tenho a certeza que é mais consolador saber os nomes dos heróis do que dos ladrões.

Todos sabemos quem foi Ali-Bá-Bá.

Dos ladrões, só se diz: que eram quarenta.

Nomes para quê? - Ainda que sejam milhentos...

Herói não é quem rouba.

Herói – é quem salva o tesouro.

 

                    Maria José Rijo

 

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Jornal O Despertador

Nº 226 – 6 de Fevereiro 2008

A Visita

 

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publicado por Maria José Rijo às 20:59

A visita habitual

Terça-feira, 27.11.07

 

 

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Jornal O Despertador

Nº 219 --  31-Outubro - 2007

A VISITA - Nº 13

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Na maior parte das vezes, tudo o que se torna rotineiro, perde aquele encanto, aquela emoção que, o novo, sempre, mais ou menos gera.

Por outro lado, a habituação faz que as coisas se tomem como adquiridas, nossas, e, já só lhes prestemos atenção, quando, por qualquer circunstância nos falham. É assim, é da condição humana - é dos livros...

Vem isto à colação, porque, ao fim de alguns meses de enviar colaboração para o Despertador, para além de saber que, no jornal, contam com ela, eu própria, já interiorizei a preocupação de não desiludir quem em mim confia, e me esforço por cumprir a visita habitual.

            Assim que, no meu dia a dia, vá registando, este ou aquele assunto que me pareça mais a propósito para os dois dedos de conversa que qualquer visita sempre proporciona.

Foi – também, um pouco - com esse intuito que estando muito atenta aos problemas do ambiente, me chamou especialmente a atenção a referência feita à expansão das zonas urbanas, que alimentam o negócio da especulação de terrenos, e podem gerar a perda irreparável das áreas de cultivo, que resolvi focar este assunto.

Punha-se a tónica no empobrecimento que a excessiva área edificada representa como grave ameaça para o futuro. Registei, também, com a maior atenção a crítica feita à proliferação de piscinas particulares e outros hábitos que promovem o consumo insustentável, além de desperdício, de água, como se todos ignorássemos que esse Bem Vital, é – cada vez mais escasso - e paira sobre ele a ameaça de se esgotar, se o seu uso não for gerido com prudente inteligência.

Dei-me então conta que subjacente à atenção que prestava às comunicações, sobre estes assuntos, pairava na minha consciência a certeza de que o culto das aparências, a confusão entre - ser , ter e parecer - que gera a fúria de consumismo  tem tudo a ver com a degradação da “saúde” do nosso planeta.

A ideia de facilidade, instalou-se.

Ninguém mais precisa de tecer a própria meia, a camisola, o cachecol, confeccionar o vestido, o avental, o lençol, não necessita saber fazer a empada, o rissol, o pastel, o bolo... está tudo à venda feito e perfeito, desde o bacalhau à Brás, até ao faisão cozinhado da forma mais exótica, ao javali, à cabeça de xára, passando pelo salmão fumado, as codornizes não sei que mais e, as enguias ou os cogumelos ou as trufas do fim do mundo.

Não há apetite que não tenha resposta nos produtos à venda, desde os vulgares bombons de ginja até às sofisticadas flores cristalizadas, sejam elas violetas ou pétalas de rosa.

 

Tudo o que foi segredo, especialidade carismática de qualquer região, convento ou mistério dos Incas ou Tibetanos está hoje à venda até nas tendas de rua em qualquer feira ou arraial – passe o exagero!  

Tudo se banalizou! – Tudo, na aparência, perdeu a importância, o valor. E, porque tudo está (?) ao alcance de todos, nada se reveste da necessidade e emoção da conquista.

Nada vale nada...

Tudo parece banal...porque se tornou demasiado acessível.

E, a água, que era poupada porque carregada às costas, com trabalho e esforço, é agora aquele líquido que jorra das torneiras sem trabalho e sem esforço... e, é até fácil de desperdiçar...

E, o quintalinho da casa onde uma “Lúcia Lima”, dava as folhinhas para o chá que facilitava a digestão da comida tradicional que transformava a casa em lar, e, fazia sombra para o canteiro da salsa e da hortelã, não existe mais...

 

Porque as casas antigas foram trocadas pelas vivendas – todas com piscinas - que ocupam o lugar das pequenas propriedades de terra cheirosa e fértil...

Assim se foi criando o cenário de decadência das nossas cidades...

Não requalificar, não reabilitar, não recuperar, pode ser- também - atentar contra o património , para além de uma grave forma de poluição. Porque poluir, não é apenas  deitar lixo no chão ...

Do passado parece apenas merecer continuação o velho ditado: - por fora cordas de viola; por dentro pão bolorento...

Disse um dia Leopoldo Sengnor:

“A terra não é nossa. Foram os nossos Filhos que no-la emprestaram”-

Pensemos nisso...

                                  Maria José Rijo

 

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:36

Mais uma visita

Domingo, 25.11.07

          Acontece qualquer coisa fora do usual, e, aqui vamos nós em procura de alguém com quem comentar o facto, na tentativa de esclarecer ideias.

           É evidente que, quem vive só, nem que seja pelo telefone, chama alguém com quem possa trocar impressões, quando as situações não lhe parecem muito lineares. Se, porventura não tiver um destinatário especial para o assunto que o surpreende, ocupa ou preocupa e tiver a possibilidade de, por outra forma, procurar quem o entenda, não deixará de o fazer.

           É o caso.

           Comecei por dizer: acontece qualquer coisa fora do usual...

            Reparo agora, na falta de rigor, como me expressei – é que o meu problema resulta de ter verificado como vai sendo – normal – o Senhor Primeiro MinistroPrimeiro-Ministro José Sócrates mostrar-se desatento à cortesia, à maneira polida, que deveria utilizar, quando em funções, se dirige aos seus pares, quer na Assembleia da Republica, quer a visitantes do nível dos que compunham a Cimeira da União Europeia.

            Porque na Assembleia da Republica,

                                           

 só escuta palmas do seu Partido, enfurece-se, perde a compostura e vocifera acusando todos de dedo em riste como se fora o senhor do mundo num juízo final. Depois, em jeito de menino de rua, volta, não volta, trata todos por – vocês! 

           Quando bem disposto, alegre, disse para, visitantes do nosso país - como se estivesse no encerrar de um piquenique, marcando um outro : - espero por vocês, em treze de Dezembro! – Fazendo pensar ter caído em desuso a simples forma:- espero por vós, ou, espero-vos...

           É que, não estando o “vocês” errado – porque não está - do ponto de vista protocolar é um tanto desastrado.

            Deselegante, para quem tem diplomas de cursos superiores e obrigações de Estado.

           Estas coisas, entristecem os portugueses.

            Entristecem, e por mim falo, porque todos gostamos de ser representados por pessoas que possamos admirar e, não é o facto de andarem bem vestidos, terem boa figura, usarem fatos e gravatas que custam mais do que alguns salários mínimos juntos, que os tornam estimáveis ou respeitáveis.

                           

          Não. Não é isso!

           Nós, já nem perdemos tempo a pensar porquê o dinheiro que para algumas classes nunca falta para outro nível de portugueses, mal chega para sobreviver...

           Já só pedimos que nos representem com dignidade e boa educação, porque neste plano inclinado, qualquer dia, em jeito de anedota aparecem a dizer que não pagam pensões, porque se acabou o cascanhol, o pilim, ou coisa semelhante. E, ficam-se a rir tão divertidos como se mostram na

Assembleia, a falar de miséria, doença e toda a parafernália de problemas que assolam o País...

Quando um político vem à televisão dizer que outro berra, esquece que refere os seus “pares” e, consequentemente reconhece que se a berrar se comunicam, “berrar” – lhes é – comum ou próprio e, assim se declara da espécie dos “berrantes”, porque dos “falantes” são as pessoas que, como nós, com paciência e boa educação aturamos estas pamplinadas.   

Se dissesse gritar – falava verdade - e, não se rebaixava a si  próprio, nem ofendia  o Parlamento representação de um país – de todos nós .

Se quando a oposição fala, o Senhor Primeiro-ministro, não exibisse o sorriso de escárnio de quem só se gosta de escutar, a si próprio, e mostra não saber dialogar, mas sim, a coberto do poder – achincalhar, esmagar... se...se...se... talvez...

Assim... salvo raro excepções, lamento muito mas não me posso sentir representada pelos actuais políticos. Lamento que gente arrogante, sem respeito pelo “outro” me represente.

Revejo-me no povo, que povo sou, mas não na “picorrilha”no que ela possa representar de grosseira provocação seja em representantes de Poder Local ou Central.

Penso que, como eu, a maior parte dos portugueses, já que da maioria dessa classe, não se pode orgulhar por serem bons políticos, por encararem os graves problemas do país como se seus fossem... pelo menos gostaria de os admirar por darem exemplo de boa educação, civismo e civilidade.

É, no mínimo o que se lhes pode pedir, para que nos reste, sempre, o orgulho de sermos portugueses.

                                                                  Maria José Rijo

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Jornal O DESPERTADOR

Nº 220 – 14 – Novembro -2007

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Muitos Beijinhos para a DOLORES 

 

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publicado por Maria José Rijo às 19:00





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Pensamentos de Mª José

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@@@@ O caminho acaba ali... Ali onde começa a descoberta, O caminho é sempre estrada feita O fim do caminho É uma porta aberta... Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Quando o homem se render à força que o amor tem e a arma for oração pulsará na vida a paz como bate um coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Ser semente do futuro, é a mensagem de esperança, Que como um recado antigo, A vida nos dá a herança.- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@ Eu penso, que é saudável e honesto reconhecer e respeitar as diferenças que nos individualizam no campo, também dosi deais.----- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@ Há uma tal comunhão entre a obra e o autor Que até Deus concebe o Homem e o Homem - o Criador! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ UMA IDEIA : É uma LUZ que se acende i nesperadamente no nossos espirito iluminando um caminho novo. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Sei para onde vou- pela ansia de galgar a distância- de onde estou- para o que não sou. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ A solidão é o que preenche o vazio de todas as ausências. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Quando na vida se perde, Um amigo ou um parente, P’ra que serve a Primavera? Se o frio está dentro da gente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Mesmo sobre a saudade, a doçura do Natal, embala cada coração como uma música de esperança. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Em passadas de gigante nobre de traça e idade vem da nascente p'ras fontes dar de beber à cidade. -- Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Nas flores como nas pessoas, ás vezes a aparente fragilidade também pode esconder astúcias e artificiosos bluffes ”. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ A cada um seu direito, A cada terra seu uso, A cada boca um quinhão, A cada roca seu fuso, Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Seja cada dia um fruto- Cada fruto uma semente- Cada semente o produto- Dos passos dados em frente. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Coisas e loisas esparsas- Como a ferrugem – se pica- Como a lama dos caminhos- Se pisada… nos salpica. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Todos os dias amanhecem Crianças Pássaros Flores ! Sobre a noite das crianças Pássaros Flores que já não amanhecem Amanhecerá! Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@ Ao longe vejo Olivença Mais perto, Vila Real A meus pés o Guadiana Correndo manso – na crença De que tudo é Portugal Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Pátria sagrada de povo, Que emigrada- ganha pão, estás repartida- mas viva Se te bate o coração. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Portugal mais se define Onde a fronteira se traça Pode partir, mas não dobra Quem defende Pátria e Raça Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@ Bom seria se os recados do nosso coração chegassem ao ouvido de quem os motiva, porque então saberíamos como somos queridos e lembrados sem necessidade de telefones ou cartas. As comunicações seriam de coração para coração como a música de alma que se soltasse de um poema. Maria José Rijo @@@@@@@@@@@@@@@@@@

LIVROS PUBLICADOS:

-E vim cantar- 1955@ -Paisagem- 1956@ -Rezas e Benzeduras- 2000@ @@@@@@@@@@@






ARTIGOS PUBLICADOS Em :

Jornal Linhas de Elvas - Desde 1950 @ @@@@@@@@@@@ Jornal da Beira - (Guarda) @@@@@@@@@@@ Jornal da Ilha Terceira (Açores) @@@@@@@@@@@ Jornal O Dia @@@@@@@@@@@ Jornal O Despertador @@@@@@@@@@@ Revista Norte Alentejo @@@@@@@@@@@


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